sexta, 18 janeiro 2019

O teatro ficou mais pobre. Faleceu Joaquim Carola.

Escrito por  Publicado em Estremoz domingo, 13 janeiro 2019 23:30
Joaquim Carola praticamente morreu em palco, a fazer uma das coisas que mais gostava Joaquim Carola praticamente morreu em palco, a fazer uma das coisas que mais gostava Estúdios Correia
O chamado teatro amador (se é que alguma vez existiu amadorismo no teatro) ficou mais pobre.
 
No dia de ontem, domingo, 13 de Janeiro, faleceu aos 69 anos de idade, Joaquim Carola.
 
Natural de Estremoz (Santo André), Joaquim Carola desde sempre desenvolveu pelas artes um gosto muito especial. O teatro foi uma das suas grandes paixões. Joaquim Carola pisou vários palcos, de norte a sul do país, tendo participado em inúmeras peças, em representação de diversas companhias.
 
Na freguesia estremocense de Arcos, onde residia, foi o responsável máximo pelo Pátuá – Grupo de Teatro de Arcos. No grupo arcoense, ao longo dos anos de duração do Pátuá, Carola foi de tudo um pouco: aderecista, encenador, actor, carpinteiro, electricista, responsável pelos textos…
 
O malogrado Joaquim Carola foi também durante vários anos o responsável pela elaboração dos carros alegóricos com que a Freguesia de Arcos se apresentou nos últimos desfiles de Carnaval da cidade de Estremoz.
 
E porque o teatro lhe corria nas veias, quando o TAE – Teatro Amador de Estremoz abriu as portas para receber novos actores no grupo, que Joaquim Carola foi dos primeiros a inscrever-se nos castings. Foi no TAE que agarrou o último papel da sua vida, e contribuiu muito para a coesão de uma companhia que recentemente estreou na mais emblemática sala de espectáculos estremocense, o Teatro Bernardim Ribeiro.
 
Joaquim Carola praticamente morreu em palco, a fazer uma das coisas que mais gostava. Os camarins do Teatro Bernardim Ribeiro foi o último espaço que pisou com vida. O cego Tirésias, que brilhantemente interpretou nas duas representações da peça “Teremos sempre Tebas”, encenada por Cláudio Henriques, foi a sua última personagem.
 
Há muito tempo que se ouve dizer que a vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. E ninguém estava preparado para este ensaio. A cortina fechou-se e a peça terminou sem aplausos. Ficam a saudade e as boas recordações.
 
À família enlutada, o Ardina do Alentejo apresenta as mais sinceras condolências.  

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