quinta, 24 setembro 2020

Nunca te escrevi uma Carta de Amor

sábado, 01 agosto 2020 12:56

Hoje é o teu dia de Aniversário e resolvi dar-te uma prenda diferente. Nunca pus por escrito o quão importante és na minha vida. Já to disse milhares de vezes mas nunca o passei para o papel. Amo-te desde a primeira vez que te vi. Se dizem que não há amores à primeira vista, estão realmente enganados e tu és a prova disso mesmo. Teríamos 12, 13, 14 anos quando, ao ver-te passar na Travessa da Rua de São Pedro, o meu coração bateu a mil. Naquela altura tu eras somente um sonho impossível de alcançar. A miúda mais linda da cidade interessar-se por mim era verdadeiramente uma utopia. Todas as vezes que ia para a explicação de Matemática da Mariazinha, eu olhava para aquela pequena porta da casa onde vivias, que mais tarde soube que chamavas “Casa das Formigas”, sempre na esperança de a mesma se abrir e de trocar um simples olhar contigo. Tinha a noção que, algo mais do que isso seria sair-me o totoloto (na altura não havia euromilhões). Só de te imaginar a abrir aquela porta justo no momento em que eu passava fazia-me um frio na barriga e uma tremedeira de pernas que nem queiras saber. Aqueles teus cabelos longos, soltos e sempre bem penteados… aquele odor que emanavas ao passares por mim nos corredores da escola, tudo era para mim um sonho. “Baixinha” era assim que te chamavam os teus amigos… As minhas esperanças em relação a ti eram quase nulas, tu nem olhavas para mim quanto mais dirigires-te a mim para falarmos.

 

Conhecemo-nos aí com 17 anos, nas grades do Rossio que dividiam a praça de táxis do resto do estacionamento ainda de terra batida… mesmo em frente ao “Convívio” e ao “Águias D’Ouro” onde meia cidade se sentava a passar o tempo, a esparvoar… era o ponto de encontro de muita gente nas saídas à noite. Quem nos apresentou foi o Susi numa noite de Verão… a partir daí a minha esperança renasceu e cresceu exponencialmente, pelo menos nos meus sonhos. Passámos a trocar “olás” nos corredores da escola, encontrámo-nos algumas vezes, por mero acaso (ou não…) nas instalações da Rádio Despertar onde ambos fazíamos programas e, pelo menos, já havia alguma conversa entre nós. Entretanto fui trabalhar para o “Kimbo” e tu passaste a aparecer por lá a beber café com a Elsa e o resto do pessoal. De facto o ambiente daquele “Kimbo” era fantástico, não sei até se o João terá tido alguma vez uma equipa como aquela com o Takana à cabeça, o João, o Tó-Zé, a D. Luzita, a D. Laura, a Ana e eu. De certa maneira, também vocês passaram a fazer parte daquela mobília. Durante aquele período tirei a carta e comprei ao Sr. Emiliano, que era o meu patrão, o meu primeiro carro… um lindo Honda 600 branco... consigo até hoje saber a sua matrícula… BN-73-62. Curiosamente o teu pai era também cliente do Kimbo e cada vez que me pedia um café e um cheirinho perguntava-me se não lhe vendia o “boguinhas”, dizia ele que “Era mesmo bom para a minha Zézinha!”… eu pedia-lhe sempre mais do que me havia custado… mal sabia ele que de vez em quando te dava umas boleias. Foi o único carro que consegui vender mais caro do que o que me custou… mas tenho pena de o ter vendido e tu sabes que é verdade.
 
Grosso modo, a partir dessa altura começámos a falar mais e a partilhar gostos. De certa forma aí também nos começámos a aperceber que entre nós havia algo mais em comum, o gosto um pelo outro… se bem que o meu já existia, tinha era estado até aí adormecido numa qualquer esperança. Por entre peripécias de escritos nos vidros do carro e saudáveis e divertidas perseguições de carro pela cidade, sempre respeitando as regras de segurança e as leis do trânsito, chegámos ao dia 10 de Novembro de 1994, o dia em que a nossa história de amor em conjunto começou a sério… ainda hoje me lembro daquele beijo que trocámos no carro estacionado ao cimo da Rua dos Telheiros e que terá selado aí o início da nossa linda história. Tu costumas dizer na brincadeira que se não fosses tu eu ainda andava às voltas ao Rossio… provavelmente sim, mas certamente seria à tua procura meu amor. A partir daí as histórias dentro da nossa história foram e têm sido imensamente felizes, mesmo as mais complexas que exigiram de nós mais empenho e energia.
 
Sempre te disse que tinhas sido feita para mim, que os nossos pescoços encaixavam na perfeição do nosso abraço. Ainda hoje me surpreendo quando, em determinado instante, estamos a pensar o mesmo e o dizemos quase em simultâneo. Quem não nos conhece pode dizer que “Já se conhecem há tanto tempo que é natural!”, mas não! Sempre assim foi, sempre completámos as frases um do outro… sempre pensámos em quase tudo da mesma maneira… sempre tivemos os mesmos sonhos, as mesmas ambições, os mesmos objectivos de vida.
 
De 1994 a 1999 os nossos alicerces foram sendo construídos e nem a separação física de um Curso Superior nos afastou dos nossos objectivos de vida em comum e, quase no final do século XX, unimos o nosso amor num matrimónio muitíssimo molhado. Até parecia que tinha sido combinado com Deus, sairmos da Igreja e começar a chover desalmadamente durante todo o resto desse dia 18 de Setembro. Dizem que quando o casamento é molhado é também abençoado e o nosso tem-no sido, felizmente, até aos dias de hoje e espero que continue a sê-lo.
 
Desde essa altura tem sido só crescer, e da parte que me toca até para a frente e para os lados isso aconteceu, se bem que essa não é a parte mais importante desse crescimento. Crescer a saber viver em união é muito mais importante… viver com cumplicidade, com partilha, com fé, com justiça, com responsabilidade, honestidade, humildade, com respeito, solidariedade, paz e essencialmente com amor. Aliás, tenho para mim que o amor transporta consigo todos os predicados e que é só deixá-lo fluir e tudo o resto vem atrás. Bem sei que há quem não consiga encontrar o amor mas no fundo isso não é bem verdade, quanto a mim o amor está em tudo… numa simples flor que apanhamos… num gesto que temos… num olhar que partilhamos… num bolo que fazemos, enfim, é o amor que comanda o mundo (já ouvi isto em algum lugar)… à parte de tudo isto eu acrescentaria que a falta dele, nos nossos dias, também o comanda.
 

... quase no final do século XX, unimos o nosso amor num matrimónio muitíssimo molhado. Até parecia que tinha sido combinado com Deus, sairmos da Igreja e começar a chover desalmadamente durante todo o resto desse dia 18 de Setembro. Dizem que quando o casamento é molhado é também abençoado e o nosso tem-no sido, felizmente, até aos dias de hoje e espero que continue a sê-lo.

Fruto, precisamente, do nosso amor chegámos ao dia 11 de Setembro de 2002, um dos dias mais felizes das nossas vidas. Quem nos haveria de dizer que na primeira noite que ia passar em Sabóia me irias ligar às 11 da noite a dizer que estavas com contrações e que se elas se intensificassem eu teria que regressar a Estremoz. Pois… às duas da manhã, já do dia 11, entrei no carro a caminho de casa e às quatro e meia estávamos em Évora. Nesse dia nasceu o nosso primeiro grande amor, a Mariana. Daí para cá tudo mudou, e para muito melhor. Vivemos a inexperiência dos primeiros dias até encontrarmos a aprendizagem do real ao adaptarmo-nos a esses novos ritmos, aos novos sons, aos novos cheiros, aos novos sabores, aos novos sorrisos, às novas palavras. Depois veio o 15 de Agosto de 2007, outro dos dias mais felizes das nossas vidas. Nunca me esquecerei que na véspera às 9 da noite andavas, com um barrigão enorme, completamente descontraída em cima de um escadote na garagem e eu e a Isaura a ralharmos contigo e passadas tão somente 3 horinhas já a nossa princesa Matilde cá estava.
 
Sempre te achei uma guerreira, uma Mulher com “M” maíúsculo que não vira a cara à luta nem a qualquer desafio, que tem uma força descomunal na defesa dos seus e dos seus princípios. Tenho aprendido tanto contigo meu amor, tanto mesmo! Posso até dizer que sou um felizardo por te ter na minha vida.
 
Cinco anos depois, no dia 24 de Setembro, quando nada o fazia prever, recebi uma mensagem tua a dizer: “Estou grávida! E agora?”… acho que os meus olhos brilharam de felicidade e eu respondi-te: “Agora, quem cria dois cria três!”. Perante a tua insegurança e surpresa por se revelar falso o pensamento de estares precocemente a entrar na menopausa, choraste bastante mas, como em tudo, assumiste o destino e preparaste-te com todo o amor para o dia 18 de Maio de 2013, altura em que o nosso príncipe e reguila Miguel veio ao mundo qual Super Homem a voar pelos céus de Smallville ou Metrópolis. O facto de ter assistido ao nascimento dos nossos três filhos fez-me, ainda mais, perceber que os nossos corações estão divididos ao meio e que metade do meu está no teu e metade do teu está no meu. A sensação de ver nascer um filho é absolutamente indescritível e, para mim, foram três momentos incríveis que, ainda que fique mais desmemoriado do que já sou, nunca esquecerei. Quando menos esperávamos as fraldas regressaram, os biberões também e, pela primeira vez, passámos dois anos e meio sem dormir uma noite inteira porque o reguila não nos deixou. Ainda assim, mesmo com todas as experiências que vivemos andámos sempre de mão dada, juntinhos, a tentar fazer o nosso melhor para nada faltar aos nossos “M’s”.
 
Sabes tão bem quanto eu que nenhuma relação é perfeita… a nossa, apesar de andar lá perto, também não o é. Uma coisa é certa, temos sempre sabido, em conjunto, resolver os problemas que se nos deparam. Ambos partilhamos a ideia de que o mal dos casais dos dias de hoje é não conseguirem conversar, acabando as relações por se extremarem sem que façam a coisa mais simples do mundo que é ouvir o outro e tentar colocar-se no seu lugar. Felizmente sempre soubemos fazê-lo e sempre cumprimos o conselho do Padre Júlio no dia do nosso casamento: “Nunca vão dormir zangados um com o outro nem sem darem um beijinho um ao outro!”. Gostando de beijos como eu gosto não é nada difícil cumprir o conselho e os nossos feitios também não são para grandes zangas.
 
Na verdade podemos dizer que somos felizes juntos há “práí” 26 anos ou mais… temos crescido juntos, aprendido juntos, continuamos a gostar do mesmo género de música, do mesmo género de filmes, continuamos a gostar mais do Verão do que do Inverno e de termos o quintal cheio de amigos nas noites quentes, continuamos a gostar muito de praia, tu do sol, eu da água.
 
Devo dizer-te que a coisa que mais me surpreendeu em ti ao longo destes anos, e continua a surpreender, é o facto de seres uma mãe incrível, de uma sensibilidade brutal para com os nossos filhos, sendo rígida e firme quando tens que ser e permissiva (muito mais do que eu…) quando também tens que ser. Consegues saber, de forma inata, como agir na altura certa, o que para ser franco me faz pensar: “Como é que consegues?”. Ainda hoje me surpreendes pela forma como és e como ages.
 
Apesar de eu ser gordo e tu seres magra, adoro ver-nos juntos, adoro os momentos só nossos e os que, obviamente não são só nossos… adoro o teu sorriso, o teu carinho, os nossos segredos… adoro a tua pele, o teu cheiro, o teu toque… e fundamentalmente adoro a forma como desenhámos o nosso amor e o transformámos em três seres absolutamente lindos e, para além disso termos tido a capacidade de assumir esse desafio extraordinário que é a humildade de vivermos primeiro a dois, depois a três, a seguir a quatro e ainda a cinco. Não somos iguais, ninguém o é. Tu és tu, eu sou eu mas juntos, os cinco, somos um só ainda que cada um com a sua personalidade, especificidade e forma de agir e pensar. Sei que, por exemplo, tu nunca publicarias nenhum texto sobre nós, mas eu… eu acho que nem que seja somente uma parte, a nossa história de amor deve ser contada… quem sabe não sirva de exemplo para outros amores, até porque NUNCA TE ESCREVI UMA CARTA DE AMOR e, agora que o faço (se é que isto pode ser considerado uma carta de amor) acho que deve ser lida por toda a gente de forma a demonstrar a saudável estupidez, “bacôca” e apaixonada de quem a escreve. Se calhar todas as cartas de amor são assim, “bacôcas”, lamechas, pirosas e cheias de coraçõezitos e cupidos e outras coisas mais. Já que nunca fui muito romântico, ainda que tu esperasses que eu fosse um bocadinho, deixa-me agora sê-lo e dizer todas as baboseiras (no sentido positivo do termo) que se dizem quando se é romântico (acho eu…). Até as nossas filhas acham que eu não sou nada romântico quando perguntam como te pedi em casamento e lhes digo que não pedi… decidimos casar. O que é que se há-de fazer? Eu sou assim!
 
   
 
Eu acho que o nosso amor é perfeito, até nas imperfeições isso se nota. Desde que começámos a crescer juntos, a remar no mesmo barco para o mesmo lado, eu com um remo e tu com o outro, temos percebido que o nosso amor segue o rumo dos imortais, qual Cleópatra e Marco António, qual Romeu e Julieta ou Baltasar Sete-Sóis e Blimunda, ainda que, espero, sem o dramatismo associado a cada uma dessas personagens literárias e da história mundial. O nosso final, que espero longínquo, tem que ser feliz como nós somos, o nosso amor merece que assim seja. Este nosso amor é um poema, é uma prosa, diria que é um soneto, é uma estrela, uma flor, um campo de papoilas saltitantes, outro de girassóis, é um gato, é o mar, a chuva, é tudo e é mais alguma coisa… o nosso amor és tu, sou eu, somos nós. O teu amor é a minha luz, aquela que me faz andar para a frente e olhar o mundo com os teus olhos, pisando os teus passos. Por isso, o que te prometo é o mesmo que sempre te prometi, amar-te para lá do fim dos nossos dias, e mesmo quando um de nós rumar a essa outra dimensão, teremos sempre a nossa outra metade do coração. Sobre este assunto sabes que quero ser eu o primeiro, quero sempre ser eu o primeiro. Não! Não é egoísmo! É o entender que tu és muito mais importante no nosso núcleo familiar do que eu e… uma mãe é sempre uma mãe e as mães não deviam morrer nunca. Mas não falemos disso agora até porque, por tudo o que temos vivido, merecemos ser todos até nós sermos velhinhos e andarmos de bengala. Falemos da felicidade que é termos a nossa família tal como é e da forma imperfeita com que temos criado os nossos filhos, acho que é mesmo isso que os faz perfeitos, pelo menos aos nossos olhos. Já me perguntei muitas vezes quais serão as recordações que eles terão de nós quando formos embora? O que lhes ficará marcado na memória e no coração a nosso respeito? Certeza temos que tudo temos feito para lhes deixar bons valores para que os seus vôos pela vida se façam sem grandes vendavais ou pelo menos, que possam ter a capacidade de ultrapassar as dificuldades desses vôos, com tudo o que têm aprendido ao longo das suas vidas, para que se esses mesmos vôos se tornem calmos mas firmes. Continuaremos a fazê-lo da forma que achamos correcta e, enquanto o fizermos, podemos dizer que temos a nossa consciência tranquila. Ninguém tirou nenhum curso de como criar os filhos, acho que tudo tem a ver com equilíbrio e com a bagagem trazida, que é como quem diz, tudo o que nos foi transmitido pelos nossos próprios pais, avós, outros familiares e através das nossas vivências que mais não fizeram do que dar-nos também a capacidade para dividir o nosso amor.
 
Não sei se isto é uma carta de amor. Se calhar as cartas de amor são mais curtas mas como nunca te tinha escrito nenhuma, o tamanho desta é proporcional às que te devia ter escrito ao longo destes 26 anos se fosse uma pessoa romântica.
 
Já te disse que te amo? Já te disse que te amo cada vez mais? Talvez já to tenha dito mais do que um milhão de vezes, aí não tenho falhado, ainda assim há algo que não te disse tantas vezes e deveria ter dito… OBRIGADO MEU AMOR por cada momento contigo, por cada hora, por cada minuto, por cada segundo… OBRIGADO MEU AMOR por seres quem és… OBRIGADO MEU AMOR por partilhares a tua vida comigo… OBRIGADO MEU AMOR… por tudo… OBRIGADO MEU AMOR por guardares a minha metade do coração contigo… simplesmente OBRIGADO!!!
 
Como diz o nosso Miguel, “Amo-te… até ao pote de ouro do Arco-Íris e até ao teu mundo!”
 
AMO-TE e AMAR-TE-EI SEMPRE!!
 
* Professor Luís Parente
 
 
 
 
 
 
Modificado em sábado, 01 agosto 2020 13:31

O Governo Anti Touradas

sábado, 13 junho 2020 11:51
Talvez poucos se lembrem, por volta de outubro de 2018, ainda se encontrava há pouco tempo como titular da pasta da Cultura, a ministra Graça Fonseca provocou a primeira grande polémica do seu mandato, quando afirmou que o IVA das touradas não seria reduzido: "Não é uma questão de gosto, é uma questão de civilização". "Todas as políticas públicas têm na sua base valores civilizacionais. E as civilizações evoluem", referiu a governante.
 
Apesar de ter tentado esclarecer que não chamou "incivilizados" aos adeptos da tauromaquia, Graça Fonseca, disse manter "exatamente" o que tinha afirmado: "Quando eu afirmo que há valores civilizacionais que diferenciam políticas, é verdade - posso dar como exemplo o debate do uso dos animais em circo. Não é uma questão de gosto, isto não é individual".
 

Logo, quando se escolhe para a pasta da cultura, alguém que é contra a tauromaquia, significa que o Governo é contra essa mesma atividade

 
Não é segredo nenhum, a Ministra da Cultura, Graça Fonseca, é contra a tauromaquia. Logo, quando se escolhe para a pasta da cultura, alguém que é contra a tauromaquia, significa que o Governo é contra essa mesma atividade.
 
Muita gente está pasmada pela forma como este Governo está a tratar a Festa Brava. Mas não devia estar. Também não se pode estranhar a inibição da realização de touradas no seu palco principal que é o Campo Pequeno, e permitir a realização de outras iniciativas naquele nobre espaço. O Governo é claramente contra a realização de touradas.
 
Nós é que não podemos aceitar esta leviandade de tratar as coisas e desrespeitar milhares de cidadãos portugueses. Quando não há debate há imposição, logo não há democracia.
 
Também não é de estranhar a reação da Ministra da Cultura, Graça Fonseca, quando o Grupo de Forcados de Évora tentou falar com ela e tentou entregar-lhe um barrete de forcado, mas a governante não aceitou a oferta, nem quis falar com os integrantes do protesto.
 
É a reação de alguém que despreza a atividade tauromáquica. Não só detesta esta atividade, como a despreza!
 
Mas a Ministra da Cultura, Graça Fonseca, está errada, porque a Tourada também é cultura. Por muito que não lhe agrade a tauromaquia esta é uma atividade cultural centenária e merece ser respeitada.
 
É injusto os espetáculos tauromáquicos estarem proibidos e outros espetáculos serem permitidos nos recintos de tradição tauromáquica.
 
As mesmas regras dever servir para todos. Os mesmos direitos e deveres também para todos.
 
Por isso mesmo, temos que ser exigentes, e obrigar este Governo a cumprir as regras democráticas.
 
* Vereador na Câmara Municpal de Évora, António Costa da Silva
Modificado em sábado, 13 junho 2020 12:02

Dias 8 e 9 de Maio - Datas marcantes

sábado, 16 maio 2020 14:55
8 DE MAIO - O DERRUBE DO REGIME NAZI
No dia 8 de Maio do presente ano foi possível comemorar os 75 anos do fim do regime nazi. Infelizmente, tendo em conta o contexto em que vivemos, não foi possível festejar da melhor forma tão importante data. A situação de afastamento provocada pelo COVID 19 foi efetivamente inibidora para quaisquer práticas de celebração de tão importante data. Claramente compreensível!
 
No dia 8 de maio de 1945, a Alemanha nazi capitulou, dando fim ao maior conflito mundial vivido pela humanidade. Não podemos esquecer as atrocidades do regime de Hitler, muito menos esquecer uma das maiores vergonhas da humanidade. Tal como escrevia o escritor francês Olivier Guez: “A cada duas ou três gerações, quando a memória se estiola e as últimas testemunhas dos massacres anteriores morrem, a razão se retrai e homens voltam a propagar o mal.” Realisticamente, os fantasmas do passado nunca desapareceram totalmente, e no contexto da atualidade preservar a memória se torna ainda mais importante do que nunca.
 
9 DE MAIO - O DIA DA EUROPA
No dia 9 de maio festeja-se a paz e a unidade do continente europeu. Esta data assinala o aniversário da histórica «Declaração Schuman». ´´Num discurso proferido em Paris, em 1950, Robert Schuman, o então Ministro dos Negócios Estrangeiros francês, expôs a sua visão de uma nova forma de cooperação política na Europa, que tornaria impensável a eclosão de uma guerra entre países europeus.
 
A sua visão passava pela criação de uma instituição europeia encarregada de gerir em comum a produção do carvão e do aço. Menos de um ano mais tarde, era assinado um tratado que criava uma entidade com essas funções. Considera-se que a União Europeia atual teve início com a proposta de Schuman.``
 

Tal como aconteceu com o fim da II Grande Guerra Mundial, esta crise, provocada pelo COVID 19, deveria tornar-se numa grande oportunidade para a União Europeia se fortalecer, mas sobretudo para fortalecer os seus povos, para fortalecer as suas gentes.

É neste contexto que são criadas as Comunidades Económicas, dando origem ao que hoje denominamos de União Europeia. É neste contexto, com o objetivo de garantir a paz entre nações, que se foi criando este grande projeto que une atualmente 27 estados membros.
 
DESAFIOS:
Vivemos uma era em que o projeto Europeu (entenda-se União Europeia) enfrenta grandes desafios e fortes contradições: As consequências e resultados do processo do “Brexit” ainda deixam muitas incertezas quanto ao novo modelo europeu; A crise dos imigrantes e refugiados têm provocado muitos desentendimentos e falta de solidariedade entre povos; A emergência e crescimento dos populismos e do radicalismo de extrema-direita e extrema-esquerda, têm sido um dos maiores fatores desagregador do ``modelo europeu´´. E muito grave, tal como se tem visto na crise provocada pelo COVID 19, existe uma gigantesca dificuldade em se tomar decisões rápidas. Decisões estas que poderiam ajudar a avançar de forma sólida o processo de construção europeia, eliminando muitas das dúvidas de credibilidade que as instituições europeias padecem, perante grande parte dos cidadãos europeus.
 
Tal como aconteceu com o fim da II Grande Guerra Mundial, esta crise, provocada pelo COVID 19, deveria tornar-se numa grande oportunidade para a União Europeia se fortalecer, mas sobretudo para fortalecer os seus povos, para fortalecer as suas gentes.
 
Ainda tenho essa esperança!
 
* Vereador na Câmara Municpal de Évora, António Costa da Silva
Modificado em sábado, 16 maio 2020 15:00

Este ano não há FIAPE

quinta, 30 abril 2020 20:20
Quem me conhece sabe que não sou pessoa de guardar saudade por aquilo que não aconteceu. Tento viver o dia-a-dia, aproveitando ao máximo o agora e aprendendo com o passado, tentando não pensar muito no futuro e, como disse, nas coisas que nunca chegam a acontecer-me. Tento seguir à risca aquilo que, desde muito cedo, sempre ouvi o meu pai dizer: “Quem vai, vai e quem está, está”.
 
Mas hoje tenho que confessar uma coisa. Hoje bateu-me a saudade por algo que não chegou a acontecer. Hoje (e nos últimos dias, para falar a verdade) senti em mim um enorme vazio, pois apercebi-me que este ano não iria ter a minha FIAPE.
 
Sim, a minha FIAPE. Já a considero minha e não me censurem por isso, pois ontem teria começado a sua 34.ª edição e eu já convivo com ela há pelo menos 19 anos, por isso posso perfeitamente dizer que é um bocadinho minha. Um bom bocadinho…
 
Lembro-me tão bem das primeiras edições da FIAPE, no Rossio, quando ainda nem sequer imaginava que um dia viria a ser a minha FIAPE… Nos primeiros anos de escola em Estremoz adorava atravessar a feira e ver os animais e a maquinaria agrícola, quando fazia o meu trajeto diário até à antiga Rodoviária, no regresso a Évora Monte. Depois, já no secundário, a minha formação em agropecuária fez-me olhar para ela ainda com mais atenção. Os panfletos nos stands (sempre adorei beber informação), a maquinaria e os animais que estudávamos nas aulas, as visitas à feira com a professora de produção vegetal e zootecnia… Sinto que talvez a FIAPE tenha contribuído muito para a escolha da minha primeira formação zootécnica , ou provavelmente não, mas atrevo-me a pensar que teve alguma culpa no cartório.
 
Regressei a Estremoz em fevereiro de 1998 e logo aí me colocaram nas mãos programar alguns aspetos da animação cultural e desportiva da FIAPE desse ano. E desde aí, tenho estado (quase) sempre lá. Acompanhei de perto as diversas evoluções que ainda teve no Rossio, a sua mudança para o Parque de Feiras (então resumido ao Pavilhão Central) e as sucessivas adições que ganhou ao longo do tempo, fruto do enorme investimento municipal naquele que muitos consideraram um elefante branco à época, mas que hoje reconhecem orgulhosamente como um dos melhores parques de feiras e exposições da região.
 
Involuntariamente, interrompi por três anos a minha presença assídua na organização da FIAPE. Tal como noutras situações, também aí não tive saudade, porque não aconteceu. Mas regressei novamente (a vida não é tramada?) e desde então gosto de acreditar que eu e a minha equipa das feiras temos acrescentado muito ao certame, fruto obviamente daquilo que têm sido as opções do executivo municipal e a aposta forte que tem tido na projeção da FIAPE e de outros eventos temáticos como forma de valorização social e económica do concelho. Claro que sem os ovos que o executivo nos proporciona não conseguiríamos fazer as omeletes que têm sido feitas e agradeço todos os dias por nos ser dada essa possibilidade de poder fazer sempre mais e pela confiança que em nós depositam nesta tarefa.
 
Ontem teria sido inaugurada mais uma edição. A tal que estava planeada e que não chegou a acontecer. Estaria a mentir se dissesse que não me deixa pena não a podermos realizar. Por muito trabalho que desse, por muitas dores de cabeça e noites mal dormidas que proporcionasse, por muita entrega que tivesse que acontecer da nossa parte, por muitos quilómetros que tivessem que ser percorridos, valeria sempre a pena, pois é sempre com muito agrado que vemos a nossa feira crescer e ganhar a projeção que hoje tem nas nossas vidas e na de milhares de pessoas. Basta olhar para o número de pessoas, visitantes e expositores, que já manifestaram nas redes sociais a sua tristeza por este ano não terem a sua FIAPE.
 
Como disse há pouco, lembrei-me muito da minha FIAPE nos últimos dias: “Hoje estaria a receber os senhores da montagem das tendas e a explicar que ainda não tinha conseguido acabar a planta, porque há sempre alterações de última hora”; “Hoje já teriam vindo montar o palco e a tenda dos espetáculos. Não me podia esquecer da suspensão dos equipamentos de som na estrutura…”; “Hoje começavam a chegar os primeiros expositores e, com eles, os primeiros pedidos de mudança de lugar”; “A equipa do som chegaria hoje”; “Hoje estaria a ter a reunião com a equipa de segurança e a lidar com os stresses do responsável por essa área”; “Por esta altura, já me teriam pedido dezenas de vezes para ir ver o stand da câmara e lá estaria a minha equipa num frenesim. Eventualmente já teria torcido o nariz também uma dezena de vezes, mas no final daria sempre o braço a torcer quando visse o resultado”; “A reunião com a ASAE e as novidades legislativas que há todos os anos. Qual seria este ano?”; “Os prémios dos concursos…”; “O alinhamento da cerimónia de inauguração… Como sempre, metade dos convidados não iria confirmar e depois não teriam lugar sentados…”; “O telefone já tinha tocado milhares de vezes”; “As pulseiras…os bilhetes… os trocos…”; “Os expositores… os 400 expositores, cada um a puxar para o seu lado. Arranjar 400 soluções para 400 problemas”; “A chuva, a sempre presente chuva”... Parece complicado? Sim, é mesmo complicado.
 

Acredito que este ano teria tido uma grande FIAPE. Estavam reunidas todas as condições: as datas, os espetáculos programados, as inscrições que já havia em todos os sectores económicos da feira, o investimento que estava previsto na melhoria de algumas áreas da feira, a promoção que estava delineada, a boa fase que o sector agropecuário atravessava e algum poder de compra que as pessoas ainda tinham… Estou convencido que tudo isto iria contribuir para mais um grande sucesso.

Mas depois teríamos a inauguração e todas estas complicações se desvaneceriam. A inauguração, que, como quase sempre e este ano não teria sido exceção, viria acompanhada da chuva. Mas a partir daí tudo fluiria normalmente e durante cinco dias Estremoz teria a sua FIAPE. Graças a um conjunto de pessoas (executivo, técnicos, administrativos, operacionais, expositores e fornecedores de serviços) que trabalham de forma incansável para que tudo corra bem e que estão lá a dar o seu melhor para que tudo funcione e garanta experiências únicas aos visitantes. É claro que há sempre, neste conjunto de pessoas, um conjunto mais restrito, com quem lido diretamente e que, se lerem isto, saberão perfeitamente que é deles que falo e que de certeza já sentiram muitas saudades do meu mau feitio…
 
Acredito que este ano teria tido uma grande FIAPE. Estavam reunidas todas as condições: as datas, os espetáculos programados, as inscrições que já havia em todos os sectores económicos da feira, o investimento que estava previsto na melhoria de algumas áreas da feira, a promoção que estava delineada, a boa fase que o sector agropecuário atravessava e algum poder de compra que as pessoas ainda tinham… Estou convencido que tudo isto iria contribuir para mais um grande sucesso.
 
Mas, sem nos pedir autorização, o Covid entrou nas nossas vidas e tudo isto e muito mais nos retirou. Já nos tirou a FIAPE, vai-nos tirar o Festival da Rainha e muitas mais iniciativas que estavam previstas para animar o verão na nossa cidade. Está a tirar rendimentos a quem vive da restauração, dos bares, das cafetarias, dos alojamentos turísticos e de tantos outros pequenos negócios que foram obrigados a encerrar; a quem se vê obrigado a ficar em casa em layoff ou a acompanhar os filhos nos seus estudos, devido ao encerramento das escolas. Está a tirar saúde mental a quem tem que estar em casa em teletrabalho e a retirar os poucos anos de vida que restam aos milhares de idosos que estão em isolamento e privados de verem os seus familiares. Priva-nos da companhia de todos aqueles que infelizmente já partiram por sua causa. Priva-nos daquilo que tanto gostamos de fazer: conviver com os nossos familiares e amigos, de circular livremente, de passear, de viajar e de conhecer coisas novas.
 
Todas estas privações acabam por matar-nos aos poucos, devido à insegurança em que vivemos e à impotência que sentimos perante esta ameaça invisível e sem fim à vista. Mas irão ajudar-nos a olhar para o futuro com outros olhos, pois certamente todos tiraremos uma grande lição desta experiência negativa, que mais não seja a de passarmos a dar mais importância às pequenas coisas das nossas vidas e aprendermos a dar-nos mais tempo para as vivermos. Afinal, com tudo isto, todos já nos apercebemos que é possível viver mais devagar e privados de bens não essenciais.
 
O Covid já nos roubou dois meses das nossas vidas. Dois meses que não nos serão devolvidos. Dois meses que não foram vividos intensamente, que não deviam ter acontecido e que, por isso, também eles não me deixarão saudade…
 
Como o Covid ainda não me retirou a possibilidade de fazer atividade física ao ar livre, fui correr, como se ontem tivesse sido uma quarta-feira normal. Casualmente, ou talvez não, passei pelo Parque de Feiras. Lá estava ele: vazio, silencioso e sem movimento. Apenas um ou outro pardal chilreava nas olaias, naquele fim de tarde que despertava após uma chuvada intensa. 
 
E voltei-me a lembrar que este ano não há FIAPE, pois faltava ali o movimento das pessoas, o barulho dos carrinhos de choque, o teste de som no palco principal e a luz acesa no gabinete que costumo ocupar no pavilhão. 
 
Não sei bem se aquela coisa salgada que rolou pela minha face foi suor da corrida ou uma lágrima de tristeza. Mas sei que saí dali a correr como nunca, de regresso a casa, e a pensar: “Este ano não houve… Mas para o ano vai haver, será muito melhor e irá compensar tudo aquilo que perdemos.” Fica a promessa…
 
* Arquiteto Paisagista António Serrano
 
Modificado em sexta, 01 maio 2020 22:47

A Europa está a ser destruída

sábado, 11 abril 2020 13:08
Estamos a viver um dos períodos mais graves no processo de construção europeia. A última decisão do Eurogrupo e todas as mentiras propagandísticas que dali resultaram, são mais um condimento para ajudar a destruir a Europa (entenda-se União Europeia).
 
A falta de estadistas, associada aos egoísmos nacionais e regionais são outros elementos altamente perturbadores no processo de consolidação da União Europeia. A falta de solidariedade e a incapacidade de se tomarem decisões coletivas são os aspetos mais graves.
 
Associado a isto, uma forte incapacidade da União Europeia em dar respostas aos problemas concretos, tal como é exemplo a mais recente luta contra os efeitos nefastos provocados pelo Coronavírus.
 
A última “facada” foi a decisão desta semana do Eurogrupo. As mentiras atrás de mentiras. Incompreensões atrás de incompreensões. Impotência envoltas em incompetências. Um desastre!
 

Ora vejamos, quando ‘’esmiframos’’ a noticia como deve ser, chegamos à conclusão que o acordo do Eurogrupo sobre os 500 mil milhões de euros para combater os efeitos nefastos do Coronavírus, são na realidade dinheiro que já estava previsto.

E depois o que se faz? Finge-se. Mente-se. Não há nada melhor para alimentar os populismos crescentes que a mentira descarada de muitos políticos democraticamente eleitos.
 
A notícia que nos era dada é que os ministros das Finanças da Zona Euro chegaram a acordo, dia 9 de abril, sobre os apoios económicos para fazer face à pandemia do covid-19. E mais, ‘’a informação referia que o Eurogrupo chegou a acordo sobre o pacote de ajuda económica para a crise do novo coronavírus. “A reunião terminou com os ministros a aplaudir”, anunciou o porta-voz de Mário Centeno no Twitter.
 
Ora vejamos, quando ‘’esmiframos’’ a noticia como deve ser, chegamos à conclusão que o acordo do Eurogrupo sobre os 500 mil milhões de euros para combater os efeitos nefastos do Coronavírus, são na realidade dinheiro que já estava previsto. Em termos práticos estamos a falar de verbas do SURE (110 milhões anunciados na semana passada pela Comissão para financiar os layoffs), associada uma linha de crédito do BEI de 200 mil milhões de euros, acrescentando ainda os 240 mil milhões do Mecanismo Europeu Estabilidade, que já estava prevista a sua flexibilizado para despesas em saúde.
 
A realidade é que este acordo não trás praticamente nada de novo. Mas tudo é feito como se estivéssemos perante uma grande medida, sendo que, apenas se aceitaram as propostas que a Comissão Europeia já tinha anunciado.
 
E andamos nisto, uma grande incapacidade da União Europeia em dar respostas fortes, solidárias e coletivas.
 
Infelizmente prevejo um mau futuro para um projeto que tanto gosto.
 
* Vereador na Câmara Municpal de Évora, António Costa da Silva
Modificado em sábado, 11 abril 2020 16:18

Mais vale prevenir do que remediar

sábado, 14 março 2020 02:45
É preciso estar bem atento à evolução do COVID 19 (mais conhecido por Coronavirus). Como já podemos comprovar noutros sítios do Planeta, este não é um assunto para brincadeiras. Durante algum tempo pudemos acompanhar toda a evolução deste vírus com muito distanciamento. 
 
Só que agora já percebemos que é algo que não está assim tão distante de nós. Com a evolução recente em Itália deu para perceber da gravidade e proximidade da situação. Primeiro consideramos estranho o “encerramento” de cidades e regiões. Depois achamos estranha a necessidade em se construir um hospital na China em 10 dias para dez mil pessoas. Agora, achamos estranho que numa das regiões mais ricas da Europa (Lombardia / Itália) se decida quem vai morrer e quem tem condições para sobreviver.
 
A situação é mesmo grave!
 
Por isso mesmo, é mais do que decisivo estancar a mais do que provável propagação do COVID 19 em Portugal. 
 
Em primeiro lugar é fundamental que as autoridades nacionais e locais transmitam uma mensagem bastante clara. Não pode haver hesitações!
 

Aos cidadãos exige-se responsabilidade e bom senso. A responsabilidade individual e coletiva das pessoas são decisivas. Só assim se poderá ganhar esta terrível batalha. A melhor forma de ajudar o Sistema Nacional e Saúde é ajudar a circunscrever os efeitos da propagação. Por isso, limitar o contacto entre as pessoas é fundamental.

Estamos perante uma guerra que vai ter que ser travada por todos nós. Por todos, por uma razão bem simples: porque o Sistema Nacional de Saúde (SNS) não vai ter capacidade para resolver tudo sozinho. Vai ser uma batalha que exige responsabilidade de todos nós.
 
Exige-se clareza, coerência e pragmatismo nas ações promovidas pelas entidades responsáveis. Aos cidadãos, cabe cumprir apenas cumprir essas indicações. Não me choca o encerramento de serviços, de iniciativas e de actividades diversas. Mais vale prevenir do que remediar. No entanto, não se deve encerrar um serviço público, se ao lado estiverem abertos outros serviços públicos, ou outros serviços e atividades que envolvem muitas pessoas. Mensagem e acções erradas provocam sempre comportamentos errados.
 
A clareza na informação é decisiva nestas matérias. A clareza deve ajudar a evitar o pânico! 
 
Aos cidadãos exige-se responsabilidade e bom senso. A responsabilidade individual e coletiva das pessoas são decisivas. Só assim se poderá ganhar esta terrível batalha. A melhor forma de ajudar o Sistema Nacional e Saúde é ajudar a circunscrever os efeitos da propagação. Por isso, limitar o contacto entre as pessoas é fundamental. 
 
Já sabemos que o SNS não vai ter capacidade de responder a tanta solicitação. Daí o nível de exigência dos cidadãos ainda ser maior.
 
É importante precaver nalgumas compras para casa e em adquirir alguns medicamentos básicos. É muito importante, mas não é preciso entramos em histerismos colectivos. Agir bem é a melhor de ajudar a resolver problemas!
 
Na minha opinião devemos seguir à risca o que nos dizem as autoridades nacionais e locais de saúde. Mas insisto, é necessária uma mensagem muito clara e assertiva por parte das referidas autoridades. 
 
Em conjunto vais ser possível combater melhor a complexa batalha que vamos ter pela frente. 
 
* Vereador na Câmara Municpal de Évora, António Costa da Silva
Modificado em sábado, 14 março 2020 02:59

Porque sou contra a Eutanásia

quinta, 20 fevereiro 2020 02:03
A discussão do tema da eutanásia é de facto muito sensível. É muito difícil ter uma posição muito assertiva sobre esta matéria. Argumentos como as liberdades individuais, a compaixão e o amor por quem está num sofrimento extremo, devem e merecem ser respeitadas. Merecem-me um respeito profundo!
 
Na minha opinião pessoal, é de todo impossível fazer uma avaliação completa sobre esta matéria, que é demasiado complexa. Corremos o risco de entramos em fortes contradições.
 
Também sou da opinião que não basta uma avaliação meramente individual, sobretudo a um deputado que tem que fazer escolhas. Esta decisão é de grande responsabilidade individual e com fortes efeitos coletivos. Matéria que não pode ser esquecida.
 
Apresento, assim, os meus principais argumentos porque sou contra a prática da eutanásia:
 

Validar a prática da eutanásia é tornar uma decisão irreversível. Não há volta a dar! A partir daí é o escancarar de portas de um mundo claramente desconhecido. É tomar uma decisão irreversível, sobre a irreversibilidade da morte. Custa-me a aceitar essa opção!

 
1 – Esta é uma decisão sobre a vida. É uma decisão que se prende em valores de esperança na vida e não da morte. Sou daquelas pessoas que acredita que há sempre uma hipótese. Mais uma hipótese para a vida. Acredito na força e na esperança da vida, mas também nos rápidos avanços da ciência, os quais podem solucionar casos (mesmo dramáticos) que aparentemente não tem grandes expectativas. Sou sempre otimista em relação à vida. É a minha natureza!
 
2 – Validar a prática da eutanásia é tornar uma decisão irreversível. Não há volta a dar! A partir daí é o escancarar de portas de um mundo claramente desconhecido. É tomar uma decisão irreversível, sobre a irreversibilidade da morte. Custa-me a aceitar essa opção!
 
3 – Conheço as práticas em países claramente liberais. São demasiados os erros e as decisões egoístas que vão de encontro a valores com os quais não partilho. Algumas dessas decisões, que envolvem menores e pessoas em forte debilidade psíquica, são algo que me deixa claramente incomodado. Pactuar com algo semelhante é um equívoco histórico!
 
4 – As propostas que estão em cima da mesa mal foram discutidas com os portugueses. Muitas delas estão mal explicadas, ou mesmo sem qualquer explicação. Um debate cobarde! Um debate inexistente! Mais uma vez, estamos perante um mau serviço que a Assembleia da República faz para com os portugueses. Não posso concordar!
 
5 – Também as propostas de Lei são pouco claras. Adotam uma linguagem que não se percebe ao certo o que pretendem. Confunde-se por exemplo o “sofrimento extremo” com o sofrimento físico. Ficam abertas algumas nebulosas que podem permitir as práticas de países com as quais discordo profundamente. Não se percebe, também, a pressa em legislar mal! Ou percebe?
 
6 – Faço uma leitura, que apenas me responsabiliza a mim, de que esta é a vontade da grande maioria dos portugueses. Ser contra a eutanásia.
 
Por todas estas razões (e outras mais individuais) que me levam a não aceitar a eutanásia.
 
* Vereador na Câmara Municpal de Évora, António Costa da Silva
Modificado em quinta, 20 fevereiro 2020 02:10
Todos os dias se repetem múltiplas notícias sobre a situação crítica em que se encontra o SNS (Sistema Nacional de Saúde). Urgências fechadas, consultas adiadas, falta de respostas, défice de médicos e de enfermeiros, deterioração física dos espaços destinados ao serviço de saúde, são “o pão-nosso de cada dia”.
 
O Sistema Nacional de Saúde em Évora não foge à regra. Recentemente tive a oportunidade de contactar in loco com esta triste realidade. É aflitivo o que se passa no Hospital Espírito Santo de Évora! Não por culpa dos profissionais que lá trabalham, mas, essencialmente, pela degradação a que tem sido sujeito nos últimos anos.
 
Deixo um exemplo muito concreto: os doentes (ou a família dos doentes) ligam para a linha SNS24 a pedir auxílio médico. É-lhes recomendado para irem ao HESE - Hospital Espírito Santo de Évora. Resultado: passam pela triagem e estão horas e mais horas à espera sem que alguém lhes diga algo.
 
Quando digo horas, são mesmo muitas horas sem qualquer apoio, sem qualquer resposta. Infindáveis horas de sofrimento, sem qualquer apoio. Uma tristeza!
 
Pude verificar que no meio daquele tormento, há pessoas que desistem de esperar pelo atendimento a que têm direito. Há pessoas que, mesmo em sofrimento, abandonam aquela unidade hospitalar. Eu presenciei situações dessa natureza. Ouvem-se as chamadas ao micro e as pessoas já não estão lá.
 
É miserável o que se passa no Sistema Nacional de Saúde. Falo de situações em que idosos, casos com 90 e mais anos de idade, esperam intermináveis horas sem que ninguém os consulte. Pior, ninguém diz nada. Ninguém sabe quando termina o tormento. Uma falta de respeito para com os utentes.
 
Os orçamentos de Centeno e de António Costa levam-nos a isto. Já não podem existir desculpas para tanta degradação. Está aos olhos de qualquer cidadão.
 
Infelizmente fui testemunha disso mesmo.
 
Desta embaraçosa vergonha!
 
* Vereador na Câmara Municpal de Évora, António Costa da Silva
Modificado em sábado, 25 janeiro 2020 17:02

Estranho Sábado, este…

quarta, 18 dezembro 2019 11:54
Antes de escrever este texto refleti de forma a saber se faria algum sentido expô-lo aqui, publicamente, no Ardina do Alentejo por se tratar de um assunto muito particular que mais não é do que um misto de agradecimento mas que também envolve afectos. Como não consigo escrever sem afecto, talvez tenham sido mesmo eles que me fizeram tomar esta decisão, os afectos de barro mas também de coração (já todos vão perceber porquê).
 
É dia 14 de Dezembro… que sábado estranho este! Desde Setembro que os meus sábados se tornaram uma verdadeira azáfama… uma boa azáfama, diria. Melhor ainda, não foram só os sábados, foram também as quintas e sextas-feiras à noite. Para dizer a verdade todos estes dias passaram num ápice, de Setembro até agora… estranhamente hoje está mesmo a custar a passar, parece que me falta algo.
 
Em Setembro iniciei uma nova experiência na minha vida que, de certa forma a alterou. Todos os dias há coisas e experiências que alteram a vida das pessoas, é certo, mas esta situação em específico revelou-se, de certo modo, inspiradora a diferentes níveis.
 
Como certamente saberão, os “Bonecos de Estremoz” fazem parte, desde 7 de Dezembro de 2017, do Património Cultural Imaterial da Humanidade. Sempre tive um especial afecto por esta forma de arte popular tão característica e peculiar que sai das mãos de autênticos artistas e, na minha profissão, não raras vezes, a levei às escolas por onde andei. O barro não era, por isso, uma matéria-prima estranha para mim. Uma proposta de trabalho trouxe-me ao Município de Estremoz para colaborar na área da Cultura precisamente na promoção desta forma de arte junto da comunidade escolar e dos idosos. As acções educativas nesta área já existem há quase duas décadas. São promovidas pela equipa do Museu Municipal Professor Joaquim Vermelho de forma absolutamente exemplar e a Isabel Borda d’Água é a cara desse sector, ela que, com a sua subtileza, credibilidade, sapiência, disciplina e sensibilidade já proporcionou a centenas de crianças e jovens o primeiro contacto com o barro e, naturalmente, com o “Boneco de Estremoz”. Ela própria diz, inúmeras vezes, que não se considera nem se sente professora por não ter tido cadeiras pedagógicas para o ser. Ainda assim, tomara que muitos que as tiveram se pudessem orgulhar de ter metade da capacidade que ela demonstra dia após dia junto das crianças que se deslocam àquela oficina do Museu Municipal. Ela vai, certamente, perdoar-me por isto… eu sei que ela gosta mais de estar na sombra mas não seria justo da minha parte que, ao falar sobre os “Bonecos de Estremoz” não falasse dela e na sua extraordinária importância para o Museu Municipal e para o próprio figurado de Estremoz não só junto da população escolar mas no contacto diário que tem com todos os artesãos que trabalham na área. Não existe, de certeza, qualquer jovem no concelho que não tenha aprendido pelo menos a fazer um apito ou outra figura com a Isabel. É também por este motivo que entendo reconhecer, publicamente, o fantástico trabalho por ela desenvolvido, por ser, precisamente, mais do que justo.
 

Para além de tudo, e não menos importante, são os laços de amizade que se criaram durante estes cerca de três meses e que, estou convicto, ficarão para a vida. Tenho a certeza que não mais esqueceremos o quão formidáveis foram os dias desta formação. Para dizer a verdade também tivemos uma sorte tremenda com o grupo de formandos que nos calhou, um grupo com sede de saber, plenamente motivado, disciplinado e disposto a aprender mais e cada vez mais.

A Isabel acompanhou-me nesta jornada especial e foi uma peça fundamental em todo este processo onde ambos, juntamente com o responsável técnico da candidatura dos “Bonecos de Estremoz” a Património Cultural Imaterial da Humanidade e autor de diversas publicações nesta área como o livro “Figurado de Estremoz – Produção Património Imaterial da Humanidade” editado em 2018, o meu caro amigo Hugo Guerreiro, mas também com o fantástico artista Jorge da Conceição, artesão de reconhecidíssimo mérito e qualidade, tivemos a responsabilidade de organizar um curso de formação no âmbito das Técnicas de Produção de “Bonecos de Estremoz”, numa parceria entre o Município e o CEARTE – Centro de Formação Profissional para o Artesanato e Património. Foram muitas as reuniões de preparação desta formação, foram muitas as ideias partilhadas, foram inúmeras as opiniões formuladas até se conseguir chegar ao que se pretendia. E o que é que se pretendia? Basicamente fazer o que não se fazia há mais de sessenta anos… ensinar um grupo de pessoas a fazer “Bonecos de Estremoz” de forma tradicional. A última vez que algo desta natureza aconteceu foi com o Mestre Mariano da Conceição, avô do Jorge (que curiosamente foi professor de Olaria do meu pai). Quando se começou a falar deste curso com mais insistência, a Senhora Vereadora da Cultura, Drª Márcia Oliveira, que foi uma das grandes entusiastas e impulsionadoras do mesmo, não precisou de muito para convencer o Jorge, até porque ele se disponibilizou de imediato a seguir as pisadas do seu avô para partilhar com todos os formandos a sua experiência no sentido de fazer com que esta arte pudesse ter seguidores para o futuro. Já que falo em disponibilidade, é da mais elementar justiça que se enalteça aqui o papel imprescindível do Jorge nesta formação… ele foi como que a pedra basilar de todo este curso, não só pela sua sapiência, sagacidade, dedicação, determinação e profissionalismo mas também por uma transparência de conteúdos absolutamente espantosa. O Jorge não ocultou o que quer que seja e esteve, durante estas cento e muitas horas, de espírito impressionantemente aberto partilhando toda a sua sabedoria e experiência com todos sem sequer se recusar a qualquer solicitação ou dúvida. Quando popularmente se diz que “o segredo é a alma do negócio”, neste caso específico, uma frase como esta não poderia ser mais errada… aqui, para haver evolução no “negócio”, todos os segredos deveriam ser revelados. E foram! O Jorge não só ensinou aquilo que lhe era solicitado como foi muito para além disso. Na realidade todos ficaram a ganhar com este curso de formação e, ainda que fisicamente tenha sido desgastante para todos (mais ainda para o Jorge em virtude das inúmeras deslocações a Estremoz)… ainda que o espaço individual de trabalho de cada um fosse limitado… ainda que o cansaço depois de um dia de trabalho se apoderasse de todos… ainda que estivesse calor, frio ou a chover… ainda que no início se tivesse receio de apertar o barro… ainda que as dificuldades iniciais tenham levado alguém a ponderar desistir… ainda que certos panos turcos de cor vermelha tenham espalhado fiozinhos por todo o lado… ainda que certo alarme se lembrasse de tocar àquela hora… ainda que tudo e mais alguma coisa, o que é certo é que, chegando ao fim, tudo valeu a pena, até o mais ínfimo pormenor valeu a pena. Nós, formadores, saímos com a plena consciência do dever cumprido e com o orgulho de podermos afirmar que, tal como todos os formandos, talvez tenhamos até entrado na história do figurado de barro de Estremoz (alguns, reconhecida e justamente, já lá estavam). Ainda assim, nada disto nos pode fazer “embandeirar em arco”… há que, agora, revelar humildade e dar o passo em frente trabalhando com rigor e afinco para proteger e valorizar o nosso próprio trabalho e fundamentalmente os nossos “Bonecos de Estremoz” que podemos também afirmar, orgulhosamente, têm o futuro garantido.
 
Para além de tudo, e não menos importante, são os laços de amizade que se criaram durante estes cerca de três meses e que, estou convicto, ficarão para a vida. Tenho a certeza que não mais esqueceremos o quão formidáveis foram os dias desta formação. Para dizer a verdade também tivemos uma sorte tremenda com o grupo de formandos que nos calhou, um grupo com sede de saber, plenamente motivado, disciplinado e disposto a aprender mais e cada vez mais. Tudo isso cria relações muito mais próximas e com este grupo de pessoas isso evidenciou-se de sobremaneira. A relação foi de tal maneira desprendida de qualquer forma erudita que se tornou tão mas tão simples ao ponto de, na nossa última sessão, ter falado mais a emoção por se ter chegado ao fim de uma etapa não só com os objectivos concretizados mas também com alguns sonhos realizados.
 
Na memória de todos ficará a lucidez, organização, talento e racionalidade do Pedro Cravo… a amabilidade, o empenho e o entusiasmo da Luísa Batalha… a competência, a distinção e a integridade da Vera Magalhães… a reacção e positivismo da menos rápida mas muito empenhada Carla Correia… a criatividade, a perspicácia e o experimentalismo da Joana Oliveira… a forma de trabalhar suave, objectiva, resolvida e equilibrada da Ana Pereira… a sagacidade, a distração, a rapidez e a diversão da Sofia Luna… a verticalidade, a reserva e o esforço do Manuel Broa… o proteccionismo, rigor, conservadorismo e apoio do Zé Carlos Rodrigues… a curiosidade, determinação e ansiedade da Madalena Bilro Martins… a gentileza, paciência e educação da Ana Godinho… a irreverência, jovialidade e imaginação da desconcertante Sara Sapateiro… a surpreendente, amável, sensata e cristalina Inocência Lopes… a generosidade, discrição e dedicação da Ana Catarina Grilo… a fragilidade, atenção e credibilidade da Fátima Dias… e a competência, compreensão e trabalho da Sílvia Cuco.
 
Na memória de todos ficarão, não só, inúmeros momentos de tentativas, de erros, de reformulação de ideias, de objectivos frustrados e falhados mas também ficarão momentos de reflexão, de trabalho árduo, de dedicação, de concretização, de partilha de ensinamentos, de amor à arte, de alegria, de amizade, de união. Na nossa memória ficará a sensibilidade e seriedade com que todos encararam este projecto e o amor e respeito com que, acreditamos, todos levarão o “Boneco de Estremoz”. E ainda que tivéssemos dúvidas bastava olharmos para aquele conjunto de mais de cem peças feitas com grande dignidade, não só com as mãos mas com alma e com o coração… peças, que, como diz o Jorge, “não envergonham ninguém” tal a qualidade apresentada. É justo que se reconheça que todos, com as suas imperfeições, foram absolutamente perfeitos. A todos… colegas formadores e formandos deste Curso de Formação só vos posso dizer… OBRIGADO!!
 
A porta da sala da formação fechou-se por agora… quem sabe um dia não voltará a abrir-se!! E talvez numa próxima oportunidade consigamos pôr o Hugo com as mãos na massa!!!
 
Para já… continuemos com a tradição!! “Toca a fazer Bonecos!!!”
 
Enfim… voltar aos sábados de antes de Setembro vai ser difícil… ai vai, vai!!!
 
* Professor Luís Parente
 
 
 
 
 
Modificado em quarta, 18 dezembro 2019 12:11