quarta, 23 agosto 2017

Estremocense José Gonçalez no Festival Caixa Luanda

Escrito por  Publicado em Entrevistas quarta, 26 outubro 2016 20:13
"Talvez possa dizer que esta é a melhor fase da minha carreira" "Talvez possa dizer que esta é a melhor fase da minha carreira" DR
É já amanhã, dia 27 de Outubro, a partir das 21.30 horas, que o palco do Cine Atlântico, na Vila-Alice, em Luanda, recebe a segunda edição do Festival Caixa Luanda.
 
Dando continuidade à edição anterior, que se realizou em Dezembro de 2015, o Festival Caixa Luanda afirma-se como uma referência de prestígio no calendário cultural angolano e ajuda a difundir a amizade e o vínculo cultural entre Angola e Portugal.
 
Nesta edição, o cartaz do evento conta com a presença de reputados intérpretes do fado, género musical Património Imaterial da Humanidade, entre os quais Ana Moura, Gisela João, Raquel Tavares, Maria Ana Bobone, Marco Rodrigues e José Gonçalez. No que se refere aos ritmos angolanos, a cantora Ary será a sua grande representante no palco do Festival.
 
O fadista estremocense José Gonçalez é, para além de uma das vozes que se vai fazer ouvir por terras angolanas, o programador do Festival Caixa Luanda 2016. Numa breve entrevista ao “Ardina do Alentejo”, José Gonçalez falou-nos sobre este convite, feito directamente por Luís Montez, homem forte da produtora “Música no Coração”, responsável pela realização deste festival. Gonçalez falou-nos ainda sobre os seus projectos para o futuro e sobre a fase que atravessa profissionalmente, que o mesmo considera poder ser a melhor da sua carreira.
 
Ardina do Alentejo (AA) - Como é que surgiu este convite para participares no Caixa Luanda 2016?
José Gonçalez (JG) - O Caixa Luanda insere-se na mesma filosofia, e tem a mesma organização dos Festivais “Caixa” em Portugal, Lisboa e Porto. Desde o primeiro “Caixa” que a entidade organizadora, “Música no Coração”, me convidou para participar. Este convite directo do Luís Montez veio nessa linha.
 – “Vamos fazer o Festival Caixa Luanda, e tu para além de programares o festival, ficas a saber que também tens de ir cantar. Queremos-te lá como artista também!” E pronto foi isto. E eu fiquei muito feliz, naturalmente!
 
AA - Ao início, pode parecer um pouco estranho um festival de fado em Luanda, em África... Mas sendo o fado pertença do mundo, acreditas que fazia toda a lógica este festival?
JG - Claro que sim. Felizmente que hoje em dia já há festivais de fado um pouco por todo o mundo. Ora Luanda fala a nossa língua, e como sabemos são muitos os países de África que falam a nossa língua. Logo não é só uma questão de língua. É de tradição e de alma. Portanto Angola é um dos melhores sítios do mundo para um festival de fado. E a “Caixa” está também implantada com enorme força em Angola, portanto, está tudo certo!
 
AA - Esta é a melhor fase da tua carreira?
JG - Talvez possa dizer que sim. Não tanto em termos de espectáculos, porque desde que assumi a direcção artística e a programação dos Festivais Caixa, deixei de assumir a maioria dos convites que me chegam para cantar, passei a fazer apenas três ou quatro coisas por ano. Na Rádio Amália também passei de um programa diário de quatro horas, para um semanal de três horas, mais quatro horas ao Sábado, e duas ao Domingo. 
Mas canto sempre que posso, à Sexta e ao Sábado, no Dom Leitão, onde sou também o responsável artístico, e vou fazendo os meus discos. Já gravei 10, e estarei provavelmente a gravar o disco da minha vida. Também nunca tinha tido condições tão boas, e tive a sorte de ter uma das maiores editoras do mundo a acreditar em mim. É um projecto muito especial, vamos ver!
A minha prioridade nesta altura é de facto a responsabilidade artística e de programação dos Festivais “Caixa”. Mesmo o Grande Prémio Nacional do Fado, a meu pedido, vai sofrer um interregno de um ano. Para o ano, provavelmente voltaremos.
 
AA - Com que expectativas estás em relação ao Caixa Luanda 2016?
JG - Com as melhores. Já no ano passado se realizou lá uma experiência, tipo teste, e correu muitíssimo bem. Julgo, e para que entendam, que o festival já está esgotado. São duas noites em que cantarei. No primeiro dia no Cine Atlântico, e no segundo na “Fortaleza”. Sei que os angolanos gostam muito de fado, e sei que há lá muitos portugueses também. Portanto acredito que vão ser duas grandes noites, e será um grande festival, até porque é bom lembrar que o cartaz, para além de mim, que sou uma gota no oceano, tem algumas das melhores vozes do fado da actualidade: Ana Moura, Gisela João, Marco Rodrigues, Raquel Tavares e Maria Ana Bobone.
 
AA - Sendo tu um homem que não pára, há mais projectos na manga?
JG - Julgo que já te respondi. Estão aqui praticamente todos os projectos da minha vida na actualidade. Só falta acrescentar que tive a honra de receber da Sony Music o convite para o management dos extraordinários “Sangre Ibérico”, e que estou nesta altura envolvido em tudo o que tem a ver com o grupo, nomeadamente a gravação do primeiro disco que já está a decorrer…é isto! 
E muito obrigado pelo teu convite, e por te lembrares de mim!

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