sexta, 18 agosto 2017
Na semana em que se ficou a saber que voltaria a tourear na praça da sua terra natal, o cavaleiro tauromáquico estremocense Francisco Cortes concedeu ao “Ardina do Alentejo” a sua primeira grande entrevista sobre essa matéria. Mas a conversa foi mais além da corrida de 5 de Setembro. O balanço dos 20 anos de alternativa, os objectivos ainda por concretizar, a possibilidade de marcar presença no Campo Pequeno ainda esta temporada, e o porquê de não aparecer em mais cartéis foram alguns dos temas abordados em mais um “À Mesa das Servas”, o espaço nobre de entrevistas do “Ardina do Alentejo”, que conta com a especial, e muito saborosa, colaboração do restaurante “Herdade das Servas”.
 
Ardina do Alentejo - Que balanço fazes destes teus 20 anos de alternativa como cavaleiro tauromáquico?
Francisco Cortes - O balanço para mim é extremamente positivo, porque quando sonhei em ser cavaleiro tauromáquico, sonhava em poder vir a ser profissional da tauromaquia e poder viver da minha actividade, e felizmente consegui atingir esse objectivo.
É claro que ficaram alguns objectivos por cumprir porque em determinados momentos da minha carreira dei privilégio, ou tornei como prioridade se preferirem, em ter uma vida mais sólida e tendo uma família para criar tive que prescindir de alguns dos meus melhores cavalos para fazer face ao dia-a-dia e isso indubitavelmente prejudicou-me artisticamente. 
A actividade tauromáquica, enquanto cavaleiro tauromáquico, é bastante dispendiosa e não é fácil conseguirmos viver só desta actividade e muitas vezes temos de encontrar outros recursos para poder seguir em frente.
Estou feliz porque ao longo destes 20 anos consegui uma postura de verticalidade, seriedade e honestidade que me mantém as portas abertas em qualquer sítio da tauromaquia. Para mim é das coisas mais importantes que podemos ter é um nome limpo e respeitado, e isso eu consegui.

Há objectivos por cumprir mas isso até é bom porque nos continua a fazer lutar cada dia mais e mantém as nossas ilusões e expectativas em alta.
 
Ardina do Alentejo - Quais é que são esses objectivos que te faltam concretizar?
FC - Os objectivos passam por conseguir singrar mais ainda na parte tauromáquica. Sinceramente, e sem fugir à questão, é tentar alcançar uma posição de maior destaque no panorama tauromáquico, não só em Portugal, mas também a nível internacional.
Penso que podia ter alcançado mais rapidamente esse patamar se não tivesse prescindido de alguns dos meus melhores cavalos ao longo destes anos. Algumas das quadras das nossas primeiras figuras são constituídas por um ou dois cavalos que fui eu que coloquei a tourear.
Sou muito aficionado ao cavalo e dedico-me a preparar os cavalos logo desde poldros até eles terem um alto nível. Muitos desses cavalos que consegui colocar com esse alto nível acabei por os dispensar a colegas meus que têm singrado com eles nas arenas, o que também me deixa muito feliz. É mais uma forma de me sentir realizado.
Apesar de que com isso não estou com o destaque que gostaria de ter estado, mas assumo que fiz uma opção pelo bem-estar da minha família e por esta postura de seriedade e de verticalidade que me orgulho de ter, e que é apanágio de toda a minha família.
Sinto-me feliz com a minha trajectória. Podia ter tido uma maior dimensão, mas teve a que teve, e estou orgulhoso do meu percurso.
 
Ardina do Alentejo - Achas que podias ter aparecido em mais cartéis? Podias ter toureado mais ao longo destes 20 anos? Tens condições para isso?
FC - Acho que sim e por muitas razões. Primeiro porque, conforme já disse, tenho tido a capacidade de colocar os cavalos a um alto nível, cavalos que depois vejo a brilhar com os meus colegas ao mesmo nível que brilhavam comigo. Isso é um indicador que tenho capacidade para preparar bem os cavalos e depois explorar as suas capacidades dentro da praça.
É acima de tudo difícil manter uma estrutura. Temos que manter uma quadra com 10 ou 12 cavalos, tourear vacas, manter uma pessoa que nos ajude, rações, veterinários, camiões de cavalos… É uma estrutura muito pesada que muito poucos conseguem aguentar só com a tauromaquia.
Infelizmente não tive a habilidade que outros têm para encontrar alguns patrocinadores ou padrinhos que os ajudam e que lhes permitem fazer outro tipo de extravagâncias. Gosto de passar os meus dias, de manhã à noite, dedicado aos cavalos. Sobra-me pouco tempo para dedicar-me a tentar encontrar esse tipo de situações.
 

Sinto que a carreira que fiz até aqui foi toda ela graças ao meu esforço e à minha dedicação. Estou muito feliz porque tem sido uma carreira digna, séria.

 
Sinto que a carreira que fiz até aqui foi toda ela graças ao meu esforço e à minha dedicação. Estou muito feliz porque tem sido uma carreira digna, séria. É claro que me sinto capaz, porque quando toureio com todos os outros meus colegas tenho um nível semelhante a eles. Ainda no ano passado, e a título de exemplo, ganhei o prémio para a melhor lide em Portalegre, numa corrida com seis cavaleiros, dos principais do nosso país, e isso é o exemplo de que estou à altura deles. Naquela noite, e graça a Deus, até tive superior a eles, daí ter ganho o prémio.     
Não me sinto de forma nenhuma inferiorizado, antes pelo contrário. E sem me querer colocar em bicos dos pés, eu “fabrico” os meus próprios cavalos, ainda vendo alguns, e consigo manter um determinado nível. A maior parte dos meus colegas não só não vendem, como ainda compram, e o nível que eles conseguem muitas vezes é semelhante ao meu. Não tenho razões para me sentir inferior a eles. E como já disse, eu tenho conseguido ser profissional da tauromaquia, enquanto que a maior parte deles, a grande, a larga, a larguíssima maioria dos meus colegas não vivem só da tauromaquia, tendo outras actividades que lhe permita fazer face às despesas que têm.
 
Ardina do Alentejo - Olhando para trás, qual foi a tua melhor lide até hoje?
FC - Isso é muito complicado responder. As lides têm várias condicionantes, tem o toiro, tem o cavalo, tem nós próprios… Posso dizer-te que há corridas que me marcaram pela sua envolvência, como foi a última corrida que o meu pai toureou cá em Estremoz, numa praça desmontável, numa altura em que a praça estava em obras. Foi o último toiro que o meu pai toureou em público, e estavam presentes as grandes figuras como o Álvaro Domecq, o Gerald Perroin, o José Samuel Lupi, o Emídio Pinto, o Paulo Caetano, o Rui Fernandes e o João Ribeiro Telles. A corrida a mim correu-me bastante bem, mas para além da parte da minha lide, teve toda aquela envolvência de ser a última corrida do meu pai, de ser em Estremoz, na minha terra, e essa é uma corrida inesquecível para mim.
 
Ardina do Alentejo - Está resolvido o diferendo com o Presidente da Câmara Municipal de Estremoz. Como é que tudo ficou resolvido, se é que nos podes dizer…
FC - Foi um episódio dos mais desagradáveis da minha carreira. E preferia nem sequer… Acho que a vida se faz de olharmos para a frente e para o futuro e não estarmos a olhar para trás, e para quem teve razão, e o que é que se passou e estar agora a esmiuçar.
 
Ardina do Alentejo - Foi um diferendo que não foi bom para ninguém…
FC - Penso que não foi bom para ninguém e não vale a pena estarmos agora a atribuir culpas a uns e a outros, e estarmos a olhar para trás. A vida faz-se de presente e futuro. Penso que as coisas estejam resolvidas e fico feliz por isso porque me prejudicou bastante. Acho que é bom para todos a resolução do diferendo. Não vale a pena estarmos a esmiuçar um passado, um passado desagradável, um passado que não trouxe nada de bom para ninguém, e espero que o futuro seja muito mais risonho do que este passado de dois ou três anos.
 
Ardina do Alentejo - Resolvido que está este diferendo, regressas dia 5 de Setembro, à praça de touros da tua terra. Com que expectativas estás para essa corrida de comemoração dos 20 anos de alternativa?
FC - Até me faltam as palavras para descrever esse momento que chegará. A praça de touros de Estremoz faz parte de mim. O meu pai foi muitos anos empresário da praça. Toureámos lá centenas de vacas, treinámos lá centenas de horas, na minha meninice. Era uma parte importante da minha vida. Nunca mais pisei a sua arena, nunca mais percorri as suas instalações… No fundo, foi ali que nasceram tantos dos meus sonhos. Será um dia que eu quero cuidar cada pormenor ao extremo, para que o dia possa ser de acordo com a expectativa que eu criei, ainda para mais agravado por esta ausência. 
Há 14 anos que não toureio naquela praça e era uma coisa que eu desejava muitíssimo. Toda a minha família esteve ligada à praça. O meu avô foi empresário da praça e toureou naquela praça, o meu pai foi empresário da praça e toureou lá, fez na praça de touros de Estremoz as comemorações dos seus 25 anos de alternativa, fez lá a sua despedida. Todas as datas importantes o meu pai comemorou na praça de Estremoz e eu tinha esta espinha atravessada na garganta o facto de não poder participar nas corridas lá, e agora estou muito feliz de o poder fazer, ainda por cima numa data tão importante para mim. Vou comemorar os meus 20 anos de alternativa no local onde tinham de ser comemorados.
 
Ardina do Alentejo - Ainda antes dessa corrida de Estremoz, há Tomar e Terrugem…
Francisco Cortes - E tenho mais algumas… Este ano até tenho uma agenda com alguma intensidade, sobretudo agora em Agosto e Setembro. Toureio em Tomar, depois na Terrugem, depois dia 15, na Idanha-a-Nova, dia 16 na Figueira da Foz, e provavelmente dia 21 em Viana do Castelo. Depois de Estremoz, irei dia 12 de Setembro, a Moura, depois irei às Caldas da Rainha, e no princípio de Outubro, a Santarém.
Há ainda a possibilidade de na última corrida da temporada do Campo Pequeno, a 1 de Outubro, uma corrida que será televisionada, e que se for de seis cavaleiros, eu também irei.
E eventualmente poderão ainda aparecer outras datas. Estou contente com a minha agenda porque hoje em dia a tauromaquia move muitos interesses, e há muita gente que não olha a meios para atingir os seus fins e eu mantenho a minha ética e as pessoas reconheceram isso, reconhecem-me algum valor e estão a dar-me a possibilidade de actuar em determinadas corridas e em praças importantes, o que me deixa muito feliz.
Quando foi da apresentação da minha quadra de cavalos, tu e o José Lameiras perguntaram-me o que é que eu esperava desta temporada e eu disse que esperava desfrutar de cada momento e de estar sem ansiedades. E é precisamente isso que está a acontecer. As coisas têm surgido naturalmente. Também tem havido um trabalho importante por parte do meu apoderado, o Sr. Fernando do Canto, que tem acreditado em mim, e que se tem disponibilizado para trabalhar, provavelmente uma das lacunas da minha carreira, a falta desse trabalho de fundo por parte de um apoderado. 
 

Há ainda a possibilidade de na última corrida da temporada do Campo Pequeno, a 1 de Outubro, uma corrida que será televisionada, e que se for de seis cavaleiros, eu também irei.

 
Ardina do Alentejo - Qual era para ti o cartel de sonho em que gostavas de estar presente?
FC - O cartel de sonho penso que será este que se prevê para Estremoz. O João Moura, que para além de ser um amigo de toda a vida e de existir uma ligação familiar muito forte, eu desde pequeno que me habituei a admirá-lo, a vê-lo como o ídolo de várias gerações e provavelmente por ser o melhor cavaleiro da história da tauromaquia em Portugal. É uma pessoa que por todo o seu historial é muito relevante a sua presença neste cartel.
O António Ribeiro Telles, para além da ligação familiar que nos une desde sempre, desde o tempo do meu avô e do Mestre David Ribeiro Telles, é um expoente máximo da nossa tauromaquia, e da forma portuguesa de tourear. Será provavelmente aquele que mais defende as nossas tradições.
Dificilmente seria um cartel mais do meu agrado. 
 
Ardina do Alentejo - Existe alguma expectativa no ar de ver o teu pai, José Maldonado Cortes, nas cortesias da corrida do próximo dia 5 de Setembro, em Estremoz. Vai ser uma realidade?
FC - O meu pai está um pouco apreensivo em relação a essa situação, por todas as polémicas que aconteceram, em relação à reinauguração da praça de Estremoz… e isso levou a que houvesse uma certa hesitação por parte do meu pai em relação a esta sua participação.
Ele foi convidado e para mim seria indescritível o prazer que me daria, voltar a vê-lo vestido de toureiro e a fazer as cortesias num dia tão especial para mim. O estar dentro da arena comigo, acompanhar-me a fazer as cortesias, seria uma forma de ele manifestar solidariedade e apoio para comigo.
Mas por outro lado eu entendo que o meu pai também não esteja a querer ser interpretado de outra forma com esta sua presença. Eu espero que ele acabe por entender que será uma homenagem que me fará e que me deixaria extremamente feliz porque foi a pessoa que ao longo de toda a minha carreira, sempre esteve a meu lado, em todos os momentos, nos bons e nos maus, e sobretudo nos maus, porque nos bons é mais fácil termos as pessoas ao nosso lado. Naqueles momentos em que as coisas nos correm mal, em que as pessoas não acreditam e em que toda a gente diz mal, ele foi a única pessoa que me apoiou e sempre acreditou em mim, e obviamente que é a pessoa que eu mais gostaria que de ter ao meu lado nesse dia. Espero que seja possível e que ele também se sinta desejado nesse dia, que sinta que as pessoas querem e gostam que ele lá esteja.
 
Ardina do Alentejo - A quem for ler esta entrevista que mensagem lhes deixas, quer sejam aficionados ou não?
FC - Para os não aficionados, uma palavra de respeito para eles, sobretudo se tiverem algum conhecimento do que é a tauromaquia. Se não tiverem sugiro que tentem perceber e aproximarem-se um pouco mais da tauromaquia e depois criarem a sua própria opinião.
Para os aficionados, e sobretudo para os de Estremoz e da região, a mensagem que lhes deixo era que se associassem a esta corrida dos meus 20 anos de alternativa. Não posso solicitar pessoalmente a presença de todos e o vosso apoio nesse dia, mas gostaria que percebessem o quão importante seria para mim, que todos os meus amigos e as pessoas que desde pequeno me conhecem, poderem partilhar esse dia tão especial e importante para mim.
Que entre todos nós façamos um dia inesquecível. O público também faz uma corrida de touros, não são só os cavalos, os touros e os toureiros.
Seria a cereja no topo do bolo poder contar com o vosso calor humano ao meu redor.
 
Os Sabores das Servas
Mais uma vez, a equipa do "Ardina do Alentejo" e o nosso convidado comprovaram que o profissionalismo dos irmãos Baía e de toda a sua equipa são merecedores de cinco estrelas. Esta foi a nossa ementa. 
Entradas: Pão, Presunto fatiado, Sonhos de Farinheira (Paparatos), Manteiga e Manteiga de Farinheira
Pratos Principais: Rosbife, Bacalhau à Servas e Salmão Folhado
Sobremesas: Gelado com Molho de Chocolate, Sortido de Doces (Pudim das Servas, Encharcada, Maravilha de Chocolate e Pudim de Ovos)  
Vinho: Monte das Servas Branco 2014
 
 

Hugo Painho está de volta ao Arcoense, clube que representou, capitaneou e de onde saiu para ajudar a "devolver" o futebol sénior ao CF Estremoz. Curiosamente, também em Sousel o Condestável voltou ao activo pelas suas mãos e agora o mesmo acontecerá no emblema de Arcos. O jovem treinador, que também faz parte do departamento de prospecção do Sporting, terá agora em mãos a missão de devolver o futebol às gentes de Arcos e ao "12 de Julho". O regresso acontecerá no campeonato do Inatel, mas o objectivo é criar uma base sólida para que a equipa possa disputar, nas épocas seguintes, o Distrital de Évora.

 
Ardina do Alentejo - Como é que recebeste este convite para treinares o SC Arcoense, um clube que representaste enquanto jogador?
Hugo Painho - Surgiu de conversas entre amigos, membros da direção ou ex-jogadores do SCA, enfim foi tudo muito rápido e foi um misto de convite e de eu próprio me disponibilizar para ajudar. Não houve um convite formal, apenas a necessidade de o SCA voltar e o precisar mais que do nunca que as pessoas que têm algum carinho pelo clube possam disponibilizar a sua ajuda, jogando, gerindo, treinando… Todos fazem falta neste momento e eu senti que era meu "dever" também ajudar com aquilo que sei fazer. Neste momento tenho compromissos com o Sporting Clube de Portugal, assim como também a vida profissional e a possibilidade de um Mestrado em Treino de Alto Rendimento - Futebol, tudo isto somado não me deixava tempo para muito mais, mas achei que ainda assim poderia ser útil a um clube que tanto gosto e admiro. A carga de treinos não vai ser tanta como um distrital ou um nacional mas no entanto garanto que o empenho será o mesmo.
 
Ardina do Alentejo - Quais são os principais objectivos para a época que se avizinha?
Hugo Painho - Mais do que nunca será o de construir alicerces para que o SCA volte a patamares que merece. Não há resultados em termos competitivos na nossa cabeça neste momento, pensaremos jogo a jogo, há sim resultados em termos evolutivos, quer nos jogadores quer no clube, o trabalho será direccionado para criar bases de forma a que o amanhã seja melhor que o presente, e que no final estejamos todos de consciência tranquila, direção, equipa técnica, jogadores conscientes que demos o melhor e que "a máquina está a andar".
Além de toda esta ideia global, tenho de frisar também um dos objectivos: O de voltar a dar Futebol às gentes de Arcos, o de voltar a levar ao Campo 12 de Julho a população e simpatizantes do clube, que, com certeza não esquecem tantas e tantas tardes bem passadas naquele simpático espaço que é do Clube.
 
Ardina do Alentejo - O que é que a direcção do SCA te pediu?
Hugo Painho - Curiosamente nada, isto é, desde o primeiro minuto que estamos em consonância de ideias. O que a direção quer é honestidade, pés assentes na terra, o crescimento sustentado do clube e o regresso do mesmo ao ativo, e o que o Mister Hugo quer é precisamente o mesmo, juntando aqui se conseguir um bom trabalho técnico a nível futebolístico. Portanto mais que me pedir algo, a direcção sabe que pode contar comigo e com o meu profissionalismo para juntos, e repito, juntos atingirmos os nossos objectivos, que no final se resumem a isto: ganhar sim, ganhar sempre que se pode, mas acima de tudo garantir que poderemos ganhar mais no futuro trabalhando bem no presente.
 

A direcção sabe que pode contar comigo e com o meu profissionalismo para juntos, e repito, juntos atingirmos os nossos objectivos.

 
Ardina do Alentejo - Já iniciaste contactos com alguns jogadores que gostavas de ver no teu plantel? Já há jogadores contratados?
Hugo Painho - Sim, tenho tentado alguns contactos, principalmente tentando que sejam os jogadores da terra a dar a cara tal como eu a estou a dar, assim como alguns que não sendo da terra sabem bem o que é aquele balneário. Além disso cativar outros que estejam disponíveis a aprender e principalmente a fazer parte de uma grande família. Mas não está fácil, no entanto se fosse fácil também não era para nós, e uma coisa garanto, independente da qualidade individual ou não que possamos conseguir para o plantel, a qualidade como equipa iremos conseguir com toda a certeza, dentro das nossas possibilidades seremos uma equipa forte, unida e competente.
 
Ardina do Alentejo - Não entendes este como um passo atrás na tua carreira, depois de já teres treinado algumas equipas nos campeonatos distritais, quer em Évora, quer em Portalegre?
Hugo Painho - Claro que pela lógica das coisas a resposta obvia é que sim, aliás a resposta para quem está de fora é essa, mas eu, e não querendo usar um chavão como "dar um passo atrás para dar dois em frente", sou daqueles que acredito que o trabalho não se mede pelo campeonato que disputamos, nós não treinamos campeonatos, treinamos equipas. A Juventus não deixou de ser Juventus quando foi relegada para a 2ª divisão, o Boavista idem e tantos outros casos... Por isso digo sem qualquer tipo de receio que sim, vou treinar uma equipa num campeonato com menor visibilidade, mas eu não deixarei de ser o Hugo Painho e principalmente o clube não deixará de ser o SC Arcoense.
 
Ardina do Alentejo - Que mensagem queres deixar a quem vai ler esta entrevista, em especial aos sócios e adeptos do Arcoense?
Hugo Painho - Penso que já tenha dito praticamente tudo nas questões anteriores, pois acredito que as pessoas entendam a ideia e o espírito com que estamos todos embutidos. E se não posso prometer resultados para já (e não tenho medo de os assumir no futuro) porque vamos ter que fazer um trabalho de fundo com os jogadores que tivermos à disposição, uma coisa prometo, a de que todos os sócios, adeptos e simpatizantes do clube com toda a certeza sentirão orgulho dos seus atletas, que serão honestos, humildes, muito trabalhadores e disciplinados, pois só quem for assim fará parte do meu plantel. Semana após semana quem nos acompanhar verá por certo evolução e empenho e assim sendo estamos todos de parabéns.
 
Ardina do Alentejo - Esta pergunta impõe-se a um sportinguista como tu... Conviveste na Academia de Alcochete com Marco Silva, viste os seus métodos de treino e usaste as redes sociais para elogiar o seu trabalho. Como vês a sua saída de Alvalade e a entrada de Jorge Jesus no SCP?
Hugo Painho - Como por certo entendes, não me posso manifestar a nível pessoal sobre um assunto que é do âmbito da direcção. Trabalho para o Departamento de Prospeção do clube e respeito muito todas as decisões de quem de direito. Sou livre sim para dizer que o Marco é um excelente treinador, faltando alguma experiência que por certo ganhará com o tempo pois o essencial está lá, assim como também conheci uma pessoa amável, simples e de conversa fácil. O Sporting estava bem servido dentro do campo, fora dele a direção diz ter razão de queixa, e como tal não me compete a mim analisar. Quanto ao substituto e analisando apenas a parte que me compete, a parte técnica, também posso garantir que o Sporting está super bem servido, pois embora apenas tenha assistido a uma palestra do Mister Jesus há uns anos atrás (e logo aí senti todo o seu conhecimento) os resultados e qualidade das equipas que treina falam por si. É um apaixonado pelo futebol, respira 24 horas a modalidade e o que lhe falta em palavras e termos científicos para transmitir aos órgãos de comunicação social muitas vezes, sobra em conhecimentos e sabedoria para potenciar ao máximo os seus jogadores. Por aqui não ficamos a perder com toda a certeza.
Para terminar queria agradecer ao Ardina do Alentejo, em especial a ti Pedro pelo interesse, em meu nome e do SC Arcoense, e dizer que estamos disponíveis ao longo do ano para colaborar contigo e com todos os órgãos de comunicação social que assim o entendam. O futebol, e o desporto em geral, é de todos e vive de todos, cada um com a sua competência, comentando, escrevendo, jogando, assistindo, enfim, o futebol precisa de todos. Um forte abraço e Saudações Desportivas a todos os que são pelo Desporto.
 
No dia que antecede a realização de mais um grande evento na cidade branca do Alentejo, o Festival da Rainha - II Feira Medieval de Estremoz, o “Ardina do Alentejo” apresenta-lhe uma grande entrevista com o Presidente da Câmara Municipal de Estremoz, Luís Filipe Mourinha.
 
A FIAPE 2015, o balanço da maior Feira Internacional Agropecuária de Estremoz, foi o mote para uma conversa onde se falou ainda do Primeiro-Ministro, do PDM, da Zona Industrial dos Arcos, da oposição, do Parque de Feiras e Exposições, dos Bonecos de Estremoz, de eventos, e de muito mais naquele que é o primeiro “À Mesa das Servas com…”!
 
Por entre um divinal “Folhado de Salmão”, um delicioso “Lombo de Porco recheado com ameixa”, e uns tradicionais “Pézinhos de Coentrada”, bem regados com os muito apreciados néctares da Herdade das Servas, e superiormente servidos pela equipa gerida por Paulo e Maria da Fé Baía, as perguntas e as respostas foram surgindo. E quase que nem demos pelo tempo passar.
 
“À MESA DAS SERVAS COM... Luís Filipe Mourinha, Presidente da Câmara Municipal de Estremoz”
 
Ardina do Alentejo - Que balanço faz da FIAPE 2015?
Luís Mourinha - Digamos que esta FIAPE foi assim quase como a pescada, que antes de ser já o era. Todas as indicações que tínhamos, depois do contacto com várias pessoas, de Estremoz e não só, que a feira iria ser bastante positiva. O que se veio a confirmar com o facto de termos batido todos os recordes, não só de afluência, mas também de participações.
Mas para mim o mais importante, para além dos espectáculos musicais e das lotações esgotadas que tivemos, foi ter sido vendido todo o gado que estava em exposição, performance que outras feiras não conseguem atingir. Isto significa que todos os expositores na área da pecuária, trouxeram a Estremoz os melhores produtos que há no mundo. Foi alta qualidade aquela que esteve em exposição e por isso, o resultado final.
 
Ardina do Alentejo - Foi uma feira que superou as suas expectativas?
Luís Mourinha - Todas as indicações que tínhamos eram de que ia ser uma feira muito positiva. E desde o momento em que se esgotam as primeiras pulseiras, que é necessário um reforço, vimos aí que iriamos bater todos os recordes. Já sabíamos que ia ser positiva. E foi melhor porque não houve desacatos, foi uma feira tranquila, com muita gente e com os objectivos atingidos.
 
Ardina do Alentejo - Se as contas não falham, esta foi a 17ª FIAPE enquanto Presidente da Câmara Municipal de Estremoz. Continua com a mesma a vontade e energia como na primeira feira que organizou?
Luís Mourinha - Evidente. Há poucos dias fiz uma retrospectiva e posso dizer que nós tivemos boas feiras também no Rossio, em momentos diferentes mas também com impacto. Hoje a grande diferença passa pelo facto de termos um espaço definitivo, em que os custos da feira, em termos organizativos, são menores. Se fossemos buscar os custos da feira de há 17 anos se calhar estávamos a gastar 4 ou 5 vezes mais do que estamos a gastar hoje.  
O facto de gastarmos menos dinheiro dá-nos mais segurança. Temos uma almofada de despesa que se enquadra nas nossas condições económicas. Antes tínhamos a vantagem de sermos financiados a 75% na realização das feiras e neste momento não temos financiamento, a não ser a participação das pessoas. Conseguirmos realizar a feira a custo zero para o Município é o mais importante.

Ardina do Alentejo - Já que estamos a falar de contas, que valores estão envolvidos na realização da FIAPE 2015? Pagou-se a si própria?
Luís Mourinha - Ainda não fizemos uma avaliação definitiva, mas posso dizer que há um diferencial relativamente baixo de investimento por parte do Município, a rondar os 15 mil euros. Numa organização que ronda os 200 mil euros, ter 15 mil de diferencial é espectacular.
 
Ardina do Alentejo - O Concurso Nacional de Bovinos da Raça Limousine e as I Jornadas da Figueira-da-Índia foram novidades em 2015. Já há novidades para 2016?
Luís Mourinha - Nós ainda estamos a digerir a última feira, mas posso garantir que essas são actividades para continuar. As Jornadas da Figueira-da-Índia tiveram um grande impacto, com a participação de cerca de 120 pessoas interessadas no tema. Penso que é uma área na agricultura que pode ser desenvolvida e a nossa zona é propícia. 
Em relação aos concursos, aqueles que temos são bons em todas as raças. O Concurso Nacional de Bovinos da Raça Limousine é mais um que veio acrescentar qualidade à nossa feira. Ficámos satisfeitos porque os participantes são produtores que estão muito focados na qualidade. Estavam em Estremoz os mais referenciados produtores em bovinos, ovinos e caprinos, e o resultado final foi a venda de todos os animais, uma situação que não sei se pode ser repetível. Foi esta uma das situações para mim mais importante da FIAPE 2015.
Em relação a novidades para 2016… Estamos agora num período de reflexão e vamos ver se conseguimos inovar. E a inovar, podemos inovar na melhoria das condições do espaço e em outras actividades. Uma coisa é certa: a feira não é um processo fechado.
 

Numa organização que ronda os 200 mil euros, ter 15 mil de diferencial é espectacular

 
 
Ardina do Alentejo - Há arestas a limar?
Luís Mourinha - Há muita coisa a mudar, mas também há muita coisa que queremos manter. Mas o queremos mudar e o queremos manter, não depende só de nós, depende também dos expositores, de saber o que é que eles querem, de quais são as suas expectativas para o futuro, há esta parceria que é importante, e é importante saber o que é que cada um quer em cada área.
O Parque de Feiras está feito e vamos tentar ampliá-lo. Vamos ver se conseguimos. Vamos ver o que é que os Fundos Comunitários conseguem trazer de novidade em relação a isso. Se trouxerem essa possibilidade, ampliaremos e melhoraremos espaço, para que cada visitante se sinta feliz e satisfeito ao visitar a feira.
 
Ardina do Alentejo - Pode a FIAPE crescer mais do que este ano? Ser maior do que aquilo que já é?
Luís Mourinha - Esse é um debate que temos de ter, mas no meu ponto de vista, a nossa dimensão é esta. Não vale a pena estarmos a sonhar com muito mais, porque isso significa um grande investimento e temos outras coisas para resolver no concelho. Penso que durante a próxima década não haverá dinheiro para se pensar nisso. Depois a seguir penso que há condições para se pensar noutros equipamentos e em aumentarmos a feira. Não nos podemos esquecer que existe toda aquela área entre o Parque de Feiras e o Campo de Futebol, existe um outro espaço junto do actual Parque de Feiras, que também é uma possibilidade. Mas para se pensar em novos investimentos de alargamento do Parque de Feiras requer que tenhamos três ou quatro FIAPE’s, consecutivas, com esta dimensão. Esta foi uma situação que superou em toda a linha aquilo que estava previsto, mas é preciso repetirmos para ver se é necessário fazer investimentos de outro montante. 
 
Ardina do Alentejo - Na cerimónia de inauguração da FIAPE fez o balanço do mandato de Pedro Passos Coelho, deixou alguns recados à oposição e também deixou no ar alguns pedidos ao Primeiro-Ministro. Já obteve alguma resposta a esses pedidos?
Luís Mourinha - Em relação ao balanço que fiz do mandato do actual Governo, aquilo foi a  realidade, não estive a inventar nada. E na segunda-feira a seguir à FIAPE já estavam em Estremoz elementos do Ministério da Defesa, para tratarmos de assuntos.
 
Ardina do Alentejo - Foi o melhor Primeiro-Ministro para o concelho de Estremoz?
Luís Mourinha - Se fizermos uma avaliação do que foi feito noutros mandatos e agora… Se fizermos a soma dos valores envolvidos e do número de situações em que o Governo esteve envolvido, penso que é um balanço muito positivo, e não temos um outro mandato governativo com tantas situações positivas. Acho que melhor é difícil de arranjar noutros mandatos, mesmo com vontade de fazer qualquer coisa.
Não esquecer, e este é mais um ponto a favor do Governo, que recentemente foi publicado no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial a Produção dos Bonecos de Estremoz, o primeiro passo para irmos a caminho da UNESCO, e para isso muito contribuiu o Secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros, que recentemente esteve em Estremoz, e a quem agradeço publicamente a assinatura do documento, numa pasta que lhe diz respeito.
Em relação aos pedidos, o Primeiro-Ministro respondeu-nos em relação à Zona Industrial dos Arcos, de uma forma clara, que aquilo que eu pedi não vai ser possível brevemente. Estamos por isso a equacionar contrair um empréstimo, no mês de Junho, que possa ser recuperável com os Fundos Comunitários, para lançarmos o mais rapidamente a Zona Industrial dos Arcos. Se não for possível recuperar temos de esperar, o que para nós é complicado e uma perda de tempo porque temos investidores à espera.
 

Esta gente que critica por criticar, porque são da oposição, normalmente rebenta-lhes tudo nas mãos… e na consciência, provavelmente

 
 
Ardina do Alentejo - Nem só de FIAPE vive Estremoz. Vão haver novidades em termos de eventos? Há outros eventos a nascer em Estremoz?
Luís Mourinha - Estremoz não pode ser só eventos. Temos de ter realizações efectivas em que o concelho fique preparado para o futuro. Vamos ter um Plano Director Municipal (PDM) a tentar aprovar no mês de Junho. É um PDM diferente do que aquele que foi desenvolvido até aqui. Até aqui era Capital do Mármore, e o Mármore faliu, faliu no aspecto em que não atingiu a dimensão esperada à época em que foi feito o anterior PDM, um PDM que demorou 10 anos a ser concluído, digamos que quase cumpriu na sua execução o seu prazo de validade. Este novo PDM aposta muito no ambiente, aposta muito naquilo que nós somos em termos de concelho, aquilo que nós temos de bom, propõe valorizar a nossa gastronomia e o nosso património. 
Eventos… Provavelmente seremos das cidades do interior em que existe mais dinâmica por parte das instituições na realização de eventos. Mas essa dinâmica também acontece porque sabem que contarão sempre com um forte apoio do Município, e é por isso que existem tantos eventos, das mais diversas áreas, em Estremoz, desde o Teatro, ao Ciclismo, à Gastronomia, ao Hipismo, etc...
 
Ardina do Alentejo - A quem vai ler esta entrevista que mensagem lhes deixa?
Luís Mourinha - Isso é mais complicado, porque há uns que vão ter azia e há outros que vão dizer que está bem, está tudo correcto.
Eu costumo dizer que em Estremoz, há a Brigada do Reumático, mas a Brigada do Reumático tem diminuído de força, e hoje essa Brigada do reumático utiliza regras antidemocráticas para dizer mal, mas isso depois sai-lhes mal a eles. Dando um exemplo e voltando ao Parque de Feiras. Quando pensei e comecei a fazer o Parque de Feiras diziam que era uma enormidade, que era tudo caro, que era um elefante branco… Gostava de saber se esses mesmos indivíduos hoje pensam da mesma maneira. Esta gente que critica por criticar, porque são da oposição, normalmente rebenta-lhes tudo nas mãos… e na consciência, provavelmente.
 
Nota de Redacção: “À Mesa das Servas com…” pretende ser, por excelência, o espaço de grandes entrevistas do “Ardina do Alentejo”. Em conjunto com a gerência do Restaurante das Servas, o Paulo e a Fé Baía, pretendemos que estas sejam entrevistas inesquecíveis, interessantes e atraentes. Contamos consigo para que as leia com tanto gosto como aquele que nos dá a escrevê-las.
 
Texto: Pedro Soeiro | Fotos: Ivo Moreira
 
Aos quatro anos, pela mão do saudoso Raio, entrou pela primeira vez no então Ringue do Caldeiro, para aprender a patinar. Começava aí uma paixão pelo hóquei em patins.
 
Nuno Lopes foi jogador do Clube de Futebol de Estremoz nos escalões de Infantis e Iniciados. Depois, por volta dos 13 anos, devido a afazeres profissionais do seu pai rumou até à Marinha Grande. Jogou ainda no Sporting Clube Marinhense, no Sport Leiria e Marrazes, no Hóquei Clube Turquel e na Associação Alcobacense de Cultura e Desporto, onde terminou a carreira de atleta.
 
Como treinador, a sua carreira iniciou-se no Sporting Clube Marinhense, tendo passado pelo Sporting Clube de Tomar, antes de chegar ao clube do coração, o Sporting Clube de Portugal.
 
Recentemente, e ao comando da equipa verde e branca, venceu a Taça CERS, a segunda competição mais importante da Confederação Europeia de Hóquei em Patins. Depois da conquista, visivelmente emocionado, e em declarações à televisão do clube verde e branco, o técnico estremocense não esqueceu as raízes e gritou a plenos pulmões "Viva Estremoz".
 
Nuno Lopes concedeu ao “Ardina do Alentejo” uma muito interessante entrevista, onde falou da sua infância, do CF de Estremoz, da sua cadeira de sonho, da conquista da Taça CERS e das muitas mensagens de felicitações que recebeu por parte dos estremocenses. Estremocenses que não foram esquecidos pois o técnico sportinguista, de 43 anos, aproveitando a oportunidade dada pelo “Ardina do Alentejo” deixou uma mensagem de agradecimento a todos os seus conterrâneos.
 

É já no dia de amanhã, Sábado, 25 de Abril, que o jovem diestro português João Silva “El Juanito” se vai “encerrar” na praça espanhola de Villanueva del Fresno, com seis novilhos-touros.
 
A “encerrona”, que terá lugar a partir das 16.30 horas (hora portuguesa), acontece um dia depois do jovem toureiro de Monforte completar 16 anos. O aluno da Escola de Toureio de Badajoz lidará três novilhos-touros da ganadaria de Murteira Grave e três novilhos-touros da ganadaria espanhola La Peregrina.
 
“El Juanito”, acompanhado pelo seu pai, o sobejamente conhecido bandarilheiro Hugo Silva, concedeu uma entrevista conjunta à Rádio Despertar - Voz de Estremoz e ao “Ardina do Alentejo”, que lhe disponibilizamos em seguida, e onde falou da sua “encerrona” e das expectativas que tem para um dia que será certamente marcante para o jovem português.
 
Sorte TOUREIRO!

Corria o ano de 2011, quando foi diagnosticada a Joaquim Rosado uma Leucemia Linfoblastica Aguda "T".
Durante os últimos quatro anos, este gerente bancário agarrou-se à vida e lutou contra a adversidade.
Quando se sentia mais em baixo, "desabafava" com o computador. E são precisamente esses desabafos que agora estão em livro.
"Episódios da minha vida - Quero viver" é o nome do livro que Joaquim Rosado lançou e que já se encontra praticamente esgotado.
Na semana em que regressa às suas funções de Gerente Bancário do balcão de Estremoz do Montepio Geral, Joaquim Rosado concedeu ao "Ardina do Alentejo" esta entrevista que tem leitura obrigatória.
Lúcido, sempre a olhar em frente, com pensamento positivo, e constantemente com a esposa e os filhos no pensamento. Joaquim Rosado na primeira pessoa.
 
Ardina do Alentejo - Ao contrário de muitas outras pessoas, que tentam esconder ou quem sabe esquecer que a "Leucemia" lhes bateu à porta, o Joaquim, pelo contrário, quer contar episódios da sua batalha contra esta maldita doença. Porquê? O porquê de surgir este livro "Episódios da minha Leucemia - Quero viver"?
Joaquim Rosado - Nunca escondi a doença que me tinha sido diagnosticada, sempre falei abertamente sobre o assunto e ainda hoje mantenho essa postura. Quando escondemos algo, é sinal de medo ou receio e não me podia permitir logo de início deixar cair nessa armadilha. Esconder o diagnóstico que estava traçado, era uma forma de não aceitar a doença e iniciava aí um processo de rejeição ou revolta sobre o destino.
Quando nos surge um problema, a qualquer nível na vida, a solução não é, de certeza absoluta, esconder o problema, “empurrar o lixo para debaixo do tapete, não é solução”. Estes problemas não se esquecem, mesmo que se tente essa manobra, tenham a certeza que o corpo vai lembrar-nos todos os dias. 

Durante longos períodos de internamento, como disse anteriormente, estes problemas não se esquecem, estão na solidão do quarto, e sempre que sentia necessidade de chorar, reflectir ou falar, escrevia para uma pasta que tinha no computador, à qual dei o nome de “desabafos”. Escrever abertamente sobre a doença, sobre o que queria “lutar ou desistir”, era a melhor forma de encontrar o meu equilíbrio interior. Foi assim que carregava as baterias emocionais ou motivacionais. Existiam pessoas que sabiam desse ficheiro, enfermeiros, alguns familiares e, em especial, a Dra. Clotilde, assistente social do Montepio Geral, que leu e referiu que era importante a muita gente com problemas idênticos ter conhecimento da minha força de vontade e estratégia utilizada. Após muita insistência, enviei um e-mail a três editoras e a resposta foi quase imediata. 
Por esse facto, ainda hoje não considero todas essas páginas um livro, mas sim simples relatos da minha luta. Se com as minhas palavras conseguir ajudar alguém a não desistir e a acreditar na vitória, fico muito feliz.
 
Ardina do Alentejo - E como estão a decorrer as vendas?
Joaquim Rosado - Os livros foram divulgados nas redes sociais em 12/03/2015. Ainda hoje não acredito que, passados nove dias somente, existem em minha posse cerca de 25 livros.
 
Ardina do Alentejo - Como e onde é que se pode adquirir o livro?
Joaquim Rosado - Na secretaria dos Bombeiros Voluntários de Estremoz, contactando-me pelo Facebook, ou também na Papelaria Livraria Aníbal.
 
Ardina do Alentejo - É um Joaquim Rosado diferente daquele que existia antes de lhe ser diagnosticada a doença?
Joaquim Rosado - Hoje sinto-me mais forte, mais maduro e muito motivado. Quero viver com muita intensidade. Aprendi que não posso desperdiçar tempo com pensamentos negativos. Hoje, sempre que sou confrontado com qualquer situação menos agradável, tento sempre compreender o que de bom posso retirar daí. Hoje sei que não vale a pena perder tempo com o que e com quem nada acrescenta à minha vida.
 
Ardina do Alentejo - Alguma vez pensou que o fim estava próximo?
Joaquim Rosado - Sim. Algumas vezes senti que chegara ao fim da linha, outras vezes não me lembro de ter partido, mas lembro-me de ter regressado. O caso mais grave foi já pós transplante, com um estado de coma prolongado. 
 
Ardina do Alentejo - E como está o Joaquim Rosado agora? Está vencida esta batalha? Está ultrapassada esta montanha que se lhe deparou no caminho?
Joaquim Rosado - Actualmente não estou curado, mas sim numa fase chamada “Doença do Enxerto contra Hospedeiro”. De uma forma simples, no transplante de medula recebi novas células que não são totalmente iguais às que eu tinha anteriormente. O meu corpo está sobre o efeito de imunossupressores (medicamentos utilizados para a prevenção e tratamento da rejeição de um órgão transplantado). Até tudo parece estar bem, mas nada está garantido. Esta é mais uma batalha que quero e vou vencer, mas estou consciente que, com este tipo de leucemia, muitos infelizmente ficam pelo caminho. Vivo numa corda bamba mas tranquilo e equilibrado.
 

Ardina do Alentejo - A família, a sua mulher e os seus filhos, foram parte importante em todo este processo. Eram eles o seu "porto de abrigo"?
Joaquim Rosado - Para vencer qualquer batalha é preciso lutar e eu sempre lutei, nunca desisti. Mas engane-se quem pensa que consegue vencer qualquer batalha desta natureza sozinho. Só foi possível chegar até aqui, porque a esposa sempre acompanhou de perto toda a situação. Foi ela que me deu todo o apoio, conforto, ânimo. Hoje, digo com muito orgulho, que foi ela que me prendeu à vida.
Quanto aos filhos, foram exemplares. No início do meu primeiro internamento iniciaram a vida académica na cidade de Évora. Conseguiram neste últimos anos fazer sozinhos a gestão das próprias vidas. Estudantes, gestores da própria casa em Évora, sempre apoiaram a mãe na empresa de que era proprietária e visitavam-me regularmente em Lisboa. Foram na realidade simplesmente crianças que se tornaram adultos e deram sempre a mão à mãe. 
Todos eles foram a minha âncora, que me permitiram estar estável num porto de abrigo de águas agitadas.
 
Ardina do Alentejo - Que mensagem deixa a todos aqueles que lerem esta entrevista?
Joaquim Rosado - Acreditem na vida, nunca desistam e lutem com determinação pelos seus sonhos. Sejam felizes hoje, porque nada está garantido no amanhã e o passado é isso mesmo… passado.
 
 
A sabedoria popular costuma dizer que “não há duas sem três”, mas esse dito tão português perde todo o significado quando falamos na Lapão Automóveis, porque para esta firma estremocense, que está no mercado há mais de 30 anos, “não há quatro sem cinco”…
 
No passado dia 6 de Fevereiro, a Lapão Automóveis voltou a ser reconhecida como “Top 5 - Melhor Oficina Opel em Portugal”, pelo quinto ano consecutivo. A entrega do prémio decorreu no Praia D`El Rey Marriott Golf & Beach Resort, em Vale de Janelas, Óbidos. A firma estremocense foi representada por Nuno Ramalho e Jorge Lapão.
 
O “Ardina do Alentejo” esteve à conversa com o sócio-gerente Manuel Lapão, que nos falou de mais esta conquista, sempre olhando para o futuro, não esquecendo os clientes, a cidade de Estremoz, e mantendo sempre no ar a palavra que melhor define esta empresa: Qualidade.
 
Ardina do Alentejo – Qual o segredo do sucesso para serem TOP 5, Melhor Oficina Opel em Portugal, em cinco anos consecutivos?
Manuel Lapão - Não há segredo, o nosso sucesso resulta da forma como aceitamos, colaboramos e colocamos em prática as regras preconizadas pela Opel, o atendimento e a forma como nos relacionamos com o nosso cliente, o reconhecimento perante este, que é ele o elemento principal dos nossos êxitos. A qualidade do serviço, levada a cabo pela nossa excelente equipa, na resolução de todas as questões que dia a dia vão surgindo, o elevado grau de rigor e de profissionalismo, que vêm demonstrando a cada dia que passa, com o objectivo comum de servir melhor o cliente, são também factores que contribuem bastante para o nosso sucesso.
 
Ardina do Alentejo – É um prémio que acrescenta responsabilidade…
Manuel Lapão - É claro que para uma organização como a nossa, os prémios impõem-nos responsabilidade, por tal motivo, sentimo-nos na obrigação de continuar o bom trabalho que vimos desenvolvendo, tendo sempre presente os princípios do rigor, da qualidade e da honestidade, com a finalidade de mantermos a satisfação do cliente e continuarmos no TOP 5 - Melhor Oficina Opel em Portugal.  
 
Ardina do Alentejo - Alcançaram o “penta”… Já olham para o “hexa”?
Manuel Lapão - Como já referi, é nossa intensão continuar no TOP 5, assim sendo, iremos aplicar todas as nossas forças, sabedoria e respeito, com a pura intensão da conquista do “hexa”, não desprezando e reconhecendo o valor de todos os nossos colegas que a par de nós, participam e lutam pelos mesmos objectivos.
 
Ardina do Alentejo – Uma empresa familiar, com provas dadas ao longo dos anos, que ombreia com os “gigantes” da marca a nível nacional… Um motivo de orgulho?
Manuel Lapão - Sim é um motivo de grande orgulho, pelo trabalho que ao longo de três décadas vimos desenvolvendo, pelos êxitos que temos conseguido, pelo que de bom as nossas vitórias trazem à nossa empresa Lapão Automóveis, por sentirmos que estamos a levar o nome de Estremoz e da nossa região a todo o país e algumas partes do mundo, onde a GM/Opel está representada. É também motivo de orgulho sentirmos o carinho, o afecto e as felicitações endereçadas por diversas entidades, pelos nossos clientes, pelos nossos amigos e por muitos anónimos. Para todos vão os nossos sinceros agradecimentos.
 
 

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