segunda, 23 outubro 2017

Luís Parente

Quase 12 anos

Quase 12 anos

Há quase 12 anos, durante o mês de Agosto, o meu telefone tocou. Do outro lad ...

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Vamos dançar?

Escrito por sexta, 28 abril 2017 20:20
Para ser sincero sou aquilo a que se pode chamar de autêntico “pé de chumbo”. Não tenho o mínimo jeito para dançar. Coreografias, movimentos amplos, movimentos curtos, de pés, de mãos, de ancas, não percebo nada, mesmo. Naturalmente que ao longo da minha vida, muitas foram as ocasiões em que tive mesmo que dançar, quer dizer… dançar não é o termo mais correto, talvez seja melhor chamar-lhe qualquer coisa como “ocasiões em que fui quase obrigado a efectuar movimentos ritmados ao som de uma música”. Adoro música, adoro bater o pé ao ritmo de uma música, adoro fingir que toco bateria, transformo qualquer coisa em baquetas para tentar reproduzir o som da percussão, canetas, talheres, as próprias mãos, tudo serve para fazer “barulho”, ao ponto de, por vezes, em casa, ter alguém a dizer-me que já chega… eu tenho a noção que às vezes é difícil controlar-me neste aspecto. Mas quando toca a dançar… Ui!!! Valha-me Deus!!! Quando era mais novo, para não fazer figuras tristes nos bailes ou nas discotecas, optei por uma situação que, de alguma forma me pudesse proteger para não cair no ridículo, em primeiro lugar observava atentamente tudo o que me rodeava (a bater ritmadamente o pé ao som da música), a forma de uns e de outros se movimentarem, o local onde punham as mãos, se elas próprias faziam ou não parte das criativas coreografias que por lá apareciam. Algumas eram talvez um pouco excêntricas. Ao fim e ao cabo depois de tanta observação eu já conseguia distinguir as clássicas das excêntricas, pelo menos pensava eu…
 
A este propósito, de danças estranhas, recordo-me, numas férias no Luso irmos com o nosso grupo de jovens amigos, que se juntavam todos os anos no INATEL daquela localidade, à discoteca do Grande Hotel curtir a música daqueles finais dos anos 80. De entre dez a quinze jovens rapazes e raparigas destacou-se claramente na inovação da sua dança o amigo Filipe, um rapaz de Matosinhos com um sentido de humor fantástico (típico das gentes do norte) que com os seus movimentos como se estivesse a fazer exercícios de ginástica ou a correr (parado), sempre naqueles 50 centímetros quadrados, fazia com que ao seu redor ninguém ficasse indiferente… era uma risada geral. O que mais me intrigou na altura foi o sucesso da sua coreografia, se é que assim lhe posso chamar, junto do público feminino. Como é que aquele rapaz franzino, que dançava de forma ridícula (fala o entendido…) conseguia dominar a pista de dança e… as meninas? Ele lá sabia! Sabia que os seus movimentos atraíam a gargalhada e tinham sucesso no sexo oposto, e por isso, descomplexadamente, não hesitava um único segundo e continuava a dar o seu “show” para gáudio do pessoal. 
 

Para ser sincero, o meu relacionamento com a dança é estranho, como disse não tenho jeitinho nenhum, mas há músicas que me fazem alterar completamente a noção de equilíbrio, há músicas que me fazem apetecer movimentar-me como um louco. Se estiver em casa ou até num grupo restrito de amigos até sou capaz de fazer a malta rir um bocadinho, se for em público adopto, naturalmente o “movimento horizontal de pés, esquerda encontra direita, direita encontra esquerda”.

Depois de reflectir não só sobre o que tinha ali assistido, mas também sobre a memória, sempre viva, dos meus pais a dançarem nos bailes da Sociedade dos Artistas (eles sim bons dançarinos!), onde o meu pai (que era de tamanho pequeno) dançava agarrado à minha mãe com a cabeça encostada ao seu peito, por ser até aí que a sua estatura o levava, formando ali um cenário igualmente engraçado e igualmente descomplexado, cheguei à conclusão que era altura de parar de só bater o “pézinho” e passar àquele que até hoje utilizo e se pode assemelhar a um passo de dança, o por mim chamado “movimento horizontal de pés, esquerda encontra direita, direita encontra esquerda”. Que nome mais estranho e comprido! (nem queiram saber o nome que eu inventaria se o passo de dança fosse mais complicado). Deste modo consegui arranjar uma boa forma de colocar e movimentar ritmadamente os pés, acompanhando com clareza a métrica da música. E então as mãos? O que é que fazia às mãos? Para saber o que fazer com elas também tive os meus momentos de observação, observei todas as suas formas de movimentos e a conclusão a que cheguei é que, nada melhor que dançar com uma bebida na mão, pelo menos só temos que nos preocupar com a outra, visto que uma já fica ocupada. 
 
Ultrapassada que foi a vergonha ou o receio do ridículo, comecei a desenvolver a técnica nos bailaricos das aldeias e em algumas discotecas da região. 
 
Na irreverência dos meus 18 anos entendi deixar crescer o cabelo e, quando o mesmo já estava efectivamente grande, sucedeu comigo o impensável. Eu era talvez 50 quilos mais magro e um dia, numa tarde de domingo, num grupo de amigos, resolvemos ir a uma matiné a uma discoteca em Elvas (naquela altura ainda havia matinés, agora, sinceramente, não sei se há). Montados na carrinha Peugeot 504 do João Carlos, aí fomos nós até à discoteca “Luigi”. Até aqui nada de estranho, o estranho passou-se lá dentro quando, pouco depois de me ter aventurado na arte do “movimento horizontal de pés, esquerda encontra direita, direita encontra esquerda”, um cromo, certamente com falta de vista, me confundiu com um elemento do sexo feminino e me pediu para dançar. Naquela altura a minha reacção foi só uma: “Desaparece daqui antes que te parta os…” enfeites, para não ser malcriado. O rapazito meteu o rabo entre as pernas e, obviamente, marchou-se. Naquele dia fiquei de novo a duvidar se a minha técnica de dança já estaria suficientemente consolidada para ser exposta ao público, cheguei a pensar se a mesma seria até efeminada. No entanto cheguei à conclusão que o problema era mesmo o tamanho do cabelo, ainda assim, e porque gostava de me ver com ele comprido, não o cortei mas tomei uma outra decisão para que não voltasse a acontecer nenhum episódio semelhante, deixar crescer a barba. Deu resultado! 
 
Talvez por não perceber nada da prática de dança (sim, porque a teoria sei-a toda!) tenha insistido para que, mais tarde, as minhas filhas frequentassem aulas de ballet na Classe de Dança do Orfeão de Estremoz “Tomaz Alcaide”, pelo menos tenho a certeza que não passarão muito tempo a observar, tímida e parvamente como o pai, as danças dos outros.
 
Para ser sincero, o meu relacionamento com a dança é estranho, como disse não tenho jeitinho nenhum, mas há músicas que me fazem alterar completamente a noção de equilíbrio, há músicas que me fazem apetecer movimentar-me como um louco. Se estiver em casa ou até num grupo restrito de amigos até sou capaz de fazer a malta rir um bocadinho, se for em público adopto, naturalmente o “movimento horizontal de pés, esquerda encontra direita, direita encontra esquerda”. 
 
Bem, mas o propósito que me faz trazer este tema ao “Ardina” não é demonstrar os meus feitos ou peripécias na arte da dança. O que me faz trazer este tema é, efectivamente, enaltecer e dar destaque a todos quantos fazem da dança uma forma de vida, ainda que não profissionalmente mas que vivem a dança com intensidade e o demonstram publicamente e com uma qualidade absolutamente extraordinária através dos inúmeros grupos que vão proliferando por esse país fora. 
 
Existem inúmeros géneros de dança, a primitiva, a étnica, a cerimonial, a tradicional, a clássica, o ballet, a dança contemporânea, a dança de rua, o fandango, o flamenco, a dança teatral, o funaná, o hip-hop, o jazz, o Kizomba, o kuduro, a lambada, o samba, a polca, o folclore, o swing, a salsa, a dança de salão, o sapateado, o zumba, a dança no gelo, o break dance, a dança do ventre, de sedução, o tango, as danças africanas, orientais, enfim estaríamos aqui, seguramente, muitíssimo tempo só a falar de tipos de dança e das suas infindáveis variações. Há, de facto, alguns géneros que criam em mim algum fascínio pela sua beleza estética, como são o caso do tango ou da salsa, no entanto, noutro sentido, delicio-me com a perfeição e rigor do ballet clássico e com a liberdade criativa da dança contemporânea.
 
No próximo sábado, dia 29 de Abril, comemora-se o Dia Internacional da Dança. O objectivo da UNESCO em 1982 foi o de criar um dia que pudesse universalizar aquela arte, independentemente dos povos, das culturas, da ética, da religião ou dos sistemas políticos. 
 
Ainda que a UNESCO o não tivesse feito, teríamos sempre que reconhecer a importância da dança ao longo dos tempos, desde a pré-história, ao antigo Egipto, à Grécia antiga, à Idade Média, ao Renascimento, até mesmo aos nossos dias. De uma forma ou outra a dança revelou-se de extrema importância para a evolução do Homem, por isso mesmo há que a celebrar. Celebrar a dança é respeitar o rigor e movimentar-se entre silêncios… é revelar controlo no descontrolo… é ensinar mas também é aprender… Celebrar a dança é valorizar a expressão das emoções, dos sentimentos… Celebrar a dança é dar ao corpo a capacidade do movimento articulado ao som da música… Celebrar a dança é trazer para fora o que a alma transmite… é trazer liberdade ao som e à expressão corporal… Celebrar a dança é viver de ideias, é viver de ideais… Celebrar a dança é trazer o amor para fora… Celebremos então a dança! 
 
Da minha parte celebrá-la-ei sempre com o seguro, discreto e habitual “movimento horizontal de pés, esquerda encontra direita, direita encontra esquerda”.
* Professor Luís Parente

Desta água beberei…

Escrito por quinta, 20 abril 2017 15:01
É muito usual utilizarmos a expressão “nunca digas desta água não beberei que o caminho é longo e pode apertar a sede”. Somos feitos de vida, olhamos à nossa volta e vemos vidas tão diferentes das nossas, tão distantes às vezes, porque a vida traçará o nosso caminho e deixamo-nos ir ou seremos nós a traça-lo e a deixar a vida correr?!
 
Cruzamo-nos uns com os outros, conhecemos tantas vezes as histórias, os encontros e desencontros, somos juízes atentos e plenamente convencidos, tanta vez, que faríamos diferente, connosco jamais aconteceria isto ou aquilo porque somos e estamos convictos de um auto conhecimento quase inabalável e inflexível. Somos assim, como um ato consumado, fechamo-nos ao outro e à vida e vivemos tantas vezes com uma sede insaciável de beber, de provar as águas que correm enquanto a vida corre também, sede de viver o que ainda não vivemos mas que sonhámos, quem sabe? e ficou no fundo do baú da nossa infância e juventude, sede de sentir, sede de abraçar, sede de beijar, sede de partilhar e dizer sem medo “desta água eu vou beber porque é ela que me mata a sede” sem medo de ser feliz, sem medo do que não conheço mas que pode enriquecer-me como pessoa, sem medo de dar de peito aberto e mão estendida para acarinhar e beber da água que nos arranque das certezas que pensamos ter, sem medo de sair do que é confortável e aparentemente seguro.
 

...porque enquanto a água correr, sede eu vou sempre ter e desta água beberei porque o caminho é longo e a sede vai apertar ou terei de atracar num qualquer lugar… porque assim teve de ser ou porque esta é a água que me faz viver, mas dela precisarei sempre beber!

Continuamos com sede, porque demos de beber e não bebemos, porque matámos a sede e não saciámos a nossa e quando a sede apertar e a boca nos secar, então “desta água beberemos” da água que nos faz cair a máscara do perfeito ou imperfeito, a máscara que nos serviu tanta vez para arrancar sorrisos em vez de lágrimas, da máscara que nos despe e nos revela diante do outro como igual e semelhante e descobrimos que temos a mesma sede e bebemos da mesma água e chegamos a brindar termo-nos encontrado. Porque entende e eu entendo porque te permites e eu me permito, sentarmo-nos lado a lado e sermos apenas e somente pessoas.
 
São tantos os rios que correm, nascentes que rebentam, mares que se revoltam e a sede que aperta… Afinal todos temos sede, afinal e continuarei a afirmar que não seremos assim tão diferentes, uns navegam em mar alto, outros em rios extensos, outros ainda em pequenos riachos mas a corrente pega em todos e levar-nos-á até à margem onde descansaremos da travessia que fizemos, as tempestades que atravessámos, as paisagens que admirámos, as aventuras que vivemos, as vezes que quase naufragámos e o que deixámos pelos portos por onde passámos…
 
Sim “desta água beberei” da tua, da tua e da tua, quero beber de águas diferentes que matem a sede de aprender, de crescer, de perceber, de ouvir, de sentir e de viver, águas com sabores diferentes, cores diferentes mas que me matem a sede do que ainda não sei … porque enquanto a água correr, sede eu vou sempre ter e desta água beberei porque o caminho é longo e a sede vai apertar ou terei de atracar num qualquer lugar… porque assim teve de ser ou porque esta é a água que me faz viver, mas dela precisarei sempre beber!
 
Confuso? Talvez não… Matem a Vossa Sede enquanto Vivos e partilhem águas de Querer Ser… (Água para beber)!
* Psicóloga Helena Chouriço

Recentemente tive a oportunidade de fazer uma declaração política a título individual na Assembleia da República. Pretendi fazer uma comparação entre o trabalho do anterior e do atual governo em prol do distrito de Évora.

Sobre o sector agrícola, defendi a simplificação dos procedimentos de pagamento dos apoios aos agricultores no âmbito do PDR2020, o apoio do investimento comunitário público no regadio, a continuação da expansão irrigada pelo EFMA (Alqueva).
 
Quando o PSD esteve no governo (em coligação), recordei que se cumpriram os calendários e simplificaram os procedimentos de reembolso aos agricultores. Deu-se um rumo à agricultura com investimento e apoios concretos. Exemplos da conclusão da barragem de Veiros, do alargamento do regadio na Barragem da Vigia e de Lucefecit. E o que é que fez este governo com o apoio da geringonça? Haverá algo que nos possam mostrar?
 
No que respeita à valorização dos recursos endógenos do distrito, recordei que o governo liderado por Passos Coelho implementou o Plano de Ação Regional, definiu a Estratégia Regional de Especialização Inteligente, programou o Alentejo 2020 com as maiores verbas de sempre para a região, consolidou a atividade turística e a internacionalização do destino e apoiou a expansão de unidades turísticas regionais. Terá sido pouco? Não me parece! O que se espera é que este Governo venha a acrescentar ao que o anterior concretizou.
 

Enquanto fomos governo, em 14 concelhos, conseguimos criar 6 novos centros de saúde. Pergunto o que é que este governo nos tem para apresentar? Zero, a não ser problemas nos Centros de Saúde e falta de médicos (sobretudo especialistas) e equipamentos.

Ao nível da promoção da empregabilidade e qualidade do emprego, o PSD defende o apoio à expansão produtiva empregadora no tecido económico regional, privilegiando a contratação de desempregados de longa duração, maximizar as oportunidades de apoio à geração de emprego das atividades com caracter sazonal. 
 
Quando fomos governo apostámos na qualificação das infraestruturas e nas comunicações de suporte à atividade económica (ex: criação do Parque de Ciência e Tecnologia do Alentejo, Incubadora de base tecnológica Evoratech, Incubadora da ANJE, Centro de Negócios do NERE, etc, etc, etc). Pergunto: o que é que este governo nos tem para apresentar? Pergunto aos partidos que suportam o governo o que é que nos têm para apresentar?
 
Quanto ao sector da saúde, afirmei que o PSD propõe: melhorias do funcionamento da rede distrital de cuidados de saúde, garantir o melhor funcionamento dos equipamentos existentes, apoiar os cuidados de saúde primários, investir no Hospital Regional do Alentejo.
 
Enquanto fomos governo, em 14 concelhos, conseguimos criar 6 novos centros de saúde. Pergunto o que é que este governo nos tem para apresentar? Zero, a não ser problemas nos Centros de Saúde e falta de médicos (sobretudo especialistas) e equipamentos.
 
Depois de expor as propostas do PSD e o trabalho feito pelo anterior governo em matéria de sector social (vários lares criados no distrito: ex: Liga dos Combatentes em Estremoz, Lar da Misericórdia de Estremoz, Lar da Azaruja, Lar de Infância e Juventude Montemor, etc, etc), educação (renovação dos equipamentos escolares do distrito), juventude (ex: Pista de Atletismo e Campo de Rubgy em Évora, conclusão da Pousada da juventude em Évora) e cultura (ex: recuperação da Igreja de São Francisco em Évora, etc, etc, etc).
 
E a pergunta é a mesma: O que é que este Governo e os partidos que o suportam nos têm para mostrar? Nada.
 
Conclui a minha intervenção manifestando que a governação liderada pelo PSD tem muito trabalho para mostrar. Ao contrário, o atual executivo leva 17 meses e não tem nada para mostrar no distrito de Évora.
 
Fica lançado o desafio.
* Deputado António Costa da Silva

O Futebol dos Campeões Europeus

Escrito por quinta, 13 abril 2017 14:41
Fomos Campeões da Europa e pouco aprendemos. Aliás, não aprendemos nada e agora continuamos a ser notícia, lá fora, mas pelas piores razões. No país Campeão, há um constante clima de suspeição em relação à arbitragem. As nomeações dos árbitros, semana após semana, entram na ordem do dia e parecem ser mais importantes que a preparação das equipas. São analisados, até à exaustão, os erros dos árbitros e estes rapidamente se transformam nos maus da fita.
 
No país que é Campeão Europeu, foi "montada" uma claque de apoio à Seleção, em que o seu rosto mais visível é o chefe da claque dos "Super Dragões" e que têm recebido, por esse mundo fora, medalhas de bom comportamento. A uma semana do clássico da Luz, a claque organizada e apoiada pelo FC Porto esteve no Estádio da Luz a apoiar a equipa da casa. Parece confuso? Não, é o Futebol Português. Seria até bonito se tudo fosse normal e se vivesse o futebol e o desporto de outra forma. Na realidade atual, e com estes protagonistas, só poderia dar no que deu: cânticos despropositados e ambiente hóstil, num jogo importante da Seleção de Portugal, a tal que foi campeã.

 
No país Campeão Europeu, os Diretores de Comunicação dos clubes grandes têm protagonismo. Aqueles que deveriam ser os responsáveis pela comunicação e imagem do clube, fazem questão de ser protagonistas e de, eles próprios, entrarem na guerra de palavras. Não basta os presidentes, jogadores, claques e treinadores, agora também toda a gente sabe os nomes dos Diretores de Comunicação.
 
No país Campeão Europeu, os árbitros têm medo de apitar certos clubes dos Distritais. Ou seja, em início de carreira, certos árbitros já têm medo e não sabem o que pode acontecer durante um jogo. O que falta para existirem punições severas para quem agride, tanto na justiça desportiva como na justiça cívil? O que pensarão os jovens árbitros quando vêm adeptos "visitar" o Centro de Estágios dos seus ídolos?
 

No país Campeão Europeu, não há adversários, há inimigos. Os adeptos não gostam de futebol, gostam sim do seu clube e querem que ele ganhe, seja de que maneira for. Os próprios adeptos, são levados para estas brigas por quem, tendo muita responsabilidade, faz questão de manter o clima tenso e de constante guerrilha. Interessa é ganhar e o inimigo perder, seja no futebol, no andebol, no ténis de mesa ou até no berlinde. Estas constantes guerras de palavras, e que felizmente ainda são só de palavras, fazem com que se cultive ódio pelo inimigo e pouco respeito pelo adversário.

No país Campeão Europeu, demora uma enternidade, numa competição profissional, a ser analisado um caso que escapou ao árbitro. Também neste país, são outros clubes que não estiveram no jogo em questão a realizar as queixas. Por falar em queixas, neste país, há quem ache que os árbitros se vendem por uns jantares e uma camisola. 
 
No país Campeão Europeu, os jornalistas são vistos como "queridos inimigos". A ideia que passa é que são deste e daquele clube e por isso escrevem isto ou aquilo. Se escrevem a nosso favor, são os maiores e isentos. Se lemos algo de que não gostamos, é porque são deste ou daquele clube e não conseguem disfarçar. Só quem está completamente fora da realidade, ou com más intenções, é que pode dizer que um jornalista veste a camisola de um clube quando está a trabalhar. Neste mesmo país, os comentadores de futebol recebem "cartilhas orientadoras". Seria, digo eu, muito útil se fossem esclarecimentos eficazes. Ataques aos "inimigos", bastam, e sobram, os que já existem.
 
No país Campeão Europeu, uma claque organizada e apoiada pelo seu clube dá-se ao trabalho de entoar cânticos onde mistura tragédias com futebol, para assim demonstrar ódio ao rival. Neste mesmo país, antes de um clássico, é lançada confusão com os bilhetes e colocadas em causa questões de segurança de quem apenas quer ir "ver a bola".
 
No país Campeão Europeu, não há adversários, há inimigos. Os adeptos não gostam de futebol, gostam sim do seu clube e querem que ele ganhe, seja de que maneira for. Os próprios adeptos, são levados para estas brigas por quem, tendo muita responsabilidade, faz questão de manter o clima tenso e de constante guerrilha. Interessa é ganhar e o inimigo perder, seja no futebol, no andebol, no ténis de mesa ou até no berlinde. Estas constantes guerras de palavras, e que felizmente ainda são só de palavras, fazem com que se cultive ódio pelo inimigo e pouco respeito pelo adversário. 
 
Depois, levamos certos "banhos" de fair-play como aconteceu no caso do Dortmund com o Mónaco. Partilhamos logo no Facebook e aplaudimos. Passado pouco tempo, já estão uns a gritar que o "Avião da Chapecoense deveria de ser o do Benfica". 
 
* Jornalista José Lameiras

Idiotas precisam-se

Escrito por sexta, 31 março 2017 12:10
A ideia hoje é falar de idiotas. Há idiotas em todo o lado, literalmente. No futebol, na igreja, no café, no espectro político, na rua, enfim, em todo o lado… mesmo! Onde quer que haja uma pessoa há um idiota. Quando falo em idiotas não falo só da forma depreciativa que o termo acarreta, falo também da maravilha da ideia. As duas palavras (ideia e idiota) diferem bastante quanto ao seu significado. De acordo com os dicionários que consultei, para tentar entender um bocadinho mais sobre os seus significados e estabelecer, de certa forma, um paralelismo, verifiquei, efectivamente, a diferença entre eles. Se por um lado a ideia nos traz palavras como pensamento, lembrança, memória e fantasia entre muitos outros, idiota leva-nos mesmo para a imbecilidade, para a estupidez, para a ignorância, para a palermice ou mesmo para a burrice. Ainda assim continuo a achar que faz todo o sentido interligar uma com a outra, sim porque há ideias aparentemente idiotas que se provaram mais que acertadas quando efectivamente provadas.
 
Inúmeras ideias que foram surgindo no decorrer dos tempos, muitas delas absolutamente geniais que acabaram por mudar os diferentes paradigmas do mundo, terão partido certamente de completas idiotices, palermices sem aparente sentido. O que é certo é que acabaram por se revelar de grande utilidade para a humanidade em determinada altura. A roda que fez com que tudo mudasse, a bússola que se revelou de extrema importância na expansão do mundo que se conhece principalmente dos séculos XV a XVII, a imprensa do alemão Johannes Gutenberg, a lâmpada eléctrica de Thomas Edison, o telefone de Graham Bell ou mais recentemente a rádio, a televisão, a internet e todo um novo mundo que se desenvolveu a partir destas e de outras supostas idiotices sem qualquer nexo.
 

Quando falo em idiotas não falo só da forma depreciativa que o termo acarreta, falo também da maravilha da ideia. As duas palavras (ideia e idiota) diferem bastante quanto ao seu significado.

Há riscos, quanto a mim, ao se ser idiota. Os riscos que se correm podem ser divididos em diferentes dimensões, a dimensão do crer (acreditar), do querer (ter vontade de), do tentar, do almejar o sucesso mas também do esbarrar no ingrato insucesso. Senão vejamos, como completo absurdo (ou não… não sabemos… ainda) eu creio que aquando da morte na Terra, o nosso ser nasce num outro planeta, um planeta com um centro gravitacional idêntico ao nosso, numa outra galáxia não de nome via láctea (que é aquela onde ainda estamos), mas uma galáxia ainda sem nome. Proponho que ela se chame “AMOR” (sim, assim mesmo em Português). Quero muito que nessa galáxia haja planetas como o nosso mas que o ciclo da vida seja inverso, como já li algures num texto muito discutido sobre a sua verdadeira autoria, ou seja, quero que a vida comece pela morte, siga para a velhice, da velhice para a vida activa, para a adolescência, posteriormente para a infância e que termine num prazeroso acto físico. Quero que nos planetas dessa galáxia viva unicamente o amor nas suas mais variadas derivações (daí o nome para a galáxia), a amizade, a partilha, a verdade, e todos os verbos, adjectivos, etc. que demonstrem positividade. No fundo o que eu quero é um mundo perfeito. Será possível? Não sei! Aqui na Terra, no nosso mundo, não me parece! Ainda que eu e muitos outros continuemos a tentar fazer dele um mundo melhor, esbarramos mais vezes no insucesso do que almejamos o sucesso. No entanto cada pequeno sucesso é uma alegria e por isso mesmo continuaremos a ser os idiotas suficientes para que, quem sabe algum dia, algum ignorante, não tenha uma ideia completamente absurda, estúpida e sem qualquer sentido que consiga mudar o rumo do mundo. Será possível? Se calhar, enquanto estivermos nesta galáxia não! Mas alguém cá ficará e, mesmo na estupidez, poderá fazer acontecer algo que muitas vezes já aconteceu, mudar isto tudo. O mundo precisa mesmo de idiotas… e de ideias!
 
Enquanto a nossa mente for efectivamente maior do que o nosso corpo… enquanto nós conseguirmos que o nosso consciente viva da persistente emoção positiva… enquanto houver estímulos químicos, eléctricos ou mecânicos que façam acontecer os impulsos nervosos para os neurónios trabalharem… enquanto tudo isto acontecer, para falar com sinceridade, ainda acredito na humanidade… nem que seja noutra galáxia!
 
* Professor Luís Parente

No meu Encontro com Freud, falei de solidão...

Escrito por quinta, 23 março 2017 18:06
Hoje o tema foi-me proposto…
 
Muitas vezes pensamos em vários temas e situações sobre as quais gostaríamos de dar o nosso contributo, aparentemente mais fácil para quem escreve, no entanto, o desafio hoje é escrever sobre um tema que me foi proposto depois de o solicitar e que veio através de “solidão, é uma coisa que me assusta, escreva sobre a solidão...” 
 
Aceitei…
 
Quando imaginamos a solidão mentalmente, enquanto imagem, cada um de nós possivelmente atribui-lhe uma cor ou um rosto, ou um momento ou vamos buscar ao mais íntimo de nós, quando foi a primeira e última vez que nos sentimos sós. Sim, solidão é sentirmo-nos sós ou estarmos sós?
 
Provavelmente, diríamos todos, que o facto de estarmos sós não significa sentirmo-nos sós, tal como quando estamos acompanhados não significa que não sentimos uma profunda solidão. O sentir é tão diferente do estar! Ou são dois impostores que convivem muitas vezes em sintonia. Impostores porquê? Porque muitas vezes nos disfarçamos e utilizamos máscaras para esconder o que sentimos (quando me sinto só, não digo, porque não quero que sofras por mim, mas quero-te comigo para não estar tão só e talvez até consigas que não me sinta tão só, mesmo sem te dares conta).
 

A solidão vem quando o que digo não corresponde ao que sinto, quando me deixo parecer e não ser. A solidão, esta de que vos falo hoje, é aquela solidão que nos habituou a ser companhia, é aquela solidão visceral que consome a alma, é aquela solidão que não se exprime mas também não se suporta. Solidão o maior dos medos, o não ter com quem partilhar até o silêncio.

Serão então duas faces de uma mesma moeda, gostamos de estar sós quando nos sentimos confortáveis, ouvindo música, lendo um livro, um jornal, olhando a televisão, escutando rádio, escrevendo, pensando … mas então aí já não estamos sós, a nossa mente está a absorver uma série de informação, interagimos através do que pensamos sobre os assuntos, pensamos para nós mesmos como reagiríamos a isto ou áquilo, então continuaremos a estar sós? 
 
E quando efetivamente e no meio da multidão, muita ou pouca não importa, nos sentimos sós, existe um vazio entre o que somos naquele momento e tudo o que nos rodeia, há um muro entre o que somos e o que os outros representam para nós, há um deserto de dentro para fora, preenchido tantas vezes com conversas circunstanciais ou sorrisos de simpatia e enquanto isso, o vazio aumenta como aumenta o sentimento de solidão, o medo, a fragilidade, a angústia e tantos mais…que nos impedem de agir… as fraquezas não se revelam, dos fracos não reza a história e tantos clichés mais nos tornaram prisioneiros de nós próprios, a solidão vem quando eu não sou capaz de me partilhar e de me permitir dizer “eu hoje sinto-me só”.
 
A solidão vem quando o que digo não corresponde ao que sinto, quando me deixo parecer e não ser. A solidão, esta de que vos falo hoje, é aquela solidão que nos habituou a ser companhia, é aquela solidão visceral que consome a alma, é aquela solidão que não se exprime mas também não se suporta. Solidão o maior dos medos, o não ter com quem partilhar até o silêncio. 
 
Então aprendamos a estar connosco mesmos, seremos para nós a primeira descoberta, o que somos e como nos sentimos, não podemos mais adiar, permitamo-nos sentir as coisas comos elas se nos apresentam, permitamo-nos tempo para as aceitar e permitamo-nos espaços para partilhar.
 
Um dia a solidão pode chegar mas com ela quero ter uma vida inteira para contar… então não me sentirei Só!
 
* Psicóloga Helena Chouriço
O Alentejo está sem médicos reumatologistas no Serviço Nacional de Saúde (SNS) há bastante tempo, sendo apenas um exemplo da falta de especialistas em grandes hospitais.
 
O presidente da Sociedade Portuguesa de Reumatologia confirmou à agência Lusa que não há um único reumatologista nos serviços públicos do Alentejo desde há quatro anos.
 
Para este responsável, o que é verdadeiramente “lastimável” é que haja doentes que são privados de um tratamento adequado de acordo com o estado da arte, quando o progresso médico na área nos últimos anos “tem sido imenso”.
 
Faltam anestesistas, ginecologistas, oncologistas, pneumologistas, radiologistas e reumatologistas, entre outras especialidades, nos hospitais e centros de saúde do Alentejo. Só em Évora faltam médicos de 22 especialidades e o retrato não é melhor no Litoral Alentejano, no Norte Alentejano ou no Baixo Alentejo.
 

Faltam anestesistas, ginecologistas, oncologistas, pneumologistas, radiologistas e reumatologistas, entre outras especialidades, nos hospitais e centros de saúde do Alentejo. Só em Évora faltam médicos de 22 especialidades e o retrato não é melhor no Litoral Alentejano, no Norte Alentejano ou no Baixo Alentejo.

Reconhece-se que o Alentejo não é o único afetado no país, mas é o mais afetado.
 
Alguns dos motivos porque é difícil atrair médicos para o Alentejo e para todo interior do país estão bem identificadas: condições de trabalho nem sempre são atrativas, instalações muitas vezes degradadas, equipamentos obsoletos ou em falta e sobrecarga de trabalho pela falta de profissionais, mas também a distância dos grandes centros.
 
Reconhece-se que a ARS Alentejo tem aberto sistematicamente concursos para médicos de diferentes especialidades, mas quase sempre sem quaisquer resultados práticos. Isto porque os concursos acabam quase sempre vazios. Esta é uma situa-se que se repete sem quaisquer resultados.
 
Mesmo com medidas extra e todas elas já experimentadas, os resultados não aparecem. Continuam a faltar anestesistas, ginecologistas, oncologistas, pneumologistas, radiologistas e reumatologistas, entre outras especialidades, nos hospitais e centros de saúde do Alentejo.
 
Tendo em conta que este é um problema recorrente e que penaliza gravemente a população do Alentejo, os deputados do PSD eleitos pelos círculos eleitorais do Alentejo (Évora, Beja, Portalegre e Setúbal), pretendem que o Governo adote medidas para a resolução destes graves problemas.
 
Desconhecem-se quais as medidas que o Governo está a adotar para fazer face à falta de anestesistas, ginecologistas, oncologistas, pneumologistas, radiologistas e reumatologistas, entre outras especialidades, nos hospitais e centros de saúde do Alentejo.
 
Este é um grave problema que merece ser resolvido urgentemente. É fundamental insistir para que sejam encontradas soluções.
 
* Deputado António Costa da Silva

Cuidar

Escrito por terça, 07 março 2017 02:38
Já não é a primeira vez que trago o assunto da terceira idade ao conjunto de palavras que mensalmente escrevo, (já que alguém encontrou em mim, digamos que, uma laranja com sumo suficiente - o limão é um bocadinho o oposto do que sou - para poder escorrer linha sobre linha nesta plataforma de notícias). Resolvi então voltar ao assunto dos idosos e voltarei a fazê-lo sempre que sentir que o devo fazer.
 
Eu costumo dizer que tenho “às minhas expensas” oito velhotes com idades entre os 69 e os 89 anos. Felizmente, e ainda bem para todos, as expensas são divididas por mais pessoas. Hoje só quero falar de cinco, vou retirar desta equação a minha mãe e os meus sogros. Hoje quero mesmo é falar daquelas cinco pessoas que também foram e continuam a ser peças de importante relevância e valia no puzzle que é a minha vida. Falo orgulhosamente e com um enorme sentido de gratidão dos meus tios. Poucas vezes se fala dos tios e, da parte que me toca, acho que é da mais elementar justiça enaltecer o papel que eles sempre tiveram na construção das nossas personalidades. Quando digo nossas, falo na minha mas também na do meu irmão, que se reverá certamente naquilo que aqui escrevo. De todos retirámos ensinamentos e todos eles “plantaram penas” no nosso ser para que pudéssemos voar pelo mundo fora.
 
Para sermos o que somos, ouvimos mil e uma histórias da História de Portugal contadas quase até à exaustão e até encenadas pela sabedoria ímpar do tio António.
 

Hoje quero mesmo é falar daquelas cinco pessoas que também foram e continuam a ser peças de importante relevância e valia no puzzle que é a minha vida. Falo orgulhosamente e com um enorme sentido de gratidão dos meus tios. Poucas vezes se fala dos tios e, da parte que me toca, acho que é da mais elementar justiça enaltecer o papel que eles sempre tiveram na construção das nossas personalidades.

Para amarmos, mas também para sofrermos com o futebol, contámos com a paixão única e desmesurada de quem nos levou à bola e nos fez apaixonar por um BENFICA de dimensão inigualável, o tio Jorge fê-lo na perfeição.
 
Para conhecermos o Alentejo à nossa volta, a disponibilidade e enorme paciência do tio Zé transportou-nos de “camionete” inúmeras vezes para muitas terras à nossa volta, tudo para ficarmos a conhecer aquilo que nos rodeia. Se nos dias de hoje isto de se conhecer as terras à nossa volta pode ser considerado, de certa forma, banal, há trinta e tal anos isso afigurava-se quase como um luxo.
 
Para pensarmos mais à frente do nosso tempo terão contribuído as personalidades evoluídas e emancipadas da tia Madalena e da Helena (que não sendo tia é como se fosse… pelo menos assim a consideramos).
 
Naturalmente que nas nossas memórias não está só o que aqui mencionei como meros exemplos, no hipocampo do nosso cérebro estão e estarão um sem número de histórias, de partilhas, de vivências, de palavras e também de afectos transmitidos pelos nossos tios. Poderei reconhecer que ter tios solteiros ou mesmo casados e sem filhos, não sendo assim tão linear, pode evidenciar mais a proximidade entre todos. Ainda assim estou certo que o amor que sempre nos deram seria igualmente próximo e intenso se assim não fosse. Eu costumo dizer que à dádiva da partilha das suas vidas connosco terá sempre que haver um retorno, ou seja, esse amor transmitido por palavras ou actos terá sempre que ser retribuído nem que seja como uma forma de agradecimento, e não, não considero que seja uma obrigação, acho que é um dever retribuir esse amor.
 
Esta semana li algures numa publicação nacional que os idosos portugueses são dos mais abandonados da Europa. Segundo parece, e de acordo com dados de 2016 há mais de quarenta mil idosos a viverem sozinhos ou isolados. Será que aquelas pessoas não fizeram o suficiente durante a vida para ter alguém que pudesse CUIDAR delas numa das fases mais difíceis das suas vidas? Acredito que sim, acredito que, na generalidade, as suas consciências estarão tranquilas e que o apoio que muitas vezes lhes falta terá certamente, para os seus mais próximos, uma justificação mais ou menos plausível. Mas existe algum tipo de justificação para deixar alguém abandonado à sua sorte numa fase tão fragilizada da vida? Creio que não! Dir-me-ão que cada um tem a sua vida, os seus trabalhos e que os tempos de hoje não nos deixam margem nem tempo para CUIDAR daqueles que já foram nossos e que, assim sendo, creio, a pouco e pouco vão deixando de ser. Às vezes não basta colocá-los num qualquer lar, por muito boas que as condições sejam, por muito afecto que haja por parte das pessoas que estão na instituição, é preciso que as famílias sejam presentes, é preciso que aos idosos seja dado um motivo para quererem estar, para quererem ser, para quererem viver. Tenho para mim que quem tem o papel de cuidador tem que ter uma enorme capacidade de planeamento. Reconheço que não deve ser fácil esse papel, no entanto, há que se fazer uma reflexão intensa e ponderada para se tomar a decisão de ser cuidador de idosos, devem ser analisados com muito cuidado os prós e os contras duma decisão dessa natureza. São inúmeras as questões que têm que ser formuladas antes dessa tomada de decisão, do espaço à segurança, da mobilidade ao apoio da restante família, da conciliação da vida profissional à higiene do idoso. Ter um idoso em casa não é com certeza tarefa fácil. Felizmente as opções são algumas, da casa ao lar, do centro de dia à Universidade Sénior tudo tem que ser pensado para que o idoso consiga ter uma qualidade de vida que lhe permita fazer algo com alguma independência. Sim porque sentir-se, na totalidade, dependente deve ser o pior que lhes pode acontecer. Daí eu achar que o papel das famílias é preponderante para o bem-estar, nem que seja psicológico, já que o físico, naturalmente vai quebrando com o passar do tempo. Seja em casa, no lar ou onde quer que seja, nestas idades, eles precisam é de apoio e amor, mais do que tudo o resto. Eu costumo dizer que para percebermos o que os outros sentem devemos sempre tentar pôr-nos no seu lugar, e eu acredito que nesta fase da vida eles precisam de alguém que os oiça, que os ajude e que os ame.
 

Da minha parte, tudo farei para que aqueles que muito me deram tenham aquilo que merecem ter. Quero muito fazer valer como certa a expressão não material de “dar para receber”.É bom ouvir das minhas tias velhotas expressões como: “Oxalá quando fores velhinho também tenhas quem cuidar de ti como nos fazes a nós!” ou “És um anjinho que caíste nas nossas vidas”.

Nestes dias, por motivo de saúde de um dos tios, tive que me deslocar ao Hospital de Évora por dois dias. Certamente muitos dos leitores já terão tido, por uma razão ou outra, essa experiência da espera de resultados num qualquer hospital. O que eu observei naqueles dias deixa-me, por um lado esperançoso no futuro da medicina mas por outro triste. Se por um lado observei mais humanidade nos profissionais de saúde com quem lidei, destaco as duas médicas de tenra idade que tudo fizeram para nos dar respostas, agindo profissionalmente de forma humilde e carinhosa para com os doentes, afastando de mim o pensamento de sobranceria que muitas vezes vejo recair naquela classe, por outro lado verifiquei que o número de profissionais é claramente insuficiente para que não surjam as habituais reclamações de tempo de espera.
 
A propósito do apoio das famílias aos idosos, durante o tempo que estive nas urgências do Hospital de Évora, houve uma coisa que me chocou, ver uma idosa, seguramente com mais de oitenta anos, talvez mesmo próxima dos noventa, completamente desorientada e aparentemente esquecida pela família, perguntando incessantemente pela condição do seu marido que estaria no interior das urgências e entrando e saindo do local inúmeras vezes procurando também no exterior o apoio familiar que tardou (várias horas), sabe-se lá porquê, em aparecer. Tenho a certeza que aquelas horas terão parecido dias para aquela senhora. É certo que, no interior, muitas pessoas se aperceberam do seu desnorte e se disponibilizaram para a ajudar, mas aquela falta de apoio familiar, que com certeza teria uma justificação, tocou-me de sobremaneira.
 
Da minha parte, tudo farei para que aqueles que muito me deram tenham aquilo que merecem ter. Quero muito fazer valer como certa a expressão não material de “dar para receber”.
 
É bom ouvir das minhas tias velhotas expressões como: “Oxalá quando fores velhinho também tenhas quem cuidar de ti como nos fazes a nós!” ou “És um anjinho que caíste nas nossas vidas”. Já lhes disse milhares de vezes que não aceito obrigados. Eu é que tenho que lhes agradecer, a todos, aquilo que sou. Com eles, até onde puder ajudar, cá estarei. Quando não puder pelo menos uma coisa eu sei, presente sempre estarei, nem que seja só para os amar… podem ter a certeza!
* Professor Luís Parente

Brincadeiras de Carnaval

Escrito por sexta, 03 março 2017 02:22
Nos últimos dias, a paisagem da cidade de Estremoz vestiu-se de alegria, de cor e de fantasia para brincar ao Carnaval.
 
Já na quinta-feira anterior ao Carnaval, perto de mil alunos das escolas do concelho tinham desfilado pelo Rossio e ruas envolventes, fiéis ao tema “Cientistas”, e feito a delícia de milhares de familiares, amigos e muitos outros que por ali estavam, dando o mote para aquilo que se iria passar nos dias seguintes.
 
No sábado de manhã, o mercado pululava de locais à procura dos produtos frescos criados e colhidos nas hortas periurbanas de Estremoz, de espanhóis em busca desta ou daquela antiguidade, de citadinos de segunda residência nas imediações, curiosos à descoberta dos modos de vida das nossas gentes, ou simplesmente de transeuntes, que não andavam à procura de nada, apenas vieram ver o movimento ou mostrar-se aos outros. É assim o mercado de sábado em Estremoz e nem o Carnaval fez com que fosse diferente.
 

... e centenas de foliões aproveitaram a única época do ano em que se pode ser quem nós quisermos ser, por mais estranho que isso depois seja. Os nossos heróis de banda desenhada ou do nosso filme favorito, a personagem de uma história que nos contam desde a infância, um animal ou uma planta, uma versão mal acabada do sexo oposto ou a máscara que se constrói, em primeiro ou em último recurso, com roupas e adereços que temos há muito no sótão e que nunca mais ninguém usou.

À noite o caso mudou de figura. Por todo o lado o ambiente foi de festa e centenas de foliões aproveitaram a única época do ano em que se pode ser quem nós quisermos ser, por mais estranho que isso depois seja. Os nossos heróis de banda desenhada ou do nosso filme favorito, a personagem de uma história que nos contam desde a infância, um animal ou uma planta, uma versão mal acabada do sexo oposto ou a máscara que se constrói, em primeiro ou em último recurso, com roupas e adereços que temos há muito no sótão e que nunca mais ninguém usou. Há gostos para tudo e ainda bem. Depois, pela noite fora, habitualmente em grupo e menos vezes sozinhos, os foliões dão asas à diversão nos espaços noturnos da cidade. Há que aproveitar a liberdade que o Carnaval proporciona e Estremoz sempre teve a tradição de o saber fazer.
 
No Domingo Gordo e na Terça-feira de Carnaval o centro da cidade acolheu milhares de visitantes, que vieram a Estremoz ver os corsos carnavalescos. Quase seiscentos foliões desfilaram pelas ruas e encantaram quem veio assistir. Também aqui houve máscaras para todos os gostos, pois o facto de o tema ser livre permitiu aos catorze grupos dar asas à imaginação. Do Parque Jurássico aos Piratas, passando pelo universo de Asterix e dos Simpson, pelos Extraterrestres, Angry Birds, uma Pescaria, Mariachis, Texanos e medievais, tudo desfilou ao ritmo dos sambas ou dos batuques, após os tradicionais Cabeçudos que, apesar de sempre os ter achado feios, tenho de admitir que fazem parte do ideário estremocense e que sem eles o Carnaval não seria a mesma coisa. O balanço geral parece-me muito positivo e é mais um evento que em nada envergonha a nossa cidade, pelo contrário, adiciona-lhe mais valor e coloca-a ao nível de muitas outras, por esse País fora, onde a tradição do Entrudo se continua a cumprir. Bem hajam todos os que teimam em continuar a fazer a festa, tanto aqueles que organizam, como os que participam ativamente ou como os que se deslocam a Estremoz para assistir. Muito obrigado também ao São Pedro que este ano resolveu dar tréguas, não obstante na terça-feira ter ameaçado arruinar os planos dos foliões.
 
Desde já se agradece também ao Governo por ter concedido tolerância de ponto na Terça-feira Gorda, não se percebendo porque é que, num País com fortes tradições carnavalescas, como é o caso de Portugal, esta data ainda não foi considerada feriado obrigatório, com todas as mais-valias que daí adviriam para o turismo e para o comércio. Sei que não é um assunto consensual, mas em minha opinião todos tínhamos a ganhar com este feriado – os funcionários públicos, os trabalhadores do privado e as empresas do sector turístico.
 
Esta época do ano é também propícia às brincadeiras de Carnaval. Ainda sou do tempo das bombinhas, dos “peidos engarrafados”, dos estalinhos, dos risca-pés, das cobras e aranhas de plástico… tudo coisas que se perderam, mas que felizmente continuam bem vivas na minha memória e na de tantos outros que, tal como eu, tiveram oportunidade de as vivenciar. Tal como outras tradições de que ainda me lembro com saudade e que me fazem viajar no tempo até à minha juventude, quando brincávamos na semana dos Compadres e das Comadres, construindo as “bonecas” de pano que ficavam penduradas, durante as duas semanas anteriores ao Entrudo, acompanhadas de quadras satíricas sobre os jovens que procuravam mimetizar. Outros tempos, outras vontades, outras brincadeiras.
 
Atualmente, as brincadeiras são outras e eu confesso que há dias em que leio coisas nos jornais que, de tão ridículas, parecem mesmo brincadeiras de Carnaval. Vem isto a propósito de algo que li num jornal e que, se não tivesse sido publicada em vésperas de Carnaval, teria ficado ofendido pela subtileza como muitas vezes os jornais colocam as questões e nos tentam manipular e baralhar a mente.
 

Os jornais não podem (ou melhor, não deviam) discutir rigorosamente nada. No entanto, há muitos jornais que discutem e assediam a causa pública e esses, no dicionário, têm um nome mais apropriado – os pasquins.

Afinal para que servem os jornais? Qualquer um responderá que servem para informar. Certo. Mas informar não é, nem de perto nem de longe, discutir a gestão e a defesa da causa pública nos jornais! Muito menos quando discutir a causa pública, nesses jornais, eventualmente serve outros interesses, muito diferentes daqueles que deveriam ser os verdadeiros interesses de um órgão de comunicação social.
 
Os órgãos de comunicação social servem para informar assuntos de interesse público, não para os discutir e nunca para sobre eles formular juízo. Os jornais devem ser isentos, pois a isso obriga o código deontológico dos jornalistas. Talvez o problema esteja na nossa Lei de Imprensa, que permite que qualquer pessoa possa obter a carteira de jornalista, sem ser obrigado a frequentar formação apropriada ou a prestar provas da sua verdadeira aptidão para exercer essas funções.
 
Os jornais não podem (ou melhor, não deviam) discutir rigorosamente nada. No entanto, há muitos jornais que discutem e assediam a causa pública e esses, no dicionário, têm um nome mais apropriado – os pasquins.
 
Mas, como disse atrás, dada a época do ano em que certas publicações são feitas, ainda lhe podemos dar o desconto e pensar que, se calhar, não passaram mesmo de uma brincadeira de Carnaval e, como sabemos, no Carnaval ninguém leva a mal.
 
É verdade que perguntar não ofende, mas sempre ouvi dizer que as respostas é que fazem mal…
 
* Arquiteto Paisagista António Serrano

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