terça, 21 maio 2019
terça, 19 fevereiro 2019 16:28

Domingo há "SAL - Homenagem a Joaquim Carola" no Bernardim Ribeiro, em Estremoz

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Foi no TAE - Teatro Amador de Estremoz que Joaquim Carola agarrou o último papel da sua vida Foi no TAE - Teatro Amador de Estremoz que Joaquim Carola agarrou o último papel da sua vida DR
Joaquim Carola faleceu a 13 de Janeiro de 2019, aos 69 anos de idade.
 
Natural de Estremoz (Santo André), Joaquim Carola desde sempre desenvolveu pelas artes um gosto muito especial. O teatro foi uma das suas grandes paixões. Pisou vários palcos, de norte a sul do país, tendo participado em inúmeras peças, em representação de diversas companhias.
 
Na freguesia estremocense de Arcos, onde residia, foi o responsável máximo pelo Pátuá – Grupo de Teatro de Arcos. No grupo arcoense, ao longo dos anos de duração do Pátuá, Carola foi de tudo um pouco: director técnico, aderecista, encenador, actor, carpinteiro, electricista, guionista…
 
O malogrado Joaquim Carola foi também durante vários anos o responsável pela elaboração dos carros alegóricos com que a Freguesia de Arcos se apresentou nos últimos desfiles de Carnaval da cidade de Estremoz.
 
E porque o teatro lhe corria nas veias, quando o TAE – Teatro Amador de Estremoz abriu as portas para receber novos actores no grupo, Joaquim Carola foi dos primeiros a inscrever-se nos castings. Foi no TAE que agarrou o último papel da sua vida. A sua experiência e o seu modo de estar na vida e no palco contribuiu, e muito, para a coesão da companhia estremocense.
 
Joaquim Carola praticamente morreu em palco, a fazer uma das coisas que mais gostava. Os camarins do Teatro Bernardim Ribeiro foi o último espaço que pisou com vida. O cego Tirésias, que brilhantemente interpretou nas duas representações da peça “Teremos sempre Tebas”, encenada pelo estremocense Cláudio Henriques, foi a sua última personagem.
 
E será no Teatro Bernardim Ribeiro que no próximo domingo, dia 24 de Fevereiro, pelas 17 horas, o TAE – Teatro Amador de Estremoz levará à cena o espectáculo “SAL – Homenagem a Joaquim Carola”.
 
Ardina do Alentejo esteve à conversa com Cláudio Henriques, encenador do TAE, que nos falou um pouco sobre “SAL”, mas também sobre como a morte de Joaquim Carola marcou a vida da companhia estremocense e de todos os seus elementos.
 
Ardina do Alentejo – Concretamente, se é que podes levantar um pouco do véu, o que é que vai acontecer dia 24 de Fevereiro, no Teatro Bernardim Ribeiro?
Cláudio Henriques (CH) - Vamos, nós TAE, homenagear o nosso amigo e colega Joaquim Carola, que infelizmente perdeu a vida recentemente.
E vamos fazê-lo da forma que achamos ser a que ele gostaria, num palco, no teatro, a ler textos bonitos, que reflectem como cada um de nós vê o Joaquim, textos que reflectem todo o tempo de partilha, de comunhão que passámos com ele, que passámos todos juntos. É uma celebração à vida, de dedicação ao teatro, que o Joaquim sempre teve, e ao legado de força, paixão e compromisso que ele deixou neste grupo, e em todos o que o conheceram, e que faremos questão que não seja esquecido.
 
Ardina do Alentejo – A morte de Joaquim Carola foi um duro golpe para o TAE e para os seus elementos. Como é que encontras actualmente o grupo e como é que eles encararam esta ideia de um espectáculo de homenagem a Joaquim Carola?
CH - É sempre duro perder um dos nossos, e no seio de um grupo de teatro, onde há tanta amizade, tanta partilha não é excepção. 
Fiquei obviamente muito preocupado com o impacto que tudo isto iria ter no grupo, cada pessoa reage de forma tão singular, nunca ninguém está preparado para que estas coisas aconteçam. Ninguém está preparado para a morte, sabemos desde cedo, que mais tarde ou mais cedo iremos ser confrontados com "ela", mas ninguém está preparado, e no meio deste tornado, que foi tudo isto, enquanto grupo tivemos que nos agarrar precisamente aos exemplos que o Joaquim nos passou, ter força, ter raça, unirmo-nos. Neste momento é assim que nos sinto, com força, com ganas de homenagear o nosso amigo, não só no dia 24, mas no futuro, em todas as vezes em que iremos subir a palco, na nossa atitude, na disciplina e vontade de cada dia fazer melhor. Era assim que ele era, no teatro e na vida, e é assim que tentaremos ser, por ele, por nós.
 
Ardina do Alentejo – E o encenador? Foi este o mais rude golpe que viveste no mundo do teatro?
CH - Foi, é.
 
Ardina do Alentejo – Queres aproveitar esta oportunidade e convidar todos a marcarem presença no Teatro Bernardim Ribeiro, no próximo dia 24?
CH - Quero sim, quero convidar todos os que gostavam do Joaquim, todos os que o conheciam, e também os que não o conheciam, porque é sempre bom ficarmos a conhecer mais um pouco, exemplos de pessoas que lutam pelo que gostam, pelo que amam, e essa Humanidade é sempre bom sentir de perto, faz-nos lembrar o que por vezes nos esquecemos.
 
O espectáculo “SAL – Homenagem a Joaquim Carola” é uma organização do TAE – Teatro Amador de Estremoz, com o apoio da Câmara Municipal de Estremoz. A entrada é livre, sendo no entanto necessário adquirir bilhete devido à lotação do Teatro Bernardim Ribeiro.
 
Para mais informações e reserva de bilhetes, devem os interessados contactar o Teatro Bernardim Ribeiro, através do telefone 268339222, os Serviços Culturais da Câmara Municipal de Estremoz, pelo 268339216 ou pelo mail Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar. ou ainda o Posto de Turismo, através do 268339227.
Modificado em terça, 19 fevereiro 2019 18:36

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