Imprimir esta página
sexta, 05 abril 2019 23:32

Évora Monte recebe exposição de gravuras de Nelson Mandela

Escrito por
Esta será a primeira vez que este conjunto de criações, datados de 2001 a 2005, visita o nosso país Esta será a primeira vez que este conjunto de criações, datados de 2001 a 2005, visita o nosso país DR
Por intermédio do sul-africano Mitch Webber, proprietário do espaço de alojamento local The Place at Evoramonte, e contando com o apoio da Câmara Municipal de Estremoz e da Junta de Freguesia de Évora Monte, a Fundação House of Mandela Art promove, pela primeira vez em Portugal, a exposição de obras de Nelson Mandela, “A Arte de Nelson Mandela”, exposição apresentada pela Delta Cafés, e que estará patente em Évora Monte, até ao dia 2 de Junho de 2019.
 

“A Arte de Nelson Mandela” tem inauguração marcada para a próxima terça-feira, 9 de Abril, pelas 11 horas, e para além de contar com a presença de diversos representantes das entidades envolvidas, marcará igualmente presença a Embaixadora da África do Sul em Portugal, Mmamokwena Gaoretelelwe. 
 
Esta será a primeira vez que este conjunto de criações, datados de 2001 a 2005, e que espelham a sobejamente conhecida história da vida do líder político sul-africano, visita o nosso país. 
 
Constituída por duas séries de desenhos e pinturas – série Luta e série Ilha Robben - a exposição irá estar patente em diversos locais da aldeia alentejana. A Torre/Paço, no majestoso Castelo de Évora Monte, a Galeria de Arte Silveirinha, no primeiro piso dos antigos Paços do Concelho, a loja de artesanato Celeiro Comum, as instalações da empresa de animação turística e cultural Andar a Monte, e o alojamento local The Place at Evoramonte, são os cinco locais escolhidos – de curta distância entre si – para receber esta mostra de trabalhos de Nelson Mandela.
 
As 36 imagens expostas tratam-se de gravuras, algumas delas assinadas, da colecção da Fundação House of Mandela Art. 
 
A série Luta
Na Torre/Paço estarão expostas as suas primeiras obras, a série Luta (Struggle Series), constituída por cinco desenhos que sintetizam a história da sua vida: “O Punho Cerrado”, que representa os anos de luta; “A Prisão” – as suas mãos atadas que simbolizam o seu encarceramento durante 27 anos, “A Liberdade” – o partir os grilhões; “A Unidade” – Nelson Mandela não se limitou a unir a sua nação e continente, tendo estendido a sua mão de amizade a todo o mundo; e “A Mão” – a sua mão estendida na direcção da mão de uma criança, refletindo a sua crença nos mais jovens.
 

Conforme escreveu na respectiva motivação: “Ainda que a idade nos transforme em guias mais sábios… é a juventude que nos faz lembrar do amor, da confiança e do valor da vida”. Como entidade promotora, a House of Mandela Art convidou dois artistas portugueses para participarem nas séries “Unity”, que podem conhecer através do link https://houseofmandelaart.com/collections/unity-series -, série essa que resulta da interpretação da série Luta por diversos artistas. Assim, dois artistas nacionais, de diferentes gerações, irão desenvolver ao vivo no Castelo, nos fins de semana do período da exposição, as suas criações tendo por base este conjunto de desenhos. Estas gravuras serão assinadas pelos próprios e colocadas à venda no site da Nelson Mandela Art, e as receitas serão partilhadas entre o artista e a Nelson Mandela Art Charity.
 
A série Ilha Robben 

Em 2002, Nelson Mandela criou uma série de gravuras que evocam o tempo que passou em Robben Island, aonde regressou para melhor capturar a sua essência, o que fez através do seu estilo singular, usando cores garridas, numa série de trabalhos intitulados “A Cela”, “A Janela”, “A Igreja”, “O Farol” e “O Porto”. Nelson Mandela escreveu também sobre a motivação subjacente a estas obras. 
Concluídas estas séries, Mandela dedicou-se ao seu talento recém-descoberto e, em jeito de brincadeira, disse ao seu professor de artes – “Posso transmitir tanta coisa com estes simples desenhos à base de linhas. Por que é que escreveria outro livro, quando posso contar histórias nos meus desenhos?”. Inspirando-se na série Luta, Nelson Mandela viria a criar mais 46 obras originais. Essas obras podem ser consultadas no website da fundação, em https://houseofmandelaart.com
 
Évora Monte 
Situada no extremo ocidental da Serra d’Ossa, Évora Monte divide-se em zonas distintas. No cimo do monte a vila muralhada e, cá em baixo junto à estrada nacional, a parte nova desta localidade. Reza a história que foi conquistada por Giraldo Geraldes, O Sem Pavor, no ano de 1166. Recebe Foral de D. Afonso III em 1248 e, em 1306, D. Dinis manda erguer as muralhas para assim proteger a vila e incentivar o seu povoamento. No séc. XV passa a integrar o Ducado de Bragança e, no séc. XVI, D. Jaime, IV Duque de Bragança, manda erguer a Torre/Paço, de desenho peculiar e inconfundível. Esta é abraçada por cordões que terminam nos famosos Nós dos Braganças, alusivos ao lema desta Casa “Depois de Vós, Nós” (depois do Rei, nós, a Casa de Bragança). É também em Évora Monte que, em 26 de Maio de 1834, é assinada a Convenção de Évora Monte, tratado que põe fim à Guerra Civil. A beleza de Évora Monte, bem como o seu riquíssimo património cultural e paisagístico são algumas das razões que convidam a uma visita. E se assim já o era, durante os meses de Abril e Maio há mais um forte motivo para ir, ou voltar, até à pequena aldeia alentejana, a exposição “A Arte de Nelson Mandela”, apresentada pela Delta Cafés.
 
Galeria de Arte Silveirinha e Celeiro Comum

De paragem obrigatória, a Galeria de Arte “Silveirinha”, de Sofia Bourbon, acolhe grande parte da exposição. Aberto desde Agosto de 2018, com o objectivo de dar nova vida ao emblemático edifício do século XVIII onde se instalou, junto à Torre/Paço de Évora Monte, este espaço alia a arte à cultura, dispondo de duas salas para exposições temporárias, e uma terceira onde se podem comprar produtos de marcas portuguesas, com maior enfoque em produtos do Alentejo, entre os quais se destacam os vinhos produzidos pela Herdade da Madeira Velha, com adega em Évora Monte. Aqui é também possível subir à Torre do Relógio, que faz parte da história da terra, assim como as Pedras do Caminho, que nos levam até à próxima atracção, a loja de artesanato, e nos contam a história de Inocência Lopes, a guardiã deste castelo que abriu a sua loja há 15 anos e, apesar das dificuldades, ainda hoje aqui permanece. A artesã local pintou, à mão, 100 pedras da calçada, transformando-as em pequenas casas, únicas e numeradas, que fazem as delícias de todos os que por elas passam. Estas são as “Pedras de Évora Monte”, que têm a sua versão ‘portátil’ nas irresistíveis “Casas da Sensa” (petit-non de Inocência), que a mesma artista pinta em pedras soltas do caminho, e que podem ser compradas na sua pitoresca loja de artesanato, “Celeiro Comum”, que faz parte deste combinado de encantos alentejanos. Um celeiro com uma simples fachada, datada do século XVII, fundado a 21 de Janeiro de 1642, por alvará de D. João IV e a pedido dos evoramontenses.
 
Andar a Monte
Olhando mais para cima, a observação de pássaros é outra das propostas para que quem passe por Évora Monte, não passe sem lá voltar (e recomendar!). Chegam a ser observadas e identificadas mais de 65 espécies apenas na área mais próxima. Os que não dispensam uma boa caminhada podem ir “Andar a Monte” com Helena e Matilde Ruas, mãe e filha, proprietárias desta empresa local que organiza e promove passeios pela região, dando a conhecer o património cultural e paisagístico de Évora Monte, incluindo a história do Castelo e as curiosidades desta pequena aldeia alentejana. É também possível conhecer as Ermidas de Évora Monte (e são 13!), passeando pelo montado e pelo olival, com direito a uma explicação sobre a produção de azeite e a tiragem da cortiça. E na sede da “Andar a Monte”, azeite e ervas aromáticas biológicos, produzidos localmente, bem como os óleos essenciais, estão disponíveis para compra. Poderá ainda observar encadernações feitas por um artesão local.
 
The Place at Evoramonte
E para uma pausa ou para uma confortável estadia, o “The Place at Evoramonte” completa esta experiência apaixonante, já que o casal de proprietários, tal como a própria terra, têm também a sua história romântica. Vicki e Mitch conheceram-se em 2000, e desde então viajaram juntos por mais de 45 países, e sempre com a ideia de abrir uma loja de artesanato ou um alojamento local na Escócia. Depois de viverem quatro anos na Tailândia, perceberam que precisavam de mais sol do que as terras escocesas podiam oferecer. E após visitarem o norte e o sul, concluíram que a zona de Évora seria perfeita. Em Outubro de 2013 encontraram um pequeno tesouro alentejano, que é hoje este alojamento local. Lá dentro, os quatro quartos foram cuidadosamente decorados, numa fusão perfeita da essência histórica com conceitos mais actuais, mantendo sempre um equilíbrio harmonioso, de forma a proporcionar uma estadia tão inesquecível como os pores do sol que podem ser contemplados das magníficas varandas, de que cada quarto dispõe, com uma vista deslumbrante de 220º sobre a relaxante paisagem alentejana. 
 
 
 
Modificado em segunda, 08 abril 2019 23:39