sábado, 24 junho 2017

Esperança... e mais esperança!

Escrito por sexta, 09 dezembro 2016 17:09
A palavra Esperança foi a última que utilizei no texto do mês anterior. Com a aproximação da época natalícia e do final do ano, a mesma palavra tem uma força em si só ainda maior. Num ano difícil como este parece-me ser de bom-tom realçá-la como forma de ambicionar um novo ano muito melhor do que este de 2016.
 
Este ano trouxe, de facto, muitas complicações ao mundo, trouxe muitas perdas de gente, famosa ou não, que sempre fez parte das vidas de cada um de nós, mas, na realidade, também trouxe coisas boas. Veja-se por exemplo o desporto. Como amante do futebol em particular e do próprio desporto em geral, ainda que possa ser criticado por ocultar outros feitos do desporto nacional, devo realçar cinco acontecimentos marcantes neste ano, a conquista do Tri Campeonato de futebol do meu BENFICA, a conquista inédita do Campeonato Europeu de Futebol por parte da selecção de PORTUGAL, a conquista, também por PORTUGAL, do Campeonato Europeu de Hóquei em Patins, algo que não acontecia há 18 anos, a conquista de uma medalha olímpica no Rio de Janeiro por parte da judoca Telma Monteiro, que na realidade, para o nosso país soube a pouco, e finalmente o primeiro apuramento de sempre da selecção portuguesa de futebol feminino para uma grande competição internacional que, no caso, se trata do Campeonato da Europa a realizar na Holanda no próximo ano.
 
Para ser sincero, a nível pessoal, este ano não me vai deixar saudades nenhumas, tive saúde é certo, mas a nível familiar essa mesma saúde não esteve como todos esperávamos. O mês de Janeiro foi, quanto a mim, o pior de todos, aquele que mais “abalo” deu ao psicológico da família.
 

Dizem que a esperança é a última a morrer, que é verde e que é a que faz superar o desespero. Eu digo que a esperança não tem cor, ou então que tem todas as cores, não só é verde, é azul, amarela, vermelha, branca, laranja, ocre, anil, violeta, púrpura, carmim, bordeaux. A esperança pode sim fazer superar o desespero mas acredito que, para muitos, os que sofrem de incessantes dores físicas mas também de dores psicológicas, seja o fim da vida a derradeira esperança. Se calhar teríamos que dividir aqui a esperança em boa e má mas como isso é de tal forma subjectivo, se calhar é melhor nem continuar este assunto e parar por aqui.

Uma coisa é certa, já tenho idade suficiente para começar a perceber que a vida nem sempre é como esperamos e que a todos os segundos que passam estamos com mais idade. Não quero nunca pensar que os meus “velhotes”, um dia, caminharão rumo a outras paragens, eu juro que me tento mentalizar que isso um dia acontecerá mas não consigo não ter esperança que seja só um dia muito, muito longínquo. Sim, eu sei que quanto mais idade temos mais maleitas nos aparecem e a esperança de vida vai diminuindo. Mas não diminui ela todos os dias? todas as horas? todos os minutos? todos os segundos? toda a vida? Eu tenho essa consciência, no entanto quero acreditar que todos viverão até, pelo menos, aos 150 anos com qualidade de vida.
 
Irracional! É verdade, às vezes (muitas) consigo ser assim, irracional mas, na verdade, é também essa irracionalidade que faz com que tenha bem viva a luz da esperança. É essa irracionalidade que me faz acreditar que o mundo viverá em paz, com as iguais diferenças de cada um, com o respeito mútuo por opiniões divergentes, com justiça, com responsabilidade, com alegria, amizade… é essa irracionalidade que me faz ter a confiança no equilíbrio, naquilo que tem faltado nos dias de hoje que é sabermos colocar-nos no lugar do outro, olharmos para o outro e não só para o nosso umbigo… é essa irracionalidade que me faz crer que as pessoas vivam as suas vidas e não as dos outros, que me faz ter a expectativa de não haver preconceitos, que me faz ter a ilusão de vivermos todos unidos e embriagados de um amor infinito. Talvez seja utópico da minha parte pensar desta maneira mas, de certa forma, a esperança também é utopia, fantasia, sonho. No entanto está mais que provado que há sonhos que se realizam, certo? Também é certo que diariamente a esperança é posta à prova pelos inúmeros acontecimentos quase irreais do nosso mundo. Muitas vezes chego a pensar se não será pela esperança que surge a infelicidade, por exemplo por não se conseguir almejar algo que sonhávamos e para o qual a esperança fez o favor de nos alimentar a expectativa, mas depois há sempre uma nova esperança que surge, que faz voltar a alimentar a ilusão e me faz desacreditar daquele pensamento. É como que uma espécie de ciclo que vive de esperança em esperança.
 
Dizem que a esperança é a última a morrer, que é verde e que é a que faz superar o desespero. Eu digo que a esperança não tem cor, ou então que tem todas as cores, não só é verde, é azul, amarela, vermelha, branca, laranja, ocre, anil, violeta, púrpura, carmim, bordeaux. A esperança pode sim fazer superar o desespero mas acredito que, para muitos, os que sofrem de incessantes dores físicas mas também de dores psicológicas, seja o fim da vida a derradeira esperança. Se calhar teríamos que dividir aqui a esperança em boa e má mas como isso é de tal forma subjectivo, se calhar é melhor nem continuar este assunto e parar por aqui. Nem consigo sequer imaginar, e para ser sincero também não quero, a enorme dificuldade de quem sofre e a quem a esperança insiste em empurrar a vida para a hora ou para o dia seguinte. É como que um ciclo dentro de outro ciclo, dentro do outro tal ciclo das esperanças. Não sei se me fiz entender com esta confusão toda.
 
Mas eu sou positivo, e como positivo que sou, entendo a esperança presente mas com ambição de futuro. No fundo quase que me considero um “vendedor” de esperança. Talvez vendedor não seja o termo correcto, se calhar é mais transmissor de esperança. Sim porque eu acredito veementemente e tenho esperança num futuro melhor para todos e como o futuro deste estranho ano de 2016 é o mesmo de todos os anos, terminar em 31 de Dezembro, só há a esperança que o próximo seja bem melhor do que o anterior.
 
A todos um Feliz Natal e um ano de 2017 cheio de boa? esperança.
 
* Professor Luís Parente

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