segunda, 10 dezembro 2018

Corrida de Touros na Terrugem - Todas as declarações

Escrito por  Publicado em Cultura terça, 11 agosto 2015 14:45
Principais intervenientes na corrida falaram aos microfones do Ardina do Alentejo Principais intervenientes na corrida falaram aos microfones do Ardina do Alentejo Pedro Soeiro
A bonita Praça de Touros da Terrugem recebeu no passado Sábado, dia 8 de Agosto, a típica Corrida de Touros por ocasião das Festas de Santo António daquela vila alentejana.
 
Organizada pela empresa Derechazo, a tourada contou com a presença dos cavaleiros Francisco Cortes, Ana Batista e João Moura Caetano. Foram lidados seis touros das ganadarias Manuel Veiga e Canas Vigoroux, que não proporcionaram triunfos assinaláveis a nenhum dos cavaleiros. As pegas estiveram a cargo dos Grupos de Forcados Amadores de Montemor e Monforte.
 
Antes das cortesias, Francisco Cortes, que em 2015 comemora os seus 20 anos de alternativa, foi homenageado pela empresa de Arnaldo Santos, com o descerrar de uma lápide comemorativa da efeméride no páteo de quadrilhas da castiça praça da Terrugem, que em noite de festa registou pouco mais de meia praça de afluência de público.
 
Francisco Cortes, um toureiro que tem sido esquecido pelas empresas, precisava de triunfar forte, até pelo seu compromisso em Setembro, na praça da sua terra, mas a pouca qualidade dos touros não permitiram esse triunfo. Teve um ou o
utro ferro com mérito, esteve esforçado e muito profissional mas, faltou aquele triunfo que necessitava.
 
Ana Batista teve uma grande facilidade em analisar os touros que lhe tocaram. Esteve com grande discernimento com os touros a defenderem-se e por vezes a apertarem para dentro. Colocou a “carne no assador” e conseguiu a actuação mais empolgante da noite, sobretudo no primeiro quando entrou com decisão pelo corredor, para apontar um grande ferro.
 
João Moura Caetano aproveitou as primeiras investidas do Veiga, citando de largo para deixar o seu habitual ferro com a batida. Colocou ainda um curto de boa nota mas a partir daí o touro foi para tábuas. Aí teve que se empregar para rematar a lide. Se o Veiga foi complicado o que dizer do Canas Vigoroux. Um manso “agarrado” a tábuas, que obrigou Caetano a recorrer às sortes sesgadas, pisando-lhe o pouco terreno que o touro lhe deixava para colocar a ferragem.
 
Não foram fáceis as ganadarias no que concerne às pegas. Por Montemor pegaram Luís Valério (1ª), Manuel Dentinho (3ª) e Francisco Barreto (1ª); por Monforte Luís Samarra (1ª), Carlos Pinhel (2ª) e Dinis Pacheco, muito bem à 3ª tentativa, em dobra a André Xarepe, que foi violentamente volteado saindo lesionado.
 
c/ Planeta dos Touros
 
Francisco Cortes
Estou contente sobretudo pelo calor humano que senti aqui, as pessoas apoiaram-me, e estou igualmente contente porque vi aqui muita gente de Estremoz. Em relação às lides, posso dizer que os touros não eram bons, eram pouco colaboradores. No primeiro ainda consegui que ele se deixasse tourear, mas o segundo tinha uma lide muito difícil. Cumpri mas não foi de forma alguma a actuação que eu idealizei e que gostava de ter tido aqui.
 
Ana Batista
Estou muito satisfeita. O primeiro touro era um touro com uma investida agressiva. Acho que depois das bandarilhas consegui modificar a minha lide, consegui lidar muito e andar muito em cima dele, e o último ferro penso que foi espectacular, porque o touro estava mesmo fechado em tábuas. Foi um ferro com muita emoção. Estou muito, mesmo muito satisfeita porque no meio da dificuldade toda consegui desfrutar e os cavalos andaram muito bem. Esta segunda actuação foi com um daqueles touros impossíveis, muito chatos. A sorte no meio daquela mansidão toda é que ele não tinha muita força e não fazia mal, mas quando investia, investia a adiantar-se e não deixava sítio para o ferro. Mas nós temos de tourear todo o tipo de touros, e cá estamos. Sejam mansos, sejam bravos, temos de dar o nosso melhor e penso que foi o que eu fiz. Esforcei-me bastante e saí bastante cansada. Fiz o que pude.
 
João Moura Caetano
Esta segunda actuação foi uma actuação de muito esforço, de muito risco, porque o touro era muito manso e não tinha nada. Tive de tourear em cima dele para lhe colocar a ferragem da ordem. O público esteve muito comigo. Agradeço ao público da Terrugem, notou-se que estão comigo e que percebem o meu toureio. Houve ferros de muito risco porque tive de praticamente chocar com ele para colocar os ferros. Foi uma actuação que não pode ser brilhante como nós gostamos, mas foi de muita entrega e estou satisfeito por isso. Em relação à primeira actuação, o touro tinha um bocadinho mais de qualidade, apesar de não ter sido bom. Mas a segunda teve mais risco. Gostei mais da segunda actuação.
 
Ricardo Carrilho - Cabo do Grupo de Forcados Amadores de Monforte
O balanço é positivo apesar de termos pegado um touro à primeira, um à segunda e um à terceira. Penso que foi positivo. Foi uma noite dura, que veio comprovar a fama que os touros da ganadaria Canas têm. São touros destes que fazem falta, são touros destes que fazem os forcados, são touros destes que fazem o grupo. Gostei de ver o grupo a ajudar. Houve a infelicidade do André se ter lesionado à segunda tentativa na pega do último touro, mas isto são coisas que fazem parte e calha a todos… aos que cá andam.
Sim, está tudo preparado para a corrida dos 15 anos do grupo. Existe uma motivação enorme, é um dia de aniversário e penso que será também um dia de festa. Temos uma ganadaria conceituada (ndr), os touros estão excelentemente bem apresentados e concerteza que também nos irão dar trabalho. Será mais uma prova de fogo que o grupo terá de atravessar porque não fazia sentido nenhum que o grupo não pegasse seis touros numa data tão importante como esta, do 15º aniversário. Mas está tudo moralizado e tudo preparado.
 
António Vacas de Carvalho - Cabo do Grupo de Forcados Amadores de Montemor
O grupo de Montemor hoje teve aqui três touros que não eram touros difíceis, mas também não eram touros fáceis e o grupo fez duas boas pegas à primeira. Apanhámos um segundo touro com uma cara menos confortável e o forcado da cara também não esteve impecável como deveria ter estado à frente do touro e acabámos por pegar esse à terceira. Mas de um modo geral, acho que foi uma corrida com emoção, uma corrida simpática, na qual tivemos muito gosto em estar presente e esperamos voltar.
 
Arnaldo Santos - Empresário da empresa Derechazo
Depois da tortura que me fizeram, sendo eu um aficionado, e verdadeiro, não sou um aficionado falso, não sou impostor, sou aficionado de coração, desde os meus 14 anos, achei que Deus me compensou de certa maneira. Não estou descontente, pelo contrário. Consegui cumprir os meus objectivos, consegui cumprir com as pessoas que trouxe aqui, quero eu dizer à afición que paguei a toda a gente. Estou contente. Para o ano vamos reformular esta praça, porque é uma praça que me diz muito, no sentido da obra para quem ela se destina.
A Derechazo veio para ficar, apesar da crucificação e das balas. Veio para ficar.
 

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