sexta, 18 agosto 2017

Luís Parente

Quase 12 anos

Quase 12 anos

Há quase 12 anos, durante o mês de Agosto, o meu telefone tocou. Do outro lad ...

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O Futebol dos Campeões Europeus

Escrito por quinta, 13 abril 2017 14:41
Fomos Campeões da Europa e pouco aprendemos. Aliás, não aprendemos nada e agora continuamos a ser notícia, lá fora, mas pelas piores razões. No país Campeão, há um constante clima de suspeição em relação à arbitragem. As nomeações dos árbitros, semana após semana, entram na ordem do dia e parecem ser mais importantes que a preparação das equipas. São analisados, até à exaustão, os erros dos árbitros e estes rapidamente se transformam nos maus da fita.
 
No país que é Campeão Europeu, foi "montada" uma claque de apoio à Seleção, em que o seu rosto mais visível é o chefe da claque dos "Super Dragões" e que têm recebido, por esse mundo fora, medalhas de bom comportamento. A uma semana do clássico da Luz, a claque organizada e apoiada pelo FC Porto esteve no Estádio da Luz a apoiar a equipa da casa. Parece confuso? Não, é o Futebol Português. Seria até bonito se tudo fosse normal e se vivesse o futebol e o desporto de outra forma. Na realidade atual, e com estes protagonistas, só poderia dar no que deu: cânticos despropositados e ambiente hóstil, num jogo importante da Seleção de Portugal, a tal que foi campeã.

 
No país Campeão Europeu, os Diretores de Comunicação dos clubes grandes têm protagonismo. Aqueles que deveriam ser os responsáveis pela comunicação e imagem do clube, fazem questão de ser protagonistas e de, eles próprios, entrarem na guerra de palavras. Não basta os presidentes, jogadores, claques e treinadores, agora também toda a gente sabe os nomes dos Diretores de Comunicação.
 
No país Campeão Europeu, os árbitros têm medo de apitar certos clubes dos Distritais. Ou seja, em início de carreira, certos árbitros já têm medo e não sabem o que pode acontecer durante um jogo. O que falta para existirem punições severas para quem agride, tanto na justiça desportiva como na justiça cívil? O que pensarão os jovens árbitros quando vêm adeptos "visitar" o Centro de Estágios dos seus ídolos?
 

No país Campeão Europeu, não há adversários, há inimigos. Os adeptos não gostam de futebol, gostam sim do seu clube e querem que ele ganhe, seja de que maneira for. Os próprios adeptos, são levados para estas brigas por quem, tendo muita responsabilidade, faz questão de manter o clima tenso e de constante guerrilha. Interessa é ganhar e o inimigo perder, seja no futebol, no andebol, no ténis de mesa ou até no berlinde. Estas constantes guerras de palavras, e que felizmente ainda são só de palavras, fazem com que se cultive ódio pelo inimigo e pouco respeito pelo adversário.

No país Campeão Europeu, demora uma enternidade, numa competição profissional, a ser analisado um caso que escapou ao árbitro. Também neste país, são outros clubes que não estiveram no jogo em questão a realizar as queixas. Por falar em queixas, neste país, há quem ache que os árbitros se vendem por uns jantares e uma camisola. 
 
No país Campeão Europeu, os jornalistas são vistos como "queridos inimigos". A ideia que passa é que são deste e daquele clube e por isso escrevem isto ou aquilo. Se escrevem a nosso favor, são os maiores e isentos. Se lemos algo de que não gostamos, é porque são deste ou daquele clube e não conseguem disfarçar. Só quem está completamente fora da realidade, ou com más intenções, é que pode dizer que um jornalista veste a camisola de um clube quando está a trabalhar. Neste mesmo país, os comentadores de futebol recebem "cartilhas orientadoras". Seria, digo eu, muito útil se fossem esclarecimentos eficazes. Ataques aos "inimigos", bastam, e sobram, os que já existem.
 
No país Campeão Europeu, uma claque organizada e apoiada pelo seu clube dá-se ao trabalho de entoar cânticos onde mistura tragédias com futebol, para assim demonstrar ódio ao rival. Neste mesmo país, antes de um clássico, é lançada confusão com os bilhetes e colocadas em causa questões de segurança de quem apenas quer ir "ver a bola".
 
No país Campeão Europeu, não há adversários, há inimigos. Os adeptos não gostam de futebol, gostam sim do seu clube e querem que ele ganhe, seja de que maneira for. Os próprios adeptos, são levados para estas brigas por quem, tendo muita responsabilidade, faz questão de manter o clima tenso e de constante guerrilha. Interessa é ganhar e o inimigo perder, seja no futebol, no andebol, no ténis de mesa ou até no berlinde. Estas constantes guerras de palavras, e que felizmente ainda são só de palavras, fazem com que se cultive ódio pelo inimigo e pouco respeito pelo adversário. 
 
Depois, levamos certos "banhos" de fair-play como aconteceu no caso do Dortmund com o Mónaco. Partilhamos logo no Facebook e aplaudimos. Passado pouco tempo, já estão uns a gritar que o "Avião da Chapecoense deveria de ser o do Benfica". 
 
* Jornalista José Lameiras

Idiotas precisam-se

Escrito por sexta, 31 março 2017 12:10
A ideia hoje é falar de idiotas. Há idiotas em todo o lado, literalmente. No futebol, na igreja, no café, no espectro político, na rua, enfim, em todo o lado… mesmo! Onde quer que haja uma pessoa há um idiota. Quando falo em idiotas não falo só da forma depreciativa que o termo acarreta, falo também da maravilha da ideia. As duas palavras (ideia e idiota) diferem bastante quanto ao seu significado. De acordo com os dicionários que consultei, para tentar entender um bocadinho mais sobre os seus significados e estabelecer, de certa forma, um paralelismo, verifiquei, efectivamente, a diferença entre eles. Se por um lado a ideia nos traz palavras como pensamento, lembrança, memória e fantasia entre muitos outros, idiota leva-nos mesmo para a imbecilidade, para a estupidez, para a ignorância, para a palermice ou mesmo para a burrice. Ainda assim continuo a achar que faz todo o sentido interligar uma com a outra, sim porque há ideias aparentemente idiotas que se provaram mais que acertadas quando efectivamente provadas.
 
Inúmeras ideias que foram surgindo no decorrer dos tempos, muitas delas absolutamente geniais que acabaram por mudar os diferentes paradigmas do mundo, terão partido certamente de completas idiotices, palermices sem aparente sentido. O que é certo é que acabaram por se revelar de grande utilidade para a humanidade em determinada altura. A roda que fez com que tudo mudasse, a bússola que se revelou de extrema importância na expansão do mundo que se conhece principalmente dos séculos XV a XVII, a imprensa do alemão Johannes Gutenberg, a lâmpada eléctrica de Thomas Edison, o telefone de Graham Bell ou mais recentemente a rádio, a televisão, a internet e todo um novo mundo que se desenvolveu a partir destas e de outras supostas idiotices sem qualquer nexo.
 

Quando falo em idiotas não falo só da forma depreciativa que o termo acarreta, falo também da maravilha da ideia. As duas palavras (ideia e idiota) diferem bastante quanto ao seu significado.

Há riscos, quanto a mim, ao se ser idiota. Os riscos que se correm podem ser divididos em diferentes dimensões, a dimensão do crer (acreditar), do querer (ter vontade de), do tentar, do almejar o sucesso mas também do esbarrar no ingrato insucesso. Senão vejamos, como completo absurdo (ou não… não sabemos… ainda) eu creio que aquando da morte na Terra, o nosso ser nasce num outro planeta, um planeta com um centro gravitacional idêntico ao nosso, numa outra galáxia não de nome via láctea (que é aquela onde ainda estamos), mas uma galáxia ainda sem nome. Proponho que ela se chame “AMOR” (sim, assim mesmo em Português). Quero muito que nessa galáxia haja planetas como o nosso mas que o ciclo da vida seja inverso, como já li algures num texto muito discutido sobre a sua verdadeira autoria, ou seja, quero que a vida comece pela morte, siga para a velhice, da velhice para a vida activa, para a adolescência, posteriormente para a infância e que termine num prazeroso acto físico. Quero que nos planetas dessa galáxia viva unicamente o amor nas suas mais variadas derivações (daí o nome para a galáxia), a amizade, a partilha, a verdade, e todos os verbos, adjectivos, etc. que demonstrem positividade. No fundo o que eu quero é um mundo perfeito. Será possível? Não sei! Aqui na Terra, no nosso mundo, não me parece! Ainda que eu e muitos outros continuemos a tentar fazer dele um mundo melhor, esbarramos mais vezes no insucesso do que almejamos o sucesso. No entanto cada pequeno sucesso é uma alegria e por isso mesmo continuaremos a ser os idiotas suficientes para que, quem sabe algum dia, algum ignorante, não tenha uma ideia completamente absurda, estúpida e sem qualquer sentido que consiga mudar o rumo do mundo. Será possível? Se calhar, enquanto estivermos nesta galáxia não! Mas alguém cá ficará e, mesmo na estupidez, poderá fazer acontecer algo que muitas vezes já aconteceu, mudar isto tudo. O mundo precisa mesmo de idiotas… e de ideias!
 
Enquanto a nossa mente for efectivamente maior do que o nosso corpo… enquanto nós conseguirmos que o nosso consciente viva da persistente emoção positiva… enquanto houver estímulos químicos, eléctricos ou mecânicos que façam acontecer os impulsos nervosos para os neurónios trabalharem… enquanto tudo isto acontecer, para falar com sinceridade, ainda acredito na humanidade… nem que seja noutra galáxia!
 
* Professor Luís Parente

No meu Encontro com Freud, falei de solidão...

Escrito por quinta, 23 março 2017 18:06
Hoje o tema foi-me proposto…
 
Muitas vezes pensamos em vários temas e situações sobre as quais gostaríamos de dar o nosso contributo, aparentemente mais fácil para quem escreve, no entanto, o desafio hoje é escrever sobre um tema que me foi proposto depois de o solicitar e que veio através de “solidão, é uma coisa que me assusta, escreva sobre a solidão...” 
 
Aceitei…
 
Quando imaginamos a solidão mentalmente, enquanto imagem, cada um de nós possivelmente atribui-lhe uma cor ou um rosto, ou um momento ou vamos buscar ao mais íntimo de nós, quando foi a primeira e última vez que nos sentimos sós. Sim, solidão é sentirmo-nos sós ou estarmos sós?
 
Provavelmente, diríamos todos, que o facto de estarmos sós não significa sentirmo-nos sós, tal como quando estamos acompanhados não significa que não sentimos uma profunda solidão. O sentir é tão diferente do estar! Ou são dois impostores que convivem muitas vezes em sintonia. Impostores porquê? Porque muitas vezes nos disfarçamos e utilizamos máscaras para esconder o que sentimos (quando me sinto só, não digo, porque não quero que sofras por mim, mas quero-te comigo para não estar tão só e talvez até consigas que não me sinta tão só, mesmo sem te dares conta).
 

A solidão vem quando o que digo não corresponde ao que sinto, quando me deixo parecer e não ser. A solidão, esta de que vos falo hoje, é aquela solidão que nos habituou a ser companhia, é aquela solidão visceral que consome a alma, é aquela solidão que não se exprime mas também não se suporta. Solidão o maior dos medos, o não ter com quem partilhar até o silêncio.

Serão então duas faces de uma mesma moeda, gostamos de estar sós quando nos sentimos confortáveis, ouvindo música, lendo um livro, um jornal, olhando a televisão, escutando rádio, escrevendo, pensando … mas então aí já não estamos sós, a nossa mente está a absorver uma série de informação, interagimos através do que pensamos sobre os assuntos, pensamos para nós mesmos como reagiríamos a isto ou áquilo, então continuaremos a estar sós? 
 
E quando efetivamente e no meio da multidão, muita ou pouca não importa, nos sentimos sós, existe um vazio entre o que somos naquele momento e tudo o que nos rodeia, há um muro entre o que somos e o que os outros representam para nós, há um deserto de dentro para fora, preenchido tantas vezes com conversas circunstanciais ou sorrisos de simpatia e enquanto isso, o vazio aumenta como aumenta o sentimento de solidão, o medo, a fragilidade, a angústia e tantos mais…que nos impedem de agir… as fraquezas não se revelam, dos fracos não reza a história e tantos clichés mais nos tornaram prisioneiros de nós próprios, a solidão vem quando eu não sou capaz de me partilhar e de me permitir dizer “eu hoje sinto-me só”.
 
A solidão vem quando o que digo não corresponde ao que sinto, quando me deixo parecer e não ser. A solidão, esta de que vos falo hoje, é aquela solidão que nos habituou a ser companhia, é aquela solidão visceral que consome a alma, é aquela solidão que não se exprime mas também não se suporta. Solidão o maior dos medos, o não ter com quem partilhar até o silêncio. 
 
Então aprendamos a estar connosco mesmos, seremos para nós a primeira descoberta, o que somos e como nos sentimos, não podemos mais adiar, permitamo-nos sentir as coisas comos elas se nos apresentam, permitamo-nos tempo para as aceitar e permitamo-nos espaços para partilhar.
 
Um dia a solidão pode chegar mas com ela quero ter uma vida inteira para contar… então não me sentirei Só!
 
* Psicóloga Helena Chouriço
O Alentejo está sem médicos reumatologistas no Serviço Nacional de Saúde (SNS) há bastante tempo, sendo apenas um exemplo da falta de especialistas em grandes hospitais.
 
O presidente da Sociedade Portuguesa de Reumatologia confirmou à agência Lusa que não há um único reumatologista nos serviços públicos do Alentejo desde há quatro anos.
 
Para este responsável, o que é verdadeiramente “lastimável” é que haja doentes que são privados de um tratamento adequado de acordo com o estado da arte, quando o progresso médico na área nos últimos anos “tem sido imenso”.
 
Faltam anestesistas, ginecologistas, oncologistas, pneumologistas, radiologistas e reumatologistas, entre outras especialidades, nos hospitais e centros de saúde do Alentejo. Só em Évora faltam médicos de 22 especialidades e o retrato não é melhor no Litoral Alentejano, no Norte Alentejano ou no Baixo Alentejo.
 

Faltam anestesistas, ginecologistas, oncologistas, pneumologistas, radiologistas e reumatologistas, entre outras especialidades, nos hospitais e centros de saúde do Alentejo. Só em Évora faltam médicos de 22 especialidades e o retrato não é melhor no Litoral Alentejano, no Norte Alentejano ou no Baixo Alentejo.

Reconhece-se que o Alentejo não é o único afetado no país, mas é o mais afetado.
 
Alguns dos motivos porque é difícil atrair médicos para o Alentejo e para todo interior do país estão bem identificadas: condições de trabalho nem sempre são atrativas, instalações muitas vezes degradadas, equipamentos obsoletos ou em falta e sobrecarga de trabalho pela falta de profissionais, mas também a distância dos grandes centros.
 
Reconhece-se que a ARS Alentejo tem aberto sistematicamente concursos para médicos de diferentes especialidades, mas quase sempre sem quaisquer resultados práticos. Isto porque os concursos acabam quase sempre vazios. Esta é uma situa-se que se repete sem quaisquer resultados.
 
Mesmo com medidas extra e todas elas já experimentadas, os resultados não aparecem. Continuam a faltar anestesistas, ginecologistas, oncologistas, pneumologistas, radiologistas e reumatologistas, entre outras especialidades, nos hospitais e centros de saúde do Alentejo.
 
Tendo em conta que este é um problema recorrente e que penaliza gravemente a população do Alentejo, os deputados do PSD eleitos pelos círculos eleitorais do Alentejo (Évora, Beja, Portalegre e Setúbal), pretendem que o Governo adote medidas para a resolução destes graves problemas.
 
Desconhecem-se quais as medidas que o Governo está a adotar para fazer face à falta de anestesistas, ginecologistas, oncologistas, pneumologistas, radiologistas e reumatologistas, entre outras especialidades, nos hospitais e centros de saúde do Alentejo.
 
Este é um grave problema que merece ser resolvido urgentemente. É fundamental insistir para que sejam encontradas soluções.
 
* Deputado António Costa da Silva

Cuidar

Escrito por terça, 07 março 2017 02:38
Já não é a primeira vez que trago o assunto da terceira idade ao conjunto de palavras que mensalmente escrevo, (já que alguém encontrou em mim, digamos que, uma laranja com sumo suficiente - o limão é um bocadinho o oposto do que sou - para poder escorrer linha sobre linha nesta plataforma de notícias). Resolvi então voltar ao assunto dos idosos e voltarei a fazê-lo sempre que sentir que o devo fazer.
 
Eu costumo dizer que tenho “às minhas expensas” oito velhotes com idades entre os 69 e os 89 anos. Felizmente, e ainda bem para todos, as expensas são divididas por mais pessoas. Hoje só quero falar de cinco, vou retirar desta equação a minha mãe e os meus sogros. Hoje quero mesmo é falar daquelas cinco pessoas que também foram e continuam a ser peças de importante relevância e valia no puzzle que é a minha vida. Falo orgulhosamente e com um enorme sentido de gratidão dos meus tios. Poucas vezes se fala dos tios e, da parte que me toca, acho que é da mais elementar justiça enaltecer o papel que eles sempre tiveram na construção das nossas personalidades. Quando digo nossas, falo na minha mas também na do meu irmão, que se reverá certamente naquilo que aqui escrevo. De todos retirámos ensinamentos e todos eles “plantaram penas” no nosso ser para que pudéssemos voar pelo mundo fora.
 
Para sermos o que somos, ouvimos mil e uma histórias da História de Portugal contadas quase até à exaustão e até encenadas pela sabedoria ímpar do tio António.
 

Hoje quero mesmo é falar daquelas cinco pessoas que também foram e continuam a ser peças de importante relevância e valia no puzzle que é a minha vida. Falo orgulhosamente e com um enorme sentido de gratidão dos meus tios. Poucas vezes se fala dos tios e, da parte que me toca, acho que é da mais elementar justiça enaltecer o papel que eles sempre tiveram na construção das nossas personalidades.

Para amarmos, mas também para sofrermos com o futebol, contámos com a paixão única e desmesurada de quem nos levou à bola e nos fez apaixonar por um BENFICA de dimensão inigualável, o tio Jorge fê-lo na perfeição.
 
Para conhecermos o Alentejo à nossa volta, a disponibilidade e enorme paciência do tio Zé transportou-nos de “camionete” inúmeras vezes para muitas terras à nossa volta, tudo para ficarmos a conhecer aquilo que nos rodeia. Se nos dias de hoje isto de se conhecer as terras à nossa volta pode ser considerado, de certa forma, banal, há trinta e tal anos isso afigurava-se quase como um luxo.
 
Para pensarmos mais à frente do nosso tempo terão contribuído as personalidades evoluídas e emancipadas da tia Madalena e da Helena (que não sendo tia é como se fosse… pelo menos assim a consideramos).
 
Naturalmente que nas nossas memórias não está só o que aqui mencionei como meros exemplos, no hipocampo do nosso cérebro estão e estarão um sem número de histórias, de partilhas, de vivências, de palavras e também de afectos transmitidos pelos nossos tios. Poderei reconhecer que ter tios solteiros ou mesmo casados e sem filhos, não sendo assim tão linear, pode evidenciar mais a proximidade entre todos. Ainda assim estou certo que o amor que sempre nos deram seria igualmente próximo e intenso se assim não fosse. Eu costumo dizer que à dádiva da partilha das suas vidas connosco terá sempre que haver um retorno, ou seja, esse amor transmitido por palavras ou actos terá sempre que ser retribuído nem que seja como uma forma de agradecimento, e não, não considero que seja uma obrigação, acho que é um dever retribuir esse amor.
 
Esta semana li algures numa publicação nacional que os idosos portugueses são dos mais abandonados da Europa. Segundo parece, e de acordo com dados de 2016 há mais de quarenta mil idosos a viverem sozinhos ou isolados. Será que aquelas pessoas não fizeram o suficiente durante a vida para ter alguém que pudesse CUIDAR delas numa das fases mais difíceis das suas vidas? Acredito que sim, acredito que, na generalidade, as suas consciências estarão tranquilas e que o apoio que muitas vezes lhes falta terá certamente, para os seus mais próximos, uma justificação mais ou menos plausível. Mas existe algum tipo de justificação para deixar alguém abandonado à sua sorte numa fase tão fragilizada da vida? Creio que não! Dir-me-ão que cada um tem a sua vida, os seus trabalhos e que os tempos de hoje não nos deixam margem nem tempo para CUIDAR daqueles que já foram nossos e que, assim sendo, creio, a pouco e pouco vão deixando de ser. Às vezes não basta colocá-los num qualquer lar, por muito boas que as condições sejam, por muito afecto que haja por parte das pessoas que estão na instituição, é preciso que as famílias sejam presentes, é preciso que aos idosos seja dado um motivo para quererem estar, para quererem ser, para quererem viver. Tenho para mim que quem tem o papel de cuidador tem que ter uma enorme capacidade de planeamento. Reconheço que não deve ser fácil esse papel, no entanto, há que se fazer uma reflexão intensa e ponderada para se tomar a decisão de ser cuidador de idosos, devem ser analisados com muito cuidado os prós e os contras duma decisão dessa natureza. São inúmeras as questões que têm que ser formuladas antes dessa tomada de decisão, do espaço à segurança, da mobilidade ao apoio da restante família, da conciliação da vida profissional à higiene do idoso. Ter um idoso em casa não é com certeza tarefa fácil. Felizmente as opções são algumas, da casa ao lar, do centro de dia à Universidade Sénior tudo tem que ser pensado para que o idoso consiga ter uma qualidade de vida que lhe permita fazer algo com alguma independência. Sim porque sentir-se, na totalidade, dependente deve ser o pior que lhes pode acontecer. Daí eu achar que o papel das famílias é preponderante para o bem-estar, nem que seja psicológico, já que o físico, naturalmente vai quebrando com o passar do tempo. Seja em casa, no lar ou onde quer que seja, nestas idades, eles precisam é de apoio e amor, mais do que tudo o resto. Eu costumo dizer que para percebermos o que os outros sentem devemos sempre tentar pôr-nos no seu lugar, e eu acredito que nesta fase da vida eles precisam de alguém que os oiça, que os ajude e que os ame.
 

Da minha parte, tudo farei para que aqueles que muito me deram tenham aquilo que merecem ter. Quero muito fazer valer como certa a expressão não material de “dar para receber”.É bom ouvir das minhas tias velhotas expressões como: “Oxalá quando fores velhinho também tenhas quem cuidar de ti como nos fazes a nós!” ou “És um anjinho que caíste nas nossas vidas”.

Nestes dias, por motivo de saúde de um dos tios, tive que me deslocar ao Hospital de Évora por dois dias. Certamente muitos dos leitores já terão tido, por uma razão ou outra, essa experiência da espera de resultados num qualquer hospital. O que eu observei naqueles dias deixa-me, por um lado esperançoso no futuro da medicina mas por outro triste. Se por um lado observei mais humanidade nos profissionais de saúde com quem lidei, destaco as duas médicas de tenra idade que tudo fizeram para nos dar respostas, agindo profissionalmente de forma humilde e carinhosa para com os doentes, afastando de mim o pensamento de sobranceria que muitas vezes vejo recair naquela classe, por outro lado verifiquei que o número de profissionais é claramente insuficiente para que não surjam as habituais reclamações de tempo de espera.
 
A propósito do apoio das famílias aos idosos, durante o tempo que estive nas urgências do Hospital de Évora, houve uma coisa que me chocou, ver uma idosa, seguramente com mais de oitenta anos, talvez mesmo próxima dos noventa, completamente desorientada e aparentemente esquecida pela família, perguntando incessantemente pela condição do seu marido que estaria no interior das urgências e entrando e saindo do local inúmeras vezes procurando também no exterior o apoio familiar que tardou (várias horas), sabe-se lá porquê, em aparecer. Tenho a certeza que aquelas horas terão parecido dias para aquela senhora. É certo que, no interior, muitas pessoas se aperceberam do seu desnorte e se disponibilizaram para a ajudar, mas aquela falta de apoio familiar, que com certeza teria uma justificação, tocou-me de sobremaneira.
 
Da minha parte, tudo farei para que aqueles que muito me deram tenham aquilo que merecem ter. Quero muito fazer valer como certa a expressão não material de “dar para receber”.
 
É bom ouvir das minhas tias velhotas expressões como: “Oxalá quando fores velhinho também tenhas quem cuidar de ti como nos fazes a nós!” ou “És um anjinho que caíste nas nossas vidas”. Já lhes disse milhares de vezes que não aceito obrigados. Eu é que tenho que lhes agradecer, a todos, aquilo que sou. Com eles, até onde puder ajudar, cá estarei. Quando não puder pelo menos uma coisa eu sei, presente sempre estarei, nem que seja só para os amar… podem ter a certeza!
* Professor Luís Parente

Brincadeiras de Carnaval

Escrito por sexta, 03 março 2017 02:22
Nos últimos dias, a paisagem da cidade de Estremoz vestiu-se de alegria, de cor e de fantasia para brincar ao Carnaval.
 
Já na quinta-feira anterior ao Carnaval, perto de mil alunos das escolas do concelho tinham desfilado pelo Rossio e ruas envolventes, fiéis ao tema “Cientistas”, e feito a delícia de milhares de familiares, amigos e muitos outros que por ali estavam, dando o mote para aquilo que se iria passar nos dias seguintes.
 
No sábado de manhã, o mercado pululava de locais à procura dos produtos frescos criados e colhidos nas hortas periurbanas de Estremoz, de espanhóis em busca desta ou daquela antiguidade, de citadinos de segunda residência nas imediações, curiosos à descoberta dos modos de vida das nossas gentes, ou simplesmente de transeuntes, que não andavam à procura de nada, apenas vieram ver o movimento ou mostrar-se aos outros. É assim o mercado de sábado em Estremoz e nem o Carnaval fez com que fosse diferente.
 

... e centenas de foliões aproveitaram a única época do ano em que se pode ser quem nós quisermos ser, por mais estranho que isso depois seja. Os nossos heróis de banda desenhada ou do nosso filme favorito, a personagem de uma história que nos contam desde a infância, um animal ou uma planta, uma versão mal acabada do sexo oposto ou a máscara que se constrói, em primeiro ou em último recurso, com roupas e adereços que temos há muito no sótão e que nunca mais ninguém usou.

À noite o caso mudou de figura. Por todo o lado o ambiente foi de festa e centenas de foliões aproveitaram a única época do ano em que se pode ser quem nós quisermos ser, por mais estranho que isso depois seja. Os nossos heróis de banda desenhada ou do nosso filme favorito, a personagem de uma história que nos contam desde a infância, um animal ou uma planta, uma versão mal acabada do sexo oposto ou a máscara que se constrói, em primeiro ou em último recurso, com roupas e adereços que temos há muito no sótão e que nunca mais ninguém usou. Há gostos para tudo e ainda bem. Depois, pela noite fora, habitualmente em grupo e menos vezes sozinhos, os foliões dão asas à diversão nos espaços noturnos da cidade. Há que aproveitar a liberdade que o Carnaval proporciona e Estremoz sempre teve a tradição de o saber fazer.
 
No Domingo Gordo e na Terça-feira de Carnaval o centro da cidade acolheu milhares de visitantes, que vieram a Estremoz ver os corsos carnavalescos. Quase seiscentos foliões desfilaram pelas ruas e encantaram quem veio assistir. Também aqui houve máscaras para todos os gostos, pois o facto de o tema ser livre permitiu aos catorze grupos dar asas à imaginação. Do Parque Jurássico aos Piratas, passando pelo universo de Asterix e dos Simpson, pelos Extraterrestres, Angry Birds, uma Pescaria, Mariachis, Texanos e medievais, tudo desfilou ao ritmo dos sambas ou dos batuques, após os tradicionais Cabeçudos que, apesar de sempre os ter achado feios, tenho de admitir que fazem parte do ideário estremocense e que sem eles o Carnaval não seria a mesma coisa. O balanço geral parece-me muito positivo e é mais um evento que em nada envergonha a nossa cidade, pelo contrário, adiciona-lhe mais valor e coloca-a ao nível de muitas outras, por esse País fora, onde a tradição do Entrudo se continua a cumprir. Bem hajam todos os que teimam em continuar a fazer a festa, tanto aqueles que organizam, como os que participam ativamente ou como os que se deslocam a Estremoz para assistir. Muito obrigado também ao São Pedro que este ano resolveu dar tréguas, não obstante na terça-feira ter ameaçado arruinar os planos dos foliões.
 
Desde já se agradece também ao Governo por ter concedido tolerância de ponto na Terça-feira Gorda, não se percebendo porque é que, num País com fortes tradições carnavalescas, como é o caso de Portugal, esta data ainda não foi considerada feriado obrigatório, com todas as mais-valias que daí adviriam para o turismo e para o comércio. Sei que não é um assunto consensual, mas em minha opinião todos tínhamos a ganhar com este feriado – os funcionários públicos, os trabalhadores do privado e as empresas do sector turístico.
 
Esta época do ano é também propícia às brincadeiras de Carnaval. Ainda sou do tempo das bombinhas, dos “peidos engarrafados”, dos estalinhos, dos risca-pés, das cobras e aranhas de plástico… tudo coisas que se perderam, mas que felizmente continuam bem vivas na minha memória e na de tantos outros que, tal como eu, tiveram oportunidade de as vivenciar. Tal como outras tradições de que ainda me lembro com saudade e que me fazem viajar no tempo até à minha juventude, quando brincávamos na semana dos Compadres e das Comadres, construindo as “bonecas” de pano que ficavam penduradas, durante as duas semanas anteriores ao Entrudo, acompanhadas de quadras satíricas sobre os jovens que procuravam mimetizar. Outros tempos, outras vontades, outras brincadeiras.
 
Atualmente, as brincadeiras são outras e eu confesso que há dias em que leio coisas nos jornais que, de tão ridículas, parecem mesmo brincadeiras de Carnaval. Vem isto a propósito de algo que li num jornal e que, se não tivesse sido publicada em vésperas de Carnaval, teria ficado ofendido pela subtileza como muitas vezes os jornais colocam as questões e nos tentam manipular e baralhar a mente.
 

Os jornais não podem (ou melhor, não deviam) discutir rigorosamente nada. No entanto, há muitos jornais que discutem e assediam a causa pública e esses, no dicionário, têm um nome mais apropriado – os pasquins.

Afinal para que servem os jornais? Qualquer um responderá que servem para informar. Certo. Mas informar não é, nem de perto nem de longe, discutir a gestão e a defesa da causa pública nos jornais! Muito menos quando discutir a causa pública, nesses jornais, eventualmente serve outros interesses, muito diferentes daqueles que deveriam ser os verdadeiros interesses de um órgão de comunicação social.
 
Os órgãos de comunicação social servem para informar assuntos de interesse público, não para os discutir e nunca para sobre eles formular juízo. Os jornais devem ser isentos, pois a isso obriga o código deontológico dos jornalistas. Talvez o problema esteja na nossa Lei de Imprensa, que permite que qualquer pessoa possa obter a carteira de jornalista, sem ser obrigado a frequentar formação apropriada ou a prestar provas da sua verdadeira aptidão para exercer essas funções.
 
Os jornais não podem (ou melhor, não deviam) discutir rigorosamente nada. No entanto, há muitos jornais que discutem e assediam a causa pública e esses, no dicionário, têm um nome mais apropriado – os pasquins.
 
Mas, como disse atrás, dada a época do ano em que certas publicações são feitas, ainda lhe podemos dar o desconto e pensar que, se calhar, não passaram mesmo de uma brincadeira de Carnaval e, como sabemos, no Carnaval ninguém leva a mal.
 
É verdade que perguntar não ofende, mas sempre ouvi dizer que as respostas é que fazem mal…
 
* Arquiteto Paisagista António Serrano

Quando eu for grande quero ser…

Escrito por quinta, 23 fevereiro 2017 09:44
Quando eu for grande quero ser…
 
Esta será, provavelmente, das frases mais ditas quando somos crianças, quando nos perguntam “O que queres ser quando fores grande?”, como se toda a nossa infância fosse passada a refletir sobre o que vamos ser quando crescermos, e mais, como se tivéssemos a perfeita noção do que é SER (se é que alguma vez a teremos). Somos “formatados” que SER implica sempre, em primeira instância, uma profissão e de preferência com estatuto social e que seja reconhecida aos olhos do meio em que vivemos. Mas o que queremos realmente saber quando perguntamos “o que queres ser quando fores grande?”. SER, começamos a SER mesmo antes de nascer, somos desejados, pensados, planeados (ou não) e amados, assim devia SER. Chegamos então “ao mundo” dos humanos no qual nos deveremos sentir seguros, confortáveis, estimulados e motivados a começar a SER, assim devia SER. Mas que SER é este que esperam de nós? Ou que SER é este que querem que seremos?
 

SER, começamos a SER mesmo antes de nascer, somos desejados, pensados, planeados (ou não) e amados, assim devia SER. Chegamos então “ao mundo” dos humanos no qual nos deveremos sentir seguros, confortáveis, estimulados e motivados a começar a SER, assim devia SER. Mas que SER é este que esperam de nós? Ou que SER é este que querem que seremos?

A aprendizagem faz-se através de imitação, ou seja, imitamos os adultos. Eles são as nossas primeiras referências e através deles interiorizamos o modo como nos devemos comportar nos vários contextos, umas vezes aceitamos passivamente, outras nem por isso. Chega uma fase em que contestamos, em que impomos a nossa vontade e descobrimos que podemos também SER e queremos muito, nessa fase, SER diferentes. No modo de agir, nas opiniões e decisões mas tudo isto com uma boa dose de insegurança, medo, rebeldia e ao mesmo tempo determinação e coragem. E seguimos caminho a querer SER, podemos dar as voltas que dermos, a nossa vida pode não ser uma pintura famosa, pode não ser uma sinfonia eterna ou um poema decorado em qualquer boca, mas pode e deve ser tão somente a nossa, aquela que escrevemos nas páginas diárias dos nossos dias, sentindo o pulsar do coração e com ele na mão gritar que queremos SER, dando-o queremos SER mais Humanos, ouvindo com o coração queremos SER mais tolerantes, tocando com o coração queremos SER melhores pessoas, para nós e para os outros. Amando com o coração queremos SER livres e que ninguém nos julgue por Amar. Queremos SER sorriso à chegada e saudade na partida, queremos SER lágrima de alegria e beijo de perdão. Porque podemos SER injustos, cruéis e às vezes egoístas (afinal SOMOS tão humanos e tão iguais) mas se pensarmos por um instante, um segundo, o que queremos SER quando formos grandes… talvez todos queiramos o mesmo… SER HUMANO… e SER HUMANO não vem nos livros da escola ou das faculdades, SER HUMANO vem do encontro com o OUTRO quando olho para ELE como semelhante e quando bebo da Sua diferença (de mim) a sabedoria e o conhecimento que ainda não tenho, quando aperto as suas mãos e agradeço, quando lhe peço perdão pelo que ainda não consegui entender, quando o abraço e sinto que o que temos de melhor tem que estar ali, naquele momento e naquele espaço. Quando me revejo no seu sofrimento e me calo perante o que não sei, quando respeito cada página da sua história como sendo a minha e que guardo como relíquia porque, nunca jamais, haverá uma história igual.
 
* Psicóloga Helena Chouriço
Ainda há pouco tempo, o setor da produção de leite era um dos poucos (dos ligados à agricultura) que contribuía positivamente para a Balança Comercial (saldo entre exportações e importações).
 
Em termos práticos, para além do vinho e mais recentemente o azeite, o sector da produção de leite tem contribuído de uma forma muito positiva para que as exportações sejam superiores às importações. 
 
Sem dúvida alguma um excelente exemplo que deveria ser seguido por muitos mais produtos agrícolas.
 
Esta é uma matéria muito importante para o País. Garantir que as exportações dos produtos agrícolas são superiores às importações, deveria ser considerado um grande objetivo nacional.
 

Atualmente, com este Governo, deixaram de existir instrumentos públicos de ajuda verdadeiramente adequados ao setor da produção de leite de vaca. O atual Governo abandonou completamente o setor. O mesmo não se está a passar noutros países da União Europeia.

Segundo informações prestadas por produtores e profissionais da produção de leite de vaca do Distrito de Évora, existe um problema bastante grave de sustentabilidade deste setor.
 
O preço do litro de leite de vaca, com o valor atual de 29 cêntimos (10 cêntimos mais baixos que há um ano atrás) está a afundar o setor. Sucessivamente, os preços do leite de vaca têm vindo a baixar significativamente ao longo dos tempos. 
 
Esta grave situação está a colocar em causa a sustentabilidade deste importante sector alentejano. Agravando-se dia para dia, sem que se vislumbre um horizonte mais positivo.
 
Ao longo de muitos anos os empresários do setor da produção de leite de vaca foram incentivados a realizar investimentos muito avultados. Responderam com investimentos de excelência, apostando na modernização e ampliação das infraestruturas, assim como num desenvolvimento tecnológico muito significativo.
 
Como resultado, este setor, da produção de leite, é dos poucos a nível nacional que tem um saldo positivo entre exportações e importações. Uma excelente resposta dada pelo setor.
 
Atualmente, com estas derivações no mercado, sentem-se completamente desapoiados.
 
As perspetivas futuras são pouco animadoras, sendo mesmo considerados pelas empresas do setor financeiro, como um setor de alto risco. Os financiamentos em capital de risco estão totalmente desajustados às necessidades do setor. 
 
Atualmente, com este Governo, deixaram de existir instrumentos públicos de ajuda verdadeiramente adequados ao setor da produção de leite de vaca.
 
O atual Governo abandonou completamente o setor. O mesmo não se está a passar noutros países da União Europeia.
 
Continuar a este ritmo, a falência das empresas do setor da produção de leite de vaca vai agravar-se significativamente.
 
Colocam-se algumas interrogações:
- Será que o Governo ciente das grandes dificuldades que o setor da produção de leite de vaca está a atravessar, nomeadamente os produtores deste concelho alentejano? 
– As medidas mais recentes, avançadas pelo Governo, estão a resolver estes problemas do setor da produção de leite de vaca? Qual o efeito prático dessas medidas? Tem havido monitorização por parte do Governo?
– Está o Governo a reunir com as associações mais representativas do setor, com o objetivo de encontrar soluções para ajudar a resolver estes problemas em concreto?
 
Não podemos deixar de ficar impacientes quando vemos um sector tão importante a definhar de uma forma tão vertiginosa.
 
Devemos lutar para que este sector volte a ganhar nova dinâmica (tal como aconteceu em anos de crise) e que ajude o País na sua trajectória de mudança positiva da Balança Comercial.
 
* Deputado António Costa da Silva

* Deputado António Costa da Silva

"Amada Rádio"

Escrito por segunda, 13 fevereiro 2017 16:13
Escrevo este texto no Dia Mundial da Rádio. Geralmente este tipo de dias apenas serve para lembrar que há coisas que existem e de que todos gostamos muito... mas só neste dia. Com a rádio, não é assim. A rádio é todos os dias acarinhada, ouvida, mimada. Os ouvintes adoram a rádio. A rádio é a companhia de muita gente que está só. Mesmo onde a televisão chega em perfeitas condições, geralmente há sempre um rádio que está ligado grande parte do dia, nem que seja para que a casa tenha "som". 
 

No ano passado, neste mesmo local, escrevi sobre a "Magia da Rádio". Não me canso de escrever sobre a rádio. A rádio tem-me dado muito. Faço o que gosto, sei que não falo sozinho e que por vezes escolher a música ou a palavra certa pode mudar, para melhor, o dia de alguém. "Escolhe um trabalho de que gostes e não terás de trabalhar nem um dia da tua vida". Eu não escolhi a rádio, foi ela que me escolheu a mim. Foi ela que me agarrou ainda antes de eu saber que esta seria a minha profissão. 
 
Até parece que me soa mal quando digo que a rádio é a minha profissão. A rádio é uma das minhas paixões, é um dos meus amores. Fala-se no "bichinho da rádio", esse que morde uma vez e deixa marcas para toda a vida. Esse "bicho" existe mesmo, porque quem faz rádio uma vez parece que fica "contaminado" para a vida inteira. A rádio é a tal "escola" de que tantos comunicadores falam. Quando conseguimos manter as pessoas "coladas" ao rádio, apenas usando a palavra, estamos preparados para muitas outras coisas ao longo da nossa vida. 
 
Em 2016, em média, cada português ouviu três horas de rádio por dia. A faixa etária que mais ouve rádio, em Portugal, é a que se situa entre os 25 e 44 anos. São dados que nos deixam esperança para o futuro, sendo também verdade que todos percebemos que a rádio está de boa saúde e tem um lugar especial na vida dos portugueses. Todos nós ouvimos rádio mesmo porque gostamos, ouvimos rádio porque faz parte da nossa vida. 
 

Até parece que me soa mal quando digo que a rádio é a minha profissão. A rádio é uma das minhas paixões, é um dos meus amores. Fala-se no "bichinho da rádio", esse que morde uma vez e deixa marcas para toda a vida. Esse "bicho" existe mesmo, porque quem faz rádio uma vez parece que fica "contaminado" para a vida inteira.

Os ouvintes confiam na rádio. Os ouvintes sabem que o que ouvem na rádio é verdade e estabelecem afinidades com quem fala para eles. Isto é dificil explicar, mas é mesmo assim. Os ouvintes adoram vir à rádio, adoram conhecer quem com eles fala todos os dias, adoram participar, adoram dizer qualquer coisa e assim encurtar distâncias. Há rádios com mais ouvintes e outras com menos, é mesmo assim. Mas basta estar uma pessoa "do outro lado", para já valer a pena.
 
O Dia Mundial da Rádio não serve para recordar as pessoas de que existe a rádio. Isso não é preciso. Serve sim, para que a rádio seja ainda mais acarinhada neste dia, para que os ouvintes participem ainda mais e para que nós, aqueles que damos voz à radio, aproveitemos para agradecer tudo o que ela nos tem dado e tem permitido viver. 
 
Eu estou grato, e muito, a ti, "amada rádio".

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