terça, 27 junho 2017

Grande entrevista com Gonçalo Lagem, Presidente da Câmara de Monforte

Escrito por  Publicado em Entrevistas sábado, 02 julho 2016 00:25
O autarca monfortense sente-se preparado para ir a votos em 2017 O autarca monfortense sente-se preparado para ir a votos em 2017 DR
No fim-de-semana em que se realiza a edição inaugural da MonfortExlibris, em Monforte, Ardina do Alentejo apresenta mais um “À Mesa das Servas”, desta feita com Gonçalo Lagem, Presidente da Câmara Municipal de Monforte.
 
Majestosamente servidos pela equipa liderada por Paulo e Fé Baía, conversámos com o autarca que gere os destinos do concelho do distrito de Portalegre.
 
Falámos sobre o passado, olhámos para o presente, e projectámos o futuro, com o Presidente de Câmara que praticamente já se apresenta como candidato às autárquicas de 2017. 
 
Em conjunto com as magníficas iguarias apresentadas pelo Restaurante “Herdade das Servas”, estiveram em cima da mesa assuntos tão diversos como os projectos para o concelho de Monforte, a actual e a anterior gestão financeira da edilidade, as dificuldades de um concelho do interior do país, e imagine-se, Luís Mourinha, entre outros…  
 
Quem é Gonçalo Lagem? 
O Gonçalo Lagem é uma pessoa perfeitamente normalíssima, com os gostos de qualquer pessoa, um cidadão completamente normal, que gosta de estar com amigos, que estima muito a família, que dá valor áquilo que é a essência do alentejano e do português, que é o campo e a natureza. Que está perfeitamente enraizado no ambiente onde nasceu, onde cresceu, onde teve o privilégio de formar família e onde está a ter o privilégio de criar os filhos. Uma pessoa muito ligada ao campo, à agricultura, à natureza aos amigos… No fundo áquilo que é a verdadeira essência do povo alentejano e do povo português.
 
Começou muito cedo na vida política. Como é que um jovem nascido no interior do país se mete nestas andanças da política?
A razão chama-se Rui Manuel Maia da Silva, ex-presidente da Câmara Municipal de Monforte, de 1997 a 2009. 
Eu termino o curso no ano de 2000, e com 22 anos fui convidado para ser secretário da vereação. Depois de terminar o curso, entrei para a Câmara Municipal de Monforte, como secretário da vereação, do ano de 2001 a 2003, depois fui convidado para ser adjunto do Presidente da Câmara, e em 2005, dei por mim a estar em segundo duma lista da CDU, candidato a vereador. Depois de vencermos as eleições fui nomeado vice-presidente da Câmara.
 

Sinto que são dois palavrões e dois sentimentos dos quais nunca deveremos abdicar ao longo da nossa vida: lealdade e gratidão.

No fundo a razão chama-se Rui Manuel Maia da Silva, que já tinha andado nas lides políticas com o meu pai, conhecia-me desde miúdo, desde os 5,6 anos de idade. Conhecia-me muito bem e éramos amigos. Confiou em mim e depositou em mim toda a sua confiança, primeiro enquanto secretário da vereação e depois enquanto adjunto e, mais ainda, enquanto vereador e vice-presidente dele.
 
 
Qual é que foi o seu grande trunfo para ter conquistado ao PS, a Câmara Municipal de Monforte?
Isto na política não há trunfos, há vontades do povo. E eu não tive trunfos, até porque só mesmo muito em cima das eleições é que decidi ser candidato. Na altura tinha um filho pequenino e tinha casado há muito pouco tempo. Tinha a vida estável, tinha as coisas todas resolvidas e tinha as minhas coisas muito estruturadas, de maneira que andava a terminar o curso de medicina veterinária e, na altura, quando as pessoas se começaram a mobilizar e a depositar em mim toda a confiança para encabeçar a lista da CDU, fui resistindo sempre.
E resisti porque tinha a noção de que o serviço público é uma missão onde temos que vestir a camisola. Uma vez eleitos, estamos ali para servir e nunca para nos servirmos. E sei que para servir é preciso abdicar de muitas das coisas que eu considero determinantes, prioritárias e essenciais na minha vida, e uma delas é, sem dúvida alguma, a família. E se aceitasse esse desafio, sabia que iria sacrificar a família, iria sacrificar o curso de medicina veterinária e iria sacrificar muitas outras coisas. Era uma decisão que estava perfeitamente formada: não queria, não queria, não queria e não vou ser candidato. 
Três meses antes de termos de entregar as listas para o tribunal várias pessoas se mobilizaram e houve umas que foram, inclusive, falar comigo a minha casa, com a minha mulher e houve uma altura em que eu percebi: “Bem, não tenho outra hipótese, não tenho outra alternativa”. Já havia muitas pessoas a confiarem em mim, também derivado do descontentamento que havia com o executivo PS, e houve uma altura em que eu não fui capaz de dizer mais que não, porque estaria ser antipático e inconveniente para as pessoas que estavam, naquela altura, a confiar em mim. E depois também aceitei ser candidato por gratidão. Tinha que me sentir grato e nestas coisas a lealdade e a gratidão sempre me acompanharam e acompanhar-me-ão até ao final dos meus dias. Sinto que são dois palavrões e dois sentimentos dos quais nunca deveremos abdicar ao longo da nossa vida: lealdade e gratidão. Lealdade porque desde a minha tenra idade comecei a participar nestas lides políticas e também venci eleições, enquanto vereador, as eleições não são vencidas sozinho e aquelas pessoas que deram a cara por mim, e que acreditaram em mim, eu tinha de lhes ser leal e tinha que também assumir a minha responsabilidade na medida em que as pessoas estavam a depositar em mim a confiança. E gratidão porque as pessoas estavam a confiar em mim. Temos que nos sentir gratos quando há um conjunto de pessoas a dizer: “Vai!”, “Tu ganhas, tu és capaz, tens capacidades, tens conhecimentos suficientes para levar este concelho a bom porto”. E eu senti-me, também, grato por isso, e houve ali uma altura em que não fui capaz mais de resistir.
 
Que balanço faz destes mais de dois anos à frente do Município de Monforte?
Foram dois anos extraordinariamente difíceis, numa conjuntura extraordinariamente difícil, com uma pressão legal, tendo em conta a tutela dos Municípios, com um governo que apertou muito a forma de gerir uma Câmara Municipal. A autonomia financeira, a autonomia dos Municípios deixou quase de existir. E, como se isso não bastasse, ainda encontrei uma Câmara muito endividada, e isso sabia que estava endividada, mas pior que o endividamento grande da Câmara, foi encontrar uma Câmara completamente de pernas para o ar, sem qualquer tipo de rumo, sem qualquer tipo de estratégia, sem um único projecto, sem alicerces para encarar o futuro próximo que se avizinhava na altura, e tínhamos o Portugal 2020 que na altura estava ali quase a aparecer, mas não havia nada. 
Então o que é que fizemos? Perante uma câmara endividada, perante uma câmara de pernas para o ar sem qualquer tipo de estratégia ou de rumo, tivemos que arrumar a casa. No primeiro ano arrumámos a casa e fizemos coisas que eram necessárias, quase como o pão para a boca. Sentia os funcionários desmotivados, e das primeiras medidas que tomámos foi contrariar aquilo que era o ataque aos funcionários públicos, nomeadamente aos funcionários da autarquia de Monforte e de todas as autarquias, que era a questão do horário de trabalho. Implementámos em Dezembro de 2013, o horário contínuo, a jornada contínua, que permite ao funcionário ter uma outra flexibilidade da sua vida, e permite ter outro tipo de actividades, e dedicar mais tempo à família. Para além desta medida, muito bem aceite pelos funcionários, o que fizemos também foi, a todos os funcionários, dar tolerância no dia do seu aniversário.
Tentámos inverter também aquele ataque que tinha vindo a ser sentido pelos funcionários, e resolvemos que todas as ajudas de custo que eram devidas aos funcionários da autarquia de Monforte fossem pagas a tempo e horas a todos, sem exceção, porque aquilo a que estavam habituados nos últimos quatro anos, era que só alguns é que recebiam essas ajudas de custo. Neste momento, todos os funcionários que tiverem direito a essas ajudas de custo estão a recebê-las. 
O que nós conseguimos também na Câmara de Monforte nestes últimos dois anos foi a sustentabilidade financeira, porque olhámos sempre para a despesa. Quando não há receita extraordinária limitamo-nos muito, às vezes mesmo na nossa vida pessoal. “Onde é que podemos reduzir a despesa na medida em que não somos capazes de fazer mais receita?” E nós, na despesa, reduzimos, reduzimos, reduzimos, poupamos, mas há uma determinada altura, em que não conseguimos poupar mais, senão estamos a comprometer serviços. E então, em vez de olharmos só para a despesa, olhámos para a receita: “Onde é que conseguimos arrecadar mais receita?” Fizemos regulamentos, fizemos contratos de arrendamento, de coisas que estavam fechadas e que neste momento estão abertas, de casas que estavam devolutas e que neste momento estão lá pessoas a pagar uma renda à Câmara. Gratuitamente conseguimos, além de resolver um problema dos arrendatários do IRU, que foram confrontados com um aumento abrupto da renda, conseguimos reduzir as rendas consideravelmente. Mas ainda conseguimos mais. Conseguimos que o Estado transferisse todo o património, todo o parque habitacional do concelho de Monforte que era do IRU, para o Município de Monforte a custo zero. O Estado deu-nos o património que está avaliado num milhão e meio de euros, e agora as pessoas em vez de pagarem as rendas ao IRU, pagam as rendas à Câmara e a Câmara de Monforte arrecada essa receita. 
 

Aumentámos aproximadamente um quinto do orçamento municipal quando na maioria das câmaras do país e do distrito, a tendência foi para manter o orçamento ou mesmo nalguns casos, reduzir o orçamento. Fomos mesmo a única Câmara do distrito a aumentar o orçamento.

Mas mais, aumentámos a água. É verdade, é um facto. Éramos o município que tinha as tarifas de água mais baixas do país, e neste momento, somos o mais baixo do distrito, mas triplicou em relação à receita que arrecadávamos aqui há seis ou sete meses atrás. Esse foi o grande desafio: “Onde é que vamos aumentar a receita sem mexer nos bolsos dos munícipes?” E fomos felizes porque além de termos aumentado a água, e esse aumento não foi uma decisão deste executivo, foi-nos imposto legalmente, e ainda assim permitiu-nos aumentar a receita através dessa imposição legal. Estamos a falar de um aumento global no orçamento municipal de 2015 para 2016 de 800 mil euros, ou seja, tendo em conta que o orçamento de 2015 eram 5 milhões e 600 mil euros e agora o de 2016 são 6 milhões e 400 mil euros. Aumentámos aproximadamente um quinto do orçamento municipal quando na maioria das câmaras do país e do distrito, a tendência foi para manter o orçamento ou mesmo nalguns casos, reduzir o orçamento. Fomos mesmo a única Câmara do distrito a aumentar o orçamento.
Isto tudo dá trabalho mas sem trabalho nada se faz. O que é certo é que conseguimos nestes dois anos apetrecharmo-nos de projectos, apetrecharmo-nos de planos que nos permitam no Portugal 2020, estarmos dotados de tudo o que faz falta para lhe fazer face, para apresentar as coisas a tempo e horas e para termos sucesso em todas as obras que andamos já a fazer, para as quais contratámos empréstimos de médio e longo prazo para fazer estas pequenas obras que andamos a fazer, para que no Portugal 2020, essas obras sejam incluídas e arrecademos a receita do montante elegível do financiamento comunitário. 
Isto é gestão, tendo em conta que se reduzirmos o envidamento, se aumentarmos a receita, se fizermos obra, se conseguimos pagar e reduzir a dívida aos fornecedores, estamos a fazer uma boa gestão, nem comprometendo a obra, que está directamente ligada à qualidade de vida das pessoas, nem comprometemos a gestão saudável municipal que todos deveremos ter em todas as autarquias.
Nestes dois anos reduzimos na ordem de um milhão e 300 mil euros, tendo em conta aquilo que era a dívida anterior. Apanhámos uma câmara com 3 milhões e 500 mil euros de endividamento, tendo em conta os médios e longo prazo, curto prazo, fornecedores… e neste momento temos uma câmara com 2 milhões e 400 mil euros de dívida. Temos 200 mil euros de dívida a fornecedores e apanhámos uma câmara com 600 mil euros de dívida a fornecedores, reduzimos o prazo médio de pagamento aos fornecedores de 128 dias para 70 dias, e liquidámos quase mais de metade do empréstimo de curto prazo que dura na câmara há quarenta anos. O que se fazia anteriormente, e que todos os executivos faziam era pedirem um novo para pagar o anterior e empurravam com a barriga para a frente. E a nova lei das finanças locais de Setembro de 2013 disse-nos que isso não iria ser mais possível, ou seja, os empréstimos de curto prazo têm que ser liquidados no ano da contracção, no ano civil da contracção. E nós temos vindo desde 2013 a fazer tudo para o liquidar. Ainda não conseguimos totalmente, mas neste momento o empréstimo que era de 366 mil euros está neste momento em 170 mil euros, e neste ano de 2016 é para liquidar completamente e definitivamente.
Foi um esforço grande, tendo em conta toda esta situação, toda esta conjuntura. Exigiu muito de nós. Nunca antes um executivo esteve tanto tempo debruçado para os papéis, para os orçamentos, para as alterações orçamentais, para as revisões orçamentais, nunca antes um executivo esteve tão preocupado com as contas, com a lei dos compromissos e dos fundos disponíveis... Tive a sorte também, quer dizer, não foi bem sorte porque fui que convidei as pessoas que me acompanharam na eleição, o Vereador Seião e a Vereadora Mariana, mas tive essa sorte porque são duas pessoas formadas na área da gestão financeira, na área da contabilidade, na área do marketing e tenho essa grande mais-valia, que além de serem grandes técnicos, são grandes políticos e acima de tudo, são grandes amigos e estes sucessos e resultados que conseguimos até aqui partilho obviamente, como não poderia de deixar de ser, com eles, porque eles têm sido pedras basilares na gestão do município. E qualquer coisa que eu apresento como sendo do Município de Monforte ou com o cunho pessoal do Presidente da Câmara terá de ser sempre partilhada com os dois vereadores, com o vereador Fernando Seião e com a vereadora Mariana Mota.
 

Monforte está melhor do que estava em 2013? 
Completamente. E todos os indicadores assim o dizem e posso comprovar documentalmente. O indicador do desemprego - há menos desemprego neste momento do que havia há dois anos atrás; o indicador da notoriedade - fomos confrontados no final de 2013, dois meses depois de termos tomado posse, que Monforte era o concelho do país com menos visibilidade, estava em último no âmbito da visibilidade e da notoriedade dos concelhos. Era completamente inadmissível que o concelho que tem José Carlos Malato como embaixador, que tem o João Moura como embaixador, que tem o Paulo Caetano como embaixador, que tem características únicas no âmbito da tauromaquia… O Manuel Luís Goucha acabou de comprar lá um monte também, neste momento é nosso munícipe. Com a vila romana de Torre de Palma, com o vastíssimo património arquitectónico religioso, com a nossa cultura, com as nossas gentes, era completamente impossível e impensável Monforte estar naquele lugar no que diz respeito à notoriedade e visibilidade. Estava em último lugar dos 308 municípios. O que é certo é que em 2015 já estávamos bastante melhor, subimos quarenta ou cinquenta posições. Mas se formos para o indicador de transparência municipal, estamos em 9º no distrito mas também estamos a menos de metade da tabela do país. Todos os indicadores assim o apontam: Monforte está melhor.
 
Quais são as principais dificuldades com que se debate o concelho de Monforte?
As dificuldades são transversais aos restantes concelhos limítrofes e à própria região Alentejo, e diria a nível nacional, ao próprio interior. As dificuldades são o desemprego, a desertificação, a baixa natalidade e a alta mortalidade. E essas dificuldades estão também directamente ligadas ao desinvestimento e desinteresse por parte da administração central pelo Alentejo. Aquilo que deveria ser uma oportunidade, porque temos espaço, temos potencial, temos universidades, temos recursos endógenos, naturais e ambientais que nos diferenciam de todas as outras regiões do país, mas temos sido a região que mais tem sido preterida por parte de todos os Governos que têm passado pelo nosso país. Mas essencialmente a desertificação. E se não há oportunidades nestas regiões, se não há investimento para fixar as populações e os jovens, será muito difícil dar-lhes sustentatibilidade. E quando digo isto, digo-o com muita mágoa e tristeza. Os benefícios fiscais que dão às grandes multinacionais e às grandes empresas para se radicarem no nosso país, mas sempre no litoral, deiam os mesmos benefícios fiscais para se radicarem no interior. E a mágoa que falo é porque temos um potencial enorme, somos uma terra de gente boa, somos das únicas regiões onde ainda vai havendo segurança e conforto. Basta de esquecimento. Penso que está na altura de apostarmos no interior, porque temos de tudo. Temos condições de excelência, inclusive para se crescer como criança, temos equipamentos de excelência, temos acesso à cultura, temos cinemas, temos teatros, temos equipamentos desportivos, pavilhões, ginásios e piscinas totalmente equipados com tecnologia de ponta, qualidade de vida… O interior tem tudo, só não tem é uma coisa: pessoas.
 
Que projectos tem para o futuro de Monforte e para o seu concelho?
Tenho três ou quatro projectos que considero estruturais, determinantes e estruturantes.
Tenho o Lar de Santo Aleixo. Santo Aleixo é a única freguesia do concelho de Monforte que não tem um lar, residencial, uma instituição onde podemos institucionalizar os idosos. Além de trazer para Santo Aleixo, para a sua freguesia, os velhotes que estão em lares dos concelhos limitrofes, é a grande mais-valia de se criarem 20 a 30 postos de trabalho directos, e 20 a 30 postos de trabalho directos em Santo Aleixo fazem toda a diferença porque é a única freguesia do concelho de Monforte que não tem uma entidade patronal com dimensão. Essa IPSS iria fazer toda a diferença.
 

E a mágoa que falo é porque temos um potencial enorme, somos uma terra de gente boa, somos das únicas regiões onde ainda vai havendo segurança e conforto. Basta de esquecimento. Penso que está na altura de apostarmos no interior, porque temos de tudo.

Depois temos um equipamento de apoio à criança na área da saúde mental através da CERCITop, que é uma cooperativa de âmbito nacional de apoio ao cidadão deficiente mental, nomeadamente crianças. A CERCITop tem um conhecimento de trabalhar com crianças deficientes como provavelmente nenhuma outra entidade tem. Há mais de um ano que a CERCITop “disparou” em todas as direcções, escrevendo uma carta para várias câmaras, onde referiam que necessitavam de um terreno para instalação deste equipamento. Não esperámos mais tempo e no dia seguinte estávamos reunidos com eles, tendo sido celebrado um protocolo de cedência gratuita de um terreno, com dois hectares, em Monforte, e a CERCITop comprometeu-se em fazer um equipamento social de apoio às crianças deficientes mentais com capacidade para 80 crianças, capaz de gerar 102 postos de trabalho.
Depois há outro tipo de projectos, como a recuperação do antigo hospital, o único edifício que falta recuperar no centro histórico de Monforte, e que nós queremos transformar no edifício CEFUS – Centro de Estudos e Formação da Universidade Sénior. A Universidade Sénior de Monforte foi considerada das melhores universidades seniores do país, uma referência, e nós queremos criar-lhe uma sede, que sirva não só para a universidade sénior ter as aulas, totalmente bem equipada, mas também de apoio às crianças, com um centro de explicações, dois pequenos auditórios, e várias salas de trabalho. No fundo rematar aquela malha urbana no centro histórico, que é a única que falta rematar.
E depois temos o Centro Escolar, porque a nossa escola precisa urgentemente de obras.
Com estes quatro projectos, Monforte ficava extraordinariamente preparado para encarar os desafios do futuro, não tenho dúvida alguma.
 
São as melhores as relações entre o Município de Monforte e o Município de Estremoz?
Não podiam ser melhores. Antes das relações institucionais há uma relação muito sólida em termos pessoais. Sou amicíssimo do Luís Mourinha, já o era, não o conheço de agora enquanto Presidente de Câmara, e lá está, antes das relações institucionais estão as pessoais e quando as pessoais são as melhores logo as institucionais têm de estar obviamente asseguradas.
Sou amigo pessoal do Luís Mourinha, gosto muito dele, aprendo muito com ele e com a equipa dele. Ele tem uma equipa muito forte. O Dr. Francisco Ramos é um expert nestas coisas do poder local e tenho aprendido imenso com ele, tem-me ajudado imenso. E com o Luís Mourinha, um político nato, aprende-se imenso. Ele vive com paixão e dá-nos essa grande lição, e promove Estremoz como ninguém. Recordo uma visita que fizemos à Holanda, e deu para ver a forma apaixonada como ele fala do seu concelho e obviamente isso tem dado os seus resultados. O Luís Mourinha é um político, mas acima de tudo um amante, e um apaixonado pelas suas raízes e pela sua terra, ele valoriza muito os recursos endógenos, a gastronomia, tudo o que Estremoz tem de bom, e fala da sua terra com muita paixão. E é um político nato porque consegue sempre trazer a água ao seu moinho. 
 
Gonçalo Lagem é candidato à Presidência da Câmara Municipal de Monforte em 2017?
Poderia já dizer que sou, mas seria injusto para com as pessoas que apostaram em mim. Se acharem que eu sou a melhor pessoa para continuar a defender os interesses do Concelho de Monforte e do partido pelo qual sou eleito, obviamente que estarei disponível. Se numa determinada reunião me disserem que estou a desempenhar uma má função ou que não atingi as expectativas que eles esperavam, obviamente que porei o lugar à disposição e certamente que aparecerá uma outra pessoa para ser o próximo Presidente de Câmara.
Há uma coisa que garanto: não estou nada agarrado ao poder, estou completamente desprendido do poder. Tirem-me o poder que vou para casa. Sou uma pessoa de projecto e com muita ambição, isso sou, sempre gostei muito de trabalhar e de atingir objectivos. E agora que tenho uma família mais ainda. Vou acabar o curso de Medicina Veterinária e vou fazer mais projectos, vou ganhar dinheiro e vou ter a minha vida pessoal, familiar e profissional, completamente descansado. 
Mas se entenderem que sou importante para continuar a servir os interesses do Concelho de Monforte obviamente que estarei disponível, vamos embora à luta, mas nada agarrado ao poder. 
 
Que mensagem deixa a quem for ler esta entrevista?
Deem mais importância aos pequenos detalhes que a vida nos apresenta todos os dias, que muitas vezes nem os vimos e outras vezes nem os valorizamos como devemos valorizar.
Aproveitem muito e desfrutem muito da família. A família é fundamental para o nosso bem-estar, para as nossas concretizações pessoais e profissionais. Se tivermos uma família coesa, amada, estável tem implicações directas em tudo o que fazemos na vida. Se tivermos um lar estável isso reflecte-se em tudo o que fazemos.
E fazer o bem. Se fizermos sempre o bem, as coisas acontecem-nos bem e nada de mal nos acontecerá.

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  • Maria da Trindade de Campos
    Maria da Trindade de Campos
    sábado, 02 julho 2016 16:03

    Muito bem, Sr, Presidente! Sente-se paixão e envolvimento nas suas palavras... Continuação de um bom trabalho pela sua 'Terra' e pelas suas gentes!

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