segunda, 21 setembro 2020
sexta, 24 abril 2020 16:57

Mercado Tradicional de Estremoz regressa este sábado

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Esta semana, a Câmara Municipal tomou a decisão de fazer regressar o Mercado Tradicional de Estremoz Esta semana, a Câmara Municipal tomou a decisão de fazer regressar o Mercado Tradicional de Estremoz DR
A suspensão da realização do secular e tradicional Mercado de Sábado, no muito estremocense Rossio Marquês de Pombal, aconteceu no passado dia 13 de Março, como uma das medidas de contenção da pandemia provocada pela doença Covid-19, adoptadas pela autarquia dirigida por Francisco Ramos.
 
Desde essa data, foram seis as manhãs de sábado em que o Rossio Marquês de Pombal esteve despido de gente, quer de visitantes, quer de comerciantes.
 
Mas esta semana, a Câmara Municipal de Estremoz tomou a decisão de fazer regressar o Mercado Tradicional de Estremoz. Respeitando todas as regras e orientações da Direcção-Geral da Saúde, relativas a distâncias de segurança, higiene e protecção individual, o regresso do Mercado Tradicional de Estremoz, acontecerá já no dia de amanhã, feriado nacional, 25 de Abril, no Parque de Feiras e Exposições da cidade branca do Alentejo.
 
Para trás ficam assim seis semanas em que os produtores hortícolas do concelho, e dos concelhos limítrofes, não puderam usar as suas habituais bancas de venda. E como foram essas seis semanas? Como conseguiram os agricultores escoar os seus produtos? E como olham para este regresso do mercado, ainda que noutro espaço e com várias restrições?
 
Para responder a estas e outras questões, o Ardina do Alentejo foi ao encontro de dois dos mais conhecidos vendedores no tradicional e característico mercado de sábado estremocense.
 
Henrique Caldeira, de 70 anos, vende no mercado há sensivelmente 40 anos. Um motivo de orgulho para este agricultor o poder dar continuidade a uma tarefa que tem passado de geração em geração.
 
Ardina do Alentejo – O combate à pandemia Covid-19 obrigou à suspensão temporária da realização do Mercado de Sábado, em Estremoz, o que veio mudar a vida de muitos que dependem daquele espaço para a venda dos seus produtos. Foi um rude golpe?
Henrique Caldeira (HC) – Sim. Principalmente no primeiro sábado que foi cancelado. Para quem está ali semanalmente, todos os sábados, há mais de 40 anos, não foi fácil. 
Ficarmos impossibilitados de vender os nossos produtos, fruto de muito trabalho e principal fonte de rendimento, foi muito difícil. 
É claro que percebemos que foi uma medida necessária para a proteção de todos nós e portanto restou-nos aceitar.
 
Ardina do Alentejo – Como é que está a conseguir escoar os seus produtos?
HC – Nas primeiras duas semanas, muitos dos produtos acabaram por ser comida para os animais. Depois alguns clientes começaram a contactar-nos e a virem buscar. Mais tarde, surgiu a ideia divulgar nas redes sociais e fazer entregas ao domicílio e aí o volume de vendas aumentou um pouco.
 
Ardina do Alentejo – O Mercado Tradicional de Estremoz vai realizar-se no próximo sábado, ainda que em condições diferentes e noutro sítio. Concorda com esta decisão da autarquia? Vai ser benéfico para comerciantes e compradores?
HC – Para nós é uma medida importante, porque é forma de rentabilizar o esforço diário de trabalhar a terra. No entanto, estando ainda o país em estado de emergência, poderiam ter sido encontradas soluções alternativas.
O facto de deslocalizar o mercado para fora da cidade e longe do seu local habitual, deixa-me algumas dúvidas relativamente à adesão das pessoas. Talvez a realização no mercado abastecedor, com as mesmas medidas e o mesmo controlo, fosse uma alternativa mais viável.
 

Outro dos nossos entrevistados foi Adriano Pimentão, de 77 anos, e vendedor no Mercado Tradicional de Estremoz há mais de 10 anos.
 
Ardina do Alentejo – O combate à pandemia Covid-19 obrigou à suspensão temporária da realização do Mercado de Sábado, em Estremoz, o que veio mudar a vida de muitos que dependem daquele espaço para a venda dos seus produtos. Foi um rude golpe?
Adriano Pimentão (AP) – Foi. Preparamos os produtos hortícolas para que nesta altura pudéssemos satisfazer os nossos clientes, com produtos frescos e de qualidade. Uma vez que o Mercado de Sábado era o nosso único ponto de escoamento, ficámos com tudo na horta a estragar-se.
 
Ardina do Alentejo – Como é que está a conseguir escoar os seus produtos?
AP – O meu filho tem ajudado. Através do Facebook e do seu grupo de amigos temos conseguido escoar a maioria dos produtos, mas com muito sacrifício da parte dele pois trabalha no Centro de Saúde e o tempo que lhe sobra não é muito. Mas lá vamos andando.
 
Ardina do Alentejo – O Mercado Tradicional de Estremoz vai realizar-se no próximo sábado, ainda que em condições diferentes e noutro sítio. Concorda com esta decisão da autarquia? Vai ser benéfico para comerciantes e compradores?
AP – De início, e partindo do princípio que o mercado se irá realizar durante algum tempo no Parque de Feiras, a afluência de compradores não será muita. A população local que mais compra nos mercados é uma população já envelhecida e a distância do centro da cidade poderá ser um problema.
Penso que a decisão da autarquia não deve ter sido tomada sem pensar em todas as atenuantes, e que tenha organizado o espaço de maneira a que se cumpram todas as indicações da DGS.
É uma realidade a dificuldade em escoar os produtos, e poderá dar uma ajuda se as pessoas perceberem que, na conjuntura actual, esta solução, embora na minha opinião precipitada, poderá ser uma mais valia para as duas partes.
 
 
 
 
 
Modificado em sábado, 25 abril 2020 18:10

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