terça, 19 março 2019

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Escrito por segunda, 11 março 2019 15:09
Nunca foi mãe, é certo. A natureza assim não quis. Mas é preciso ser-se biologicamente mãe para se ser efectivamente mãe? Não! Está mais que provado que não! Muitas das vezes mãe não é quem tem, é quem cuida e cria. Sempre ouvi este termo e ao longo da minha vida, pessoal e profissional, tenho verificado e confirmado a veracidade da mesma. O meu texto de hoje volta a incidir numa perspectiva muito pessoal e familiar e tem precisamente a ver com estas relações em que o sangue “não passa” pelo coração.
 
Durante quase quarenta anos a minha sogra conseguiu ser MÃE mesmo não o sendo biologicamente. Há quase quarenta anos, quando se casou com o meu sogro, assumiu a responsabilidade de cuidar dele, dos filhos dele, entrando na sua vida sem condições ou restrições mesmo sabendo das eventuais dificuldades e tendo também a noção de que, a partir daí nada seria como dantes. Ela pegou numa criança de 8 anos que não lhe era absolutamente nada e amou-a com todas as suas energias, deu-lhe o carinho de uma verdadeira mãe, enxugou-lhe as lágrimas, curou-lhe as feridas, tratou-a, ensinou-a, partilhou alegrias com ela, deu-lhe muitas vivências que certamente não mais serão esquecidas, aliviou-lhe as tristezas, deu-lhe colo, transmitiu-lhe sabedoria, ensinou-lhe que nem tudo é um mar de rosas, abriu-lhe portas e encaminhou-a para a vida. Durante quase quarenta anos a minha sogra transmitiu valores de excelência que ficaram enraizados nos corações dos seus “filhos”. Sim porque foram muitos os “filhos” que tiveram a sorte de serem guiados pelos seus ensinamentos e pela sua experiência, não foi só a minha mulher, foram todos os seus sobrinhos e até os meus filhos os que foram bafejados pela sorte de serem criados por ela. Para se ter esta capacidade de amar tanta gente, é preciso ter-se um enorme coração, e a “Ti Bia”, mesmo com o seu feitio por vezes difícil, sempre o teve. Conseguiu sempre com sagacidade, persuasão e empenho ajudar os seus mais próximos, e os mais próximos dela nos últimos, quase, dezassete anos foram, primeiro a Mariana, depois a Matilde e mais tarde ainda o Miguel. Os meus filhos foram, efectivamente, criados por ela, até aos três anos qualquer um deles passou os dias e algumas vezes as noites na sua casa. O apoio diário à nossa família foi imprescindível ao nosso próprio equilíbrio, aliás, tenho a certeza que nada seria igual na educação dos meus filhos se não houvesse uma “Ti Bia” que carinhosamente tratou os seus netinhos com alegria, entusiasmo, responsabilidade e essencialmente com amor.
 
A partir de agora tudo será diferente, o Miguel não mais irá ao parque com a avó, a Matilde não mais a ajudará a fazer experiências culinárias ou a coser, a Mariana não mais lhe ligará a perguntar o que tem para o almoço nem lhe pedirá para coser os distintivos da farda dos escuteiros. Nenhum dos três voltará a ir dormir à da avó nem a ir, com ela, semana após semana ao mercado de sábado aqui por Estremoz.
 

Mulher simples, trabalhadora, multifacetada e excelente dona de casa, a “Ti Bia” viverá agora numa outra dimensão que não a nossa, onde estiver olhará certamente por todos nós, ainda assim manter-se-á sempre connosco até ao último sopro de vida de cada um de nós.

Mulher simples, trabalhadora, multifacetada e excelente dona de casa, a “Ti Bia” viverá agora numa outra dimensão que não a nossa, onde estiver olhará certamente por todos nós, ainda assim manter-se-á sempre connosco até ao último sopro de vida de cada um de nós. Quem sabe um dia não nos voltemos a reencontrar todos para relembrarmos esta vida terrena e recordarmos todos os momentos, todas as partilhas, todas as angústias, todas as alegrias e voltarmos a sentir a felicidade desse mesmo reencontro e celebrarmos a partilha de um novo sorriso e de uma troca de olhares com esses bonitos olhos azuis.
 
Estou certo que muitas famílias terão uma “Ti Bia” e com certeza estarão também agradecidos pelo que eventualmente lhes terá dado, mas hoje, aqui a “Ti Bia” de que falo é a minha, aquela minha sogra que viveu para si e mais para os outros, aquela que pautou a sua vida pela humildade e honestidade, aquela que ajudou com entusiasmo e sem nada querer em troca todos os que dela necessitaram e a solicitaram. Ninguém tira férias da família, por muito que, eventualmente, se ouse pensar nisso. Seguramente a “Ti Bia” nunca o fez, viveu ininterruptamente para a sua família, sempre preocupada e alerta com tudo o que se ia passando ao seu redor, com o seu marido e os seus “filhos” e netos.
 
Quando se perde um ente querido a vida dá-nos um estalo com tal força que ficamos de certa forma atordoados, mesmo quando menos esperamos. É um estalo para nos acordar e verificarmos que todas as pequenas quezílias, as preocupações sem sentido ou os “problemazinhos” não interessam mesmo nada… nada importa nesta altura. Só o que a maioria das pessoas ainda não conseguiu foi que esse estalo os acorde para sempre… mais dia, menos dia quase todos voltaremos a preocupar-nos com pequenas coisas que não têm a mínima importância, voltaremos a ser intransigentes com determinadas situações, voltaremos a exigir demais dos outros sem nos olharmos ao espelho, voltaremos a esquecer-nos que existe o outro e que esse outro pode ter necessidades de diversos níveis.
 
Ultimamente, sem saber porquê, cada vez que entro no espaço de um velório penso “Quem será o próximo que virei velar?” ou “Será que é a vez de alguém me velar a mim?”. Imagino muitas vezes se já terá chegado a minha meia vida ou se eventualmente essa meia vida já passou. Se querem que vos diga não gosto muito de pensar nisto mas no nosso cérebro há milhões de coisas que ainda não conseguimos controlar, e esta é uma delas. Não sei se é da idade… não creio que seja, até porque com quase quarenta e cinco anos não me sinto minimamente “velho” para pensar em assuntos desta natureza, não sei sequer se a idade terá algo a ver com isto, não me parece, mesmo. O que é certo é que, cada vez com mais frequência tenho ido a velórios. 
 
Quando nos acontece perder alguém mais próximo parece que tudo o que gira à nossa volta pára e, por estes dias é tudo isto que nos está a acontecer.
 
Ninguém gosta de ver os nossos sofrer e se há dor que não conseguimos sequer minimizar é a dor de perder alguém chegado. Quando vejo os meus filhos chorar desalmadamente ao saberem da irreparável perda da sua avó, ao verificarem que o contacto diário com uma das suas “mães” não mais irá acontecer, não há muito a fazer a não ser tentar acalmar os seus corações e fazê-los ver a importância de tudo o que aprenderam e viveram com ela e de todos os momentos por que passaram em conjunto. Vê-los assim foi para mim muito difícil, o meu próprio coração ficou completamente partido com o sofrimento deles.  
 
Este texto é uma homenagem a essa mãe que não o foi mas que foi uma grande MÃE. Conheci-a há cerca de 25 anos e este tempo de convívio, que nem sempre foi perfeito (nenhuma relação o é), foi um tempo de grande aprendizagem, felizmente com mais bons momentos do que aqueles que nos “aborreceram”. Tanto que eu “ralhei” consigo “Ti Bia” por insistir em dar guloseimas aos meus filhos, para agora querer que lhos dê. Sabe o que lhe digo… ainda bem que lhas deu, foram essas guloseimas que fizeram deles os doces que são.
 
Obrigado “Ti Bia” por ter sido para nós mais do que uma mãe… obrigado pelos acepipes maravilhosos (que deixarão muitas saudades!!)… obrigado pela ajuda em tudo e mais alguma coisa… obrigado pelos conselhos práticos que mais não eram do que o fruto das suas experiências… obrigado pela defesa intransigente da sua/nossa família… obrigado por ter amado a minha mulher e os meus filhos com toda a força que sempre demonstrou… obrigado pelas fantásticas experiências de vida que lhes proporcionou, pela educação que lhes deu, pela cumplicidade entre vós, por todo o vosso incondicional amor.
 
Dizem que as homenagens deveriam sempre ser feitas em vida, na realidade partilho dessa opinião, mas neste caso específico o tempo não me deixou fazê-lo, houve um coração que parou quando menos esperávamos. Na verdade nunca se espera ver partir alguém para sempre e muito menos da forma como sucedeu. Cada vez estou mais convicto que deve ser diário o reconhecimento, se tivermos que dizer algo, que seja hoje porque pode mesmo não haver amanhã.
 
Obrigado “Ti Bia”… por tudo!!
 
Até um dia!               
 
* Professor Luís Parente

Um Exemplo chamado Bruno Lage

Escrito por quinta, 28 fevereiro 2019 09:10
Há situações que nos fazem acreditar que a competência, o saber, a experiência e a coragem, ainda valem a pena. Num país onde cada vez mais são os primos, os amigos, os filhos, os maridos e as mulheres deste ou daquele que têm as oportunidades, Bruno Lage é uma "lufada de ar fresco" e o exemplo que faz hoje em dia muitas pessoas acreditarem que o trabalho e a entrega valem sempre a pena.
 
Não sei o que lhe irá acontecer. Não sei quanto tempo durará este estado de graça que vive agora o treinador do Benfica. Sábado, Lage tem um teste muito duro às suas capacidades e às capacidades da sua equipa. Qualquer que seja o resultado, não acredito que a empatia que vive com os adeptos e a direção mude, pois ele já mostrou trabalho e muito conhecimento. 
 

Bruno Lage é também o exemplo de alguém a quem a vida deu uma oportunidade e que tudo fez para a agarrar. Começando por ser a prazo, Lage sabia que tinha pouco tempo para mostrar o que valia para que a direção acreditasse que afinal tinha a solução mais perto do que pensaria. Mexeu logo no sistema de jogo e arriscou, sabendo que teria pouco a perder e muito a ganhar. Confiou nas suas capacidades, mostrou conhecimento alargado sobre o plantel que tem à sua disposição e ganhou.

 
Para já, fez com que nas conferências de imprensa, antes e depois de cada jogo do Benfica, se fale de futebol. Chuta, com muita cordialidade, as polémicas para canto e diz muitas vezes que é nos treinos que se preparam os jogos. Parece isto estranho, não é? Parece estranho quando estamos habituados a ouvir simplesmente que "cá estamos para trabalhar muito e para conseguirmos os nossos objetivos" ou também um apenas "queremos a vitória e tudo faremos para a conquistar". Isso é o normal. Ouvirmos estas respostas por parte de um treiandor antes de um jogo, é o normal. Lage, a tudo isto, acrescentou "vamos estudar o adversário, perceber como joga" ou também "vamos ter de pressionar alto, para conquistar a bola ainda no meio-campo ofensivo", ou ainda "somos fiéis à nossa maneira de jogar, mas se tivemos de mudar durante um jogo devido ao jogo do adversário, para outro sistema, mudaremos sem problemas e tenho na equipa jogadores para isso". Depois dos jogos, Lage mostra sempre um enorme respeito pelo adversário e analisa o jogo sem qualquer tipo de fuga para o politicamente correto : "Os jogadores corresponderam. Trabalhamos desde o primeiro dia um determinado posicionamento e vamos testando no treino. O Samaris já tinha jogado a central, as coisas foram ajustadas e correram bem nesse capítulo. Tivemos sempre uma transição forte dos homens da frente mas estivemos sempre equilibrados, com o Florentino, o Samaris e o Gabriel." Isto é falar de futebol. 
 
Bruno Lage é também o exemplo de alguém a quem a vida deu uma oportunidade e que tudo fez para a agarrar. Começando por ser a prazo, Lage sabia que tinha pouco tempo para mostrar o que valia para que a direção acreditasse que afinal tinha a solução mais perto do que pensaria. Mexeu logo no sistema de jogo e arriscou, sabendo que teria pouco a perder e muito a ganhar. Confiou nas suas capacidades, mostrou conhecimento alargado sobre o plantel que tem à sua disposição e ganhou. Bruno Lage pegou na equipa do Benfica em 4º lugar e a sete pontos da liderança, com uma visita a Guimarães para a Taça de Portugal e depois de um percurso muito cinzento na Europa. Quase dois meses depois, e no dia em que escrevo estas linhas, o Benfica está a um ponto do primeiro lugar, está nas meias-finais da Taça de Portugal com uma pequena vantagem sobre o Sporting, onde está tudo em aberto, e está nos oitavos da Liga Europa, depois de ter passado com distinção um perigoso Galatasaray, colocando mesmo a jogar na Turquia seis jovens "fabricados" no Seixal. Só não é uma caminhada perfeita, porque perdeu a meia-final da Taça da Liga, perante o Porto, num jogo em que a vitória poderia perfeitamente ter caído para qualquer um dos lados. 

Assim, é precisamente o Porto que Lage vai voltar a encontrar no próximo sábado. É um verdadeiro teste para Bruno Lage, mas é também um teste para os jogadores do Benfica. É também um teste para os adeptos, em caso de derrota. Se foi apenas com o Porto que Lage perdeu, terá isso bem presente na preparação do jogo e da sua equipa. Será um Benfica muito motivado aquele que aparecerá no Dragão, onde estará um Porto avisado para este "novo" Benfica. Este será um jogo que valerá mais do que três pontos e determinante para as contas do título. Um título, que parecia estar entregue em janeiro deste ano, mas que Bruno Lage e a sua equipa agora percebem que podem ainda alcançar. Além de avisados, os portistas estarão também muito motivados e, à imagem do seu treinador, deixarão tudo em campo e quererão ficar com os três pontos. Um empate deixará o Porto ainda em primeiro, mas à mercê de um futuro deslize que poderá ser fatal. 
 
Aconteça o que acontecer nos onze jogos que faltam para o final do campeonato, é já notável o trabalho que Bruno Lage fez à frente desta equipa do Benfica. Antes deste treinador chegar, o Benfica era uma equipa triste, sem soluções e dependente de inspirações momentâneas dos seus craques. Hoje, o Benfica, é uma equipa que pressiona alto, que ocupa bem os espaços no campo, que na frente faz os seus jogadores alterarem as posições para confundir as marcações, que aproveita as fragilidades dos adversários e que transforma dificuldades em oportunidades. Aconteça o que acontecer, para Lage, para o Benfica e para os benfiquistas, já valeu bem a pena.
 
* Jornalista José Lameiras
 
 

Dá para voltar aos anos 80?

Escrito por terça, 19 fevereiro 2019 01:41
Talvez nos dias de hoje se tenha perdido a noção do ridículo e, fundamentalmente, do bom senso, vejam-se por exemplo os gastos astronómicos, autênticas fortunas, unicamente para, por exemplo, aumentar audiências televisivas. Já vale quase tudo. A este respeito, quando a caixa de Pandora se abriu em Portugal com o aparecimento do “Big Brother” poucos acreditariam que se chegasse ao ponto a que se chegou neste momento, desde pessoas a testarem os seus limites físicos e psicológicos, a lutarem por posições empresariais, por empregos ou a fazerem os maiores disparates pondo, muitas das vezes as próprias vidas em perigo. Só em Portugal já passaram uma boa quantidade de reality shows. Recorri à internet e destaco, naturalmente, o já mencionado “Big Brother”, o “Masterplan”, Survivor”, “Quinta dos Famosos”, “Acorrentados”, “Bar da TV”, “Confiança Cega”, “Peso Pesado”, “Ilha da Tentação”, “Casa dos Segredos”, “Supernanny”, “Masterchef”, “Love on Top”, “Casamentos à Primeira Vista” ou “Pesadelo na Cozinha”, entre outros. Nos Estados Unidos então são para cima de duzentos, o “Shark Tank”, “Face Off”, “The Apprentice”, “Jackass”, “Botched”… enfim uma panóplia de programas disparatados que pululam nas nossas televisões e que continuam, infelizmente, a cultivar a ignorância nos nossos jovens, fazendo crer que a vida é da forma como nos fazem crer que é sem sequer se ter o cuidado de efectuar o trabalho de desconstrução da falsa realidade. As pessoas consomem o que lhes apresentam e infelizmente a maioria não consegue perceber que não vivemos num mundo superficial, a realidade é muito mais cruel do que a que nos apresentam. Ainda assim os reality shows de cariz musical ou os de artes culinárias serão, no meu entender, os mais lúdicos. Se alguns provocam em nós o espírito empreendedor, outros mais não são do que autênticas aberrações tal a falta de educação e ética. Muitos destes programas são anteriores ao “boom” das redes sociais (que já não é assim tão grande) mas é minha convicção que com o exponencial crescimento destas os próprios reality shows se conseguiram adaptar, para o bem e para o mal. Existe, quanto a mim, um elo de ligação comum a todos estes programas, esse elo chama-se exploração de sentimentos, hoje em dia recorre-se a esta exploração sem haver preocupação com o indivíduo, com o que pode suceder a seguir, com as consequências dessa mesma exploração. Perdeu-se a noção de humanidade e sobriedade, parece que se vive ébrio na ânsia de se mostrar ao mundo algo que devia ser pessoal, particular. As redes sociais têm muita força no que a, também, este assunto diz respeito, a sua influência é enorme. Vejamos outro exemplo, aquele que se passou com as eleições presidenciais norte americanas de 2016 ou mais recentemente com as eleições no Brasil onde o recém empossado presidente fez grande parte da sua campanha eleitoral praticamente sem sair de casa recorrendo, para o efeito, precisamente às redes sociais. Isto só para focar a sua influência no plano político porque na vida das pessoas, a mesma revela-se gigantesca, quer seja positiva ou negativamente. Na realidade a utilização das redes sociais tem algumas vantagens, desde logo a comunicação mais fácil e rápida entre as pessoas, o acesso à informação, a partilha de ideias e ideais, imagens, momentos, o reencontro com pessoas que, por imperativos da vida de cada um, deixaram de se encontrar ou se ver. Quantas vezes não vimos ou ouvimos já dizer que alguém encontrou no Facebook ou no Instagram um colega ou amigo de escola do qual não sabia há anos? Haverá poucas pessoas a quem isso não tenha acontecido.
 
 

 Cada vez mais penso que a forma como concebo a utilização das redes sociais não se coaduna com os dias estranhos (muito estranhos!!) em que o mundo vive. Para mim as redes sociais servem para a diversão, para o sorriso, para o conhecimento, para a alegria, de forma a conseguir equilibradamente partilhar aquilo que quero com quem quero mas sempre “na desportiva”… isso de destilar veneno não é para mim.

Na realidade todo o mundo da Internet alterou o outro mundo, aquele que nós, das gerações de 60, 70, 80 do século XX conhecíamos. O mundo evoluiu, é certo, mas não quer dizer que tenha evoluído de forma totalmente positiva. Quanto a mim, com o decorrer dos anos, foi-se perdendo o essencial e imprescindível equilíbrio tão necessário a toda e qualquer acção das nossas vidas. O radicalismo em muitos aspectos da sociedade tem ganho terreno de forma muito preocupante. Esta coisa do tudo ou nada continua a ser, para mim, difícil de compreender e interiorizar. Agora tudo tem que ser para ontem, hoje em dia os afectos são quase que informáticos, a coragem está nas palavras que se escrevem e não nas atitudes que se tomam. Essa mesma coragem que se demonstra nas redes sociais não é transposta para a realidade, as pessoas refugiam-se atrás do ecrã do seu computador ou do smartphone para, não raras vezes, proferirem impropérios ou ofensas que, cara a cara não conseguiriam nunca fazer. Aliás, já Umberto Eco dizia criticamente sobre as novas tecnologias que as redes sociais dão direito à palavra a uma “legião de imbecis”, o que é certo é que hoje toda a gente conjectura e tem uma opinião sobre tudo e mais alguma coisa. As pessoas deixaram de saber esperar, querem tudo no imediato… a exposição pública é de tal forma elevada que a privacidade quase que deixou de existir (nós também o permitimos, consciente ou inconscientemente, ao aceitarmos, concordarmos e ignorarmos as políticas de privacidade dos sites)… o sucesso é baseado no número de likes, de amigos, seguidores ou leitores… a estatística serve para tudo… os telefones são inteligentes, têm aplicações que servem para tudo, servem, imagine-se, até para telefonar (aparentemente o menos importante nos dias em que vivemos). Reconheço que muitas das inovações têm revolucionado o nosso mundo. O campo da medicina é paradigmático nesse sentido e a evolução tem sido muito significativa. Sim, é verdade, as tecnologias quando utilizadas para o bem são, de facto, fantásticas e ajudam muito. No entanto o que tem que ser também considerada é a falência e a incapacidade para controlar e minimizar até, pelo menos, tornar residual a parte maléfica da tecnologia. Esse é o grande desafio mas também a grande dificuldade dos dias de hoje. Agora existem “Youtubers”, os “Youtubers” são pessoas que conseguem fazer vida (alguns) do número de visualizações das suas páginas ou vídeos publicados na Internet. Muitos destes “Youtubers” são denominados também de “Influencers”, mais não são do que pessoas que publicam conteúdos sobre certos e determinados temas em que são ou se tornaram especialistas (muitos no absurdo!!) e conseguem ter milhões de visualizações e seguidores. Quando isso acontece são as próprias marcas com nome no mercado que se associam a essas pessoas tal não é a influência que existe sobre os tais seguidores. No fundo são uma espécie de influenciadores de decisões, de comportamentos e opiniões que com a valorização das suas próprias opiniões conseguem impor as suas ideias a outros.
 
De facto não me preocupa a forma como eles conseguem fazer daquilo vida, preocupa-me sim aquilo que é publicado e consumido pelos nossos jovens e adolescentes quando não existem quaisquer filtros que impeçam a visualização de conteúdos impróprios e inadequados às suas faixas etárias. Ainda que existam mil e uma aplicações de controlo parental, o que é certo é que há outras tantas que fazem o trabalho inverso.
 
A minha preocupação com isto das redes sociais tem vindo, de certa forma, a crescer. A propagação de notícias falsas, de boatos, a destruição de vidas, a difamação, a criação de falsos perfis com objectivos, no mínimo, estranhos, a proliferação dos mais diversos crimes informáticos, a desinformação e o seguidismo são o que mais me preocupa. Cada vez mais penso que a forma como concebo a utilização das redes sociais não se coaduna com os dias estranhos (muito estranhos!!) em que o mundo vive. Para mim as redes sociais servem para a diversão, para o sorriso, para o conhecimento, para a alegria, de forma a conseguir equilibradamente partilhar aquilo que quero com quem quero mas sempre “na desportiva”… isso de destilar veneno não é para mim. Dada a conjuntura actual do nosso mundo chego a pensar, com algum saudosismo é verdade, na inocência dos anos oitenta, sem internet, sem redes sociais de âmbito informático, sim porque as redes sociais da altura eram as da rua, do jogo da bola, dos amigos de infância. Será que não dá para voltar aos anos 80? Pois… não é possível! Aguentemo-nos, equilibradamente, com o que temos mas sempre sem que algo ou alguém nos subjugue a liberdade do pensamento e dos ideais e nos influencie no que quer que seja… Difícil, não é? 
 
* Professor Luís Parente

O setor da Pedra Natural tem de ser ajudado

Escrito por terça, 19 fevereiro 2019 01:36
Num trabalho coordenado pela IGAMAOT (Inspeção-Geral da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território) foram identificadas 191 pedreiras (13% do total de 1427) cujo licenciamento depende do Estado Central, em situação crítica. Das 191 pedreiras, 34 encontram-se situação de maior risco.
 
Em causa está o "Plano de Intervenção nas Pedreiras em Situação Crítica", decretado pelo Ministério do Ambiente após o acidente na pedreira de Borba, onde morreram cinco pessoas. De acordo com os dados, divulgados por um órgão de comunicação social nacional, das pedreiras em situação crítica, 77 situam-se no Norte, 32 no Centro, 24 em Lisboa e Vale do Tejo, 55 no Alentejo e três no Algarve.
 
No que respeita às 34 pedreiras alvo de ação prioritária, o Governo estima um valor de 14 milhões de euros, o qual deverá ser suportado pelos privados, não incluindo obras que sejam necessárias.
 
É verdade que foi efetuada uma avaliação de forma muito rápida. Este aspeto deve ser realçado. No entanto, deve ser colocada a questão porque é que estes trabalhos só ocorrem depois de acontecerem tragédias de grande dimensão? 
 
Quando colocada a questão ao Sr. Ministro do Ambiente sobre o que pretende fazer, agora que se conhecem estes resultados, a reposta é demasiado ambígua. Não são dados quaisquer esclarecimentos!
 
Como já referi, esta avaliação é muito Importante. Contudo, com o desenvolvimento deste processo, foi criado um grave problema para os empresários detentores de pedreiras: está criado um ambiente de que “todas” as pedreiras apresentam um risco extremamente elevado. Uma mensagem errada que têm que ser rapidamente corrigida!
 
Em reunião recente que tive com empresários do setor do mármore, foi-me relatado que estão a encontrar fortes entraves em obter financiamentos bancários para a concretização dos seus investimentos. Mesmo em matérias tão simples como a obtenção de garantias bancárias (obrigatórias nos processos de licenciamento), também as dificuldades são enormes. 
 
A imagem de que a sua atividade é considerada de alto risco e que podem não estar a cumprir as regras exigidas pela Lei, tem aumentado o nível de desconfiança por parte do setor financeiro.
 
Um setor que tem atravessado vários anos de turbulência económica, nomeadamente duas guerras no Golfo Pérsico (mercado tradicional dos Mármores alentejanos) e vários anos de crise em Portugal, não vai conseguir sobreviver a novas ameaças.
 
Dificilmente conseguirá suportar os custos das exigências que lhe vão ser colocadas, a não ser que seja criada uma linha de apoio especificamente para ajudar o setor.
 
Esta deve ser uma exigência regional. Não podemos esquecer que este setor tem sido fundamental para a região. Não ajudar o setor da extração da pedra natural, significa empobrecer ainda mais o Alentejo. 
 
Não podemos aceitar!
 
* Deputado António Costa da Silva

Maravilhas da vida

Escrito por sexta, 08 fevereiro 2019 12:50
Envelhecer é, para muitos, sinónimo de decadência, de perda de aptidões e competências, de isolamento e de um sentimento de impotência perante o sinal de que o fim de tudo se aproxima a passos largos.
 
Perante esta constatação, muitos dos nossos idosos se conformam e se deixam absorver por este tipo de sentimentos, não aproveitando da melhor forma aqueles que realmente poderiam ser os melhores anos das suas vidas.
 
Quando somos crianças, de tenra idade, todos aspiramos ser mais velhos. Os rapazes rapam incessantemente os poucos pelos da cara, ansiando pela barba que nunca mais aparece. As meninas miram-se ao espelho, na expetativa de que o peito seja muito maior do que aquilo que realmente é. Todos desejam ter mais e mais anos, para que possam ser finalmente adultos.
 
Chegada a maturidade é tempo de desejar um bom curso, um trabalho ainda melhor, um companheiro ou companheira para a vida e, depois disso, um ou mais filhos. A seguir é vê-los crescer e passar pelos mesmos anseios e aspirações, na expetativa que a vida nos traga os netos.
 

Com todas elas tenho aprendido muito nestes últimos anos, em especial que a vida é dar e receber. Acima de tudo, a lição que estas Senhoras me transmitem todos os dias é que nunca é tarde para vivermos e concretizarmos os nossos sonhos. Nunca é tarde para prolongar e perpetuar a nossa breve passagem pelo Mundo. Nunca nos devemos conformar com o que temos, mesmo quando nos parece que temos muito.

Por esta altura já queremos que a vida abrande o seu ritmo e nos dê mais algum tempo. Mas não é assim. A vida não para e o tempo também não, parecendo cada vez haver menos tempo e paciência para tudo. 
 
Depois dos netos, muita gente se resigna a tudo o que já passou e, apesar de aparentemente haver muito tempo, nunca se consegue tempo para nada. E aí começa a decadência dos dias, das noites e da vida.
 
Contudo e apesar de nem sempre ser fácil, há quem não se contente e opte por ter ainda mais do que aquilo que já teve, garantindo assim um envelhecimento ativo e saudável, com muito mais qualidade de vida.
 
No passado fim-de-semana todos assistimos no Teatro Bernardim Ribeiro à prova de que é possível dar mais vida aos anos e aproveitar, mesmo quando já nos parece impossível, tudo aquilo que ainda podemos viver.
 
A “Maravilha de Revista”, levada a palco pelo grupo da Academia Sénior de Estremoz, é, acima de tudo, uma homenagem à vida. À vida que todos vivemos e àquela que ainda podemos viver. Uma força da natureza que nos transporta, ao longo de duas horas e meia, pelo universo dos nossos sonhos de meninos e pelas nossas esperanças de um futuro que todos desejamos ter. Há cantigas e rábulas que povoam o imaginário e a memória de todos, misturadas com momentos de boa disposição, apimentados com situações da vida real e muita crítica social aos tempos antigos e modernos. Uma verdadeira maravilha!
 
Tenho a honra e o privilégio de privar com esta “dúzia de velhas” (que por acaso até são treze) que, de forma inesperada surgiram na minha vida, muito graças ao facto de a sua encenadora e professora partilhar comigo a sua existência. 
 
Ao longo do processo criativo da “Maravilha de Revista” assisti a muitos ensaios, ouvi em casa, vezes sem conta, a “Avé Maria” e “Amar pelos Dois” até já não dar mais e testemunhei a fantástica evolução e o cunho pessoal que cada uma delas dava aos textos previamente definidos. Estava muito longe de imaginar o resultado final e que a letra que escrevi para a versão estremocense de New York, New York se traduzisse no final apoteótico que todos pudemos vivenciar. Uma experiência extraordinária que me fez ficar com lágrimas nos olhos do início ao fim! Como é bom ver crescer os sonhos das pessoas a quem desejamos o melhor. 
 
A minha Marisa é, também ela, uma força inspiradora da natureza. Sei que tudo o que faz é com o coração e com o único objetivo de proporcionar às suas meninas o melhor da vida. É um grande exemplo para mim e representa tudo aquilo que desejo que a nossa filha um dia venha a ser. No caso concreto do Grupo da Revista, bem como em outras disciplinas que tão bem leciona na Academia Sénior de Estremoz, sei que ela é um extraordinário apoio para as suas “velhotas” e que também elas são uma peça fundamental na sua e nas nossas vidas. A cumplicidade entre elas é notória em todos os momentos e sei que todas elas acabam por se completar umas às outras. Excecionais exemplos de vida e de saber viver.
 
Com todas elas tenho aprendido muito nestes últimos anos, em especial que a vida é dar e receber. Acima de tudo, a lição que estas Senhoras me transmitem todos os dias é que nunca é tarde para vivermos e concretizarmos os nossos sonhos. Nunca é tarde para prolongar e perpetuar a nossa breve passagem pelo Mundo. Nunca nos devemos conformar com o que temos, mesmo quando nos parece que temos muito. Nunca é tarde demais para começar a viver e a proporcionar aos outros grandes e maravilhosos momentos de alegria.
 
Espero, muito sinceramente, que um dia, quando já for velhinho e tudo pareça já não fazer sentido, que surja alguém como a minha Mulher e como esta “dúzia de velhas” e me consigam também manter bem acordado para todas as maravilhas da vida.
 
* Arquiteto Paisagista António Serrano
 

A propaganda de má memória

Escrito por sexta, 11 janeiro 2019 15:18
O Sr. Primeiro-Ministro, António Costa, participou recentemente em Évora, numa cerimónia no Hospital do Espírito Santo de Évora, num concurso aberto pela Alentejo 2020 – Programa Operacional Regional do Alentejo com um único destinatário, que é a entidade de saúde competente, a ARS (Administração Regional de Saúde do Alentejo) para o financiamento do Hospital Central do Alentejo.
 
O aviso tem uma dotação de 40 milhões de euros.
 
Note-se bem:
1 – Nesta cerimónia não estamos a falar do concurso de lançamento da obra. Não estamos a falar de qualquer fase do projeto. Estamos a falar sim de um Aviso aberto pelos fundos para que a ARS se possa candidatar. 
É o chamado “número” político em ano eleitoral.
 
2 – Estamos a falar de 40 milhões de euros para uma obra que ronda os 175 milhões (sem contar com infraestruturas envolventes e respetivas indemnizações).
 
3 – Se é para uma parte do projeto, de onde vem o restante financiamento? Se é para uma parte do projeto, do que é que estamos concretamente a falar? 
Não se sabe!
Aliás, foi criado um Grupo de Trabalho que já deveria ter apresentado este tipo de informações e ainda não temos quaisquer esclarecimentos sobre o trabalho desenvolvido.
 

A propaganda é esmagadora, fazem cerimónias até para lançar avisos dos fundos comunitários. Ao que chegamos!

A propaganda é esmagadora, fazem cerimónias até para lançar avisos dos fundos comunitários. Ao que chegamos!
 
Triste é, no dia anterior da cerimónia da propaganda, andarem a internar doentes à pressa, para que não se note o caos nas urgências do hospital.
 
Espero bem que o Sr. Primeiro-Ministro, António Costa, aproveite a sua visita a Évora e passe pelo Hospital do Patrocínio, e verifique a situação em que se encontra o elevador principal daquele hospital, que está avariado há mais de um mês e que não tem sido arranjado por falta de dinheiro. Mas muitos exemplos poderiam ser dados!
 
E assim lá vamos andando, um governo que engana descaradamente os portugueses, sem verdadeiramente se preocupar com eles.
 
Apesar de tudo, espero bem que seja desta!
 
* Deputado António Costa da Silva

Vamos à escrita?

Escrito por quarta, 02 janeiro 2019 19:19
Um ano e meio se passou sem que tivesse escrito uma única palavra para o “Ardina do Alentejo”. Dezoito meses de “zanga” com a escrita. Poder-me-ão perguntar porquê mas a minha resposta é simples… não faço a mínima ideia, não sei porquê, sinceramente! O meu vigésimo sétimo texto para o “Ardina” nasce hoje, curiosamente no vigésimo sétimo dia do mês de Dezembro de 2018, para já, e enquanto o escrevo não imagino sequer que título lhe hei-de dar, quem sabe no final chegue a alguma conclusão.
 
Talvez esteja na altura de “degustar” as letras, as sílabas, as palavras como outrora. Talvez seja agora o reinício de uma “vida” que temporariamente esteve interrompida sei lá por que motivos.
 
Apesar de “ausente” fui sempre acompanhando a evolução mais do que positiva do “Ardina”, fruto da visão futurista do Pedro Soeiro, que é o rosto mais visível deste projecto, mas também do Ivo Moreira que também tem trabalhado intensamente no site. A eles uma especial e pública saudação pelo trabalho e dinamismo desenvolvido até aqui. É também por isto que ainda hoje me continuo a sentir honrado por fazer parte desta pequena/grande equipa.
 
“Ano novo, vida nova” não é o que recorrentemente se diz, ano após ano normalmente no final de cada ciclo de doze meses? Pois para mim será ano novo, hábitos antigos, pelo menos no que à escrita diz respeito, é claro.
 
Durante estes dezoito meses de interregno muitas alterações surgiram no mundo e na vida de quase toda a gente, e na minha não foi, efectivamente, diferente. Na realidade, e sem querer estar a fazer-me de vítima do que quer que seja, foi um tempo, de certa forma, complicado para mim mas o que é certo é que saí dessa fase muito mais forte e com uma capacidade de regeneração e aprendizagem muito maior.
 

 Durante estes dezoito meses de interregno muitas alterações surgiram no mundo e na vida de quase toda a gente, e na minha não foi, efectivamente, diferente. Na realidade, e sem querer estar a fazer-me de vítima do que quer que seja, foi um tempo, de certa forma, complicado para mim mas o que é certo é que saí dessa fase muito mais forte e com uma capacidade de regeneração e aprendizagem muito maior.

Em dezoito meses vivi várias vidas, desde logo, e naturalmente, a minha, mas vivi com muito mais intensidade, fruto de inúmeras contingências e acontecimentos, a vida de outras pessoas. No fundo vivi de perto com a injustiça, com a impotência e com a incapacidade de resolução célere de problemas de saúde de familiares muito próximos. A este propósito continua a irritar-me o facto desses mesmos problemas andarem sempre muito mais velozes do que as soluções mas contra isso é mesmo muito difícil dar a volta. No entanto, durante este espaço temporal, também vivi lado a lado com a força, com a capacidade criativa, com a persistência, com a solidariedade, com o apoio, com a amizade, com a resiliência e com a efectiva noção de realidade, realidade essa que, a determinado momento, resolveu “dar-me um estalo” para me acordar de forma a conseguir relembrar-me que nós, humanos, não somos senão pó.
 
De facto vivi neste ano e meio em dois estádios diferentes, ou duas estações, como preferirem, uma espécie de estação do bem e outra do mal. Se calhar até vivemos sempre com elas mas nesta altura senti-as mais nitidamente e com mais intensidade na minha vida. Existiam fronteiras nessas estações, ainda assim elas não só se cruzavam mas se interligavam e muitas das vezes se tentavam fundir. No entanto, quando isso aconteceu tive o discernimento e a felicidade de, em conjunto com a família e os amigos, conseguir ter a capacidade de delimitar de novo essas fronteiras para que um estádio não se sobrepusesse ou condicionasse o outro, mantendo dessa forma o necessário e natural equilíbrio. Essa superação foi realizada com muito esforço e foi muito difícil, mas aconteceu “cá dentro”, e acontece sempre quando transformamos a descarga das energias negativas em sorrisos e amor. Não que o amor não exista quando a lágrima escorre pelo rosto… não que o amor não exista quando lutamos contra adversidades… ele existe e existirá sempre em ambas as situações, na alegria e na tristeza. Uma coisa é certa, em ambas as estações de que falei consegui tirar ensinamentos e experiências de vida que me fizeram chegar de novo até aqui, à ponta desta caneta BIC que suja de novo o papel branco (sim continuo a preferir a escrita manual à electrónica!). Agora me apercebo que a fluidez com que essa tinta “escorre” no papel me trouxe a uma espécie de balanço dos meses em que estive ausente, logo eu que não sou nada apreciador de balanços. Na verdade a vida é para ser vivida de acordo com o rumo que a própria vida tomar, baseado ou não nas opções e nas escolhas que vão surgindo, sem balanços, sem previsões… com expectativas sim, com ambições também, mas sempre vivendo o presente, retendo aprendizagens passadas e aguardando o porvir que a sorte trouxer.
 
Ainda que continue a não me considerar nenhum expert para escrever sobre tudo e mais alguma coisa, continuarei a revelar os traços da minha identidade, a minha forma de pensar e ver o mundo e a vida e, mesmo passados dezoito meses, regresso com igual entusiasmo e com a mesma vontade de escrever um pouco sobre esse mundo, um pouco sobre essa vida e até mesmo um pouco sobre mim. Assim os leitores tenham paciência para ler os meus, por vezes, extensos textos. Passado ano e meio regresso com a mesma expectativa e ambição e espero, naturalmente, pelo futuro na ponta da minha BIC. Vamos à escrita? (Olha… encontrei o título!). 
 
* Professor Luís Parente

Tempo para Viver

Escrito por sexta, 21 dezembro 2018 21:16

O Natal e o final do ano, porque são sempre tempos de reflexão, mas também de partilha, devem servir também para analisarmos a forma como estamos a viver e a real importância que damos às coisas. Se olharmos para trás, percebemos que muita coisa aconteceu em pouco tempo. Um ano, é pouco tempo, se fizermos questão de viver.

Acontecem sempre coisas que nos fazem pensar. Vidas que acabam num instante e que deixam outras destruídas, pais que choram morte dos filhos, filhos que sofrem pela partida dos pais. Nesses momentos, e o ser humano é mesmo assim, é que nos questionamos o porquê de não termos feito isto ou aquilo. Deixamos quase sempre tudo para mais tarde e grande parte das vezes esquecemo-nos que isto está a passar muito depressa.
 

E assim, passamos pela vida até ao dia que chegue a nossa hora. Pois, é isso mesmo. Deixamos de fazer o que mais gostamos, deixamos de estar com quem mais gostamos, deixamos de fazer aquilo que realmente nos fazer sentir bem e até é de borla: estar perto dos "nossos". Hoje, que sou pai, reconheço a importância de um sorriso de um filho no final de um dia difícil. As crianças, com quem os adultos têm muito a aprender, devido à simplicidade que colocam nas coisas, ensinam-nos que há muitas coisas que não se resolvem com um sorriso mas que esse mesmo sorriso faz com que tudo pareça menos difícil.

Usamos, nesta vida, muitas vezes a expressão "qualquer dia". "Qualquer dia tenho de ir levar a minha avó a almoçar", "qualquer dia tenho de ir visitar os meus pais", "qualquer dia tenho de levar o meu filho ao parque e brincar com ele sem estar a olhar para o relógio". É esse mesmo relógio que nos controla. Outra expressão, que usamos muitas vezes como desculpa, é "não tenho tempo". "Hoje não tenho tempo de ir buscar o meu filho à escola", "hoje não tenho tempo de levar a minha mãe ao supermercado", "não tenho tido tempo de ir visitar os meus pais", são coisas que dizemos e ouvimos dizer a quem está, como nós, completamente absorvido pelas obrigações da vida adulta.
 
E assim, passamos pela vida até ao dia que chegue a nossa hora. Pois, é isso mesmo. Deixamos de fazer o que mais gostamos, deixamos de estar com quem mais gostamos, deixamos de fazer aquilo que realmente nos fazer sentir bem e até é de borla: estar perto dos "nossos". Hoje, que sou pai, reconheço a importância de um sorriso de um filho no final de um dia difícil. As crianças, com quem os adultos têm muito a aprender, devido à simplicidade que colocam nas coisas, ensinam-nos que há muitas coisas que não se resolvem com um sorriso mas que esse mesmo sorriso faz com que tudo pareça menos difícil. Somos escravos do trabalho, principalmente porque queremos que eles tenham tudo e mais alguma coisa, e às vezes esquecemo-nos que eles só querem atenção. Se pudessem perceber e escolher, poucos seriam os filhos que trocariam a presença do pai ou da mãe por mais um brinquedo ou um jogo para o computador.
 
Nesta época de Natal, queremos que os nossos filhos tenham tudo, mas não nos podemos esquecer também de perceber o que é o "tudo" para eles. A partilha, o convívio, parecem coisas simples de dizer mas cada vez mais díficeis de fazer. A família, que para mim é base da sociedade e o nosso porto mais seguro, deve ser a nossa prioridade. Os amigos, que para mim são essenciais, são os nossos parceiros nesta difícil caminhada que é a vida. É preciso chegarmos a Dezembro, para juntarmos à mesa em vários jantares e almoços de Natal e, algumas vezes, com amigos que mal vemos ao longo do ano. Nos restantes onze meses, devemos criar condições para estarmos mais tempo perto uns dos outros. Devemos cumprir as nossas obrigações enquanto trabalhadores, mas também enquanto pais, filhos ou netos. Quando temos mesmo vontade, o "não tenho tempo" é ultrapassado e o "qualquer dia" passa a ser esse mesmo dia. Há tempo para tudo, acredito mesmo nisso, até há tempo para viver.
 
Façam Natal.
 
Umas Boas Festas para todos.
 
* Jornalista José Lameiras
 
 
Existem três domínios da energia que estão umbilicalmente ligados e que devem estar no centro das nossas preocupações:
 
1 - As alterações climáticas;
2 - A aposta nas energias renováveis.
3 - As redes europeias de energia. 
 
1 - As alterações climáticas já fazem parte da nossa realidade. A grande discussão da atualidade é como travar o aquecimento global. O planeta sofrerá mais se os termómetros subirem mais de 2º até 2100. 
 
E Portugal é um dos países mais vulneráveis.
 
As pessoas recordam-se com mais facilidade das alterações climáticas quando o mar lhes entra pela porta, destruindo os seus bens e deixando praias devastadas. Quando chuvas se tornam violentas e transformam as ruas em rios, as pessoas ficam mais despertas para o problema. Os grandes incêndios são mais um fator a juntar a toda esta dimensão das alterações climáticas. 
 
Evidentemente que a culpa não é só das alterações climáticas.
 
Mas é sempre o Homem o grande responsável!
 
Hoje sabemos, com base nas informações dos cientistas mais credíveis, que os fenómenos extremos vão agravar-se no futuro.
 

Por isso, é arriscado reduzir os níveis de investimento (através dos fundos estruturais) no combate às alterações climáticas. A Europa deve continuar a ser o bom exemplo, não deve dar sinais errados!

 
Por isso, é arriscado reduzir os níveis de investimento (através dos fundos estruturais) no combate às alterações climáticas. A Europa deve continuar a ser o bom exemplo, não deve dar sinais errados!
 
2 - Portugal é efetivamente um país que tem apostado nas energias renováveis. 
 
O esforço europeu nas energias renováveis deve ser reforçado. Esta é, sem dúvida, uma opção económica racional, numa perspetiva de médio e longo prazo. No imediato, existem novas oportunidades de mercado ligadas às tecnologias de baixo carbono que devem ser fortemente exploradas.
 
Mais do que apostar na produção é fundamental democratizar o consumo. Tornar o consumo, a utilização das energias limpas e das suas tecnologias, pelo cidadão comum, a preços razoáveis, deve ser considerada como uma aposta civilizacional pela União Europeia.
 
3 - Sobre as redes europeias de energia, não podemos esquecer os fundamentos do projeto europeu. A Energia está na sua génese. Também a energia garantir à Europa níveis de competitividade elevados, promovendo fortemente os níveis de convergência entre as diferentes nações.
 
Acabar com muitos dos “muros” europeus, tais como: a eliminação de obstáculos à interconetividade das redes europeias; garantir a diversidade das fontes de abastecimento; redução de custos por forma a promover a competitividade.
 
Estas devem ser consideradas prioridades nacionais e europeias.
 
* Deputado António Costa da Silva