sexta, 20 julho 2018

João Portugal Ramos é o novo dono da aguardente CRF

Escrito por  Publicado em Estremoz %AM, %30 %063 %2016 %00:%Nov.
Investimento alarga o portfólio do grupo João Portugal Ramos Vinhos à aguardente e ao brandy Investimento alarga o portfólio do grupo João Portugal Ramos Vinhos à aguardente e ao brandy Rui Duarte Silva
A Gestvinus, empresa pertença de João Portugal Ramos, protagonizou uma das maiores transações do ano no sector das bebidas em Portugal e trouxe a centenária CR&F - Carvalho Ribeiro & Ferreira de volta a mãos portuguesas. O investimento, na ordem dos quatro milhões de euros, alarga o portfólio de vinhos, azeite e vinagre do grupo João Portugal Ramos Vinhos à aguardente e ao brandy.
 
"Já comercializávamos em exclusivo a marca CR&F no mercado nacional desde 2006, através da Active Brands (empresa do grupo dedicada à distribuição de vinhos e bebidas espirituosas em Portugal), e pensámos que fazia sentido esta aquisição", disse ao semanário Expresso, João Portugal Ramos, que disputou o negócio com outros grupos portugueses e estrangeiros convicto de que pode, assim, criar "oportunidades para aumentar a eficácia operacional, gerando sinergias entre marcas, rapidez na execução e redução de custos".
 
Fundada em 1895, a Carvalho Ribeiro & Ferreira, começou como armazenista e numa segunda fase chegou a fazer vinificação, passou para o controlo de uma multinacional nos anos 90 e, agora, pertencia à Beam Suntory, a terceira maior empresa de bebidas do mundo, que decidiu alienar este activo centenário.
 
Com um volume de negócios próximo dos cinco milhões de euros, a CR&F tem como produto mais representativo a “Aguardente Reserva CR&F”, líder em Portugal no seu segmento de bebidas, com uma quota de mercado de 64%. Nas vendas da empresa, esta aguardente responde sozinha por 46% do volume e 66% do valor, mas é acompanhada pela “Aguardente CR&F Reserva Extra”, comercializada em garrafas numeradas, e responsável por mais de 11% da margem bruta total do negócio.
 
No plano de trabalhos, o enólogo espera um crescimento consolidado de 2% a 4% ao ano na aguardente reserva, mas prevê, em simultâneo, "um aumento da participação na margem do negócio" da Aguardente Reserva Extra, uma vez que "há uma maior procura do consumidor nacional por produtos posicionados em patamares superpremium".
 
Na frente externa, a tendência é, também, de crescimento. Na fatia actual de 25% de vendas no exterior, o foco tem estado nos mercados onde existem comunidades portuguesas, com os Estados Unidos a responderem por 40% da volume. No futuro próximo, a atenção continuará a estar no mercado da saudade, sem esquecer novas geografias como a Ásia, onde a procura de bebidas espirituosas está em crescimento. Para isso, a estratégia combina os canais de distribuição do grupo João Portugal Ramos Vinhos no estrangeiro e os serviços comerciais da Beam Suntory. O objectivo é garantir "uma melhoria imediata da distribuição e o incremento das vendas no exterior" com resultados na notoriedade da marca a nível internacional.
 
Na categoria dos brandies, o grupo João Portugal Ramos Vinhos fica, também, com o rótulo "1920", que tem uma quota de mercado de 16%. "É uma categoria que tem vindo a decrescer nos últimos anos, mas em que esta marca apresenta volumes estáveis, melhorando, assim, a sua quota de mercado".
 
Consolidar nos vinhos
O perfil multirregional assumido pelo grupo no sector dos vinhos levou João Portugal Ramos a marcar presença em cinco regiões: Alentejo, onde começou a carreira, em 1981, Beiras, Tejo, Douro e, por último o Vinho Verde. Agora, apesar de haver mais regiões no país, o enólogo diz estar "numa fase de consolidação", sempre atento à vinha, empenhado em cimentar novos mercados, sem fechar as portas a oportunidades de negócio como a da CR&F.
 
"Houve um crescimento forte na última década e a aposta feita para entrar no Douro, em 2007, está a correr bem, mas exigiu muito tempo e trabalho", justifica o empresário, à espera de um volume de negócios de €33 milhões este ano, a reflectir um crescimento orgânico na ordem dos 5%.
 
Soma 700 hectares de vinhas próprias e arrendadas a produtores locais, 400 dos quais no Alentejo, onde produz três milhões de garrafas por ano e tem o seu "Marquês de Borba" como campeão de vendas do grupo, com um total de um milhão de garrafas vendidas/ano ao lado de outros rótulos, do "Duorum" à "Quinta Foz de Arouce", "Conde de Vimioso" e vinhos Loureiro e Alvarinho vendidos com o próprio nome (João Portugal Ramos).
 
No total, somando as cinco regiões, a sua equipa de 140 pessoas, nove das quais dedicadas à enologia, apresenta anualmente ao mercado seis milhões de garrafas. 60% das vendas do grupo são canalizadas para a exportação, com destaque para o Norte da Europa, Estados Unidos, Canadá, Ásia, Brasil, Reino Unido e Angola.
 
c/ Margarida Cardoso - Expresso

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  • Jose Silva
    Jose Silva
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    Tenho uma empresa de distribuição de produtos portugueses na Bélgica quero saber como comprar alguna dos vossos produtos. Obrigado

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