sábado, 26 maio 2018
Em Outubro de 2013 foi eleito Presidente da Direcção da CERCIEstremoz. Aquando da sua tomada de posse, que decorreu em finais de Novembro do mesmo ano, pediu a colaboração de todos, não só na continuidade do trabalho realizado até então, mas também na procura de novos rumos para a CERCIEstremoz.
 
Na semana em que se assinala o 40º aniversário da instituição, Jorge Canhoto concedeu ao “Ardina do Alentejo” uma breve entrevista em que nos fez o balanço dos quase dois anos e meio que leva de mandato, olhou para dentro da CERCIEstremoz e falou sobre a Gala de comemoração do 40º aniversário da instituição, que se realiza no próximo Sábado, dia 27 de Fevereiro. 
 
Ardina do Alentejo - Que balanço faz destes quase dois anos e meio à frente dos destinos da CERCIEstremoz?
Jorge Canhoto - Tem sido um tempo de muito trabalho, mas muito gratificante. Muitas horas a auscultar pessoas e a agendar atividades, muitas horas a procurar soluções para que a instituição tenha a desejada sustentabilidade sem pôr em risco a qualidade do serviço prestado.

A CERCIESTREMOZ tem alguns desafios pela frente, alguns deles cujas soluções estão a ser planeadas no presente de forma a que os próximos anos dão sejam de instabilidade.
No geral pesadas todas as coisas o balanço é extremamente positivo e estimulante para duplicar os esforços, se tal for necessário, para procurar as alternativas que nos façam manter o rumo da qualidade, da prestação de serviços voltados para a comunidade e da nossa responsabilidade social, conjugando tudo isto com a sustentabilidade dos nossos serviços.
 
Ardina do Alentejo - A CERCIEstremoz está bem e recomenda-se?
Jorge Canhoto - A CERCIESTREMOZ é um desafio que se renova todos os dias. É uma instituição que vive angústias semelhantes a muitas outras suas congéneres, mas que tem encontrado as soluções necessárias de forma a prestar um serviço de qualidade em qualquer uma das suas respostas sociais. A CERCIESTREMOZ tem ma área de abrangência de 7 concelhos (Alandroal, Borba, Vila Viçosa, Redondo, Estremoz, Sousel e Fronteira) e tem ao seu serviço 52 pessoas que se distribuem por 6 respostas sociais, que prestam um serviço a muitas pessoas dos 0 aos 80 anos. Em termos diretos chegamos a 40 utentes no Centro de Atividades Ocupacionais (CAO), 16 no Lar Residência (LR), 60 na Intervenção Precoce (IP). O Centro de Qualificação e Emprego (CQE), divide-se entre a Formação Profissional, que dá formação a 55 formandos e o Centro de Recursos que acompanha, em termos de posto de trabalho e colocação pós-formação, todos os formandos que são integrados em empresas ou outras instituições para aperfeiçoamento das suas competências. O mesmo centro trabalha ainda no âmbito das ajudas técnicas. A CERCIESTREMOZ tem ainda o Centro de Recursos para a Inclusão (CRI) que presta apoio a 126 alunos com necessidades educativas que se distribuem pelos concelhos de Fronteira, Sousel, Estremoz, Borba e Redondo. Existe, ainda, Loja Social que apoia cerca de 70 famílias, em termos de roupas e alimentação.
Penso que todos estes dados são suficientes para que se possa verificar a vitalidade da instituição, pese embora, como já referi, algumas angústias, não deixamos de continuar a cumprir a nossa missão de Dignificar o cidadão com deficiência ou incapacidade, potenciado a sua autonomia, a qualidade de vida e a felicidade, construindo a ponte entre a família e a comunidade.
 
Ardina do Alentejo - Qual o objectivo da Gala que se vai realizar no próximo dia 27 de Fevereiro?
Jorge Canhoto - A Gala Comemorativa do 40.º Aniversário da CERCIESTREMOZ pretende-se que seja um momento de convívio e de regozijo pelos 40 anos de serviço ao cidadão com deficiência ou incapacidade. Pensamos que todos aqueles que iniciaram o sonho e todos aqueles que o tem operacionalizado merecem o nosso agradecimento, pelo que consideramos ser esta a data ideal para homenagear os fundadores e os funcionários com 25 ou mais anos de serviço na instituição.
Paralelamente com esta ideia queremos que seja um momento de agradável convívio entre todos aqueles que se quiserem juntar a esta festa de aniversário e também que seja um tónico para os próximos 40 anos de atividade.
 
Ardina do Alentejo - Que mensagem deixa a todos aqueles que vão ler esta breve entrevista?
Jorge Canhoto - A mensagem que gostaria de deixar a todos é a de que a CERCIESTREMOZ é uma instituição de portas sempre abertas, que procura inovar e prestar um serviço de qualidade e para tal precisamos de todos, quer seja com ideias ou com ajudas de outra natureza. Deixo também o convite para que nos visitem e possam verificar o trabalho que ali é desenvolvido, será sempre com o maior dos prazeres que recebemos todos.
Estávamos no início do ano de 2008. Fernando e Carla Cardoso, profissionais desde sempre ligados à saúde visual, decidiram que esse seria o ano que iria mudar as suas vidas e lançaram-se num projecto a dois. Em Fevereiro surgia a Versão de Luz Óptica, estabelecimento óptico ligado ao Grupo Conselheiros da Visão.
 
No mês em que se assinalam oito anos desde que abriu portas na Rua D. Vasco da Gama, em Estremoz, a Versão de Luz Óptica, fomos ao encontro deste simpático casal de empresários, que, numa breve entrevista, fizeram o balanço desta aventura que iniciaram há oito anos, olharam para o presente do comércio local estremocense e perspectivaram o futuro. 
 
Ardina do Alentejo - Que balanço fazem destes oito anos de actividade da Versão de Luz Óptica?
Fernando e Carla Cardoso - O balanço que fazemos após estes oito anos é positivo. Apesar das dificuldades económicas, que de uma maneira geral todos sofremos, vamos conseguindo conquistar novos clientes e, o que é mais importante para nós, é tentar fidelizar ao máximo os clientes que até aqui tivemos. No nosso ramo, e numa cidade pequena como Estremoz, esse é o nosso objetivo principal... cada cliente ser transformado num amigo! E felizmente vamos conseguindo...
 
Ardina do Alentejo - Como é que olham para o comércio local numa cidade como Estremoz?
Fernando e Carla Cardoso - Olhamos com alguma preocupação... Está bastante desvirtuado, no entanto penso que se houver um pouco de investimento da parte, tanto dos comerciantes, como do Município, é possível reverter a situação, porque por todo o país há uma clara aposta em revitalizar o comércio tradicional e colocar de novo as pessoas a circular nas ruas e não em centros comerciais...
 
Ardina do Alentejo - E o futuro? Há novos projectos para desenvolver na Versão de Luz Óptica?
Fernando e Carla Cardoso - Projectos até há, mas é preciso que sejam reunidas determinadas condições para que os mesmos avancem... Esperamos que 2016/2017 sejam anos de virada e que, finalmente, nos incentive a avançar.
 
Ardina do Alentejo - Que mensagem deixam a quem for ler esta entrevista?
Fernando e Carla Cardoso - Deixo a mensagem que, no que respeita à saúde visual de cada um, devem escolher os profissionais e os estabelecimentos que melhor lhe transmitem conhecimento... Comprar óculos não é o mesmo que comprar roupa ou perfumes, envolve muita coisa de responsabilidade, e as pessoas têm que pensar bem na hora de decidir.
Não é certamente uma área onde apenas o preço possa ser critério de decisão mas, de qualquer forma, desejo os melhores sucessos a todos e a qualquer um que possa ler este testemunho.
 

Estremocense Carlos Menezes lança segundo álbum

Escrito por segunda, 09 novembro 2015 19:07
Aos 38 anos já percorreu o mundo inteiro a fazer aquilo que mais gosta: música! A mesma música que o fez integrar, ainda adolescente, a banda estremocense "Nova Era". Depois seguiu-se a saída de Estremoz e o ingresso na Escola de Música de Évora, em busca de um sonho. E concretizou-o! Hoje é músico profissional e participa em vários projectos. Acompanha, e apenas para lhe dar alguns exemplos, o "Rouxinol Faduncho" e a guitarra de Custódio Castelo.
 
Há cerca de um mês, lançou “Em Voz”, o seu segundo trabalho, onde o seu contrabaixo é figura de destaque.
 
“Ardina do Alentejo” esteve à conversa com Carlos Menezes. Estremoz, o seu mais recente trabalho discográfico, o seu percurso e os projectos foram alguns dos temas abordados. 
 
Ardina do Alentejo - Lançaste recentemente o teu segundo trabalho discográfico. Com que expectativas estás e como é que o mesmo tem sido recebido?
Carlos Menezes (CM) - Pensei que seria altura de mostrar a potencialidade de um instrumento de acompanhamento por natureza. O contrabaixo tem um papel muito importante na música, mas muitas vezes passa despercebido. Procurei mostrar uma outra voz deste instrumento. As pessoas têm reagido com alguma surpresa pois reconhecem as potencialidades do instrumento.
 
Ardina do Alentejo - Este "Em Voz" é um disco há muito desejado? E porque este título, sabendo-se que o contrabaixo é o elemento principal...? 
CM - Este disco tinha vindo a ser adiado por falta de tempo, mas chegou o momento de o contrabaixo ter um papel de cantor solista. Daí o título “Em Voz”.
 
Ardina do Alentejo - Saíste de Estremoz em 1991. O que é que tens feito, sabendo nós que a música te preenche os dias?
CM - Fui atrás de um sonho. O sonho tornou-se bem real. Depois de acabar a escola profissional de música Évora, comecei por tocar a convite de orquestras como músico convidado. Sempre toquei variados estilos e géneros musicais. 
Comecei a tocar fado há 15 anos e com este género já percorri uma grande parte do mundo. Toquei com alguns dos mais famosos cantores e músicos de quem destaco o Custódio Castelo Quarteto, no qual desempenho o papel de diretor musical.
Apesar de a vida de músico freelancer nem sempre ser fácil, não me posso queixar.
 
Ardina do Alentejo - Para além da promoção do teu "Em Voz", que projectos tens para o futuro?
CM - Vamos lançar o terceiro CD a solo do Custódio Castelo, onde toca também um dos melhores músicos que conheço, que por acaso também é de Estremoz, Rui Gonçalves. Vou gravar com o Carlos Leitão com a Mara e a Celina da Piedade.
E vou continuar com as viagens. Em Janeiro vou tocar 12 concertos na Áustria com a Joana Amendoeira, em Fevereiro vou à Suíça com o Rouxinol Faduncho, em Março vou a Israel com o Custódio, e em Abril vou à Coreia do Sul e China com a Mara.
 
Ardina do Alentejo - A quem vai ler esta tua entrevista, nomeadamente aqueles que contigo conviveram em Estremoz, que mensagem lhes deixas?
CM - Deixo a amizade e o respeito. Estremoz está sempre presente na minha música. Tive uma infância e adolescência muito feliz aqui. Tenho saudades desses grandes amigos que deixei nesta linda cidade.
 
Foi no último dia do mês de Outubro, que Estremoz viu nascer um novo conceito de papelaria. A “Entre Números e Letras” situa-se nos Casais de Santa Maria, no Bairro de Mendeiros, e trata-se de uma papelaria tradicional, com a venda dos mais diversos materiais que convencionalmente se encontram numa papelaria, complementada por um amplo espaço de apoio escolar.
 
“Ardina do Alentejo” marcou presença no dia de inauguração e esteve à conversa com Andreia Galapito, a proprietária da “Entre Números e Letras”.
A entrevista foi feita por entre bruxinhas, duendes e vampiros, visto que o dia inaugural, para além da presença de muitos amigos da jovem empresária que a quiseram felicitar neste dia tão importante para si, foi marcado por uma muito animada “Halloween Party”.
 
Ardina do Alentejo - O que é a “Entre Números e Letras”?
Andreia Galapito (AG) - “Entre Números e Letras” é um espaço de papelaria e apoio escolar. Além de uma grande variedade de artigos de papelaria, temos um espaço dedicado a crianças em idade escolar, a partir do pré-escolar, onde desenvolvemos ateliês variados, apoio ao estudo e explicações.
 
Ardina do Alentejo - Como é que surgiu esta ideia de negócio?
AG - Esta ideia surge como uma forma de chegar ao público a que se tem dedicado o meu trabalho, as crianças, podendo dar um acompanhamento complementar à escola, desde os materiais que possam precisar para uso diário na mesma até a actividades que complementem o seu percurso educativo e fomentar o seu gosto pelo estudo através de uma vertente mais lúdica.
 
Ardina do Alentejo - Quantos postos de trabalho vão ser criados?
AG - Para além do meu, vão ser criados mais dois postos de trabalho.
 
Ardina do Alentejo - Porquê no Bairro de Mendeiros?
AG - O Bairro de Mendeiros, além de estar perto de algumas escolas, é também um local calmo e onde existem muitas crianças. Embora não seja o centro da cidade não deixa de ser um bom local para desenvolver este tipo de actividade, possibilitando aos moradores uma proximidade a artigos que possam necessitar.
 
Ardina do Alentejo - A todos aqueles que forem ler esta entrevista, que mensagem lhes deixas?
AG - A todos os que forem ler esta entrevista deixo um convite para virem visitar o nosso espaço e ficarem a conhecer os artigos que temos disponíveis e as actividades que vamos desenvolvendo.
 
Está assim feito o convite para visitar a “Entre Números e Letras”, papelaria aberta ao público, de segunda a sexta-feira em horário alargado, das 8 às 20.30 horas, e aos sábados, no período da manhã, entre as 9.30 e as 13 horas.
 
Desde a passada segunda-feira, 17 de Agosto, que estão abertas as inscrições para o Externato D. Quixote, estabelecimento de ensino localizado na Rua General Norton de Matos, em Estremoz, nas antigas instalações da Casa Catela.
 
Teresa Russo, directora da instituição inaugurada em Abril e que surge como uma revitalização do anterior projecto, o Colégio “Os Traquinas”, concedeu ao “Ardina do Alentejo” uma breve entrevista onde fala da concretização de um sonho, do investimento realizado, dos objectivos e do futuro. 
 
As inscrições para o Externato D. Quixote encerram a 31 de Agosto.
 
Ardina do Alentejo - Com a inauguração do "D. Quixote", está o sonho concretizado?
Teresa Russo (TR) - Ainda há um caminho a percorrer para considerar este sonho como concretizado, mas parte dele sim já consegui.
 
Ardina do Alentejo - Um investimento de quase 200 mil euros numa altura de crise e de dificuldades, não é um risco?
TR - Para este investimento espero poder contar com o apoio de uma candidatura ao PRODER, que ainda está em curso, já deveria ter terminado, mas infelizmente e devido a vontades alheias acabou por demorar um pouco mais. Com este apoio poderei minimizar esse risco e quando me submeti ao projeto foi com essa promessa, não contava era encontrar tanto entrave, quando tudo estava dentro do que seria considerado normal.
 

Os objectivos do D. Quixote passam por ir de encontro às necessidades das famílias, utilizando métodos e técnicas de rigor e qualidade acima de tudo.

 Ardina do Alentejo - O "D. Quixote" tem quantas crianças inscritas e quantas funcionárias?
TR - O D. Quixote para já contará com cerca de 60 crianças, que poderão aumentar após a abertura de novas inscrições e 8 funcionárias.
 
Ardina do Alentejo - Quais são os principais objectivos do "D. Quixote"?
TR - Os objectivos do D. Quixote passam por ir de encontro às necessidades das famílias, utilizando métodos e técnicas de rigor e qualidade acima de tudo.
 
Ardina do Alentejo - Até onde achas que pode chegar este teu projecto?
TR - Este projeto irá até onde me deixarem ir. Tem sido um caminho difícil de percorrer, com muitos obstáculos em todo o processo, o que me entristece um pouco, pois parece que quem quer trabalhar acaba por ser penalizado e não merece o devido valor e apoio que esperava encontrar. Mas considero-me uma pessoa forte, determinada e persistente e por isso cheguei até aqui e espero poder chegar ainda mais longe, não pela ambição do dinheiro, mas sim por prazer naquilo que faço.
 
Ardina do Alentejo - Que mensagem queres deixar a todos quantos lerem esta tua entrevista?
TR - Quero agradecer a confiança que as famílias têm depositado em nós e no nosso trabalho, são elas que nos dão forças e quero dizer que, apesar de tudo o que já sofri com este projeto, não vou desistir. Quando me licenciei sabia o que queria, este era o meu grande sonho, as crianças são a maior riqueza que nós temos no mundo e por elas irei até onde for necessário.
 
Na semana em que se ficou a saber que voltaria a tourear na praça da sua terra natal, o cavaleiro tauromáquico estremocense Francisco Cortes concedeu ao “Ardina do Alentejo” a sua primeira grande entrevista sobre essa matéria. Mas a conversa foi mais além da corrida de 5 de Setembro. O balanço dos 20 anos de alternativa, os objectivos ainda por concretizar, a possibilidade de marcar presença no Campo Pequeno ainda esta temporada, e o porquê de não aparecer em mais cartéis foram alguns dos temas abordados em mais um “À Mesa das Servas”, o espaço nobre de entrevistas do “Ardina do Alentejo”, que conta com a especial, e muito saborosa, colaboração do restaurante “Herdade das Servas”.
 
Ardina do Alentejo - Que balanço fazes destes teus 20 anos de alternativa como cavaleiro tauromáquico?
Francisco Cortes - O balanço para mim é extremamente positivo, porque quando sonhei em ser cavaleiro tauromáquico, sonhava em poder vir a ser profissional da tauromaquia e poder viver da minha actividade, e felizmente consegui atingir esse objectivo.
É claro que ficaram alguns objectivos por cumprir porque em determinados momentos da minha carreira dei privilégio, ou tornei como prioridade se preferirem, em ter uma vida mais sólida e tendo uma família para criar tive que prescindir de alguns dos meus melhores cavalos para fazer face ao dia-a-dia e isso indubitavelmente prejudicou-me artisticamente. 
A actividade tauromáquica, enquanto cavaleiro tauromáquico, é bastante dispendiosa e não é fácil conseguirmos viver só desta actividade e muitas vezes temos de encontrar outros recursos para poder seguir em frente.
Estou feliz porque ao longo destes 20 anos consegui uma postura de verticalidade, seriedade e honestidade que me mantém as portas abertas em qualquer sítio da tauromaquia. Para mim é das coisas mais importantes que podemos ter é um nome limpo e respeitado, e isso eu consegui.

Há objectivos por cumprir mas isso até é bom porque nos continua a fazer lutar cada dia mais e mantém as nossas ilusões e expectativas em alta.
 
Ardina do Alentejo - Quais é que são esses objectivos que te faltam concretizar?
FC - Os objectivos passam por conseguir singrar mais ainda na parte tauromáquica. Sinceramente, e sem fugir à questão, é tentar alcançar uma posição de maior destaque no panorama tauromáquico, não só em Portugal, mas também a nível internacional.
Penso que podia ter alcançado mais rapidamente esse patamar se não tivesse prescindido de alguns dos meus melhores cavalos ao longo destes anos. Algumas das quadras das nossas primeiras figuras são constituídas por um ou dois cavalos que fui eu que coloquei a tourear.
Sou muito aficionado ao cavalo e dedico-me a preparar os cavalos logo desde poldros até eles terem um alto nível. Muitos desses cavalos que consegui colocar com esse alto nível acabei por os dispensar a colegas meus que têm singrado com eles nas arenas, o que também me deixa muito feliz. É mais uma forma de me sentir realizado.
Apesar de que com isso não estou com o destaque que gostaria de ter estado, mas assumo que fiz uma opção pelo bem-estar da minha família e por esta postura de seriedade e de verticalidade que me orgulho de ter, e que é apanágio de toda a minha família.
Sinto-me feliz com a minha trajectória. Podia ter tido uma maior dimensão, mas teve a que teve, e estou orgulhoso do meu percurso.
 
Ardina do Alentejo - Achas que podias ter aparecido em mais cartéis? Podias ter toureado mais ao longo destes 20 anos? Tens condições para isso?
FC - Acho que sim e por muitas razões. Primeiro porque, conforme já disse, tenho tido a capacidade de colocar os cavalos a um alto nível, cavalos que depois vejo a brilhar com os meus colegas ao mesmo nível que brilhavam comigo. Isso é um indicador que tenho capacidade para preparar bem os cavalos e depois explorar as suas capacidades dentro da praça.
É acima de tudo difícil manter uma estrutura. Temos que manter uma quadra com 10 ou 12 cavalos, tourear vacas, manter uma pessoa que nos ajude, rações, veterinários, camiões de cavalos… É uma estrutura muito pesada que muito poucos conseguem aguentar só com a tauromaquia.
Infelizmente não tive a habilidade que outros têm para encontrar alguns patrocinadores ou padrinhos que os ajudam e que lhes permitem fazer outro tipo de extravagâncias. Gosto de passar os meus dias, de manhã à noite, dedicado aos cavalos. Sobra-me pouco tempo para dedicar-me a tentar encontrar esse tipo de situações.
 

Sinto que a carreira que fiz até aqui foi toda ela graças ao meu esforço e à minha dedicação. Estou muito feliz porque tem sido uma carreira digna, séria.

 
Sinto que a carreira que fiz até aqui foi toda ela graças ao meu esforço e à minha dedicação. Estou muito feliz porque tem sido uma carreira digna, séria. É claro que me sinto capaz, porque quando toureio com todos os outros meus colegas tenho um nível semelhante a eles. Ainda no ano passado, e a título de exemplo, ganhei o prémio para a melhor lide em Portalegre, numa corrida com seis cavaleiros, dos principais do nosso país, e isso é o exemplo de que estou à altura deles. Naquela noite, e graça a Deus, até tive superior a eles, daí ter ganho o prémio.     
Não me sinto de forma nenhuma inferiorizado, antes pelo contrário. E sem me querer colocar em bicos dos pés, eu “fabrico” os meus próprios cavalos, ainda vendo alguns, e consigo manter um determinado nível. A maior parte dos meus colegas não só não vendem, como ainda compram, e o nível que eles conseguem muitas vezes é semelhante ao meu. Não tenho razões para me sentir inferior a eles. E como já disse, eu tenho conseguido ser profissional da tauromaquia, enquanto que a maior parte deles, a grande, a larga, a larguíssima maioria dos meus colegas não vivem só da tauromaquia, tendo outras actividades que lhe permita fazer face às despesas que têm.
 
Ardina do Alentejo - Olhando para trás, qual foi a tua melhor lide até hoje?
FC - Isso é muito complicado responder. As lides têm várias condicionantes, tem o toiro, tem o cavalo, tem nós próprios… Posso dizer-te que há corridas que me marcaram pela sua envolvência, como foi a última corrida que o meu pai toureou cá em Estremoz, numa praça desmontável, numa altura em que a praça estava em obras. Foi o último toiro que o meu pai toureou em público, e estavam presentes as grandes figuras como o Álvaro Domecq, o Gerald Perroin, o José Samuel Lupi, o Emídio Pinto, o Paulo Caetano, o Rui Fernandes e o João Ribeiro Telles. A corrida a mim correu-me bastante bem, mas para além da parte da minha lide, teve toda aquela envolvência de ser a última corrida do meu pai, de ser em Estremoz, na minha terra, e essa é uma corrida inesquecível para mim.
 
Ardina do Alentejo - Está resolvido o diferendo com o Presidente da Câmara Municipal de Estremoz. Como é que tudo ficou resolvido, se é que nos podes dizer…
FC - Foi um episódio dos mais desagradáveis da minha carreira. E preferia nem sequer… Acho que a vida se faz de olharmos para a frente e para o futuro e não estarmos a olhar para trás, e para quem teve razão, e o que é que se passou e estar agora a esmiuçar.
 
Ardina do Alentejo - Foi um diferendo que não foi bom para ninguém…
FC - Penso que não foi bom para ninguém e não vale a pena estarmos agora a atribuir culpas a uns e a outros, e estarmos a olhar para trás. A vida faz-se de presente e futuro. Penso que as coisas estejam resolvidas e fico feliz por isso porque me prejudicou bastante. Acho que é bom para todos a resolução do diferendo. Não vale a pena estarmos a esmiuçar um passado, um passado desagradável, um passado que não trouxe nada de bom para ninguém, e espero que o futuro seja muito mais risonho do que este passado de dois ou três anos.
 
Ardina do Alentejo - Resolvido que está este diferendo, regressas dia 5 de Setembro, à praça de touros da tua terra. Com que expectativas estás para essa corrida de comemoração dos 20 anos de alternativa?
FC - Até me faltam as palavras para descrever esse momento que chegará. A praça de touros de Estremoz faz parte de mim. O meu pai foi muitos anos empresário da praça. Toureámos lá centenas de vacas, treinámos lá centenas de horas, na minha meninice. Era uma parte importante da minha vida. Nunca mais pisei a sua arena, nunca mais percorri as suas instalações… No fundo, foi ali que nasceram tantos dos meus sonhos. Será um dia que eu quero cuidar cada pormenor ao extremo, para que o dia possa ser de acordo com a expectativa que eu criei, ainda para mais agravado por esta ausência. 
Há 14 anos que não toureio naquela praça e era uma coisa que eu desejava muitíssimo. Toda a minha família esteve ligada à praça. O meu avô foi empresário da praça e toureou naquela praça, o meu pai foi empresário da praça e toureou lá, fez na praça de touros de Estremoz as comemorações dos seus 25 anos de alternativa, fez lá a sua despedida. Todas as datas importantes o meu pai comemorou na praça de Estremoz e eu tinha esta espinha atravessada na garganta o facto de não poder participar nas corridas lá, e agora estou muito feliz de o poder fazer, ainda por cima numa data tão importante para mim. Vou comemorar os meus 20 anos de alternativa no local onde tinham de ser comemorados.
 
Ardina do Alentejo - Ainda antes dessa corrida de Estremoz, há Tomar e Terrugem…
Francisco Cortes - E tenho mais algumas… Este ano até tenho uma agenda com alguma intensidade, sobretudo agora em Agosto e Setembro. Toureio em Tomar, depois na Terrugem, depois dia 15, na Idanha-a-Nova, dia 16 na Figueira da Foz, e provavelmente dia 21 em Viana do Castelo. Depois de Estremoz, irei dia 12 de Setembro, a Moura, depois irei às Caldas da Rainha, e no princípio de Outubro, a Santarém.
Há ainda a possibilidade de na última corrida da temporada do Campo Pequeno, a 1 de Outubro, uma corrida que será televisionada, e que se for de seis cavaleiros, eu também irei.
E eventualmente poderão ainda aparecer outras datas. Estou contente com a minha agenda porque hoje em dia a tauromaquia move muitos interesses, e há muita gente que não olha a meios para atingir os seus fins e eu mantenho a minha ética e as pessoas reconheceram isso, reconhecem-me algum valor e estão a dar-me a possibilidade de actuar em determinadas corridas e em praças importantes, o que me deixa muito feliz.
Quando foi da apresentação da minha quadra de cavalos, tu e o José Lameiras perguntaram-me o que é que eu esperava desta temporada e eu disse que esperava desfrutar de cada momento e de estar sem ansiedades. E é precisamente isso que está a acontecer. As coisas têm surgido naturalmente. Também tem havido um trabalho importante por parte do meu apoderado, o Sr. Fernando do Canto, que tem acreditado em mim, e que se tem disponibilizado para trabalhar, provavelmente uma das lacunas da minha carreira, a falta desse trabalho de fundo por parte de um apoderado. 
 

Há ainda a possibilidade de na última corrida da temporada do Campo Pequeno, a 1 de Outubro, uma corrida que será televisionada, e que se for de seis cavaleiros, eu também irei.

 
Ardina do Alentejo - Qual era para ti o cartel de sonho em que gostavas de estar presente?
FC - O cartel de sonho penso que será este que se prevê para Estremoz. O João Moura, que para além de ser um amigo de toda a vida e de existir uma ligação familiar muito forte, eu desde pequeno que me habituei a admirá-lo, a vê-lo como o ídolo de várias gerações e provavelmente por ser o melhor cavaleiro da história da tauromaquia em Portugal. É uma pessoa que por todo o seu historial é muito relevante a sua presença neste cartel.
O António Ribeiro Telles, para além da ligação familiar que nos une desde sempre, desde o tempo do meu avô e do Mestre David Ribeiro Telles, é um expoente máximo da nossa tauromaquia, e da forma portuguesa de tourear. Será provavelmente aquele que mais defende as nossas tradições.
Dificilmente seria um cartel mais do meu agrado. 
 
Ardina do Alentejo - Existe alguma expectativa no ar de ver o teu pai, José Maldonado Cortes, nas cortesias da corrida do próximo dia 5 de Setembro, em Estremoz. Vai ser uma realidade?
FC - O meu pai está um pouco apreensivo em relação a essa situação, por todas as polémicas que aconteceram, em relação à reinauguração da praça de Estremoz… e isso levou a que houvesse uma certa hesitação por parte do meu pai em relação a esta sua participação.
Ele foi convidado e para mim seria indescritível o prazer que me daria, voltar a vê-lo vestido de toureiro e a fazer as cortesias num dia tão especial para mim. O estar dentro da arena comigo, acompanhar-me a fazer as cortesias, seria uma forma de ele manifestar solidariedade e apoio para comigo.
Mas por outro lado eu entendo que o meu pai também não esteja a querer ser interpretado de outra forma com esta sua presença. Eu espero que ele acabe por entender que será uma homenagem que me fará e que me deixaria extremamente feliz porque foi a pessoa que ao longo de toda a minha carreira, sempre esteve a meu lado, em todos os momentos, nos bons e nos maus, e sobretudo nos maus, porque nos bons é mais fácil termos as pessoas ao nosso lado. Naqueles momentos em que as coisas nos correm mal, em que as pessoas não acreditam e em que toda a gente diz mal, ele foi a única pessoa que me apoiou e sempre acreditou em mim, e obviamente que é a pessoa que eu mais gostaria que de ter ao meu lado nesse dia. Espero que seja possível e que ele também se sinta desejado nesse dia, que sinta que as pessoas querem e gostam que ele lá esteja.
 
Ardina do Alentejo - A quem for ler esta entrevista que mensagem lhes deixas, quer sejam aficionados ou não?
FC - Para os não aficionados, uma palavra de respeito para eles, sobretudo se tiverem algum conhecimento do que é a tauromaquia. Se não tiverem sugiro que tentem perceber e aproximarem-se um pouco mais da tauromaquia e depois criarem a sua própria opinião.
Para os aficionados, e sobretudo para os de Estremoz e da região, a mensagem que lhes deixo era que se associassem a esta corrida dos meus 20 anos de alternativa. Não posso solicitar pessoalmente a presença de todos e o vosso apoio nesse dia, mas gostaria que percebessem o quão importante seria para mim, que todos os meus amigos e as pessoas que desde pequeno me conhecem, poderem partilhar esse dia tão especial e importante para mim.
Que entre todos nós façamos um dia inesquecível. O público também faz uma corrida de touros, não são só os cavalos, os touros e os toureiros.
Seria a cereja no topo do bolo poder contar com o vosso calor humano ao meu redor.
 
Os Sabores das Servas
Mais uma vez, a equipa do "Ardina do Alentejo" e o nosso convidado comprovaram que o profissionalismo dos irmãos Baía e de toda a sua equipa são merecedores de cinco estrelas. Esta foi a nossa ementa. 
Entradas: Pão, Presunto fatiado, Sonhos de Farinheira (Paparatos), Manteiga e Manteiga de Farinheira
Pratos Principais: Rosbife, Bacalhau à Servas e Salmão Folhado
Sobremesas: Gelado com Molho de Chocolate, Sortido de Doces (Pudim das Servas, Encharcada, Maravilha de Chocolate e Pudim de Ovos)  
Vinho: Monte das Servas Branco 2014
 
 

Hugo Painho está de volta ao Arcoense, clube que representou, capitaneou e de onde saiu para ajudar a "devolver" o futebol sénior ao CF Estremoz. Curiosamente, também em Sousel o Condestável voltou ao activo pelas suas mãos e agora o mesmo acontecerá no emblema de Arcos. O jovem treinador, que também faz parte do departamento de prospecção do Sporting, terá agora em mãos a missão de devolver o futebol às gentes de Arcos e ao "12 de Julho". O regresso acontecerá no campeonato do Inatel, mas o objectivo é criar uma base sólida para que a equipa possa disputar, nas épocas seguintes, o Distrital de Évora.

 
Ardina do Alentejo - Como é que recebeste este convite para treinares o SC Arcoense, um clube que representaste enquanto jogador?
Hugo Painho - Surgiu de conversas entre amigos, membros da direção ou ex-jogadores do SCA, enfim foi tudo muito rápido e foi um misto de convite e de eu próprio me disponibilizar para ajudar. Não houve um convite formal, apenas a necessidade de o SCA voltar e o precisar mais que do nunca que as pessoas que têm algum carinho pelo clube possam disponibilizar a sua ajuda, jogando, gerindo, treinando… Todos fazem falta neste momento e eu senti que era meu "dever" também ajudar com aquilo que sei fazer. Neste momento tenho compromissos com o Sporting Clube de Portugal, assim como também a vida profissional e a possibilidade de um Mestrado em Treino de Alto Rendimento - Futebol, tudo isto somado não me deixava tempo para muito mais, mas achei que ainda assim poderia ser útil a um clube que tanto gosto e admiro. A carga de treinos não vai ser tanta como um distrital ou um nacional mas no entanto garanto que o empenho será o mesmo.
 
Ardina do Alentejo - Quais são os principais objectivos para a época que se avizinha?
Hugo Painho - Mais do que nunca será o de construir alicerces para que o SCA volte a patamares que merece. Não há resultados em termos competitivos na nossa cabeça neste momento, pensaremos jogo a jogo, há sim resultados em termos evolutivos, quer nos jogadores quer no clube, o trabalho será direccionado para criar bases de forma a que o amanhã seja melhor que o presente, e que no final estejamos todos de consciência tranquila, direção, equipa técnica, jogadores conscientes que demos o melhor e que "a máquina está a andar".
Além de toda esta ideia global, tenho de frisar também um dos objectivos: O de voltar a dar Futebol às gentes de Arcos, o de voltar a levar ao Campo 12 de Julho a população e simpatizantes do clube, que, com certeza não esquecem tantas e tantas tardes bem passadas naquele simpático espaço que é do Clube.
 
Ardina do Alentejo - O que é que a direcção do SCA te pediu?
Hugo Painho - Curiosamente nada, isto é, desde o primeiro minuto que estamos em consonância de ideias. O que a direção quer é honestidade, pés assentes na terra, o crescimento sustentado do clube e o regresso do mesmo ao ativo, e o que o Mister Hugo quer é precisamente o mesmo, juntando aqui se conseguir um bom trabalho técnico a nível futebolístico. Portanto mais que me pedir algo, a direcção sabe que pode contar comigo e com o meu profissionalismo para juntos, e repito, juntos atingirmos os nossos objectivos, que no final se resumem a isto: ganhar sim, ganhar sempre que se pode, mas acima de tudo garantir que poderemos ganhar mais no futuro trabalhando bem no presente.
 

A direcção sabe que pode contar comigo e com o meu profissionalismo para juntos, e repito, juntos atingirmos os nossos objectivos.

 
Ardina do Alentejo - Já iniciaste contactos com alguns jogadores que gostavas de ver no teu plantel? Já há jogadores contratados?
Hugo Painho - Sim, tenho tentado alguns contactos, principalmente tentando que sejam os jogadores da terra a dar a cara tal como eu a estou a dar, assim como alguns que não sendo da terra sabem bem o que é aquele balneário. Além disso cativar outros que estejam disponíveis a aprender e principalmente a fazer parte de uma grande família. Mas não está fácil, no entanto se fosse fácil também não era para nós, e uma coisa garanto, independente da qualidade individual ou não que possamos conseguir para o plantel, a qualidade como equipa iremos conseguir com toda a certeza, dentro das nossas possibilidades seremos uma equipa forte, unida e competente.
 
Ardina do Alentejo - Não entendes este como um passo atrás na tua carreira, depois de já teres treinado algumas equipas nos campeonatos distritais, quer em Évora, quer em Portalegre?
Hugo Painho - Claro que pela lógica das coisas a resposta obvia é que sim, aliás a resposta para quem está de fora é essa, mas eu, e não querendo usar um chavão como "dar um passo atrás para dar dois em frente", sou daqueles que acredito que o trabalho não se mede pelo campeonato que disputamos, nós não treinamos campeonatos, treinamos equipas. A Juventus não deixou de ser Juventus quando foi relegada para a 2ª divisão, o Boavista idem e tantos outros casos... Por isso digo sem qualquer tipo de receio que sim, vou treinar uma equipa num campeonato com menor visibilidade, mas eu não deixarei de ser o Hugo Painho e principalmente o clube não deixará de ser o SC Arcoense.
 
Ardina do Alentejo - Que mensagem queres deixar a quem vai ler esta entrevista, em especial aos sócios e adeptos do Arcoense?
Hugo Painho - Penso que já tenha dito praticamente tudo nas questões anteriores, pois acredito que as pessoas entendam a ideia e o espírito com que estamos todos embutidos. E se não posso prometer resultados para já (e não tenho medo de os assumir no futuro) porque vamos ter que fazer um trabalho de fundo com os jogadores que tivermos à disposição, uma coisa prometo, a de que todos os sócios, adeptos e simpatizantes do clube com toda a certeza sentirão orgulho dos seus atletas, que serão honestos, humildes, muito trabalhadores e disciplinados, pois só quem for assim fará parte do meu plantel. Semana após semana quem nos acompanhar verá por certo evolução e empenho e assim sendo estamos todos de parabéns.
 
Ardina do Alentejo - Esta pergunta impõe-se a um sportinguista como tu... Conviveste na Academia de Alcochete com Marco Silva, viste os seus métodos de treino e usaste as redes sociais para elogiar o seu trabalho. Como vês a sua saída de Alvalade e a entrada de Jorge Jesus no SCP?
Hugo Painho - Como por certo entendes, não me posso manifestar a nível pessoal sobre um assunto que é do âmbito da direcção. Trabalho para o Departamento de Prospeção do clube e respeito muito todas as decisões de quem de direito. Sou livre sim para dizer que o Marco é um excelente treinador, faltando alguma experiência que por certo ganhará com o tempo pois o essencial está lá, assim como também conheci uma pessoa amável, simples e de conversa fácil. O Sporting estava bem servido dentro do campo, fora dele a direção diz ter razão de queixa, e como tal não me compete a mim analisar. Quanto ao substituto e analisando apenas a parte que me compete, a parte técnica, também posso garantir que o Sporting está super bem servido, pois embora apenas tenha assistido a uma palestra do Mister Jesus há uns anos atrás (e logo aí senti todo o seu conhecimento) os resultados e qualidade das equipas que treina falam por si. É um apaixonado pelo futebol, respira 24 horas a modalidade e o que lhe falta em palavras e termos científicos para transmitir aos órgãos de comunicação social muitas vezes, sobra em conhecimentos e sabedoria para potenciar ao máximo os seus jogadores. Por aqui não ficamos a perder com toda a certeza.
Para terminar queria agradecer ao Ardina do Alentejo, em especial a ti Pedro pelo interesse, em meu nome e do SC Arcoense, e dizer que estamos disponíveis ao longo do ano para colaborar contigo e com todos os órgãos de comunicação social que assim o entendam. O futebol, e o desporto em geral, é de todos e vive de todos, cada um com a sua competência, comentando, escrevendo, jogando, assistindo, enfim, o futebol precisa de todos. Um forte abraço e Saudações Desportivas a todos os que são pelo Desporto.
 
No dia que antecede a realização de mais um grande evento na cidade branca do Alentejo, o Festival da Rainha - II Feira Medieval de Estremoz, o “Ardina do Alentejo” apresenta-lhe uma grande entrevista com o Presidente da Câmara Municipal de Estremoz, Luís Filipe Mourinha.
 
A FIAPE 2015, o balanço da maior Feira Internacional Agropecuária de Estremoz, foi o mote para uma conversa onde se falou ainda do Primeiro-Ministro, do PDM, da Zona Industrial dos Arcos, da oposição, do Parque de Feiras e Exposições, dos Bonecos de Estremoz, de eventos, e de muito mais naquele que é o primeiro “À Mesa das Servas com…”!
 
Por entre um divinal “Folhado de Salmão”, um delicioso “Lombo de Porco recheado com ameixa”, e uns tradicionais “Pézinhos de Coentrada”, bem regados com os muito apreciados néctares da Herdade das Servas, e superiormente servidos pela equipa gerida por Paulo e Maria da Fé Baía, as perguntas e as respostas foram surgindo. E quase que nem demos pelo tempo passar.
 
“À MESA DAS SERVAS COM... Luís Filipe Mourinha, Presidente da Câmara Municipal de Estremoz”
 
Ardina do Alentejo - Que balanço faz da FIAPE 2015?
Luís Mourinha - Digamos que esta FIAPE foi assim quase como a pescada, que antes de ser já o era. Todas as indicações que tínhamos, depois do contacto com várias pessoas, de Estremoz e não só, que a feira iria ser bastante positiva. O que se veio a confirmar com o facto de termos batido todos os recordes, não só de afluência, mas também de participações.
Mas para mim o mais importante, para além dos espectáculos musicais e das lotações esgotadas que tivemos, foi ter sido vendido todo o gado que estava em exposição, performance que outras feiras não conseguem atingir. Isto significa que todos os expositores na área da pecuária, trouxeram a Estremoz os melhores produtos que há no mundo. Foi alta qualidade aquela que esteve em exposição e por isso, o resultado final.
 
Ardina do Alentejo - Foi uma feira que superou as suas expectativas?
Luís Mourinha - Todas as indicações que tínhamos eram de que ia ser uma feira muito positiva. E desde o momento em que se esgotam as primeiras pulseiras, que é necessário um reforço, vimos aí que iriamos bater todos os recordes. Já sabíamos que ia ser positiva. E foi melhor porque não houve desacatos, foi uma feira tranquila, com muita gente e com os objectivos atingidos.
 
Ardina do Alentejo - Se as contas não falham, esta foi a 17ª FIAPE enquanto Presidente da Câmara Municipal de Estremoz. Continua com a mesma a vontade e energia como na primeira feira que organizou?
Luís Mourinha - Evidente. Há poucos dias fiz uma retrospectiva e posso dizer que nós tivemos boas feiras também no Rossio, em momentos diferentes mas também com impacto. Hoje a grande diferença passa pelo facto de termos um espaço definitivo, em que os custos da feira, em termos organizativos, são menores. Se fossemos buscar os custos da feira de há 17 anos se calhar estávamos a gastar 4 ou 5 vezes mais do que estamos a gastar hoje.  
O facto de gastarmos menos dinheiro dá-nos mais segurança. Temos uma almofada de despesa que se enquadra nas nossas condições económicas. Antes tínhamos a vantagem de sermos financiados a 75% na realização das feiras e neste momento não temos financiamento, a não ser a participação das pessoas. Conseguirmos realizar a feira a custo zero para o Município é o mais importante.

Ardina do Alentejo - Já que estamos a falar de contas, que valores estão envolvidos na realização da FIAPE 2015? Pagou-se a si própria?
Luís Mourinha - Ainda não fizemos uma avaliação definitiva, mas posso dizer que há um diferencial relativamente baixo de investimento por parte do Município, a rondar os 15 mil euros. Numa organização que ronda os 200 mil euros, ter 15 mil de diferencial é espectacular.
 
Ardina do Alentejo - O Concurso Nacional de Bovinos da Raça Limousine e as I Jornadas da Figueira-da-Índia foram novidades em 2015. Já há novidades para 2016?
Luís Mourinha - Nós ainda estamos a digerir a última feira, mas posso garantir que essas são actividades para continuar. As Jornadas da Figueira-da-Índia tiveram um grande impacto, com a participação de cerca de 120 pessoas interessadas no tema. Penso que é uma área na agricultura que pode ser desenvolvida e a nossa zona é propícia. 
Em relação aos concursos, aqueles que temos são bons em todas as raças. O Concurso Nacional de Bovinos da Raça Limousine é mais um que veio acrescentar qualidade à nossa feira. Ficámos satisfeitos porque os participantes são produtores que estão muito focados na qualidade. Estavam em Estremoz os mais referenciados produtores em bovinos, ovinos e caprinos, e o resultado final foi a venda de todos os animais, uma situação que não sei se pode ser repetível. Foi esta uma das situações para mim mais importante da FIAPE 2015.
Em relação a novidades para 2016… Estamos agora num período de reflexão e vamos ver se conseguimos inovar. E a inovar, podemos inovar na melhoria das condições do espaço e em outras actividades. Uma coisa é certa: a feira não é um processo fechado.
 

Numa organização que ronda os 200 mil euros, ter 15 mil de diferencial é espectacular

 
 
Ardina do Alentejo - Há arestas a limar?
Luís Mourinha - Há muita coisa a mudar, mas também há muita coisa que queremos manter. Mas o queremos mudar e o queremos manter, não depende só de nós, depende também dos expositores, de saber o que é que eles querem, de quais são as suas expectativas para o futuro, há esta parceria que é importante, e é importante saber o que é que cada um quer em cada área.
O Parque de Feiras está feito e vamos tentar ampliá-lo. Vamos ver se conseguimos. Vamos ver o que é que os Fundos Comunitários conseguem trazer de novidade em relação a isso. Se trouxerem essa possibilidade, ampliaremos e melhoraremos espaço, para que cada visitante se sinta feliz e satisfeito ao visitar a feira.
 
Ardina do Alentejo - Pode a FIAPE crescer mais do que este ano? Ser maior do que aquilo que já é?
Luís Mourinha - Esse é um debate que temos de ter, mas no meu ponto de vista, a nossa dimensão é esta. Não vale a pena estarmos a sonhar com muito mais, porque isso significa um grande investimento e temos outras coisas para resolver no concelho. Penso que durante a próxima década não haverá dinheiro para se pensar nisso. Depois a seguir penso que há condições para se pensar noutros equipamentos e em aumentarmos a feira. Não nos podemos esquecer que existe toda aquela área entre o Parque de Feiras e o Campo de Futebol, existe um outro espaço junto do actual Parque de Feiras, que também é uma possibilidade. Mas para se pensar em novos investimentos de alargamento do Parque de Feiras requer que tenhamos três ou quatro FIAPE’s, consecutivas, com esta dimensão. Esta foi uma situação que superou em toda a linha aquilo que estava previsto, mas é preciso repetirmos para ver se é necessário fazer investimentos de outro montante. 
 
Ardina do Alentejo - Na cerimónia de inauguração da FIAPE fez o balanço do mandato de Pedro Passos Coelho, deixou alguns recados à oposição e também deixou no ar alguns pedidos ao Primeiro-Ministro. Já obteve alguma resposta a esses pedidos?
Luís Mourinha - Em relação ao balanço que fiz do mandato do actual Governo, aquilo foi a  realidade, não estive a inventar nada. E na segunda-feira a seguir à FIAPE já estavam em Estremoz elementos do Ministério da Defesa, para tratarmos de assuntos.
 
Ardina do Alentejo - Foi o melhor Primeiro-Ministro para o concelho de Estremoz?
Luís Mourinha - Se fizermos uma avaliação do que foi feito noutros mandatos e agora… Se fizermos a soma dos valores envolvidos e do número de situações em que o Governo esteve envolvido, penso que é um balanço muito positivo, e não temos um outro mandato governativo com tantas situações positivas. Acho que melhor é difícil de arranjar noutros mandatos, mesmo com vontade de fazer qualquer coisa.
Não esquecer, e este é mais um ponto a favor do Governo, que recentemente foi publicado no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial a Produção dos Bonecos de Estremoz, o primeiro passo para irmos a caminho da UNESCO, e para isso muito contribuiu o Secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros, que recentemente esteve em Estremoz, e a quem agradeço publicamente a assinatura do documento, numa pasta que lhe diz respeito.
Em relação aos pedidos, o Primeiro-Ministro respondeu-nos em relação à Zona Industrial dos Arcos, de uma forma clara, que aquilo que eu pedi não vai ser possível brevemente. Estamos por isso a equacionar contrair um empréstimo, no mês de Junho, que possa ser recuperável com os Fundos Comunitários, para lançarmos o mais rapidamente a Zona Industrial dos Arcos. Se não for possível recuperar temos de esperar, o que para nós é complicado e uma perda de tempo porque temos investidores à espera.
 

Esta gente que critica por criticar, porque são da oposição, normalmente rebenta-lhes tudo nas mãos… e na consciência, provavelmente

 
 
Ardina do Alentejo - Nem só de FIAPE vive Estremoz. Vão haver novidades em termos de eventos? Há outros eventos a nascer em Estremoz?
Luís Mourinha - Estremoz não pode ser só eventos. Temos de ter realizações efectivas em que o concelho fique preparado para o futuro. Vamos ter um Plano Director Municipal (PDM) a tentar aprovar no mês de Junho. É um PDM diferente do que aquele que foi desenvolvido até aqui. Até aqui era Capital do Mármore, e o Mármore faliu, faliu no aspecto em que não atingiu a dimensão esperada à época em que foi feito o anterior PDM, um PDM que demorou 10 anos a ser concluído, digamos que quase cumpriu na sua execução o seu prazo de validade. Este novo PDM aposta muito no ambiente, aposta muito naquilo que nós somos em termos de concelho, aquilo que nós temos de bom, propõe valorizar a nossa gastronomia e o nosso património. 
Eventos… Provavelmente seremos das cidades do interior em que existe mais dinâmica por parte das instituições na realização de eventos. Mas essa dinâmica também acontece porque sabem que contarão sempre com um forte apoio do Município, e é por isso que existem tantos eventos, das mais diversas áreas, em Estremoz, desde o Teatro, ao Ciclismo, à Gastronomia, ao Hipismo, etc...
 
Ardina do Alentejo - A quem vai ler esta entrevista que mensagem lhes deixa?
Luís Mourinha - Isso é mais complicado, porque há uns que vão ter azia e há outros que vão dizer que está bem, está tudo correcto.
Eu costumo dizer que em Estremoz, há a Brigada do Reumático, mas a Brigada do Reumático tem diminuído de força, e hoje essa Brigada do reumático utiliza regras antidemocráticas para dizer mal, mas isso depois sai-lhes mal a eles. Dando um exemplo e voltando ao Parque de Feiras. Quando pensei e comecei a fazer o Parque de Feiras diziam que era uma enormidade, que era tudo caro, que era um elefante branco… Gostava de saber se esses mesmos indivíduos hoje pensam da mesma maneira. Esta gente que critica por criticar, porque são da oposição, normalmente rebenta-lhes tudo nas mãos… e na consciência, provavelmente.
 
Nota de Redacção: “À Mesa das Servas com…” pretende ser, por excelência, o espaço de grandes entrevistas do “Ardina do Alentejo”. Em conjunto com a gerência do Restaurante das Servas, o Paulo e a Fé Baía, pretendemos que estas sejam entrevistas inesquecíveis, interessantes e atraentes. Contamos consigo para que as leia com tanto gosto como aquele que nos dá a escrevê-las.
 
Texto: Pedro Soeiro | Fotos: Ivo Moreira
 
Aos quatro anos, pela mão do saudoso Raio, entrou pela primeira vez no então Ringue do Caldeiro, para aprender a patinar. Começava aí uma paixão pelo hóquei em patins.
 
Nuno Lopes foi jogador do Clube de Futebol de Estremoz nos escalões de Infantis e Iniciados. Depois, por volta dos 13 anos, devido a afazeres profissionais do seu pai rumou até à Marinha Grande. Jogou ainda no Sporting Clube Marinhense, no Sport Leiria e Marrazes, no Hóquei Clube Turquel e na Associação Alcobacense de Cultura e Desporto, onde terminou a carreira de atleta.
 
Como treinador, a sua carreira iniciou-se no Sporting Clube Marinhense, tendo passado pelo Sporting Clube de Tomar, antes de chegar ao clube do coração, o Sporting Clube de Portugal.
 
Recentemente, e ao comando da equipa verde e branca, venceu a Taça CERS, a segunda competição mais importante da Confederação Europeia de Hóquei em Patins. Depois da conquista, visivelmente emocionado, e em declarações à televisão do clube verde e branco, o técnico estremocense não esqueceu as raízes e gritou a plenos pulmões "Viva Estremoz".
 
Nuno Lopes concedeu ao “Ardina do Alentejo” uma muito interessante entrevista, onde falou da sua infância, do CF de Estremoz, da sua cadeira de sonho, da conquista da Taça CERS e das muitas mensagens de felicitações que recebeu por parte dos estremocenses. Estremocenses que não foram esquecidos pois o técnico sportinguista, de 43 anos, aproveitando a oportunidade dada pelo “Ardina do Alentejo” deixou uma mensagem de agradecimento a todos os seus conterrâneos.
 

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