sexta, 24 novembro 2017

João Geadas assinou pelo Sport Lisboa e Benfica

Escrito por  Publicado em Desporto segunda, 23 outubro 2017 02:20
João Geadas é o actual Campeão Nacional de Atletismo dos 100 metros, no escalão de Juvenis João Geadas é o actual Campeão Nacional de Atletismo dos 100 metros, no escalão de Juvenis DR
João Geadas, actual Campeão Nacional de Atletismo dos 100 metros, no escalão de Juvenis, título alcançado no passado mês de Junho, em Abrantes, envergando a camisola da AJES – Associação Juvenil de Estremoz, acaba de assinar contrato com o Sport Lisboa e Benfica (SLB). O atleta, natural de Rio de Moinhos, no concelho de Borba, irá integrar a estrutura do atletismo encarnado no escalão júnior, de 1º ano.
 
Ardina do Alentejo esteve à conversa com João Geadas, que nos falou deste importante salto na carreira, de como surgiu o convite para integrar o quadro de atletas das águias, de em que ponto ficam os estudos e que mudanças vão haver na sua vida, e é claro, da AJES, equipa com a qual se sagrou Campeão Nacional e que lhe permitiu a convocatória para a Selecção Nacional.
 
Ardina do Alentejo – Como é que surgiu o convite para assinares pelo SLB?
João Geadas (JG) – O convite para assinar pelo SLB surgiu através da plataforma Lince da Federação Portuguesa de Atletismo.
 
Ardina do Alentejo – O que é que te foi pedido pela estrutura do atletismo do clube encarnado? Foram-te exigidos títulos?
JG – Não me foi exigido nada de especial, apenas trabalho, esforço e dedicação.
 
Ardina do Alentejo – E o João pessoalmente… Já tens objectivos definidos por ti?
JG – Sim, os meus principais objectivos são melhorar as marcas anteriores, conseguir conquistar pódios nacionais, representar Portugal em algumas provas, mas principalmente, conseguir integrar-me bem no grupo de trabalho onde cheguei agora.
 
Ardina do Alentejo – E agora como é que fica a tua vida? Vais para Lisboa viver, vais apenas treinar… 
JG – A minha vida neste momento está praticamente igual, à excepção da carga de treinos, e também ao facto de ter de ir treinar ao Centro de Alto Rendimento, em Lisboa, pelo menos duas vezes por semana. 
Viver para Lisboa este ano estava fora de questão, uma vez que ainda estou a acabar o 12º ano, tenho exames e não fazia sentido mudar de escola agora.
 
Ardina do Alentejo – Como é que a tua família viu este salto na carreira?
JG – A minha família ficou muito contente por mim, e apoiam-me incondicionalmente.
 
Ardina do Alentejo – E a AJES? Já sentes saudades?
JG – Sim, como é óbvio, sente-se sempre saudades da nossa primeira casa e principalmente do sítio onde fomos bem tratados... Vou sempre acompanhar os resultados da AJES até porque deixei lá grandes amigos.
 
Ardina do Alentejo – A tua saída do Alentejo, do interior do país para um grande do desporto nacional e mundial, revela que no Alentejo também se trabalha bem desportivamente apenas não olham tanto para nós?
JG – Acho que sim, no Alentejo também se trabalha bem desportivamente, por vezes até com um esforço acrescido, pois no interior não temos certas condições como existem nas grandes cidades...
 
 
Jorge Canhoto: "O João é mais um elemento que atinge um patamar de destaque, mas que acima de tudo, o impele para mais trabalho se quiser continuar a atingir resultados de destaque"
 
Quando João Geadas se sagrou Campeão Nacional de Atletismo dos 100 metros, no escalão de Juvenis, Jorge Canhoto era o “homem do leme”. Orgulhoso, o treinador da AJES - Associação Juvenil de Estremoz, falou com o Ardina do Alentejo, e contou-nos como é o agora atleta encarnado, quer a nível pessoal, quer a nível desportivo.

O “mister” da AJES falou ainda do “pedestal de arrogância” com que os grandes clubes do atletismo olham para os pequenos e lançou um olhar sobre o actual momento do atletismo da AJES e sobre o futuro.
 
Ardina do Alentejo – Motivo de orgulho para a AJES, e para o treinador Jorge Canhoto, esta assinatura de contrato do João Geadas com o SLB? 
Jorge Canhoto (JC) – Sempre que um atleta que iniciou a carreira na AJES, e deu aqui os primeiros passos na modalidade, atinge relevo em termos nacionais é sempre um orgulho para toda a estrutura dirigente e técnica da AJES. O João é mais um elemento que atinge um patamar de destaque, mas que acima de tudo, o impele para mais trabalho se quiser continuar a atingir resultados de destaque. Todos os atletas que se divertem com a prática desportiva e vão para os treinos satisfeitos e felizes, e aos poucos vão continuamente batendo as suas marcas, são motivo de satisfação de todos, mas acima de tudo a satisfação é por poder trabalhar com estes jovens e ser uma parte, ainda que pequena, na construção das suas vidas e das suas carreiras desportivas.
 
Ardina do Alentejo – Se tivesse de caracterizar o João Geadas, como é que o caracterizava? Pessoalmente e desportivamente… 
JC  Em termos pessoais é um jovem humilde, que escuta e corrige quando alguém lhe chama a atenção. É um jovem que se relaciona bem com toda a gente, bem-disposto e que coloca muita energia e entusiasmo no caminho para atingir os seus objectivos.
Em termos desportivos tem ainda uma margem muito grande de evolução e se continuar com a dedicação que sempre mostrou, a trabalhar mais e melhor, penso que poderá fazer coisas bonitas no atletismo português.
 
Ardina do Alentejo – A saída do atleta João Geadas do Alentejo, do interior do país para um grande do desporto nacional e mundial, revela que no Alentejo também se trabalha bem desportivamente apenas não olham tanto para nós? 
JC – No Alentejo trabalha-se tão bem como em qualquer outra região do país, possivelmente o número reduzido de jovens que atingem marcas de relevo prende-se com o despovoamento e envelhecimento do interior, onde a base de recrutamento é cada vez mais reduzida. Os clubes de dimensão nacional olham para os atletas do Alentejo como para os atletas de outras zonas e sabendo que as associações do interior não conseguem competir com eles em termos de condições, colocam-se num pedestal de arrogância desnecessária. No atletismo, como possivelmente em outras modalidades, ainda há um longo caminho a percorrer, começando pela democratização da modalidade com a eleição do Presidente da Federação, que é feita de forma indirecta, sem a participação dos clubes, e deveriam ser estes a votar, porque são estes que dão, como se costuma dizer, o corpo ao manifesto, mas isso não interessa aos interesses dos grandes.
 
Ardina do Alentejo – Em termos de atletismo, a AJES está bem e recomenda-se? 

JC – A AJES, como outros clubes do interior, debate-se por um lado com a falta de base de recrutamento, e por outro pela saída de alguns atletas quando atingem a idade de juniores, que fruto do seu percurso de estudantes vão para a Universidade, tornando-se difícil manter o acompanhamento de forma a que haja evolução das marcas e da sua formação enquanto atletas, ganhando os clubes onde há ensino superior com isso. 
No entanto, todos os anos o número de atletas que, por ingressar no ensino superior, acabam por deixar a AJES é compensada pelas entradas nos escalões mais baixos e o mesmo acontece este ano. Deixam a AJES, este ano, sete atletas e ingressam seis, o que segue a norma mantendo-se o grupo nos mesmos moldes que em anos anteriores.
 
Ardina do Alentejo – Há mais “Joãos Geadas” na AJES?
JC – Da AJES já saíram alguns atletas que puderam competir ou que ainda competem em provas noutras associações regionais ou em quadros competitivos nacionais. Correndo o risco de me esquecer de alguém, mas os últimos nomes que recordo são os do João Bandovas, que ainda competiu pelo Belenenses, o Luís Pássaro que integrou as equipas do Donas e do Clube de Campismo de São João da Madeira, e a Carolina Liliu, que é a recordista regional dos 100 metros, que integra a equipa principal de futsal do Sporting Clube de Portugal.
Dos que continuam a defender as cores da AJES, todos eles têm os objectivos bem definidos, e não nos podemos esquecer que estamos a falar de escalões de formação, onde eu prefiro construir e não ter grandes  atletas em miniatura. Acima de tudo se o trabalho for bem feito nestes escalões a probabilidade de se atingirem grandes marcas, que no atletismo acontecem basicamente depois dos 24 anos, é muito maior. Como disse, prefiro “construir” atletas de futuro do que campeões precoces e que depois se perdem.

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