quinta, 02 julho 2020

O Governo Anti Touradas

sábado, 13 junho 2020 11:51
Talvez poucos se lembrem, por volta de outubro de 2018, ainda se encontrava há pouco tempo como titular da pasta da Cultura, a ministra Graça Fonseca provocou a primeira grande polémica do seu mandato, quando afirmou que o IVA das touradas não seria reduzido: "Não é uma questão de gosto, é uma questão de civilização". "Todas as políticas públicas têm na sua base valores civilizacionais. E as civilizações evoluem", referiu a governante.
 
Apesar de ter tentado esclarecer que não chamou "incivilizados" aos adeptos da tauromaquia, Graça Fonseca, disse manter "exatamente" o que tinha afirmado: "Quando eu afirmo que há valores civilizacionais que diferenciam políticas, é verdade - posso dar como exemplo o debate do uso dos animais em circo. Não é uma questão de gosto, isto não é individual".
 

Logo, quando se escolhe para a pasta da cultura, alguém que é contra a tauromaquia, significa que o Governo é contra essa mesma atividade

 
Não é segredo nenhum, a Ministra da Cultura, Graça Fonseca, é contra a tauromaquia. Logo, quando se escolhe para a pasta da cultura, alguém que é contra a tauromaquia, significa que o Governo é contra essa mesma atividade.
 
Muita gente está pasmada pela forma como este Governo está a tratar a Festa Brava. Mas não devia estar. Também não se pode estranhar a inibição da realização de touradas no seu palco principal que é o Campo Pequeno, e permitir a realização de outras iniciativas naquele nobre espaço. O Governo é claramente contra a realização de touradas.
 
Nós é que não podemos aceitar esta leviandade de tratar as coisas e desrespeitar milhares de cidadãos portugueses. Quando não há debate há imposição, logo não há democracia.
 
Também não é de estranhar a reação da Ministra da Cultura, Graça Fonseca, quando o Grupo de Forcados de Évora tentou falar com ela e tentou entregar-lhe um barrete de forcado, mas a governante não aceitou a oferta, nem quis falar com os integrantes do protesto.
 
É a reação de alguém que despreza a atividade tauromáquica. Não só detesta esta atividade, como a despreza!
 
Mas a Ministra da Cultura, Graça Fonseca, está errada, porque a Tourada também é cultura. Por muito que não lhe agrade a tauromaquia esta é uma atividade cultural centenária e merece ser respeitada.
 
É injusto os espetáculos tauromáquicos estarem proibidos e outros espetáculos serem permitidos nos recintos de tradição tauromáquica.
 
As mesmas regras dever servir para todos. Os mesmos direitos e deveres também para todos.
 
Por isso mesmo, temos que ser exigentes, e obrigar este Governo a cumprir as regras democráticas.
 
* Vereador na Câmara Municpal de Évora, António Costa da Silva
Modificado em sábado, 13 junho 2020 12:02

Dias 8 e 9 de Maio - Datas marcantes

sábado, 16 maio 2020 14:55
8 DE MAIO - O DERRUBE DO REGIME NAZI
No dia 8 de Maio do presente ano foi possível comemorar os 75 anos do fim do regime nazi. Infelizmente, tendo em conta o contexto em que vivemos, não foi possível festejar da melhor forma tão importante data. A situação de afastamento provocada pelo COVID 19 foi efetivamente inibidora para quaisquer práticas de celebração de tão importante data. Claramente compreensível!
 
No dia 8 de maio de 1945, a Alemanha nazi capitulou, dando fim ao maior conflito mundial vivido pela humanidade. Não podemos esquecer as atrocidades do regime de Hitler, muito menos esquecer uma das maiores vergonhas da humanidade. Tal como escrevia o escritor francês Olivier Guez: “A cada duas ou três gerações, quando a memória se estiola e as últimas testemunhas dos massacres anteriores morrem, a razão se retrai e homens voltam a propagar o mal.” Realisticamente, os fantasmas do passado nunca desapareceram totalmente, e no contexto da atualidade preservar a memória se torna ainda mais importante do que nunca.
 
9 DE MAIO - O DIA DA EUROPA
No dia 9 de maio festeja-se a paz e a unidade do continente europeu. Esta data assinala o aniversário da histórica «Declaração Schuman». ´´Num discurso proferido em Paris, em 1950, Robert Schuman, o então Ministro dos Negócios Estrangeiros francês, expôs a sua visão de uma nova forma de cooperação política na Europa, que tornaria impensável a eclosão de uma guerra entre países europeus.
 
A sua visão passava pela criação de uma instituição europeia encarregada de gerir em comum a produção do carvão e do aço. Menos de um ano mais tarde, era assinado um tratado que criava uma entidade com essas funções. Considera-se que a União Europeia atual teve início com a proposta de Schuman.``
 

Tal como aconteceu com o fim da II Grande Guerra Mundial, esta crise, provocada pelo COVID 19, deveria tornar-se numa grande oportunidade para a União Europeia se fortalecer, mas sobretudo para fortalecer os seus povos, para fortalecer as suas gentes.

É neste contexto que são criadas as Comunidades Económicas, dando origem ao que hoje denominamos de União Europeia. É neste contexto, com o objetivo de garantir a paz entre nações, que se foi criando este grande projeto que une atualmente 27 estados membros.
 
DESAFIOS:
Vivemos uma era em que o projeto Europeu (entenda-se União Europeia) enfrenta grandes desafios e fortes contradições: As consequências e resultados do processo do “Brexit” ainda deixam muitas incertezas quanto ao novo modelo europeu; A crise dos imigrantes e refugiados têm provocado muitos desentendimentos e falta de solidariedade entre povos; A emergência e crescimento dos populismos e do radicalismo de extrema-direita e extrema-esquerda, têm sido um dos maiores fatores desagregador do ``modelo europeu´´. E muito grave, tal como se tem visto na crise provocada pelo COVID 19, existe uma gigantesca dificuldade em se tomar decisões rápidas. Decisões estas que poderiam ajudar a avançar de forma sólida o processo de construção europeia, eliminando muitas das dúvidas de credibilidade que as instituições europeias padecem, perante grande parte dos cidadãos europeus.
 
Tal como aconteceu com o fim da II Grande Guerra Mundial, esta crise, provocada pelo COVID 19, deveria tornar-se numa grande oportunidade para a União Europeia se fortalecer, mas sobretudo para fortalecer os seus povos, para fortalecer as suas gentes.
 
Ainda tenho essa esperança!
 
* Vereador na Câmara Municpal de Évora, António Costa da Silva
Modificado em sábado, 16 maio 2020 15:00

Este ano não há FIAPE

quinta, 30 abril 2020 20:20
Quem me conhece sabe que não sou pessoa de guardar saudade por aquilo que não aconteceu. Tento viver o dia-a-dia, aproveitando ao máximo o agora e aprendendo com o passado, tentando não pensar muito no futuro e, como disse, nas coisas que nunca chegam a acontecer-me. Tento seguir à risca aquilo que, desde muito cedo, sempre ouvi o meu pai dizer: “Quem vai, vai e quem está, está”.
 
Mas hoje tenho que confessar uma coisa. Hoje bateu-me a saudade por algo que não chegou a acontecer. Hoje (e nos últimos dias, para falar a verdade) senti em mim um enorme vazio, pois apercebi-me que este ano não iria ter a minha FIAPE.
 
Sim, a minha FIAPE. Já a considero minha e não me censurem por isso, pois ontem teria começado a sua 34.ª edição e eu já convivo com ela há pelo menos 19 anos, por isso posso perfeitamente dizer que é um bocadinho minha. Um bom bocadinho…
 
Lembro-me tão bem das primeiras edições da FIAPE, no Rossio, quando ainda nem sequer imaginava que um dia viria a ser a minha FIAPE… Nos primeiros anos de escola em Estremoz adorava atravessar a feira e ver os animais e a maquinaria agrícola, quando fazia o meu trajeto diário até à antiga Rodoviária, no regresso a Évora Monte. Depois, já no secundário, a minha formação em agropecuária fez-me olhar para ela ainda com mais atenção. Os panfletos nos stands (sempre adorei beber informação), a maquinaria e os animais que estudávamos nas aulas, as visitas à feira com a professora de produção vegetal e zootecnia… Sinto que talvez a FIAPE tenha contribuído muito para a escolha da minha primeira formação zootécnica , ou provavelmente não, mas atrevo-me a pensar que teve alguma culpa no cartório.
 
Regressei a Estremoz em fevereiro de 1998 e logo aí me colocaram nas mãos programar alguns aspetos da animação cultural e desportiva da FIAPE desse ano. E desde aí, tenho estado (quase) sempre lá. Acompanhei de perto as diversas evoluções que ainda teve no Rossio, a sua mudança para o Parque de Feiras (então resumido ao Pavilhão Central) e as sucessivas adições que ganhou ao longo do tempo, fruto do enorme investimento municipal naquele que muitos consideraram um elefante branco à época, mas que hoje reconhecem orgulhosamente como um dos melhores parques de feiras e exposições da região.
 
Involuntariamente, interrompi por três anos a minha presença assídua na organização da FIAPE. Tal como noutras situações, também aí não tive saudade, porque não aconteceu. Mas regressei novamente (a vida não é tramada?) e desde então gosto de acreditar que eu e a minha equipa das feiras temos acrescentado muito ao certame, fruto obviamente daquilo que têm sido as opções do executivo municipal e a aposta forte que tem tido na projeção da FIAPE e de outros eventos temáticos como forma de valorização social e económica do concelho. Claro que sem os ovos que o executivo nos proporciona não conseguiríamos fazer as omeletes que têm sido feitas e agradeço todos os dias por nos ser dada essa possibilidade de poder fazer sempre mais e pela confiança que em nós depositam nesta tarefa.
 
Ontem teria sido inaugurada mais uma edição. A tal que estava planeada e que não chegou a acontecer. Estaria a mentir se dissesse que não me deixa pena não a podermos realizar. Por muito trabalho que desse, por muitas dores de cabeça e noites mal dormidas que proporcionasse, por muita entrega que tivesse que acontecer da nossa parte, por muitos quilómetros que tivessem que ser percorridos, valeria sempre a pena, pois é sempre com muito agrado que vemos a nossa feira crescer e ganhar a projeção que hoje tem nas nossas vidas e na de milhares de pessoas. Basta olhar para o número de pessoas, visitantes e expositores, que já manifestaram nas redes sociais a sua tristeza por este ano não terem a sua FIAPE.
 
Como disse há pouco, lembrei-me muito da minha FIAPE nos últimos dias: “Hoje estaria a receber os senhores da montagem das tendas e a explicar que ainda não tinha conseguido acabar a planta, porque há sempre alterações de última hora”; “Hoje já teriam vindo montar o palco e a tenda dos espetáculos. Não me podia esquecer da suspensão dos equipamentos de som na estrutura…”; “Hoje começavam a chegar os primeiros expositores e, com eles, os primeiros pedidos de mudança de lugar”; “A equipa do som chegaria hoje”; “Hoje estaria a ter a reunião com a equipa de segurança e a lidar com os stresses do responsável por essa área”; “Por esta altura, já me teriam pedido dezenas de vezes para ir ver o stand da câmara e lá estaria a minha equipa num frenesim. Eventualmente já teria torcido o nariz também uma dezena de vezes, mas no final daria sempre o braço a torcer quando visse o resultado”; “A reunião com a ASAE e as novidades legislativas que há todos os anos. Qual seria este ano?”; “Os prémios dos concursos…”; “O alinhamento da cerimónia de inauguração… Como sempre, metade dos convidados não iria confirmar e depois não teriam lugar sentados…”; “O telefone já tinha tocado milhares de vezes”; “As pulseiras…os bilhetes… os trocos…”; “Os expositores… os 400 expositores, cada um a puxar para o seu lado. Arranjar 400 soluções para 400 problemas”; “A chuva, a sempre presente chuva”... Parece complicado? Sim, é mesmo complicado.
 

Acredito que este ano teria tido uma grande FIAPE. Estavam reunidas todas as condições: as datas, os espetáculos programados, as inscrições que já havia em todos os sectores económicos da feira, o investimento que estava previsto na melhoria de algumas áreas da feira, a promoção que estava delineada, a boa fase que o sector agropecuário atravessava e algum poder de compra que as pessoas ainda tinham… Estou convencido que tudo isto iria contribuir para mais um grande sucesso.

Mas depois teríamos a inauguração e todas estas complicações se desvaneceriam. A inauguração, que, como quase sempre e este ano não teria sido exceção, viria acompanhada da chuva. Mas a partir daí tudo fluiria normalmente e durante cinco dias Estremoz teria a sua FIAPE. Graças a um conjunto de pessoas (executivo, técnicos, administrativos, operacionais, expositores e fornecedores de serviços) que trabalham de forma incansável para que tudo corra bem e que estão lá a dar o seu melhor para que tudo funcione e garanta experiências únicas aos visitantes. É claro que há sempre, neste conjunto de pessoas, um conjunto mais restrito, com quem lido diretamente e que, se lerem isto, saberão perfeitamente que é deles que falo e que de certeza já sentiram muitas saudades do meu mau feitio…
 
Acredito que este ano teria tido uma grande FIAPE. Estavam reunidas todas as condições: as datas, os espetáculos programados, as inscrições que já havia em todos os sectores económicos da feira, o investimento que estava previsto na melhoria de algumas áreas da feira, a promoção que estava delineada, a boa fase que o sector agropecuário atravessava e algum poder de compra que as pessoas ainda tinham… Estou convencido que tudo isto iria contribuir para mais um grande sucesso.
 
Mas, sem nos pedir autorização, o Covid entrou nas nossas vidas e tudo isto e muito mais nos retirou. Já nos tirou a FIAPE, vai-nos tirar o Festival da Rainha e muitas mais iniciativas que estavam previstas para animar o verão na nossa cidade. Está a tirar rendimentos a quem vive da restauração, dos bares, das cafetarias, dos alojamentos turísticos e de tantos outros pequenos negócios que foram obrigados a encerrar; a quem se vê obrigado a ficar em casa em layoff ou a acompanhar os filhos nos seus estudos, devido ao encerramento das escolas. Está a tirar saúde mental a quem tem que estar em casa em teletrabalho e a retirar os poucos anos de vida que restam aos milhares de idosos que estão em isolamento e privados de verem os seus familiares. Priva-nos da companhia de todos aqueles que infelizmente já partiram por sua causa. Priva-nos daquilo que tanto gostamos de fazer: conviver com os nossos familiares e amigos, de circular livremente, de passear, de viajar e de conhecer coisas novas.
 
Todas estas privações acabam por matar-nos aos poucos, devido à insegurança em que vivemos e à impotência que sentimos perante esta ameaça invisível e sem fim à vista. Mas irão ajudar-nos a olhar para o futuro com outros olhos, pois certamente todos tiraremos uma grande lição desta experiência negativa, que mais não seja a de passarmos a dar mais importância às pequenas coisas das nossas vidas e aprendermos a dar-nos mais tempo para as vivermos. Afinal, com tudo isto, todos já nos apercebemos que é possível viver mais devagar e privados de bens não essenciais.
 
O Covid já nos roubou dois meses das nossas vidas. Dois meses que não nos serão devolvidos. Dois meses que não foram vividos intensamente, que não deviam ter acontecido e que, por isso, também eles não me deixarão saudade…
 
Como o Covid ainda não me retirou a possibilidade de fazer atividade física ao ar livre, fui correr, como se ontem tivesse sido uma quarta-feira normal. Casualmente, ou talvez não, passei pelo Parque de Feiras. Lá estava ele: vazio, silencioso e sem movimento. Apenas um ou outro pardal chilreava nas olaias, naquele fim de tarde que despertava após uma chuvada intensa. 
 
E voltei-me a lembrar que este ano não há FIAPE, pois faltava ali o movimento das pessoas, o barulho dos carrinhos de choque, o teste de som no palco principal e a luz acesa no gabinete que costumo ocupar no pavilhão. 
 
Não sei bem se aquela coisa salgada que rolou pela minha face foi suor da corrida ou uma lágrima de tristeza. Mas sei que saí dali a correr como nunca, de regresso a casa, e a pensar: “Este ano não houve… Mas para o ano vai haver, será muito melhor e irá compensar tudo aquilo que perdemos.” Fica a promessa…
 
* Arquiteto Paisagista António Serrano
 
Modificado em sexta, 01 maio 2020 22:47

A Europa está a ser destruída

sábado, 11 abril 2020 13:08
Estamos a viver um dos períodos mais graves no processo de construção europeia. A última decisão do Eurogrupo e todas as mentiras propagandísticas que dali resultaram, são mais um condimento para ajudar a destruir a Europa (entenda-se União Europeia).
 
A falta de estadistas, associada aos egoísmos nacionais e regionais são outros elementos altamente perturbadores no processo de consolidação da União Europeia. A falta de solidariedade e a incapacidade de se tomarem decisões coletivas são os aspetos mais graves.
 
Associado a isto, uma forte incapacidade da União Europeia em dar respostas aos problemas concretos, tal como é exemplo a mais recente luta contra os efeitos nefastos provocados pelo Coronavírus.
 
A última “facada” foi a decisão desta semana do Eurogrupo. As mentiras atrás de mentiras. Incompreensões atrás de incompreensões. Impotência envoltas em incompetências. Um desastre!
 

Ora vejamos, quando ‘’esmiframos’’ a noticia como deve ser, chegamos à conclusão que o acordo do Eurogrupo sobre os 500 mil milhões de euros para combater os efeitos nefastos do Coronavírus, são na realidade dinheiro que já estava previsto.

E depois o que se faz? Finge-se. Mente-se. Não há nada melhor para alimentar os populismos crescentes que a mentira descarada de muitos políticos democraticamente eleitos.
 
A notícia que nos era dada é que os ministros das Finanças da Zona Euro chegaram a acordo, dia 9 de abril, sobre os apoios económicos para fazer face à pandemia do covid-19. E mais, ‘’a informação referia que o Eurogrupo chegou a acordo sobre o pacote de ajuda económica para a crise do novo coronavírus. “A reunião terminou com os ministros a aplaudir”, anunciou o porta-voz de Mário Centeno no Twitter.
 
Ora vejamos, quando ‘’esmiframos’’ a noticia como deve ser, chegamos à conclusão que o acordo do Eurogrupo sobre os 500 mil milhões de euros para combater os efeitos nefastos do Coronavírus, são na realidade dinheiro que já estava previsto. Em termos práticos estamos a falar de verbas do SURE (110 milhões anunciados na semana passada pela Comissão para financiar os layoffs), associada uma linha de crédito do BEI de 200 mil milhões de euros, acrescentando ainda os 240 mil milhões do Mecanismo Europeu Estabilidade, que já estava prevista a sua flexibilizado para despesas em saúde.
 
A realidade é que este acordo não trás praticamente nada de novo. Mas tudo é feito como se estivéssemos perante uma grande medida, sendo que, apenas se aceitaram as propostas que a Comissão Europeia já tinha anunciado.
 
E andamos nisto, uma grande incapacidade da União Europeia em dar respostas fortes, solidárias e coletivas.
 
Infelizmente prevejo um mau futuro para um projeto que tanto gosto.
 
* Vereador na Câmara Municpal de Évora, António Costa da Silva
Modificado em sábado, 11 abril 2020 16:18

Mais vale prevenir do que remediar

sábado, 14 março 2020 02:45
É preciso estar bem atento à evolução do COVID 19 (mais conhecido por Coronavirus). Como já podemos comprovar noutros sítios do Planeta, este não é um assunto para brincadeiras. Durante algum tempo pudemos acompanhar toda a evolução deste vírus com muito distanciamento. 
 
Só que agora já percebemos que é algo que não está assim tão distante de nós. Com a evolução recente em Itália deu para perceber da gravidade e proximidade da situação. Primeiro consideramos estranho o “encerramento” de cidades e regiões. Depois achamos estranha a necessidade em se construir um hospital na China em 10 dias para dez mil pessoas. Agora, achamos estranho que numa das regiões mais ricas da Europa (Lombardia / Itália) se decida quem vai morrer e quem tem condições para sobreviver.
 
A situação é mesmo grave!
 
Por isso mesmo, é mais do que decisivo estancar a mais do que provável propagação do COVID 19 em Portugal. 
 
Em primeiro lugar é fundamental que as autoridades nacionais e locais transmitam uma mensagem bastante clara. Não pode haver hesitações!
 

Aos cidadãos exige-se responsabilidade e bom senso. A responsabilidade individual e coletiva das pessoas são decisivas. Só assim se poderá ganhar esta terrível batalha. A melhor forma de ajudar o Sistema Nacional e Saúde é ajudar a circunscrever os efeitos da propagação. Por isso, limitar o contacto entre as pessoas é fundamental.

Estamos perante uma guerra que vai ter que ser travada por todos nós. Por todos, por uma razão bem simples: porque o Sistema Nacional de Saúde (SNS) não vai ter capacidade para resolver tudo sozinho. Vai ser uma batalha que exige responsabilidade de todos nós.
 
Exige-se clareza, coerência e pragmatismo nas ações promovidas pelas entidades responsáveis. Aos cidadãos, cabe cumprir apenas cumprir essas indicações. Não me choca o encerramento de serviços, de iniciativas e de actividades diversas. Mais vale prevenir do que remediar. No entanto, não se deve encerrar um serviço público, se ao lado estiverem abertos outros serviços públicos, ou outros serviços e atividades que envolvem muitas pessoas. Mensagem e acções erradas provocam sempre comportamentos errados.
 
A clareza na informação é decisiva nestas matérias. A clareza deve ajudar a evitar o pânico! 
 
Aos cidadãos exige-se responsabilidade e bom senso. A responsabilidade individual e coletiva das pessoas são decisivas. Só assim se poderá ganhar esta terrível batalha. A melhor forma de ajudar o Sistema Nacional e Saúde é ajudar a circunscrever os efeitos da propagação. Por isso, limitar o contacto entre as pessoas é fundamental. 
 
Já sabemos que o SNS não vai ter capacidade de responder a tanta solicitação. Daí o nível de exigência dos cidadãos ainda ser maior.
 
É importante precaver nalgumas compras para casa e em adquirir alguns medicamentos básicos. É muito importante, mas não é preciso entramos em histerismos colectivos. Agir bem é a melhor de ajudar a resolver problemas!
 
Na minha opinião devemos seguir à risca o que nos dizem as autoridades nacionais e locais de saúde. Mas insisto, é necessária uma mensagem muito clara e assertiva por parte das referidas autoridades. 
 
Em conjunto vais ser possível combater melhor a complexa batalha que vamos ter pela frente. 
 
* Vereador na Câmara Municpal de Évora, António Costa da Silva
Modificado em sábado, 14 março 2020 02:59

Porque sou contra a Eutanásia

quinta, 20 fevereiro 2020 02:03
A discussão do tema da eutanásia é de facto muito sensível. É muito difícil ter uma posição muito assertiva sobre esta matéria. Argumentos como as liberdades individuais, a compaixão e o amor por quem está num sofrimento extremo, devem e merecem ser respeitadas. Merecem-me um respeito profundo!
 
Na minha opinião pessoal, é de todo impossível fazer uma avaliação completa sobre esta matéria, que é demasiado complexa. Corremos o risco de entramos em fortes contradições.
 
Também sou da opinião que não basta uma avaliação meramente individual, sobretudo a um deputado que tem que fazer escolhas. Esta decisão é de grande responsabilidade individual e com fortes efeitos coletivos. Matéria que não pode ser esquecida.
 
Apresento, assim, os meus principais argumentos porque sou contra a prática da eutanásia:
 

Validar a prática da eutanásia é tornar uma decisão irreversível. Não há volta a dar! A partir daí é o escancarar de portas de um mundo claramente desconhecido. É tomar uma decisão irreversível, sobre a irreversibilidade da morte. Custa-me a aceitar essa opção!

 
1 – Esta é uma decisão sobre a vida. É uma decisão que se prende em valores de esperança na vida e não da morte. Sou daquelas pessoas que acredita que há sempre uma hipótese. Mais uma hipótese para a vida. Acredito na força e na esperança da vida, mas também nos rápidos avanços da ciência, os quais podem solucionar casos (mesmo dramáticos) que aparentemente não tem grandes expectativas. Sou sempre otimista em relação à vida. É a minha natureza!
 
2 – Validar a prática da eutanásia é tornar uma decisão irreversível. Não há volta a dar! A partir daí é o escancarar de portas de um mundo claramente desconhecido. É tomar uma decisão irreversível, sobre a irreversibilidade da morte. Custa-me a aceitar essa opção!
 
3 – Conheço as práticas em países claramente liberais. São demasiados os erros e as decisões egoístas que vão de encontro a valores com os quais não partilho. Algumas dessas decisões, que envolvem menores e pessoas em forte debilidade psíquica, são algo que me deixa claramente incomodado. Pactuar com algo semelhante é um equívoco histórico!
 
4 – As propostas que estão em cima da mesa mal foram discutidas com os portugueses. Muitas delas estão mal explicadas, ou mesmo sem qualquer explicação. Um debate cobarde! Um debate inexistente! Mais uma vez, estamos perante um mau serviço que a Assembleia da República faz para com os portugueses. Não posso concordar!
 
5 – Também as propostas de Lei são pouco claras. Adotam uma linguagem que não se percebe ao certo o que pretendem. Confunde-se por exemplo o “sofrimento extremo” com o sofrimento físico. Ficam abertas algumas nebulosas que podem permitir as práticas de países com as quais discordo profundamente. Não se percebe, também, a pressa em legislar mal! Ou percebe?
 
6 – Faço uma leitura, que apenas me responsabiliza a mim, de que esta é a vontade da grande maioria dos portugueses. Ser contra a eutanásia.
 
Por todas estas razões (e outras mais individuais) que me levam a não aceitar a eutanásia.
 
* Vereador na Câmara Municpal de Évora, António Costa da Silva
Modificado em quinta, 20 fevereiro 2020 02:10
Todos os dias se repetem múltiplas notícias sobre a situação crítica em que se encontra o SNS (Sistema Nacional de Saúde). Urgências fechadas, consultas adiadas, falta de respostas, défice de médicos e de enfermeiros, deterioração física dos espaços destinados ao serviço de saúde, são “o pão-nosso de cada dia”.
 
O Sistema Nacional de Saúde em Évora não foge à regra. Recentemente tive a oportunidade de contactar in loco com esta triste realidade. É aflitivo o que se passa no Hospital Espírito Santo de Évora! Não por culpa dos profissionais que lá trabalham, mas, essencialmente, pela degradação a que tem sido sujeito nos últimos anos.
 
Deixo um exemplo muito concreto: os doentes (ou a família dos doentes) ligam para a linha SNS24 a pedir auxílio médico. É-lhes recomendado para irem ao HESE - Hospital Espírito Santo de Évora. Resultado: passam pela triagem e estão horas e mais horas à espera sem que alguém lhes diga algo.
 
Quando digo horas, são mesmo muitas horas sem qualquer apoio, sem qualquer resposta. Infindáveis horas de sofrimento, sem qualquer apoio. Uma tristeza!
 
Pude verificar que no meio daquele tormento, há pessoas que desistem de esperar pelo atendimento a que têm direito. Há pessoas que, mesmo em sofrimento, abandonam aquela unidade hospitalar. Eu presenciei situações dessa natureza. Ouvem-se as chamadas ao micro e as pessoas já não estão lá.
 
É miserável o que se passa no Sistema Nacional de Saúde. Falo de situações em que idosos, casos com 90 e mais anos de idade, esperam intermináveis horas sem que ninguém os consulte. Pior, ninguém diz nada. Ninguém sabe quando termina o tormento. Uma falta de respeito para com os utentes.
 
Os orçamentos de Centeno e de António Costa levam-nos a isto. Já não podem existir desculpas para tanta degradação. Está aos olhos de qualquer cidadão.
 
Infelizmente fui testemunha disso mesmo.
 
Desta embaraçosa vergonha!
 
* Vereador na Câmara Municpal de Évora, António Costa da Silva
Modificado em sábado, 25 janeiro 2020 17:02

Estranho Sábado, este…

quarta, 18 dezembro 2019 11:54
Antes de escrever este texto refleti de forma a saber se faria algum sentido expô-lo aqui, publicamente, no Ardina do Alentejo por se tratar de um assunto muito particular que mais não é do que um misto de agradecimento mas que também envolve afectos. Como não consigo escrever sem afecto, talvez tenham sido mesmo eles que me fizeram tomar esta decisão, os afectos de barro mas também de coração (já todos vão perceber porquê).
 
É dia 14 de Dezembro… que sábado estranho este! Desde Setembro que os meus sábados se tornaram uma verdadeira azáfama… uma boa azáfama, diria. Melhor ainda, não foram só os sábados, foram também as quintas e sextas-feiras à noite. Para dizer a verdade todos estes dias passaram num ápice, de Setembro até agora… estranhamente hoje está mesmo a custar a passar, parece que me falta algo.
 
Em Setembro iniciei uma nova experiência na minha vida que, de certa forma a alterou. Todos os dias há coisas e experiências que alteram a vida das pessoas, é certo, mas esta situação em específico revelou-se, de certo modo, inspiradora a diferentes níveis.
 
Como certamente saberão, os “Bonecos de Estremoz” fazem parte, desde 7 de Dezembro de 2017, do Património Cultural Imaterial da Humanidade. Sempre tive um especial afecto por esta forma de arte popular tão característica e peculiar que sai das mãos de autênticos artistas e, na minha profissão, não raras vezes, a levei às escolas por onde andei. O barro não era, por isso, uma matéria-prima estranha para mim. Uma proposta de trabalho trouxe-me ao Município de Estremoz para colaborar na área da Cultura precisamente na promoção desta forma de arte junto da comunidade escolar e dos idosos. As acções educativas nesta área já existem há quase duas décadas. São promovidas pela equipa do Museu Municipal Professor Joaquim Vermelho de forma absolutamente exemplar e a Isabel Borda d’Água é a cara desse sector, ela que, com a sua subtileza, credibilidade, sapiência, disciplina e sensibilidade já proporcionou a centenas de crianças e jovens o primeiro contacto com o barro e, naturalmente, com o “Boneco de Estremoz”. Ela própria diz, inúmeras vezes, que não se considera nem se sente professora por não ter tido cadeiras pedagógicas para o ser. Ainda assim, tomara que muitos que as tiveram se pudessem orgulhar de ter metade da capacidade que ela demonstra dia após dia junto das crianças que se deslocam àquela oficina do Museu Municipal. Ela vai, certamente, perdoar-me por isto… eu sei que ela gosta mais de estar na sombra mas não seria justo da minha parte que, ao falar sobre os “Bonecos de Estremoz” não falasse dela e na sua extraordinária importância para o Museu Municipal e para o próprio figurado de Estremoz não só junto da população escolar mas no contacto diário que tem com todos os artesãos que trabalham na área. Não existe, de certeza, qualquer jovem no concelho que não tenha aprendido pelo menos a fazer um apito ou outra figura com a Isabel. É também por este motivo que entendo reconhecer, publicamente, o fantástico trabalho por ela desenvolvido, por ser, precisamente, mais do que justo.
 

Para além de tudo, e não menos importante, são os laços de amizade que se criaram durante estes cerca de três meses e que, estou convicto, ficarão para a vida. Tenho a certeza que não mais esqueceremos o quão formidáveis foram os dias desta formação. Para dizer a verdade também tivemos uma sorte tremenda com o grupo de formandos que nos calhou, um grupo com sede de saber, plenamente motivado, disciplinado e disposto a aprender mais e cada vez mais.

A Isabel acompanhou-me nesta jornada especial e foi uma peça fundamental em todo este processo onde ambos, juntamente com o responsável técnico da candidatura dos “Bonecos de Estremoz” a Património Cultural Imaterial da Humanidade e autor de diversas publicações nesta área como o livro “Figurado de Estremoz – Produção Património Imaterial da Humanidade” editado em 2018, o meu caro amigo Hugo Guerreiro, mas também com o fantástico artista Jorge da Conceição, artesão de reconhecidíssimo mérito e qualidade, tivemos a responsabilidade de organizar um curso de formação no âmbito das Técnicas de Produção de “Bonecos de Estremoz”, numa parceria entre o Município e o CEARTE – Centro de Formação Profissional para o Artesanato e Património. Foram muitas as reuniões de preparação desta formação, foram muitas as ideias partilhadas, foram inúmeras as opiniões formuladas até se conseguir chegar ao que se pretendia. E o que é que se pretendia? Basicamente fazer o que não se fazia há mais de sessenta anos… ensinar um grupo de pessoas a fazer “Bonecos de Estremoz” de forma tradicional. A última vez que algo desta natureza aconteceu foi com o Mestre Mariano da Conceição, avô do Jorge (que curiosamente foi professor de Olaria do meu pai). Quando se começou a falar deste curso com mais insistência, a Senhora Vereadora da Cultura, Drª Márcia Oliveira, que foi uma das grandes entusiastas e impulsionadoras do mesmo, não precisou de muito para convencer o Jorge, até porque ele se disponibilizou de imediato a seguir as pisadas do seu avô para partilhar com todos os formandos a sua experiência no sentido de fazer com que esta arte pudesse ter seguidores para o futuro. Já que falo em disponibilidade, é da mais elementar justiça que se enalteça aqui o papel imprescindível do Jorge nesta formação… ele foi como que a pedra basilar de todo este curso, não só pela sua sapiência, sagacidade, dedicação, determinação e profissionalismo mas também por uma transparência de conteúdos absolutamente espantosa. O Jorge não ocultou o que quer que seja e esteve, durante estas cento e muitas horas, de espírito impressionantemente aberto partilhando toda a sua sabedoria e experiência com todos sem sequer se recusar a qualquer solicitação ou dúvida. Quando popularmente se diz que “o segredo é a alma do negócio”, neste caso específico, uma frase como esta não poderia ser mais errada… aqui, para haver evolução no “negócio”, todos os segredos deveriam ser revelados. E foram! O Jorge não só ensinou aquilo que lhe era solicitado como foi muito para além disso. Na realidade todos ficaram a ganhar com este curso de formação e, ainda que fisicamente tenha sido desgastante para todos (mais ainda para o Jorge em virtude das inúmeras deslocações a Estremoz)… ainda que o espaço individual de trabalho de cada um fosse limitado… ainda que o cansaço depois de um dia de trabalho se apoderasse de todos… ainda que estivesse calor, frio ou a chover… ainda que no início se tivesse receio de apertar o barro… ainda que as dificuldades iniciais tenham levado alguém a ponderar desistir… ainda que certos panos turcos de cor vermelha tenham espalhado fiozinhos por todo o lado… ainda que certo alarme se lembrasse de tocar àquela hora… ainda que tudo e mais alguma coisa, o que é certo é que, chegando ao fim, tudo valeu a pena, até o mais ínfimo pormenor valeu a pena. Nós, formadores, saímos com a plena consciência do dever cumprido e com o orgulho de podermos afirmar que, tal como todos os formandos, talvez tenhamos até entrado na história do figurado de barro de Estremoz (alguns, reconhecida e justamente, já lá estavam). Ainda assim, nada disto nos pode fazer “embandeirar em arco”… há que, agora, revelar humildade e dar o passo em frente trabalhando com rigor e afinco para proteger e valorizar o nosso próprio trabalho e fundamentalmente os nossos “Bonecos de Estremoz” que podemos também afirmar, orgulhosamente, têm o futuro garantido.
 
Para além de tudo, e não menos importante, são os laços de amizade que se criaram durante estes cerca de três meses e que, estou convicto, ficarão para a vida. Tenho a certeza que não mais esqueceremos o quão formidáveis foram os dias desta formação. Para dizer a verdade também tivemos uma sorte tremenda com o grupo de formandos que nos calhou, um grupo com sede de saber, plenamente motivado, disciplinado e disposto a aprender mais e cada vez mais. Tudo isso cria relações muito mais próximas e com este grupo de pessoas isso evidenciou-se de sobremaneira. A relação foi de tal maneira desprendida de qualquer forma erudita que se tornou tão mas tão simples ao ponto de, na nossa última sessão, ter falado mais a emoção por se ter chegado ao fim de uma etapa não só com os objectivos concretizados mas também com alguns sonhos realizados.
 
Na memória de todos ficará a lucidez, organização, talento e racionalidade do Pedro Cravo… a amabilidade, o empenho e o entusiasmo da Luísa Batalha… a competência, a distinção e a integridade da Vera Magalhães… a reacção e positivismo da menos rápida mas muito empenhada Carla Correia… a criatividade, a perspicácia e o experimentalismo da Joana Oliveira… a forma de trabalhar suave, objectiva, resolvida e equilibrada da Ana Pereira… a sagacidade, a distração, a rapidez e a diversão da Sofia Luna… a verticalidade, a reserva e o esforço do Manuel Broa… o proteccionismo, rigor, conservadorismo e apoio do Zé Carlos Rodrigues… a curiosidade, determinação e ansiedade da Madalena Bilro Martins… a gentileza, paciência e educação da Ana Godinho… a irreverência, jovialidade e imaginação da desconcertante Sara Sapateiro… a surpreendente, amável, sensata e cristalina Inocência Lopes… a generosidade, discrição e dedicação da Ana Catarina Grilo… a fragilidade, atenção e credibilidade da Fátima Dias… e a competência, compreensão e trabalho da Sílvia Cuco.
 
Na memória de todos ficarão, não só, inúmeros momentos de tentativas, de erros, de reformulação de ideias, de objectivos frustrados e falhados mas também ficarão momentos de reflexão, de trabalho árduo, de dedicação, de concretização, de partilha de ensinamentos, de amor à arte, de alegria, de amizade, de união. Na nossa memória ficará a sensibilidade e seriedade com que todos encararam este projecto e o amor e respeito com que, acreditamos, todos levarão o “Boneco de Estremoz”. E ainda que tivéssemos dúvidas bastava olharmos para aquele conjunto de mais de cem peças feitas com grande dignidade, não só com as mãos mas com alma e com o coração… peças, que, como diz o Jorge, “não envergonham ninguém” tal a qualidade apresentada. É justo que se reconheça que todos, com as suas imperfeições, foram absolutamente perfeitos. A todos… colegas formadores e formandos deste Curso de Formação só vos posso dizer… OBRIGADO!!
 
A porta da sala da formação fechou-se por agora… quem sabe um dia não voltará a abrir-se!! E talvez numa próxima oportunidade consigamos pôr o Hugo com as mãos na massa!!!
 
Para já… continuemos com a tradição!! “Toca a fazer Bonecos!!!”
 
Enfim… voltar aos sábados de antes de Setembro vai ser difícil… ai vai, vai!!!
 
* Professor Luís Parente
 
 
 
 
 
Modificado em quarta, 18 dezembro 2019 12:11

Política para Tótós

terça, 17 dezembro 2019 15:41
Há poucos dias atrás, o Sr. Primeiro-ministro António Costa, escreveu no Twitter: “Hoje damos um passo decisivo para acabar com a sub orcamentação crónica do @SNS_Portugal, reforçar e motivar os seus profissionais, modernizar equipamentos e robustecer a gestão, em suma, para reforçar a confiança no SNS e servir melhor os portugueses.”
 
Estas declarações de António Costa ocorreram um pouco antes da Ministra da Saúde, Marta Temido, apresentar o Plano de Melhoria da Resposta do Serviço Nacional de Saúde, aprovado em Conselho de Ministros.
 
Aparentemente, estas palavras até parecem motivadoras, mas no fundo estamos a falar das mentiras sucessivamente encobertas pelo Governo.
 
Na prática, é um reconhecimento do caos em que se encontra o Sistema Nacional de Saúde (SNS). É um reconhecimento que durante quatro anos o Governo e os seus parceiros da Geringonça sub orçamentaram propositadamente o SNS, matéria sobre a qual sempre foi dito que estavam a ser feitos enormes progressos. Aliás, sempre foi dito que os partidos da oposição exageravam nos argumentos, que o objectivo dos partidos do centro e da direita era privatizar o SNS, patati, patatá...
 
Curiosamente foi com o Governo mais à esquerda que tivemos em Portugal, em que o Estado mais desinvestiu no SNS e que mais contratou aos privados. 
 
Eufemisticamente, o Primeiro-ministro introduziu a palavra “crónica” (em sub orçamentação crónica) para dar a sensação que este é um velho problema, que o Governo socialista é alheio nas responsabilidades. Parece brincadeira, mas não é!
 
Este simples post do Sr. Primeiro-ministro no Twitter é claramente demonstrativo da sua forma de fazer política e de tratar Portugal e os portugueses. Trata os portugueses como verdadeiros Tótós! Mais uma vez estamos perante um texto cheio de nada, cheio de irrealismo, cheio de propaganda!
 
E o que resta no meio disto tudo? O Governo vai orçamentar o que tem sub orçamentado. E o que vale a este Governo orçamentar? Nada. É muito simples, o Ronaldo das Finanças vai tratar da orçamentação com cativações, que na verdade, serão novos cortes.
 
Moral da história: Quando estiver a falar com os seus amigos sobre política para Tótós, lembre-se deste post do senhor Primeiro-ministro. Exemplo tão didático como este não é fácil encontrar.
 
* Vereador na Câmara Municpal de Évora, António Costa da Silva
Modificado em terça, 17 dezembro 2019 15:56