domingo, 16 dezembro 2018

Peça de teatro "Cabeça de Porco" no Teatro Bernardim Ribeiro

Escrito por  Publicado em Cultura sexta, 23 novembro 2018 01:28
“Cabeça de Porco” tem como base um conto de João do Rio (Paulo Barreto) e acontece num país do Sul “Cabeça de Porco” tem como base um conto de João do Rio (Paulo Barreto) e acontece num país do Sul DR
O palco do Teatro Bernardim Ribeiro, em Estremoz, recebe no próximo sábado, dia 24 de Novembro, a partir das 21:30 horas, a representação da peça de teatro "Cabeça de Porco".
 
António é um homem que nasce bom, num país de maus. Nasce com uma cabeça revolucionária e um grande sentido crítico sobre a política, igualdade social e justiça. Todos o achavam estranho, desobediente, perigoso e insuportável. António não desiste de ser ele próprio e de tentar melhorar o mundo à sua volta. Um dia, apaixona-se e perde a cabeça: promete mudar, ser diferente, igual a todos, ser normal. Um relojoeiro empresta-lhe uma cabeça de porco, com a qual António consegue tudo o que um homem deve desejar na vida: poder, juventude, beleza e amor.
 
“Cabeça de Porco” tem como base um conto de João do Rio (Paulo Barreto) e acontece num país do Sul, num lugar onde todos querem a mudança, mas ninguém quer mudar. Frutificam ideais de preponderância, ira, inveja, gula, cobiça, luxúria, orgulho, preguiça, corrupção, hipocrisia e egoísmo. Neste contexto, a presença de António é divergente. Ele sempre diz a verdade e acredita numa sociedade com ideais construtivistas como a Fraternidade, a Igualdade e a Liberdade. Um homem pode ser bom, isto é, pode ser um centro de amor, caridade e inspiração. António rapidamente descobre que não se encaixa na ordem estabelecida. Apaixonado, decide mudar e descobre que consegue ajustar-se às imposições do mundo, camuflando-se. Troca a sua brilhante cabeça por uma de porco. Após a transformação descobre que é muito melhor e vantajoso ser mau. «Não sou feliz. Eu estou feliz.»
 

Baseado no conto “O Homem da Cabeça de Papelão” (de João do Rio, pseudónimo do autor brasileiro João Barreto), conta a história de um homem que nasce bom num país de maus. António é um inadaptado, completamente incompreendido pela sociedade em que vive, onde a sua tendência para o bem e para a verdade é vista com desdém.

 Ardina do Alentejo quis saber mais sobre este espectáculo, e esteve à conversa com dois elementos do Resina Teatro, companhia que apresenta em Estremoz a peça “Cabeça de Porco”, mais concretamente António Vicente, responsável pela luminotecnia, sonoplastia e vídeo, e André Carvalho, que assina a Direcção de Actores. Conversámos também com Nelson Monforte, actor que tem a seu cargo a interpretação desta peça, sendo também o responsável pela versão e concepção deste espectáculo.
 
Ardina do Alentejo - Resina Teatro regressa ao Teatro Bernardim Ribeiro, quase dois meses depois... Que balanço fazem da vossa estreia em Estremoz, a 29 de Setembro, com a peça "Os Vigilantes"?
António Vicente (AV) - Para falar a verdade, estávamos um pouco receosos. Já há algum tempo que não apresentávamos “Os Vigilantes”, pelo que poderíamos estar «enferrujados», mas trabalhámos muito bem durante os ensaios e afinámos alguns detalhes, portanto, honestamente, consideramos que foi o nosso melhor espectáculo. O Teatro Bernardim Ribeiro é um espaço lindíssimo e a equipa que nos recebeu foi impecável durante todo o processo, o que também ajudou muito à nossa adaptação! Infelizmente, não tivemos tantos espectadores quanto gostaríamos, o que é uma pena, porque “Os Vigilantes” vive muito da sinergia entre todos... Há um silêncio e uma tensão ao longo do espectáculo, crescentes, mas que atingem outros níveis quando existe uma réplica vinda da plateia. Apesar disso, alguns dos espectadores com quem conversámos depois da apresentação disseram-nos que gostaram muito e que o espectáculo abordava assuntos muito pertinentes – o que é óptimo, deu-nos uma sensação de «dever cumprido»!
 
Ardina do Alentejo - E o que nos trazem agora?
André Carvalho (AC) - O espectáculo de sábado será um pouco diferente. É baseado no conto “O Homem da Cabeça de Papelão” (de João do Rio, pseudónimo do autor brasileiro João Barreto) e conta a história de um homem que nasce bom num país de maus. António é um inadaptado, completamente incompreendido pela sociedade em que vive, onde a sua tendência para o bem e para a verdade é vista com desdém. Ainda assim, António é como todos nós, pois apenas procura ser compreendido e aceite pelos outros. Quanto ao espectáculo, optámos por não seguir a linha tradicional de como contar uma história, acrescentámos alguns elementos que lhe conferem outro matiz e o fazem muito mais interessante!
 
Ardina do Alentejo - O teatro vive do público... Aproveita esta oportunidade e convence o público a vir ao TBR na noite de sábado...
AV - “Cabeça de Porco” é um espectáculo intimista, portanto ganha outra dimensão quando há uma respiração e uma reflexão conjuntas, entre actor e espectadores. A reflexão não se limita ao espectáculo em si, pelo que o mais interessante, na nossa opinião, é encontrarmos as ligações entre esta sociedade ficcionada e a sociedade que todos nós partilhamos – cada vez mais do consumo imediato e da pastilha elástica. E é isso que queremos descobrir, se somos os únicos a pensar deste modo ou se os estremocenses partilham as nossas ideias... Portanto, venham daí e ajudem-nos a contar esta história!
 

Seguramente regressaremos a Estremoz em 2019. Seja com um novo espectáculo ou um projecto de maior dimensão – um dos nossos objectivos é desenvolver e aprofundar a nossa ligação à cidade, um espaço próprio, o que nos permitirá trabalhar com outra flexibilidade, apresentar espectáculos com maior regularidade e, também, desenvolver actividades com a comunidade.

 Ardina do Alentejo - Nelson Monforte está a comemorar 20 anos de carreira... Têm sido uns bons 20 anos?
Nelson Monforte (NM) - Têm sido vinte anos de muita emoção, de muito estudo e de árduo trabalho. Licenciei-me na Escola Superior de Teatro e Cinema e mais tarde concluí o mestrado em Artes Cénicas na Universidade Nova de Lisboa. Tive a sorte de trabalhar com grandes companhias de teatro, nacionais e internacionais, como actor e director. Ambicionava ser um bom actor e principalmente viver da minha arte. O objectivo principal foi conseguido com sucesso. Tive uma diversidade de papéis assinalável ao longo destes vinte anos de carreira, dividi-me entre o teatro, a televisão e o cinema, mas ainda quero realizar muitas ideias e projectos e, se possível, viajar pelo mundo inteiro a fazer teatro.
 
Ardina do Alentejo - A versão, concepção e interpretação de "Cabeça de Porco" é sua... Foi um desafio que quis colocar a si próprio?
NM - “Cabeça de Porco” nasceu numa altura de revolta pessoal, de inquietação como artista e cidadão de um país em profunda crise, governado – ou, melhor, desgovernado – por políticos incompetentes. Este espectáculo «aberto» continua a ser um projecto complexo de criação e concepção cénica. Um dos maiores desafios profissionais que tive até hoje, pois não tive qualquer apoio financeiro e, como artista, estava completamente sozinho. A ideia inicial era fazer tudo: guião, interpretação, cenografia, figurinos, sonoplastia, produção, etc. Foi um enorme prazer trabalhar este texto do João do Rio e, ao mesmo tempo, uma oportunidade enorme transformá-lo num espectáculo teatral. Um espectáculo político, sociológico e um óptimo entretenimento.
 
Ardina do Alentejo - E que mais projectos existem na carreira do Nélson?
NM - Ainda quero continuar a apresentar o “Cabeça de Porco”, em Portugal e no Mundo. Como actor, também regressarei com novos papéis e projectos. Também quero dedicar mais tempo ao cinema e à realização. Tenho duas ideias para longas metragens. Estou sempre à procura de novos projectos, que me desafiem e estimulem, mas que também sejam surpreendentes para o público.
 
Ardina do Alentejo - E depois de sábado, fica a faltar muito tempo até ao regresso do Resina Teatro a Estremoz?
AC - Seguramente regressaremos a Estremoz em 2019. Seja com um novo espectáculo ou um projecto de maior dimensão – um dos nossos objectivos é desenvolver e aprofundar a nossa ligação à cidade, um espaço próprio, o que nos permitirá trabalhar com outra flexibilidade, apresentar espectáculos com maior regularidade e, também, desenvolver actividades com a comunidade.
 
A peça “Cabeça de Porco” é uma organização do Resina Teatro, com o apoio da Câmara Municipal de Estremoz, sendo o preço dos bilhetes de 10€ na plateia e 1º balcão, e de 8,50€ nas frisas e camarotes.
 
Para mais informações e reserva de bilhetes, devem os interessados contactar o Teatro Bernardim Ribeiro, através do telefone 268339222, os Serviços Culturais da Câmara Municipal de Estremoz, pelo 268339216 ou pelo mail Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar. ou ainda o Posto de Turismo, através do 268339227. 

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