sexta, 24 maio 2019

Parabéns, querida Rádio

sexta, 17 maio 2019 15:34
Um dia alguém sonhou ter uma rádio. Há 35 anos atrás, o Padre Júlio Esteves não se ficou pelos sonhos e conseguiu. Juntou amigos e foram em frente, criando condições para que a palavra do Senhor não fosse escutada apenas dentro da Igreja de Santa Maria. Esta era a primeira ambição da Rádio Despertar, uma rádio que veio também para despertar muitos estremocenses para o "bichinho" da rádio.
 
Não vou aqui escrever nomes, pois posso deixar alguém de fora. No entanto, posso dizer que a Rádio Despertar, com certeza à semelhança de muitas outras rádios locais, tem sido uma escola de rádio e de comunicação para muita gente. Ao longo de todos estes anos, temos ouvido grandes vozes e grandes comunicadores nesta nossa rádio. Gente que depois a vida profissional levou para outros caminhos, mas que poderiam perfeitamente fazer carreira neste meio de comunicação. Vimos também, alguns "darem o salto" para outras paragens, munidos de uma bagagem angariada nesta rádio, que é pequena em tamanho, mas enorme na sua importância para a cidade e para a região. Ainda hoje, não sei se temos os melhores, mas sei que temos gente muito apaixonada por aquilo que faz.
 
O seu saudoso fundador disse muitas vezes, em discurso de aniversário, que não imaginava Estremoz sem a sua rádio. Sei que muitos dos que moram no Concelho não a ouvem e preferem muitas vezes falar sem conhecer, ou seja, sem ouvir. No entanto, até a esses o silêncio da rádio iria incomodar, pois há sempre um dia em que precisam de ouvir ou de divulgar alguma coisa. A Rádio Despertar é mesmo a Voz de Estremoz e eu poderia aqui provar isso facilmente, trazendo exemplos, mas não o vou fazer pois assim seria "juiz em causa própria" e este texto não tem a intenção de servir para isso.
 
Importante é, nesta altura, enaltecer estes 35 anos da Rádio Despertar. Frisar o facto de esta rádio emitir, há muitos anos, 24 horas por dia e ter uma programação variada e música para todos os gostos. Nesta rádio, tocam todos os estilos de música e toda a gente tem voz. Temos protocolos com várias instituições de Estremoz que lhes permite passar a sua mensagem. Aqui, sendo uma rádio plural e independente, todos podem ter voz. Temos uma linha e princípios católicos dos quais nos orgulhamos, mas sabemos que os ouvintes merecem ser informados e entretidos. É para isso que serve uma rádio.
 

Sei que não agradamos a todos, mas que nos respeitam. Reconheço que não fazemos tudo bem, porque isso não é possível, mas acreditem que o tentamos fazer, com os meios que temos à disposição. Sabemos da nossa importância, porque é isso que nos é mostrado pelos ouvintes. Sabemos que fazemos companhia a muita gente que está sozinha e que faz de nós a sua companhia. Está a missão da rádio local. Não podemos, nem queremos, concorrer com as rádios nacionais.

Ao fazermos 35 anos, sentimos que ainda andámos muito pouco. A História já é bonita, mas ainda é muito curta e temos muita vontade de a prolongar. Porque acreditamos que é possível sempre fazer mais e melhor, apesar das dificuldades, estamos certos de que vamos continuar a escrever esta história. Seguimos uma linha que nos orgulha e que nos foi deixada por quem entendia bastante do assunto. Queremos também sempre honrar a sua memória. Não olhamos para o lado e a nossa preocupação é olhar para a frente, pois só assim é possível cumprir a nossa missão. 
 
Sei que não agradamos a todos, mas que nos respeitam. Reconheço que não fazemos tudo bem, porque isso não é possível, mas acreditem que o tentamos fazer, com os meios que temos à disposição. Sabemos da nossa importância, porque é isso que nos é mostrado pelos ouvintes. Sabemos que fazemos companhia a muita gente que está sozinha e que faz de nós a sua companhia. Está a missão da rádio local. Não podemos, nem queremos, concorrer com as rádios nacionais. Aqui, é preciso entendermos o nosso papel e apostarmos em ser uma alternativa, em vez de fazermos isto ou aquilo porque os outros também o fazem. É aqui que se cria a identidade de uma rádio. É isto que tentamos fazer.
 
35 anos, é uma bonita idade. Parabéns, minha querida Rádio Despertar. Devo-te muito e sou diferente por estar aqui.
 
* Jornalista José Lameiras
 
 
 
 
 
Modificado em sexta, 17 maio 2019 16:01
A empresa pública Infraestruturas de Portugal (IP) adotou o chamado “Corredor 2” para o traçado junto a Évora da futura linha ferroviária entre Sines e Caia.
 
O “Corredor 2” é o que apresenta uma distância intermédia em relação à cidade dos três que foram estudados e foi escolhido pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA).
 
Na audição do Ministro das Infraestruturas e da Habitação, foi o Secretário de Estado Jorge Delgado que respondeu às perguntas colocadas por mim:
“A solução que a IP adotou neste momento é a solução 2 e tem que ser essa. A IP não tem alternativa a seguir aquilo que a APA indica, porque caso contrário teria problema de ver na fase de recato o projeto chumbado. Não mesmo outra alternativa”.
 
“As pessoas nunca gostam de ver as linhas próximas dos seus bens, mas há sempre algum sacrificado. O projeto está feito com todo o cuidado para que os impactos sejam completamente minimizados”.
 
Na minha opinião é um erro histórico. Não faz sentido a criação de uma linha que passe tão perto das casas das pessoas. Linha esta onde vão circular dezenas de composições ferroviárias por dia, contendo algumas delas matérias perigosas.
 
Também coloquei questões relacionadas com as potenciais estações a criar, nomeadamente a que deve servir a Zona dos Mármores. Assim como a utilização da linha Évora - Caia para passageiros.
 
O Secretário de Estado das Infraestruturas revelou ainda que está a ser estudada com os municípios a criação de estações no território.
 
“A IP tem um grupo de trabalho com os municípios para avaliar quais os pontos importantes para alocação dessas estações”.
 
Esta possibilidade da criação de uma estação para servir a Zona dos Mármores é determinante para Estremoz. Esta ideia foi sugerida pelo Grupo Parlamentar do PSD através de um Projeto de Resolução que apresentei e foi aprovado na Assembleia da República, onde fui o primeiro subscritor.
 
Espero efetivamente que venha a ser criada.
 
O governante disse também que a linha poderá ser utilizada por passageiros. Parece-me demasiado poucochinho, para algo que é tão importante para o País.
* Deputado António Costa da Silva
Modificado em terça, 14 maio 2019 10:49

aVARiado

segunda, 15 abril 2019 13:41
Entendo a aplicação do VAR. Entendo, completamente, a sua utilidade e possível mais valia. Não entendo, sinceramente, é a forma como é utilizado na prática. Sei que esta nova valência já resolveu algumas injustiças e foi verdadeiramente útil em determinados jogos, no entanto, a forma como é aplicado, semana após semana, só tem trazido ainda mais polémica ao futebol. Quando vemos jogadores a pedirem aos árbitros para irem ver os lances, entendemos que esta passou a ser, mais do que para os árbitros, uma ferramenta para os jogadores.
 
Quem está no campo, estando bem colocado, vê melhor grande parte dos lances. Principalmente nos lances de grande penalidade, o árbitro consegue perceber mais facilmente se é falta ou não, estando bem colocado dentro do campo. Todos nós sabemos que há pequenos toques que não impedem um jogador de seguir com a jogada. Com o VAR, os jogadores sabem que todas as jogadas são vistas várias vezes e, em caso de encontrar um toque, o VAR chama a atenção do árbitro. Isto não é a verdade desportiva. Isto é não entender que o futebol é, e espero que sempre seja, um jogo onde o contacto é inevitável em muitas ocasiões e nem sempre é à margem das leis.
 

Assim, à boa maneira portuguesa, o VAR tem sido aproveitado para criar ainda mais pressão sobre os árbitros. As vantagens que esta nova tecnologia poderia trazer, estão a diliuir-se na polémica que tem sido criada nos jogos mais mediáticos. É certo que o facto de duas equipas estarem a lutar pelo campeonato taco a taco, também faz com que com ou sem VAR a polémica se agudize. No entanto, digo eu, a forma como esta valência tem sido utilizada, fazendo com que os jogos tenham agora vários árbitros, não está a proteger a modalidade.

Faço relatos de futebol de jogos do Distrital. Também aqui há polémica, mas não há repetições de várias câmaras nem VAR. Aqui, permanece a primeira e única leitura dos árbitros. Estes árbitros amadores erram várias vezes e acaba por ser normal, pois são amadores, tal como os praticantes. São também contestados,, mas não têm a "muleta" do VAR. Só vêm os lances uma vez e não passam a semana a treinar para o jogo como fazem os profissionais. Fica, nestes casos, sempre o benefício da dúvida, pois não são muitos os jogos amadores que têm transmissão online e repetição dos lances. Em Portugal, abusa-se da repetição, do querer encontrar a verdade absoluta em lances onde duas pessoas podem ter opiniões diferentes.
 
O VAR veio para evitar injustiças. Veio para que não fosse anulado um golo onde o avançado esteja claramente atrás da linha defensiva ou não fosse validado um lance onde o avançado está dois metros em fora de jogo. O VAR veio para que sejam marcados golos quando a bola entra e, como foi uma jogada rápida demais, o árbitro não se apercebeu que a bola terá passado totalmente a linha. O VAR veio para punir agressões que passem despercebidas. O VAR veio para reparar injustiças e não para ser o árbitro dos árbitros. Se andarmos todos à procura de toques na grande área para marcar penaltis, ou de uma falta que poderá ter acontecido 30 segundos antes para anular um golo, nunca estaremos a defender a modalidade.
 
Com o VAR, os árbitros estão a marcar todos os toques na grande área. Vão ver os lances e depois se de facto existe toque, não têm outro remédio se não marcar penalti. Se ao vivo não conseguiu ver, onde tem uma visão previligiada do lance e até dá para ouvir as botas baterem nas caneleiras, não é pela televisão que se vai perceber a velha questão da intensidade. É bom também lembrar que os árbitros da primeira categoria já viram ao vivo lances de todos os tipos. Assim, deveria ser para eles mais fácil perceber se existe falta e se a mesma justifica a marcação de penalti. Por alguma coisa, as grandes penalidades são "o castigo máximo". Com o VAR, esse castigo é agora banalizado e é raro o jogo que não tem, pelo menos, um penalti.
 
Assim, à boa maneira portuguesa, o VAR tem sido aproveitado para criar ainda mais pressão sobre os árbitros. As vantagens que esta nova tecnologia poderia trazer, estão a diliuir-se na polémica que tem sido criada nos jogos mais mediáticos. É certo que o facto de duas equipas estarem a lutar pelo campeonato taco a taco, também faz com que com ou sem VAR a polémica se agudize. No entanto, digo eu, a forma como esta valência tem sido utilizada, fazendo com que os jogos tenham agora vários árbitros, não está a proteger a modalidade. Não sou contra o VAR, pois acho que pode ser útil. Sou sim, contra a forma como ele tem sido utilizado. O VAR está, na maioria das vezes, a servir para analisar jogadas duvidosas, quando deveria servir para analisar jogadas que sejam impossíveis de ver pela equipa de arbitragem. O VAR, não pode nem deve ser a solução para a falta de competência de alguns árbitros. Já vi, nesta época, o VAR marcar penaltis em que o árbitro principal está a dois ou três metros do lance. Também já vi foras de jogo clarissimos, vistos por qualquer adepto no campo, mas que agora não são logo assinalados, ficando depois o árbitro à espera do veredicto do VAR.
 
Dizia-se, em tempos, que quando um árbitro passava despercebido num jogo era muito bom sinal. O VAR tem de passar ainda mais despercebido e só aparecer em casos graves e onde a verdade desportiva seja de facto colocada em causa. Lances duvidosos, são para serem analisados no momento e no campo. Se o árbitro errar de forma grosseira, aí sim deve vir a correção do VAR. Foi para isto que o ele foi criado.
 
* Jornalista José Lameiras
 
 
Modificado em segunda, 15 abril 2019 13:46
Já sabemos que com este Governo uma execução de 33% (do Portugal 2020) é maior que uma execução de 39% (do QREN em período homólogo)!!!
 
Não há nada mais patético do que algo deste género!
 
Segundo dados apresentados num Estudo do Banco de Portugal esta situação é bem clara, Portugal apresenta a pior execução de sempre dos fundos comunitários. Pior que o QCA I, QCA II, QCA III e QREN. É desastrosa a execução!
 
2014, 2015, 2016, 2017 e 2018, já lá vão. Deveríamos concluir esta programação em finais de 2020 (falta um ano e tal). E qual a execução? 33%.
 

Portugal é 7º. Não é primeiro como diz o Governo. Tentam salvar-se com a má execução dos outros países. Ao que nós chegamos!

Na verdade 29%. Porque se fizermos uma verdadeira comparação, sem FEADER, significa que a execução é 29%. É MISERÁVEL!
 
Tentam enganar quando comparam com outros países. Comparamos entre países através de taxas (tal como se faz com os programas Operacionais a nível nacional e regional).
 
Portugal é 7º. Não é primeiro como diz o Governo. Tentam salvar-se com a má execução dos outros países. Ao que nós chegamos!
 
Cuidado! A França acabou de apresentar Pedido de Pagamento (PPI) e vai ultrapassar Portugal. A Espanha vai apresentar brevemente PPI e vai ultrapassar Portugal. É sempre a cair!
 
Mas afinal onde anda o dinheiro? Já que está a ser tão bem executado!!!
 
Nas infraestruturas científicas e tecnológicas não é. A execução é quase nada…
 
Nas infraestruturas empresarias não é. A execução é quase nada…
 
Nos equipamentos sociais não é. A execução é zero…
 
Nos equipamentos de saúde não é. A execução é quase nada…
 
Nos equipamentos de educação não é. A execução é quase nada…
 
Ferrovia 2020 tem uma execução 9%, também não é por aí…
 
Empresas? O COMPETE 2020 tem uma execução de 32,2%. Também não é por aí…
 
Nas Regiões? Também não é. A execução dos PO´s Regionais varia entre 16% e 21%. Que desgraça!!!
 
É no POSEUR? Para apoio às infraestruturas públicas? Também não é…A execução é de 21%
 
Onde anda o dinheiro? Importa também falar do Quadro de Desempenho. Portugal não apresenta resultados porquê?
 
Já sabemos que só os vai apresentar depois das eleições. Porque será? Vamos ter os PO Regionais a perderem dinheiro? Vamos ter o POISE (Programa Operacional da Inclusão Social) a perder dinheiro? Porque nos escondem os indicadores? Eles não são automáticos?
 
Que resposta vai dar à Comissão Europeia pela falta de medidas para o combate à pobreza? Melhor, o que vai dizer sobre a falta de resultados em relação às matérias pobreza?
 
Que resposta vai ser dada à Comissão Europeia pela falta de medidas para a inclusão social e emprego?
 
Melhor, com a falta de resultados em relação às matérias da inclusão social e emprego? O quadro de desempenho é miserável! É por isso que o escondem?
 
Vão continuar a usar o dinheiro para os Estágios Profissionais e esconder dessa forma o desemprego em Portugal?
 
Enfim! É mau de mais para fingirem que não é verdade.
* Deputado António Costa da Silva
Modificado em segunda, 15 abril 2019 13:22
Recentemente surgiram novas notícias na imprensa nacional sobre a situação crítica em que se encontram os transportes ferroviários nacionais. 
 
A linha do Alentejo é relatada como uma das que se encontra em situação mais crítica.
 
Segundo os referidos dados, em 2017 e 2018 foram suprimidos pela CP 3322 comboios. As linhas do Oeste, Alentejo e Algarve, foram as grandes sacrificadas.
 
Os motivos apresentados são os seguintes:
a) 2411 comboios foram suprimidos devido à falta de material;
b) 855 comboios foram suprimidos devidos às greves;
c) 56 circulações não foram realizadas devido a ocorrências ligadas com a infraestrutura.
 
As contas são simples de fazer, também segundo a notícia do Jornal Público, “no conjunto destes 720 dias circularam menos cinco comboios por dia do que estavam planeados, devido a este conjunto de circunstâncias.
A maior parte das vezes em que a empresa deixou os passageiros em terra foi por causa de avarias ou devido à impossibilidade da EMEF de fazer a manutenção das automotoras por falta de pessoal, acabando estas por ficar imobilizadas nas oficinas.”
 
Durante estes dois anos, foram suprimidos 225 comboios na Linha do Alentejo, mais precisamente no troço Casa Branca – Beja.
 
O mau desempenho da ferrovia no Alentejo fica claramente demonstrado nas contas da empresa. 
 
No Alentejo, entre 2016 e 2018, a CP viu a procura diminuir de 139 mil passageiros para 116 mil, enquanto as receitas desciam de 349 mil euros para 301 mil euros.
 
A situação tem vindo a agravar-se sistematicamente, sem que se vislumbre qualquer solução.
 
Acredito que a aposta na ferrovia é fundamental para o desenvolvimento das regiões. No caso do Alentejo, parece-me que é ainda mais decisivo.
 
* Deputado António Costa da Silva
Modificado em sexta, 22 março 2019 12:25

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segunda, 11 março 2019 15:09
Nunca foi mãe, é certo. A natureza assim não quis. Mas é preciso ser-se biologicamente mãe para se ser efectivamente mãe? Não! Está mais que provado que não! Muitas das vezes mãe não é quem tem, é quem cuida e cria. Sempre ouvi este termo e ao longo da minha vida, pessoal e profissional, tenho verificado e confirmado a veracidade da mesma. O meu texto de hoje volta a incidir numa perspectiva muito pessoal e familiar e tem precisamente a ver com estas relações em que o sangue “não passa” pelo coração.
 
Durante quase quarenta anos a minha sogra conseguiu ser MÃE mesmo não o sendo biologicamente. Há quase quarenta anos, quando se casou com o meu sogro, assumiu a responsabilidade de cuidar dele, dos filhos dele, entrando na sua vida sem condições ou restrições mesmo sabendo das eventuais dificuldades e tendo também a noção de que, a partir daí nada seria como dantes. Ela pegou numa criança de 8 anos que não lhe era absolutamente nada e amou-a com todas as suas energias, deu-lhe o carinho de uma verdadeira mãe, enxugou-lhe as lágrimas, curou-lhe as feridas, tratou-a, ensinou-a, partilhou alegrias com ela, deu-lhe muitas vivências que certamente não mais serão esquecidas, aliviou-lhe as tristezas, deu-lhe colo, transmitiu-lhe sabedoria, ensinou-lhe que nem tudo é um mar de rosas, abriu-lhe portas e encaminhou-a para a vida. Durante quase quarenta anos a minha sogra transmitiu valores de excelência que ficaram enraizados nos corações dos seus “filhos”. Sim porque foram muitos os “filhos” que tiveram a sorte de serem guiados pelos seus ensinamentos e pela sua experiência, não foi só a minha mulher, foram todos os seus sobrinhos e até os meus filhos os que foram bafejados pela sorte de serem criados por ela. Para se ter esta capacidade de amar tanta gente, é preciso ter-se um enorme coração, e a “Ti Bia”, mesmo com o seu feitio por vezes difícil, sempre o teve. Conseguiu sempre com sagacidade, persuasão e empenho ajudar os seus mais próximos, e os mais próximos dela nos últimos, quase, dezassete anos foram, primeiro a Mariana, depois a Matilde e mais tarde ainda o Miguel. Os meus filhos foram, efectivamente, criados por ela, até aos três anos qualquer um deles passou os dias e algumas vezes as noites na sua casa. O apoio diário à nossa família foi imprescindível ao nosso próprio equilíbrio, aliás, tenho a certeza que nada seria igual na educação dos meus filhos se não houvesse uma “Ti Bia” que carinhosamente tratou os seus netinhos com alegria, entusiasmo, responsabilidade e essencialmente com amor.
 
A partir de agora tudo será diferente, o Miguel não mais irá ao parque com a avó, a Matilde não mais a ajudará a fazer experiências culinárias ou a coser, a Mariana não mais lhe ligará a perguntar o que tem para o almoço nem lhe pedirá para coser os distintivos da farda dos escuteiros. Nenhum dos três voltará a ir dormir à da avó nem a ir, com ela, semana após semana ao mercado de sábado aqui por Estremoz.
 

Mulher simples, trabalhadora, multifacetada e excelente dona de casa, a “Ti Bia” viverá agora numa outra dimensão que não a nossa, onde estiver olhará certamente por todos nós, ainda assim manter-se-á sempre connosco até ao último sopro de vida de cada um de nós.

Mulher simples, trabalhadora, multifacetada e excelente dona de casa, a “Ti Bia” viverá agora numa outra dimensão que não a nossa, onde estiver olhará certamente por todos nós, ainda assim manter-se-á sempre connosco até ao último sopro de vida de cada um de nós. Quem sabe um dia não nos voltemos a reencontrar todos para relembrarmos esta vida terrena e recordarmos todos os momentos, todas as partilhas, todas as angústias, todas as alegrias e voltarmos a sentir a felicidade desse mesmo reencontro e celebrarmos a partilha de um novo sorriso e de uma troca de olhares com esses bonitos olhos azuis.
 
Estou certo que muitas famílias terão uma “Ti Bia” e com certeza estarão também agradecidos pelo que eventualmente lhes terá dado, mas hoje, aqui a “Ti Bia” de que falo é a minha, aquela minha sogra que viveu para si e mais para os outros, aquela que pautou a sua vida pela humildade e honestidade, aquela que ajudou com entusiasmo e sem nada querer em troca todos os que dela necessitaram e a solicitaram. Ninguém tira férias da família, por muito que, eventualmente, se ouse pensar nisso. Seguramente a “Ti Bia” nunca o fez, viveu ininterruptamente para a sua família, sempre preocupada e alerta com tudo o que se ia passando ao seu redor, com o seu marido e os seus “filhos” e netos.
 
Quando se perde um ente querido a vida dá-nos um estalo com tal força que ficamos de certa forma atordoados, mesmo quando menos esperamos. É um estalo para nos acordar e verificarmos que todas as pequenas quezílias, as preocupações sem sentido ou os “problemazinhos” não interessam mesmo nada… nada importa nesta altura. Só o que a maioria das pessoas ainda não conseguiu foi que esse estalo os acorde para sempre… mais dia, menos dia quase todos voltaremos a preocupar-nos com pequenas coisas que não têm a mínima importância, voltaremos a ser intransigentes com determinadas situações, voltaremos a exigir demais dos outros sem nos olharmos ao espelho, voltaremos a esquecer-nos que existe o outro e que esse outro pode ter necessidades de diversos níveis.
 
Ultimamente, sem saber porquê, cada vez que entro no espaço de um velório penso “Quem será o próximo que virei velar?” ou “Será que é a vez de alguém me velar a mim?”. Imagino muitas vezes se já terá chegado a minha meia vida ou se eventualmente essa meia vida já passou. Se querem que vos diga não gosto muito de pensar nisto mas no nosso cérebro há milhões de coisas que ainda não conseguimos controlar, e esta é uma delas. Não sei se é da idade… não creio que seja, até porque com quase quarenta e cinco anos não me sinto minimamente “velho” para pensar em assuntos desta natureza, não sei sequer se a idade terá algo a ver com isto, não me parece, mesmo. O que é certo é que, cada vez com mais frequência tenho ido a velórios. 
 
Quando nos acontece perder alguém mais próximo parece que tudo o que gira à nossa volta pára e, por estes dias é tudo isto que nos está a acontecer.
 
Ninguém gosta de ver os nossos sofrer e se há dor que não conseguimos sequer minimizar é a dor de perder alguém chegado. Quando vejo os meus filhos chorar desalmadamente ao saberem da irreparável perda da sua avó, ao verificarem que o contacto diário com uma das suas “mães” não mais irá acontecer, não há muito a fazer a não ser tentar acalmar os seus corações e fazê-los ver a importância de tudo o que aprenderam e viveram com ela e de todos os momentos por que passaram em conjunto. Vê-los assim foi para mim muito difícil, o meu próprio coração ficou completamente partido com o sofrimento deles.  
 
Este texto é uma homenagem a essa mãe que não o foi mas que foi uma grande MÃE. Conheci-a há cerca de 25 anos e este tempo de convívio, que nem sempre foi perfeito (nenhuma relação o é), foi um tempo de grande aprendizagem, felizmente com mais bons momentos do que aqueles que nos “aborreceram”. Tanto que eu “ralhei” consigo “Ti Bia” por insistir em dar guloseimas aos meus filhos, para agora querer que lhos dê. Sabe o que lhe digo… ainda bem que lhas deu, foram essas guloseimas que fizeram deles os doces que são.
 
Obrigado “Ti Bia” por ter sido para nós mais do que uma mãe… obrigado pelos acepipes maravilhosos (que deixarão muitas saudades!!)… obrigado pela ajuda em tudo e mais alguma coisa… obrigado pelos conselhos práticos que mais não eram do que o fruto das suas experiências… obrigado pela defesa intransigente da sua/nossa família… obrigado por ter amado a minha mulher e os meus filhos com toda a força que sempre demonstrou… obrigado pelas fantásticas experiências de vida que lhes proporcionou, pela educação que lhes deu, pela cumplicidade entre vós, por todo o vosso incondicional amor.
 
Dizem que as homenagens deveriam sempre ser feitas em vida, na realidade partilho dessa opinião, mas neste caso específico o tempo não me deixou fazê-lo, houve um coração que parou quando menos esperávamos. Na verdade nunca se espera ver partir alguém para sempre e muito menos da forma como sucedeu. Cada vez estou mais convicto que deve ser diário o reconhecimento, se tivermos que dizer algo, que seja hoje porque pode mesmo não haver amanhã.
 
Obrigado “Ti Bia”… por tudo!!
 
Até um dia!               
 
* Professor Luís Parente
Modificado em terça, 12 março 2019 16:01

Um Exemplo chamado Bruno Lage

quinta, 28 fevereiro 2019 09:10
Há situações que nos fazem acreditar que a competência, o saber, a experiência e a coragem, ainda valem a pena. Num país onde cada vez mais são os primos, os amigos, os filhos, os maridos e as mulheres deste ou daquele que têm as oportunidades, Bruno Lage é uma "lufada de ar fresco" e o exemplo que faz hoje em dia muitas pessoas acreditarem que o trabalho e a entrega valem sempre a pena.
 
Não sei o que lhe irá acontecer. Não sei quanto tempo durará este estado de graça que vive agora o treinador do Benfica. Sábado, Lage tem um teste muito duro às suas capacidades e às capacidades da sua equipa. Qualquer que seja o resultado, não acredito que a empatia que vive com os adeptos e a direção mude, pois ele já mostrou trabalho e muito conhecimento. 
 

Bruno Lage é também o exemplo de alguém a quem a vida deu uma oportunidade e que tudo fez para a agarrar. Começando por ser a prazo, Lage sabia que tinha pouco tempo para mostrar o que valia para que a direção acreditasse que afinal tinha a solução mais perto do que pensaria. Mexeu logo no sistema de jogo e arriscou, sabendo que teria pouco a perder e muito a ganhar. Confiou nas suas capacidades, mostrou conhecimento alargado sobre o plantel que tem à sua disposição e ganhou.

 
Para já, fez com que nas conferências de imprensa, antes e depois de cada jogo do Benfica, se fale de futebol. Chuta, com muita cordialidade, as polémicas para canto e diz muitas vezes que é nos treinos que se preparam os jogos. Parece isto estranho, não é? Parece estranho quando estamos habituados a ouvir simplesmente que "cá estamos para trabalhar muito e para conseguirmos os nossos objetivos" ou também um apenas "queremos a vitória e tudo faremos para a conquistar". Isso é o normal. Ouvirmos estas respostas por parte de um treiandor antes de um jogo, é o normal. Lage, a tudo isto, acrescentou "vamos estudar o adversário, perceber como joga" ou também "vamos ter de pressionar alto, para conquistar a bola ainda no meio-campo ofensivo", ou ainda "somos fiéis à nossa maneira de jogar, mas se tivemos de mudar durante um jogo devido ao jogo do adversário, para outro sistema, mudaremos sem problemas e tenho na equipa jogadores para isso". Depois dos jogos, Lage mostra sempre um enorme respeito pelo adversário e analisa o jogo sem qualquer tipo de fuga para o politicamente correto : "Os jogadores corresponderam. Trabalhamos desde o primeiro dia um determinado posicionamento e vamos testando no treino. O Samaris já tinha jogado a central, as coisas foram ajustadas e correram bem nesse capítulo. Tivemos sempre uma transição forte dos homens da frente mas estivemos sempre equilibrados, com o Florentino, o Samaris e o Gabriel." Isto é falar de futebol. 
 
Bruno Lage é também o exemplo de alguém a quem a vida deu uma oportunidade e que tudo fez para a agarrar. Começando por ser a prazo, Lage sabia que tinha pouco tempo para mostrar o que valia para que a direção acreditasse que afinal tinha a solução mais perto do que pensaria. Mexeu logo no sistema de jogo e arriscou, sabendo que teria pouco a perder e muito a ganhar. Confiou nas suas capacidades, mostrou conhecimento alargado sobre o plantel que tem à sua disposição e ganhou. Bruno Lage pegou na equipa do Benfica em 4º lugar e a sete pontos da liderança, com uma visita a Guimarães para a Taça de Portugal e depois de um percurso muito cinzento na Europa. Quase dois meses depois, e no dia em que escrevo estas linhas, o Benfica está a um ponto do primeiro lugar, está nas meias-finais da Taça de Portugal com uma pequena vantagem sobre o Sporting, onde está tudo em aberto, e está nos oitavos da Liga Europa, depois de ter passado com distinção um perigoso Galatasaray, colocando mesmo a jogar na Turquia seis jovens "fabricados" no Seixal. Só não é uma caminhada perfeita, porque perdeu a meia-final da Taça da Liga, perante o Porto, num jogo em que a vitória poderia perfeitamente ter caído para qualquer um dos lados. 

Assim, é precisamente o Porto que Lage vai voltar a encontrar no próximo sábado. É um verdadeiro teste para Bruno Lage, mas é também um teste para os jogadores do Benfica. É também um teste para os adeptos, em caso de derrota. Se foi apenas com o Porto que Lage perdeu, terá isso bem presente na preparação do jogo e da sua equipa. Será um Benfica muito motivado aquele que aparecerá no Dragão, onde estará um Porto avisado para este "novo" Benfica. Este será um jogo que valerá mais do que três pontos e determinante para as contas do título. Um título, que parecia estar entregue em janeiro deste ano, mas que Bruno Lage e a sua equipa agora percebem que podem ainda alcançar. Além de avisados, os portistas estarão também muito motivados e, à imagem do seu treinador, deixarão tudo em campo e quererão ficar com os três pontos. Um empate deixará o Porto ainda em primeiro, mas à mercê de um futuro deslize que poderá ser fatal. 
 
Aconteça o que acontecer nos onze jogos que faltam para o final do campeonato, é já notável o trabalho que Bruno Lage fez à frente desta equipa do Benfica. Antes deste treinador chegar, o Benfica era uma equipa triste, sem soluções e dependente de inspirações momentâneas dos seus craques. Hoje, o Benfica, é uma equipa que pressiona alto, que ocupa bem os espaços no campo, que na frente faz os seus jogadores alterarem as posições para confundir as marcações, que aproveita as fragilidades dos adversários e que transforma dificuldades em oportunidades. Aconteça o que acontecer, para Lage, para o Benfica e para os benfiquistas, já valeu bem a pena.
 
* Jornalista José Lameiras
 
 
Modificado em quinta, 28 fevereiro 2019 09:29

Dá para voltar aos anos 80?

terça, 19 fevereiro 2019 01:41
Talvez nos dias de hoje se tenha perdido a noção do ridículo e, fundamentalmente, do bom senso, vejam-se por exemplo os gastos astronómicos, autênticas fortunas, unicamente para, por exemplo, aumentar audiências televisivas. Já vale quase tudo. A este respeito, quando a caixa de Pandora se abriu em Portugal com o aparecimento do “Big Brother” poucos acreditariam que se chegasse ao ponto a que se chegou neste momento, desde pessoas a testarem os seus limites físicos e psicológicos, a lutarem por posições empresariais, por empregos ou a fazerem os maiores disparates pondo, muitas das vezes as próprias vidas em perigo. Só em Portugal já passaram uma boa quantidade de reality shows. Recorri à internet e destaco, naturalmente, o já mencionado “Big Brother”, o “Masterplan”, Survivor”, “Quinta dos Famosos”, “Acorrentados”, “Bar da TV”, “Confiança Cega”, “Peso Pesado”, “Ilha da Tentação”, “Casa dos Segredos”, “Supernanny”, “Masterchef”, “Love on Top”, “Casamentos à Primeira Vista” ou “Pesadelo na Cozinha”, entre outros. Nos Estados Unidos então são para cima de duzentos, o “Shark Tank”, “Face Off”, “The Apprentice”, “Jackass”, “Botched”… enfim uma panóplia de programas disparatados que pululam nas nossas televisões e que continuam, infelizmente, a cultivar a ignorância nos nossos jovens, fazendo crer que a vida é da forma como nos fazem crer que é sem sequer se ter o cuidado de efectuar o trabalho de desconstrução da falsa realidade. As pessoas consomem o que lhes apresentam e infelizmente a maioria não consegue perceber que não vivemos num mundo superficial, a realidade é muito mais cruel do que a que nos apresentam. Ainda assim os reality shows de cariz musical ou os de artes culinárias serão, no meu entender, os mais lúdicos. Se alguns provocam em nós o espírito empreendedor, outros mais não são do que autênticas aberrações tal a falta de educação e ética. Muitos destes programas são anteriores ao “boom” das redes sociais (que já não é assim tão grande) mas é minha convicção que com o exponencial crescimento destas os próprios reality shows se conseguiram adaptar, para o bem e para o mal. Existe, quanto a mim, um elo de ligação comum a todos estes programas, esse elo chama-se exploração de sentimentos, hoje em dia recorre-se a esta exploração sem haver preocupação com o indivíduo, com o que pode suceder a seguir, com as consequências dessa mesma exploração. Perdeu-se a noção de humanidade e sobriedade, parece que se vive ébrio na ânsia de se mostrar ao mundo algo que devia ser pessoal, particular. As redes sociais têm muita força no que a, também, este assunto diz respeito, a sua influência é enorme. Vejamos outro exemplo, aquele que se passou com as eleições presidenciais norte americanas de 2016 ou mais recentemente com as eleições no Brasil onde o recém empossado presidente fez grande parte da sua campanha eleitoral praticamente sem sair de casa recorrendo, para o efeito, precisamente às redes sociais. Isto só para focar a sua influência no plano político porque na vida das pessoas, a mesma revela-se gigantesca, quer seja positiva ou negativamente. Na realidade a utilização das redes sociais tem algumas vantagens, desde logo a comunicação mais fácil e rápida entre as pessoas, o acesso à informação, a partilha de ideias e ideais, imagens, momentos, o reencontro com pessoas que, por imperativos da vida de cada um, deixaram de se encontrar ou se ver. Quantas vezes não vimos ou ouvimos já dizer que alguém encontrou no Facebook ou no Instagram um colega ou amigo de escola do qual não sabia há anos? Haverá poucas pessoas a quem isso não tenha acontecido.
 
 

 Cada vez mais penso que a forma como concebo a utilização das redes sociais não se coaduna com os dias estranhos (muito estranhos!!) em que o mundo vive. Para mim as redes sociais servem para a diversão, para o sorriso, para o conhecimento, para a alegria, de forma a conseguir equilibradamente partilhar aquilo que quero com quem quero mas sempre “na desportiva”… isso de destilar veneno não é para mim.

Na realidade todo o mundo da Internet alterou o outro mundo, aquele que nós, das gerações de 60, 70, 80 do século XX conhecíamos. O mundo evoluiu, é certo, mas não quer dizer que tenha evoluído de forma totalmente positiva. Quanto a mim, com o decorrer dos anos, foi-se perdendo o essencial e imprescindível equilíbrio tão necessário a toda e qualquer acção das nossas vidas. O radicalismo em muitos aspectos da sociedade tem ganho terreno de forma muito preocupante. Esta coisa do tudo ou nada continua a ser, para mim, difícil de compreender e interiorizar. Agora tudo tem que ser para ontem, hoje em dia os afectos são quase que informáticos, a coragem está nas palavras que se escrevem e não nas atitudes que se tomam. Essa mesma coragem que se demonstra nas redes sociais não é transposta para a realidade, as pessoas refugiam-se atrás do ecrã do seu computador ou do smartphone para, não raras vezes, proferirem impropérios ou ofensas que, cara a cara não conseguiriam nunca fazer. Aliás, já Umberto Eco dizia criticamente sobre as novas tecnologias que as redes sociais dão direito à palavra a uma “legião de imbecis”, o que é certo é que hoje toda a gente conjectura e tem uma opinião sobre tudo e mais alguma coisa. As pessoas deixaram de saber esperar, querem tudo no imediato… a exposição pública é de tal forma elevada que a privacidade quase que deixou de existir (nós também o permitimos, consciente ou inconscientemente, ao aceitarmos, concordarmos e ignorarmos as políticas de privacidade dos sites)… o sucesso é baseado no número de likes, de amigos, seguidores ou leitores… a estatística serve para tudo… os telefones são inteligentes, têm aplicações que servem para tudo, servem, imagine-se, até para telefonar (aparentemente o menos importante nos dias em que vivemos). Reconheço que muitas das inovações têm revolucionado o nosso mundo. O campo da medicina é paradigmático nesse sentido e a evolução tem sido muito significativa. Sim, é verdade, as tecnologias quando utilizadas para o bem são, de facto, fantásticas e ajudam muito. No entanto o que tem que ser também considerada é a falência e a incapacidade para controlar e minimizar até, pelo menos, tornar residual a parte maléfica da tecnologia. Esse é o grande desafio mas também a grande dificuldade dos dias de hoje. Agora existem “Youtubers”, os “Youtubers” são pessoas que conseguem fazer vida (alguns) do número de visualizações das suas páginas ou vídeos publicados na Internet. Muitos destes “Youtubers” são denominados também de “Influencers”, mais não são do que pessoas que publicam conteúdos sobre certos e determinados temas em que são ou se tornaram especialistas (muitos no absurdo!!) e conseguem ter milhões de visualizações e seguidores. Quando isso acontece são as próprias marcas com nome no mercado que se associam a essas pessoas tal não é a influência que existe sobre os tais seguidores. No fundo são uma espécie de influenciadores de decisões, de comportamentos e opiniões que com a valorização das suas próprias opiniões conseguem impor as suas ideias a outros.
 
De facto não me preocupa a forma como eles conseguem fazer daquilo vida, preocupa-me sim aquilo que é publicado e consumido pelos nossos jovens e adolescentes quando não existem quaisquer filtros que impeçam a visualização de conteúdos impróprios e inadequados às suas faixas etárias. Ainda que existam mil e uma aplicações de controlo parental, o que é certo é que há outras tantas que fazem o trabalho inverso.
 
A minha preocupação com isto das redes sociais tem vindo, de certa forma, a crescer. A propagação de notícias falsas, de boatos, a destruição de vidas, a difamação, a criação de falsos perfis com objectivos, no mínimo, estranhos, a proliferação dos mais diversos crimes informáticos, a desinformação e o seguidismo são o que mais me preocupa. Cada vez mais penso que a forma como concebo a utilização das redes sociais não se coaduna com os dias estranhos (muito estranhos!!) em que o mundo vive. Para mim as redes sociais servem para a diversão, para o sorriso, para o conhecimento, para a alegria, de forma a conseguir equilibradamente partilhar aquilo que quero com quem quero mas sempre “na desportiva”… isso de destilar veneno não é para mim. Dada a conjuntura actual do nosso mundo chego a pensar, com algum saudosismo é verdade, na inocência dos anos oitenta, sem internet, sem redes sociais de âmbito informático, sim porque as redes sociais da altura eram as da rua, do jogo da bola, dos amigos de infância. Será que não dá para voltar aos anos 80? Pois… não é possível! Aguentemo-nos, equilibradamente, com o que temos mas sempre sem que algo ou alguém nos subjugue a liberdade do pensamento e dos ideais e nos influencie no que quer que seja… Difícil, não é? 
 
* Professor Luís Parente
Modificado em terça, 19 fevereiro 2019 10:27

O setor da Pedra Natural tem de ser ajudado

terça, 19 fevereiro 2019 01:36
Num trabalho coordenado pela IGAMAOT (Inspeção-Geral da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território) foram identificadas 191 pedreiras (13% do total de 1427) cujo licenciamento depende do Estado Central, em situação crítica. Das 191 pedreiras, 34 encontram-se situação de maior risco.
 
Em causa está o "Plano de Intervenção nas Pedreiras em Situação Crítica", decretado pelo Ministério do Ambiente após o acidente na pedreira de Borba, onde morreram cinco pessoas. De acordo com os dados, divulgados por um órgão de comunicação social nacional, das pedreiras em situação crítica, 77 situam-se no Norte, 32 no Centro, 24 em Lisboa e Vale do Tejo, 55 no Alentejo e três no Algarve.
 
No que respeita às 34 pedreiras alvo de ação prioritária, o Governo estima um valor de 14 milhões de euros, o qual deverá ser suportado pelos privados, não incluindo obras que sejam necessárias.
 
É verdade que foi efetuada uma avaliação de forma muito rápida. Este aspeto deve ser realçado. No entanto, deve ser colocada a questão porque é que estes trabalhos só ocorrem depois de acontecerem tragédias de grande dimensão? 
 
Quando colocada a questão ao Sr. Ministro do Ambiente sobre o que pretende fazer, agora que se conhecem estes resultados, a reposta é demasiado ambígua. Não são dados quaisquer esclarecimentos!
 
Como já referi, esta avaliação é muito Importante. Contudo, com o desenvolvimento deste processo, foi criado um grave problema para os empresários detentores de pedreiras: está criado um ambiente de que “todas” as pedreiras apresentam um risco extremamente elevado. Uma mensagem errada que têm que ser rapidamente corrigida!
 
Em reunião recente que tive com empresários do setor do mármore, foi-me relatado que estão a encontrar fortes entraves em obter financiamentos bancários para a concretização dos seus investimentos. Mesmo em matérias tão simples como a obtenção de garantias bancárias (obrigatórias nos processos de licenciamento), também as dificuldades são enormes. 
 
A imagem de que a sua atividade é considerada de alto risco e que podem não estar a cumprir as regras exigidas pela Lei, tem aumentado o nível de desconfiança por parte do setor financeiro.
 
Um setor que tem atravessado vários anos de turbulência económica, nomeadamente duas guerras no Golfo Pérsico (mercado tradicional dos Mármores alentejanos) e vários anos de crise em Portugal, não vai conseguir sobreviver a novas ameaças.
 
Dificilmente conseguirá suportar os custos das exigências que lhe vão ser colocadas, a não ser que seja criada uma linha de apoio especificamente para ajudar o setor.
 
Esta deve ser uma exigência regional. Não podemos esquecer que este setor tem sido fundamental para a região. Não ajudar o setor da extração da pedra natural, significa empobrecer ainda mais o Alentejo. 
 
Não podemos aceitar!
 
* Deputado António Costa da Silva
Modificado em terça, 19 fevereiro 2019 01:38